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Mouse On Mars: Varcharz, 2006

★★★½

Depois de uma sequência de discos sem muita personalidade, característica que sobrava nos primeiros discos do duo alemão, Mouse on Mars lança neste ano o “Varcharz” que, pra mim, figura entre os melhores deles.

Nada contra ser dançante ou mais acessível, mas esta banda, na minha opinião, sempre fez melhor a música editada, confusa, picotada, barulhenta, lowtech, experimental.

O duo formado por Andi Roma e Jan St. Werner foi fundado em 1993 meio como um post-techno. Dizem os caras que eles se conheceram num show de death metal e resolveram formar o Mouse On Mars.

De post-techno virou uma rica e eclética combinação de inúmeros estilos musicais, sempre com um pé no eletrônico: Techno Experimental, Dub, IDM, Post-Rock, Ambient, Electro, entre outros.

Este é o décimo disco da banda. O terceiro, “Autoditacker”, de 1997, é uma obra-prima. Uma mistura de krautrock com dub e electronica combinados de maneira peculiar, arranjados em layers e layers de instrumentação elaborada e com alguma influência de jazz e drum’n’bass.

A fase que se segue de discos lançados pela Thrill Jockey é meio desigual, embora tenha ótimos resultados como o “Niun Niggung”, de 2000. Em 2004 eles lançam o que acredito ser o pior disco da dupla “Radical Connector”, sepultando todas as esperanças que eu tinha de uma possível volta às origens criativas (e não necessariamente sonoras).

Fui meio com preguiça pra escutar este novo (eu não desisto nunca!) e levei um soco no estômago. Quebradeira master! :D

Mais violento, abstrato e experimental que os anteriores, foi curiosamente gravado ao mesmo tempo que o “Radical Connector”. Mas sonora e estruturalmente é o oposto dele.

Mas nada tão diferente que descaracterize o som dos caras. A “aura” da banda continua firme: sons sintetizados com baixa resolução, batidas quebradas (sem, contudo, apelar pro drum’n’bass fácil), bom humor e tensão ao mesmo tempo.

Interessante como a banda soa rock (e às vezes pesado, a la Lightning Bolt), apesar de praticamente só usar sintetizadores. A influência de krautrock permanece, pra alegria de muitos.

Denso e ao mesmo tempo colorido, se é que isso é possível.

música pra ouvir: Chartnok

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