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4 reproduções

Uri Caine Ensemble: The Goldberg Variations, 2000

★★★★½

Assumo que música clássica antiga (pré-século XX) não é o meu forte. Sempre fui mais pro Schoenberg que pro Mozart. Mas não há como negar a genialidade, criatividade e importância do [considerado por muitos] maior compositor ocidental de todos os tempos, Sr. Johann Sebastian Bach.

Não, meu caro amigo hair metal, eu não estou falando do vocalista do Skid Row. É o tiozinho nascido em 1685 que mandou ver no barroco e neo-clássico.

Uri Caine é um pianista americano, nascido na Filadélfia em 1956, super eclético: toca de Mahler a bebop, de post-bop a experimental, de Thelonious Monk a bossa nova. Esteve no Brasil há uns 4 anos, tocando na banda do trompetista “modern creative” Dave Douglas.

No final dos anos 90 ele começou a fazer interpretações magníficas e modernas (mais pro jazz / avant-garde que pro erudito) de compositores como Mahler (“Urlicht / Primal Light”). E aí que o cara mostrou a que veio.

Segundo o próprio Uri Caine, “The Goldberg Variations é o símbolo da diversidade de Bach”. A diversidade que era possível na época, com a tecnologia e criatividade do século XVII~XVIII.

O que Caine fez foi transformar isso num disco erudito (e também pop) contemporâneo: rock, dub, electro, modern jazz, free jazz, improviso, ragtime, blues, música de video game, medieval, avant-garde, atonalismo, valsa, música de natal (!), soul, tango, mambo, gospel, bebop, experimental, drum & bass, samba, klezmer, corais, bossa nova, poemas, colagens, ambiências, quarteto de cordas, orquestra e… uhmmm… Bach!

Interpretações inspiradas em outros músicos eruditos clássicos como Vivaldi, Verdi ou mais modernos como Rachmaninov ou Philip Glass também rolam.

Mas nada disso soa caricato ou nonsense. Muito pelo contrário, parece que tudo faz sentido.

Talvez se Bach vivesse nos dias de hoje, com as tecnologias disponíveis agora, ele fizesse um disco assim.

As 30 variações originais viraram 72. A maior parte das faixas varia entre 30 segundos e 3 minutos neste álbum duplo lançado pela gravadora alemã Winter & Winter, com suas tradicionais embalagens de CD (seus discos vêm sempre numa espécie de híbrido de caixa de CD com caixa de madeira, num acabamento diferenciado - muito legal).

Achei sensacional.

Goste ou não de música clássica, recomendo uma audição completa.

Amantes puristas de música clássica, por favor, passem longe!