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Sex Mob: Solid Sender, 1999
★★★★½
Taí um jazz divertido. Mais um exemplo que criatividade não precisa estar acompanhada de sisudêz, circunspecção e introspecção. Pode muito bem ser colorido, divertido, irreverente sem, contanto, soar bobo.
O quarteto Sex Mob faz, segundo eles mesmos, “valsas mutantes pós-modernas com free jazz e dub”. Imagine um Medeski Martin & Wood com metais. É meio esse o clima. Só que mais pra cima, energético.
Liderado pelo trompetista Steven Bernstein, o grupo conta também, como integrantes fixos, o saxofonista Briggan Krauss (Pigpen, Pink Noise Saxophone Quartet, Babkas), o baixista e guitarrista Tony Scherr (Brad Shepik & the Commuters, Slow Poke) e o baterista e tocador de garrafa de cerveja Kenny Wollesen (Curlew, New Klezmer Trio, Electric Masada).
A banda começou como mais um dos tantos projetos do Bernstein. Aos poucos, devido à receptividade do público, foram adicionando temas mais conhecidos. Começaram tocando temas do James Bond que, mais tarde acabaram virando um disco inteiro de desconstruções de temas do 007. Alguns clássicos de Duke Ellington aqui e alí também apareceram pra fazer companhia às composições de Steven mas foram versões de Prince, Beatles e até “Macarena”, que aparecem no primeiro disco, Din of Inequity, de 1998, que ajudaram a criar esse clima contagiante da banda e dar uma cara a ela.
O importante nesses covers, ao contrário de interpretações mais literais que o Bad Plus, por exemplo, faz no seu jazz, é que a música tenha uma melodia forte o suficiente para ser completamente desconstruída e ainda permanecer identificável.
Mas nem só de versões vive o Sex Mob. A maioria das músicas tocadas são compostas pelo lider Steven Bernstein e ele manda muito bem nisso. É um dos bandleaders mais ativos da atualidade, com experiência musical extensa, tendo participado de inúmeros e diferentes projetos musicais (Lounge Lizards, Spanish Fly, Kansas City Band, Steroid Maximus, Baby Loves Jazz Band, Diaspora projects). O resto da banda não deixa a desejar também em volume de produção musical. Não dava pra sair um som ruim dessa mistura.
Falando especificamente deste disco, as covers são: Nirvana (“About a Girl”, irreconhecível, numa levada oldschool jazz), Rolling Stones (“Ruby Tuesday” totalmente desconjuntada), ABBA (“Fernando”; não conheço a original mas essa versão deles é muito boa), Grateful Dead (“Ripple”, bem lenta, trompete, baixo e cellos) e James Brown (“Please, Please, Please” numa levada nada funk). O clássico “The Mooch” do Duke Ellington também faz presença. As treze faixas restantes são de Steven, variando em temas expressivos, como a faixa sample abaixo, e pequenas vinhetinhas de menos de 30 segundos.
Seus discos sempre contam com participações especiais. Neste caso, cellos, violinos e o DJ Logic (que também já tocou em discos e shows do Medeski Martin & Wood) participam em diferentes faixas.
O que mais me chama atenção na banda é mesmo o clima festejador e exuberante (uia!) dos discos. “Eu quero tocar as pessoas da maneira que Charlie Haden Liberation Orchestra me tocou. Era acessível, mas havia um coisa meio assustadora por lá” - disse Steven Bernstein sobre o excelente disco da banda Dime Grind Palace, de 2003.
É isso aí mesmo o que Sex Mob faz: sons misteriosamente divertidos.
Site oficial do Sex Mob e blog do lider Steven Bernstein com notícias recentes, videos, etc.
música pra ouvir: Solid Sender
comentários originais
Mari 08/11/2006 às 8:34 am: Divertido mesmo, vou procurar ouvir mais coisa dese som! Gostei da dica, valeu =)
Lulu Camargo 08/11/2006 às 10:01 am: Sex Mob é excelente. 90% da personalidade largada e desconjuntada da banda vem do fato do líder da banda tocar um instrumento inusitado, o “trompete de vara”.
Gilberto Jr 08/11/2006 às 7:04 pm: como eu gosto de receber feedback quando escrevo, gosto de dar quando leio, entao, nao me leve a mau tah o que quero dizer é: adoro este blog, mas acho as postagens muito grandes… Abraço, Gilberto Jr
val bonna 09/11/2006 às 10:24 am: me intrometendo, a quantidade de texto e tamanho está de fácil digestão. dá tempo até de correr atrás e sair ouvindo tudo quando despertado o interesse. as vezes não dá tempo de ouvir, mas de correr atrás dá! ehehheh
MaWá 30/11/2006 às 10:17 am: É, Carlos, também gosto da quantidade de texto assim… Confesso que muitas vezes vou direto ao player para ver qual é a da música, e, quando gosto, volto e leio tudo com o maior prazer.
dea 19/07/2007 às 11:07 am: adorei a dica. =]