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Daedelus: Denies the Day’s Demise, 2006
★★★★
Pra alguns, a música eletrônica tem um “Q” do Punk. Não pela sonoridade, claro, mas pela postura de do it yourself e uma certa vontade (em alguns casos) de ir contra o mainstream e a música Pop. Po, que parágrafo mais cheio de expressões gringas :(
Se, por um lado, isso dá liberdade a qualquer um criar o que bem entender; sentar na “garagem” de casa (no caso, qualquer cômodo com um computador) e viajar na batatinha (!)… por outro, a quantidade de coisas chatas e repetitivas é estratosférica.
Alfred Weisberg-Roberts, ou se preferir, Daedelus foge à regra cada vez mais comum do “preciso-me-encaixar-num-estilo-de-música-eletrônica-e-me-repetir-à-exaustão”.
Quando moleque, o rapaz queria ser inventor. E, apesar de músico, virou um. Aprendeu a tocar contra-baixo, clarinete, guitarra, acordeon, entre outros instrumentos, mas foi com o computador que ele soltou a franga.
Influências musicais aparecem vindas de todos os lados: do pop ao rock, do jazz ao hardcore, do IDM ao Cage, do sci-fi ao low-tech, da melodia romântica ao avant-garde. Nada soa pasteurizado ou frio. Nem parece querer fazer parte de determinado estilo de música eletrônica. A idéia é fazer música que gosta.
O cara é original mesmo. Colagens com senso de humor, samples obscuros e linhas densas são organizados com propriedade. Abusa de tratamentos e sonoridades low-tech, muitas com cara de videogame e as mistura com samples de instrumentos acústicos e orquestrais, baterias e percussões quebradas e improváveis, fragmentos de vozes ou guitarras…
Este disco tem grande influência da música brasileira, tanto ritmicamente quanto melodicamente - as faixas “Bahia”, “Viva Vida” e “Petite Samba” não deixam a menor dúvida disso. Mas, ao contrário de inúmeros artistas nacionais, a presença da nossa música não parece coisa “pra gringo ver”.
E o cara não para: de 2002 até hoje já lançou 7 discos - fora EPs e singles. Este é o mais novo lançamento e, segundo algumas fontes, o melhor deles. Não conheço a fundo todos os discos, então me limito a recomendar este, pra começar.
Um disco vivo, pouco usual e muito rico.
música pra ouvir: At My Heels