6 reproduções
Ben Folds: Rockin’ The Suburbs, 2001
por Marcio Nigro
★★★★★
Esse é o meu primeiro post aqui no Aporias, palavra cujo significado mostra que o Bêla é um sujeito que freqüentou boas escolas e, pelo que sei, já leu pele menos dois livros — Lúcia Já vou Indo e O Caso da Borboleta Atíria — mas ainda está tentando terminar Marcelo, Martelo, Marmelo. Bom, como ele disse que vai me apresentar depois de meu primeiro post, não vou falar sobre mim, por enquanto, e ir direto à musica, que é o que interessa.
Para minha estréia aqui, escolhi falar de um artista até bem conhecido nos EUA, mas meio anônimo por aqui: Ben Folds e seu álbum Rockin’ the Suburbs. Conhecido mais por ser líder do extinto trio Ben Folds Five (BFF, que merecerá pelo menos um post aqui), o cantor, pianista e multi-instrumentista tem feito na última década um rock realmente alternativo no que diz respeito a talento e criatividade. Para definir estilisticamente o som que Ben Folds faz vou recorrer à definição dele mesmo sobre seu antigo trio: “Punk for sissys”, algo como “punk para maricas”, uma ótima definição para um tipo de som meio indefinível, ao mesmo tempo que mostra a veia irônica e debochada de Ben Folds. Ou seja, Aporias.
Rockin’ the Suburbs é, provavelmente, o CD que mais tenho escutado nos últimos tempos e é sobre isso que eu queria falar. Sempre achei genial o trabalho do BFF, mas neste trabalho solo ele conseguiu se superar. É um daqueles álbuns em que você nota que o artista atingiu sua “maturidade musical”. É completamente pop, mas sem obviedades.
O curioso é que, à primeira vista, você não nota muita diferença entre este e que Ben Folds fazia com o BFF, em que foi o compositor da maioria da músicas. Mas há diferenças sutis que acabaram fazendo toda a diferença. Fica claro que o conceito de banda acabava limitando as idéias suas musicais. (A verdade é que qualquer um que tenha passado por uma banda sabe que é meio que nem casamento: tem que haver concessões.)
Ben Folds um exímio compositor de canções, da linha de Billy Joel, Elton John e Paul McCartney (mesmo!) com uma voz e jeito de cantar completamente pessoal e, diria, humano. Sua técnica vocal é imperfeita, mas seu timbre cativante e convidativo diz “olha sou um cara normal, não uma estrela do rock”. Embora o piano seja a pedra fundamental das músicas — e ele é um ótimo pianista —, muitos de seus refrões e passagens tem a energia do punk, do heavy metal, do pop, sem ser nada disso e tudo isso ao mesmo tempo. Ou seja, Aporias.
Outro ponto que merece destaque é o tom de autodeboche das letras. Veja só o refrão da faixa título:
I’m rockin’ the suburbs Just like Quiet Riot did I’m rockin’ the suburbs Except that they were talented I’m rockin’ the suburbs I take the cheques and face the facts That some producer with computers fixes all my shitty tracks
Mais adiante ele canta:
Y’all don’t know what it’s like Being male, middle class and white It gets me real pissed off, it makes me wanna say FUCK!
Porém nem tudo é deboche. Ao mesmo tempo, há baladas belíssimas que, apesar de sentimentais, estão longe de ser melosas. Muitas dessas canções são pequenas crônicas de dramas humanos cotidianos. Como em “Fred Jones Part 2” (não existe a parte 1):
Twenty-five years He’s worked at the paper A man’s here to take him downstairs And I’m sorry, Mr. Jones It’s time
Ou então na minha faixa favorita, “Annie Waits” que não é exatamente uma balada:
And so Annie waits, Annie waits, Annie waits For a call, From a friend The same, It’s the same Was it always the same? Annie waits for the last time
The clock never stops, never stops, never waits She’s growing old, It’s getting late And so he forgot, he forgot, Maybe not Maybe he’s been seriously hurt Would that be worse?
Headlights crest the hill Shadows pass her by and out of sight Annie sees her dreams: Friday bingo, pigeons in the park
Annie waits for the last time Just the same as the last time
Enfim, se não deu pra perceber, acho esse disco muito foda. Já está lá na minha ilha deserta. Ou, no linguajar carlosbeliano, 5 estrelas vermelhas.
música pra ouvir: Rockin’ The Suburbs
comentários originais
André Rezende 13/12/2009: Cara… Eu ouço essas musicas há muuuuuuuuuuito tempo…. E adorei seu post… Eu acho que ele deveria ser mais reconhecido aqui no Brasil… Ah! E sobre o Fred Jones Part 2! Existe sim a parte 1! (não vou culpa-lo por esse erro… pouca gente sabe disso) O nome é ‘Cigarette’ e curtinha… O meu disco preferido dele é o Way to Normal e o da Cappela é incrivel!
Marcio Nigro 13/12/2009: Estou tão desligado que só vi descobri os ultimos dois discos dele ontem… vou escutar e provavelmente adorar abcs
