6 reproduções
Alammailman Vasarat: Vasaraasia, 2000
por Marcio Nigro
★★★★★
Soube que o meu primeiro post foi considerado muito pop. Tudo bem, sem máguas. Então, vou compensar com uma banda finlandesa…
Quem já não ouviu falar em Alammailman Vasarat? Aliás, quem consegue pronunciar esse nome corretamente? Bom, pela capa já dá pra sacar que não é nada convencional. Sexteto composto dois violoncelistas, trombonistas/tubista , pianista/acordeonista, baterista/percussionista e saxofonista/clarinetista, o AV — melhor usar as iniciais — é derivado de dois membro do Höyry-kone outro conjunto do mesmo país, que tem uma versão genial de The Trooper, do Iron Maiden. Ouçam só [link para mp3].
Eu ia definir genericamente de “os martelos do submundo” — essa é a tradução de Alammailman Vasarat — como progressivo, mas, conversando com o rapaz que rege com punhos de ferro o Aporias ,acabei entendo que o termo “progressivo” é meio maldito por essas bandas (aliás, em todo lugar aparentemente), e só serve pra definir bandas “afetadas” como Yes, Genesis, EL&P e Gentle Giant (estranhamente, ele diz que King Crimson não é progressivo, e por isso esse é uma banda permitido aqui, ao contrário das outras… Ou seja, todo mundo tem suas idiossincrasias). Enfim, para evitar polêmica, usarei a definição da própria banda, o que certamente agradará a gerência: “ethnic brass punk” ou “kosher-kebab jazz”. Há ate quem diga que é “babaganush-klezmer com curry e maionese a parte”. Outro termo adequado é “mutco-lôco”. Melhor escutar para entender [aperte o play no começo do post :P ]
O AV é certamente uma das bandas contemporâneas que mais me impressionou. Até então não tinha ouvido nada parecido quando baixei essa mesma faixa desse CD no antigo Audiogalaxy. Trata-se de uma galera de finlandeses que cresceu ouvindo do clássico ao metal, da valsa do exército da salvação ao jazz, da música étnica ao punk e resolveram juntar tudo no mesmo pacote. E funcionou!
O som é denso, às vezes frenético, às vezes mórbido, às vezes engraçado ou algo no meio termo. Os cellos distorcidos soam como guitarras, no estilo Apocalyptica, fazendo o contraponto com melodias étnicas do acordeon, metais e clarinetes. Consegue ser heavy metal, mesmo não sendo, ao ponto que nos shows do AV rola stage diving aos montes. Ao mesmo tempo, consegue soar como uma divertida banda de Bar Mitzvah que resolveu aterrorizar todos os convidados da festa.
Os dois primeiros álbuns são bem parecidos em termos de estilo, mas acabei escolhendo o Vasaraasia para essa resenha, por ter vindo antes e, assim, ser mais original. Porém, o segundo — Käärmelautakunta (mais um nome impronunciável), de 2003 — de repente é até melhor em termos absolutos. Por isso, qualquer um vai bem. Já o terceiro é em parceria com um cara chamado Tuomari Nurmio, outro finlandês meio pirado que nunca tinha ouvido falar que canta na maioria das músicas, no dialeto deles, claro. O resultado não foi tão bom, mas é interessante e é diferente dos álbuns antecessores.
Resumindo: não é para os tímpanos sensíveis, o que não impede ser genial, esquizofrênico e divertido, como eu gosto.
música pra ouvir: Delhin Yöt
comentários originais
Gilberto Jr 09/11/2006 às 9:50 pm: Meu Deus do céu! Que som mais doido!!! Dahora :D
Foncati 10/11/2006 às 11:28 am: Dos rótulos citados eu fico com a “banda de Bar Mitzvah que resolveu aterrorizar todos os convidados da festa”, pra não chamar de Zé Pilintra’s Band. Meu primeiro comentário aqui, momento para agradecimentos e bons votos. Valeu e tudo de bom.
smirkoff 14/11/2006 às 7:09 pm: Uma banda que consegue descobrir algo de interessante numa música do Iron Maiden merece meu respeito! Belê!
MaWá 30/11/2006 às 10:12 am: Assim como o Foncati, fico com a definição da banda que aterroriza Bar Mitzvah. Muito louco!
Bruno Maia 17/03/2007 às 12:23 pm: Nem na Amazon achei pra comprar!
