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4 reproduções

Vários: Great Jewish Music - Jacob Do Bandolim, 2004

★★★★

Vai chegando o carnaval e post temáticos pipocam nos blogs, tanto dos que gostam quanto dos que não gostam de samba. Aqui a gente tenta ser original e nunca consegue então, lá vai um post carnal-aporia-valesco.

Que tal um Jacob do Bandolim? Apesar de não fazer exatamente samba, é apropriado, não? Mas, ao invés de interpretações tradicionais, temos aqui um tributo feito por artistas do selo de vanguarda Tzadik, de John Zorn.

Jacob Pick Bittencourt (1918-1969) foi um dos grandes nomes do choro. Grande instrumentista e compositor, não gostava de carnaval e sim de frevo. Curiosamente seu primeiro instrumento foi um violino que ganhou aos 12 anos de idade. Desde então sua paixão pela música só cresceu. Autodidata, mando ver no bandolim desde cedo, quando tentava imitar trechos de melodias cantadas pela mãe.

Acompanhou artistas como Noel Rosa, Augusto Calheiros, Ataulfo Alves, Carlos Galhardo, Lamartine Babo. Pra pagar as contas, já que viver de música no Brasil nunca foi bolinho, Jacob trabalhou por muito tempo como escrevente da Justiça do RJ. Mas o bandolim era sua vida. Gravou 52 discos em 78 RPM, 12 LPs além de participações em discos de outros artistas e coletâneas.

A excelente série “Great Jewish Music” da Tzadik tem como proposta fazer interpretações inventivas, avant-garde ou experimentais de, como já diz o nome, grandes músicos judeus. Já fizeram previamente parte dessa série de tributos: Burt Bacharach, Serge Gainsbourg, Marc Bolan (T-Rex) e Sasha Argov.

Este volume trás interpretações não-tão-experimentais quanto os outros, sendo de mais fácil digestão.

O percussionista brasileiro queridinho da cena de jazz de downtown NY Cyro Baptista abre o disco com Noites Cariocas numa interpretação mais fiel possível ao compositor. A partir daí a viagem começa. Ben Perowsky troca o bandolim por uma flauta e faz uma cover bem cool de Pérolas. Rob Burger & Mauri Refosco substituem parte da percussão chorona por uma bateria eletrônica e colocam um acordeon como linha solo.

Pharaoh’s Daughter faz uma versão de Sapeca que parece uma mistura de música peruana com toques de música do leste europeu. A ótima banda Davka faz Receita De Samba virar klezmer. Já Shanir Ezra Blumenkranz vai pro extremo e recria Santa Morena como um grindcore desconstruído. Em compensação, 2 Foot Yard, a banda da Carla Kihlstedt (comentada neste post), faz de Falta-Me Você uma das melhores faixas do disco, com um violino sentimental, um órgão fuzzy, uma guitarra dissonante e uma percussão exparsa de fundo (é esta a música de exemplo abaixo). O disco fecha com um clima estranho e fantasmagórico feito pelo tecladista James Saft cuja linha principal da Ciumento é conduzida por um assobio.

Com exceção apenas de uma ou 2 músicas, as 12 interpetações neste álbum são bem respeitosas… as linhas principais são mantidas. Os arranjos e andamentos são modificados, além da instrumentação, de maneira mais sutil que os outros tributos desta série (que soam mais como desconstruções do que covers).

Um belíssimo disco pela qualidade dos interpretes e, claro, pelo altíssimo nível musical do compositor carioca.

Visite o site do instituto Jacob do Bandolim.

música pra ouvir: Falta-me Você