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6 reproduções

Nôze: How To Dance, 2006

★★★★½

Dá gosto de ouvir novos e-artistas que não façam e-lixo. Esse aqui é pra quem gosta de e-music criativa, dançante e ao mesmo tempo dissonante.

O som da dupla francesa Nôze é surpreendente. Não que seja daquelas colagens que a cada 20 segundos muda completamente o clima da música. Cada faixa em si é relativamente homogênea do seu começo ao fim, e o disco também não é um pastiche sonoro - tem uma cara única.

A base das músicas se assemelha mais a um Electro, mas o que aparece em cima da bateria-baixo é que surpreende. Em cima dessa base pode aparecer um piano preparado, percussão eletrônica techno, vocais esquisitos, uma guitarra distorcida, metais como saxofone, etc. Instrumentos, máquinas e vozes a serviço de um som pra ouvir numa pista ou na poltrona, batendo o pezinho. Vai de gosto.

Nicolas Sfintescu e Ezechiel Pailhes começaram a fazer música há 2 anos. A dupla começou mais como um “electro-free-jazz”, segundo eles mesmos contam. Pailhes tocava jazz e piano clássico.

Após um tempo o grupo foi optando por um som mais eletrônico e minimalista, de levada dançante. “Queríamos um som mais pra pista de dança, pra tocar em clubes e fazer as pessoas dançarem”. Mas ouvindo o disco, claramente eles não esqueceram dos primórdios tempos da banda e do gosto pelo jazz, blues e, principalmente, música clássica do período romântico francês e também moderna/contemporânea européia.

Mas a intenção não é fazer música séria ou “cabeça”. Eles querem se divertir. Fácil descobrir isso ao ouvir a faixa que abre o disco, Love Affair, possivelmente a mais pop, e prestar atenção na letra:

I wash my feet And I feel so good I brush my teeth And I feel so good I clean my nose And I’m ready For my love affair

Albert em um “q” da The Telephone Call do Kraftwerk, mas com vários instrumentos de sopro como sax, clarinete e oboé em linhas desencontradas com uma vocalista cantando algo que parece japonês com alemão (aperte o play no começo do post).

Tulipshnaps é totalmente ácida com um vocal meio Residents latino, se isso é possível…

C é mais climática, sem deixar de ser dançante, com teclados processados e distorcidos que parecem guitarras.

Kitchen tem cara de outro francês, Mr. Oizo (veja este clipe se é que você já não conhece) adicionando vocais mais falados que cantados e um John Cage psicodélico no final.

Gaia tem um brasileiro apresentando a faixa, uma TB-303 perturbada na introdução, seguida de uma guitarra funk e sax dissonantes. Se não fosse feita de instrumentos eletrônicos, poderia ser um jazz avant-garde.

You Don’t trás uma base electro pra um vocal meio soul meio disco, com uma harmonização bem interessante e um glockenspiel tenso ao final.

Lovin’ All People é quase um rock.

Tuba é meio soul, com uns scats de voz ajudando a condução da bateria, teclados no contra-tempo dando um groove e uma pseudo-guitarra super funk. Uma guitarra solo bizonha aparece no final da faixa, fechando o disco de maneira inesperada.

Tudo isso é tratado de maneira bem sintética e precisa, quase como um post-electro. :P

Bandas vizinhas da dupla, como os Daft Punk, tinham que ouvir isso pra ver se inspiram um pouco e melhoram seus discos.

Limpe já seu Nôze e arrume esse disco!

música pra ouvir: Albert

comentários originais

Fabrício 12/02/2007 às 6:56 pm Esse foi o post mais doido que vc colocou desde ween. Muito bão.

Gustavo 04/02/2007 às 10:03 am Como você mesmo diz: classe! Só falta pegar o danado. [].