4 reproduções
Medeski Scofield Martin & Wood: Out Louder, 2006
★★★½
O trio Medeski Martin & Wood fez um dos melhores shows deste ano aqui em São Paulo até agora. Duas horas de muito jazz-funk com direito a várias sessões de improviso, bem ao estilo desse trio instrumental que vem mostrando, há 13 anos, que o jazz não precisa ser careta, muito menos velho.
O que este disco tem de novo e por isso está sendo resenhado?
Quatro razões. A primeira é que eu estou ouvindo ele neste instante pela primeira vez :P . A segunda é que chegou, há pouco tempo, a algumas lojas de discos importados no Brasil. A terceira é que é o primeiro lançamento pelo selo dos próprios caras o que, a princípio, costuma ser sinal de mais liberdade criativa. A quarta é que o trio traz um convidado especial por todo disco: o guitarrista John Scofield.
Os 4 músicos já gravaram juntos antes. O trio, formado pelo tecladista John Medeski, o baterista Billy Martin e o baixista Chris Wood, já foram a banda de apoio do disco do Scofield, “A Go Go”, de 1997. Mas, na época, além do trio ainda não ter seu nome tão difundido no meio Hard-Bop/Bost-Bop/Jazz-Funk, o disco só trazia composições do próprio John Scofield.
Desta vez é diferente. E, apesar da presença de um convidado, os quatro parecem ter nascidos para tocar juntos. Absolutamente coeso e integrado o som deles! Já não é a primeira vez que Medeski Martin & Wood trabalham com um guitarrista. Pelo contrario, em quase todos seus discos há a presença da guitarra em algumas faixas. Um dos mais inventivos, na minha opinião, é o Marc Ribot.
Embora Scofield venha de uma geração de músicos um pouco mais tradicional que Ribot, com fortes elementos de jazz soul, fusion e (post-)bop, ele não faz feio: adicionou uma série de elementos ao som do trio que não parece uma banda com um convidado e sim um quarteto de músicos que compõem, improvisam e grooveiam juntos, como velhos amigos.
Existe até uma influência clara do Brasil em algumas faixas deste disco. E não é a primeira vez que isso acontece. O próprio Medeski comentou na imprensa, algumas vezes, sobre a sua admiração pela música brasileira. Hermeto Pascoal, principalmente (a faixa “Hermeto’s Daydream”, do disco “Notes From The Undergound”, de 1992, seria uma homenagem a ele?).
Neste aqui são 2 exemplos. A faixa “Tequila And Chocolate” é praticamente uma Bossa Nova, só que com mais groove. Composição do baixista Wood, assim como a faixa de nome “Cachaça” - esse título eu não tenho dúvida da influência tupiniquim ;)
O disco tem 2 covers, como eles sempre gostam de fazer… sempre muito diferentes da original. “Julia”, do álbum branco dos Beatles, tem muito pouco da original, mas é linda. E “Legalize It”, de Peter Tosh, virou um reggae-funk-bemlouco.
Aliás, segunda vez (pelo que me lembro) que eles fazem cover de reggae. A outra vez foi no segundo disco deles, de 1992, com a música “Lively Up Yorself” do Bob Marley.
Gostei da “Down The Tube”, de mais de 11 minutos, que além de bons improvisos e surpresas, os papéis do teclado e da guitarra parecem ser trocados em alguns monentos: órgão distorcido com guitarra limpa dialogam muito bem.
Sobre o fato de lançarem por selo próprio este disco, realmente nada mudou. A sonoridade continua a mesma, a qualidade idem, o que me faz pensar que eles faziam o que bem entendiam no selo anterior, o famoso Blue Note Records (que, pra se despedir, lançou uma coletânea do trio).
Não é o melhor disco deles, mas vale muito a pena.
música pra ouvir: Little Walter Rides Again
comentários originais
Richarley Menescal 18/10/200: eu tava por fora desse lançamento! Boa notícia! Preciso ouvir isso logo!
Lulu Camargo 23/10/2006: Tenho um mp3 desgarrado deles tocando com o guitarrista do Phish, você sabe de que álbum é isso? Se não me engano é um cover de Hey Joe…
Carlos Bêla 23/10/2006: fala lulu! foram feitos vários shows do trio com o trey anastasio (phish). que eu saiba nunca foi lançado nenhum desses shows em CD. eu tenho tbem em mp3 um show no texas de 1995, que eles tocam crosstown traffic. também rolaram shows da banda moe com participação do trey anastasio e do john medeski, mas esses, sinceramente, eu não gostei muito não.
Lulu Camargo 26/10/2006: É isso que eu tenho, Crosstown Trafic, mas tem tambem uma versao deles de Hey Joe – só não sei se é também com Trey Anastasio. O que eu tenho por aqui também é um trecho do audio da participação deles no “Sessions at W54″, com um pouco do David Byrne entrevistando os caras.
Gabriel 29/11/2006: Não sabia desse disco dos MMW com Scofield! Putz, putz! Preciso escutar JÁ!