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3 plays

Adrian Belew: Here, 1994

por Marcio Nigro

★★★★★

Quem estudou e tocou com Frank Zappa, Laurie Anderson e Robert Fripp (sem contar David Bowie e Talking Heads) é mais ou menos como se tivesse sido diplomado em “insanidade avançada” em Harvard, Yale e Oxford.

Com um currículo desses, Adrian Belew certamente não é um músico qualquer. Porém, sua carreira solo merece quase tanta atenção quanto seu genial trabalho no King Crimson. Desde seu álbum de estréia (Lone Rhino, de 1982) foram 15 discos que vão das guitarras esquizofrênicas de Desire Caught By the Tail e The Guitar As Orchestra até o quase-pop de Young Lions e Inner Revolutions. Nesse período, além de mostrar-se um guitarrista único e versátil, Belew trasformou um cara com voz interessante em um ótimo e inconfundível cantor.

Here é o CD de Adrian Belew que mais escuto, o que não quer dizer que seja o mais representativo. Provavelmente, é também o seu trabalho mais pop, no qual ele toca tudo (bateria, cello, baixo e o que pintar) e canta em praticamente todas as faixas. Cada música tem sua atmosfera própria, muitas com melodias dignas de um Paul McCartney, de quem Belew certamente é fã. Fly, por exemplo, é uma tradução musical do título, um vôo livre em paisagens sonoras que nos remete ao bom e velho professor Robert Fripp. Já Peace on Earth (uma releitura de um trecho de Tango Zebra, em Desire Caught…) tem cor e cheiro de Eleonor Rigby, muito embora não seja parecida. Um primor de composição:

[aperte o play acima]

De início, talvez alguns torçam o nariz para as faixas com ar mais pop. Mas não se enganem, em algum momento, Belew traz aquele elemento que tira a música do lugar comum e a leva para paradas bem inusitadas.

Para se ter uma idéia de como Here é bom, basta dizer que o próprio autor afirmou numa entrevista que ficou 95% satisfeito com o resultado. Quem sou eu pra discordar.

Site oficial.

música pra ouvir: Peace On Earth

comentários originais

Carlos Bêla 10/12/2006 às 6:24 pm: Belew é foda! Dos discos mais novos dele, tem essa série de “Sides”… o primeiro, “Side One” de 2005, eu achei especialmente bom. Excelente, eu diria. Valeu, Nigro!

Marcio Nigro 10/12/2006 às 6:45 pm: Na verdade cada disco dele vale ser ouvido e comentado. Os tries sides são ótimos. O side Three talvez seja o melhor. Enfim, o cara é muito bão!

Valter Barberini 20/09/2007 às 10:33 pm: Curto o cara desde os anos 80, um gênial compositor e músico, é um Jimmy Hendrix moderno, uma guitarra longe do lugar comum. Sou guitarrista e não consigo entender como ele tira aqueles sons da guitarra. Ele regravou a música “Come and get it” uma musica desconhecida de Paul McCartney e arrasou, ficou muito melhor que a original, e olha que também sou fã do Paul.

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