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Don Byron: Bug Music, 1996
★★★★½
Conhece Raymond Scott? Não, né? Normal… Esse é um daqueles nomes que você nunca ouviu mas, certamente, a música sim. Ao menos na sua infância ou adolescência você assistiu a algum desenho animado cuja trilha sonora tivesse músicas dele. O engraçado é que ele nunca compôs explicitamente para cartoons.
E John Kirby? Também não? Beleza.
Agora, Duke Ellington você ao menos já ouviu falar.
O que catso eles tem a ver com esse disco? Bem, os três fizeram inúmeras composições com esse clima cartoonesco que Don Byron e sua trupe interpretam aqui.
Num episódio dos Flintstones, conta o clarinetista e compositor Don Byron, no encarte desse CD, pessoas comentam sobre seu ódio pela música de uma banda chamada “Bug Music”.
A banda, claramente uma citação aos Beatles, é apontada como uma coisa ruim, uma má influência para a sociedade. Vizinhos bizarros do Fred, bem ao estilo Família Addams, diziam que o quarteto musical era a única coisa mais repulsiva que eles mesmos.
“Bug Music viveu na minha cabeça como uma fábula sobre a subjetividade do público”, continua Byron. Raymond Scott e John Kirby, em sua época de sucesso comercial, sofreram do mesmo mal.
Carl Stalling, diretor musical dos desenhos animados da Warner Bros. na década de 40 e 50, usava deliberadamente temas de Scott nos desenhos do Pernalonga, Patolino, Gaguinho e sua turma.
Para a crítica, essa música era “de pouco conteúdo”. Tipo, traidores do movimento jazz :P
Historiadores dizem que uma das razões dessa rejeição tem muito a ver com o fato desses grupos se interessarem muito pela música clássica e pela natureza rigorosa de suas composições. Era algo entre o jazz e o clássico.
Hoje, claro, isso é passado. Bobagem.
A quantidade de elementos e influências que essa música tinha era absurda. Arranjos precisos e detalhados, progressões complexas e inventivas… tudo isso organizado de um jeito tão deliciosamente divertido.
Don Byron chamou jazzistas “de hoje” pra homenagear esses compositores. Uri Caine, Joey Baron, Steve Wilson, Robert DeBellis, Charles Lewis, Steve Bernstein, etc, nenhum dos caras que tocam neste álbum são músicos de swing e jazz tradicional, o que possivelmente ajude a dar uma cara especial e renovada à música.
A música de Scott sobreviveu, ao longo do tempo, como algo exótico. Kirby foi totalmente esquecido. Ellington, que trabalhou essa música no começo de sua carreira, é lembrado hoje por outras obras.
Bem, eu acho que nunca é tarde pra relembrar e valorizar essas belíssimas e incrivelmente bem escritas músicas.
Disco leve, colorido, ágil. Ouça o sample neste post e tire suas próprias conclusões.
Imperdível.
Site oficial do Don Byron.
Site oficial do Raymond Scott.
Site oficial do Duke Ellington.
Wiki de John Kirby.
música pra ouvir: Powerhouse (Raymond Scott)
