6 reproduções
Carla Kihlstedt: Two Foot Yard, 2003
★★★★★
Conforme comentei na resenha do Charming Hostess, a idéia é falar mais sobre esses músicos californianos e seus projetos. Agora é a vez da violinista e cantora Carla Kihlstedt.
A relação direta com o Charming Hostess é que, além de tocar em todos os discos, a moça cantou na banda por 6 anos. É também um dos fundadores do excelente projeto jazz-folk-classic-improv-de-câmara Tin Hat Trio. Toca no schizo-avant-rock-bizarro do Sleepytime Gorilla Museum. E no rock experimental do The Book of Knots. E com o Fred Frith. E com o Tom Waits. E com o John Zorn. E Mr. Bungle. E Grassy Knoll. E Don Byron. E, chega, se não essa resenha vai ficar gigante.
Formada no Conservatório Musical Oberlin, se mudou pra San Francisco Bay Area, onde se tornou uma figura importante no meio avant-garde. Explora o violino de maneira criativa, incorporando tanto sua noção erudita quanto música folclórica, improviso e experimentalismo. Participa constantemente de grupos de dança e teatro, colaborando, entre outros, com a coreógrafa Jo Kreiter e sua companhia Flyaway Productions, Eleni Drogaris e Shinichi Momo Koga do inkBoat . Carla também é designer e ilustradora.
Depois de tantas colaborações, Carla foi convidada a gravar este “Two Foot Yard”, que é seu primeiro (e, até agora, único) disco solo, em 2003. E, como era de se imaginar, não soa semelhante a nenhum dos seus outros projetos…
O que é interessante aqui é que a Kihlstedt conseguiu tornar o avant-garde amigável. Embora a base da música seja estranha e diferente, as canções são conduzidas de maneira mais acessível e sua voz, muitas vezes, trás um conforto e dá uma aquecida no som… uma agradável humanizada no estranho.
As canções tem o violino como elemento principal, mas não há solos: o instrumento é usado como fio condutor. O violino é explorado de inúmeras maneiras: há linhas bizarras de pizzicatto, experimentos com o arco, dissonâncias, barulhos, batidas, etc.
O grupo de acompanhamento é pequeno: cello, percussão, alguma bateria aqui e ali; e não muito mais que isso, tocado por 2 integrantes, fora Carla. Aliás, o nome da banda que a acompanha é o mesmo que dá nome a este disco. Tudo orquestrado de maneira criativa e dinâmica. Contrapontos e linhas que se complementam fazem o pequeno grupo de músicos parecer muito maior do que é, na realidade.
Eu não poderia dizer que é um disco de fácil entendimento e acessível, musicalmente falando. Mas depois de uma ou duas audições é possível encará-lo de outra maneira. A junção muito bem feita de avant-garde, rock e jazz faz deste álbum algo especial.
Fortemente recomendável.
A escolha de uma única música é sempre complicada, ainda mais num disco de 20 faixas curtas, de intensidade e climas muito diferentes. Optei por uma que acredito representar bem as várias “caras” que este disco tem. Mas, claro, nada como uma audição completa.
Site oficial do grupo Two Foot Yard (com vários samples de músicas e outras informações)
música pra ouvir: Gravity
comentários originais
Alê 27/10/2006: Pois é. Eu ia concordar com uma das frases (‘Eu não poderia dizer que é um disco de fácil entendimento e acessível’) e, agora que ouvi a música novamente, concordo com essa também: ‘Mas depois de uma ou duas audições é possível encará-lo de outra maneira’. bratz!
