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10 reproduções

MC 900 Ft. Jesus: One Step Ahead of the Spider, 1994

★★★★

“Fala sumido! Beleza? Por onde cê anda? Lançou esse disco em 1994 e nada mais? Tá vendendo empada na praia agora?”

MC 900 Ft. Jesus fez um certo sucesso na época desse disco, terceiro (e, até agora, último) da carreira, principalmente na MTV pelo divertido clipe da música If I Only Had a Brain, dirigido pelo então desconhecido Spike Jonze. Um segundo clipe, da But If You Go, música de clima mais cool que a anterior, não emplacou tanto.

E então o MC “Jesus de 27,43 cm 274,3 m”, sumiu na névoa pop.

Mas o Beck-com-banda-de-verdade, nascido Mark Griffin, tem uma cara própria desconhecida do público.

A influência, como você já pode notar discretamente na But If You Go citada acima, de um certo jazz é muito mais forte do que parece.

Botando a primeira faixa do disco na agulha, dá pra perceber que o pop do cara não é tão pop, nem o hip hop não é tão hip hop (ficar sem escrever uma semana, como você pode notar, me fez mal). O território é um tanto diferente da música que o fez “famoso”. Talvez, ao invés de “diferente” eu devesse usar “complementar”. É, melhor.

A união do hip-hop com toques de cool e free jazz, eletrônica e muito groove parecem funcionar muito bem por todo o disco.

Buried At Sea lembra muito Beck; Tiptoe Through The Inferno tem uma levada bem funk, com muito improviso instrumental e spoken word; Gracias Pepe vai pra uma onda mais low-tech climático; Bill’s Dream é totalmente Miles Davis do final dos anos 60 com cítaras e tablas; Rhubarb encerra o disco de maneira mais abstrata.

As letras bem-humoradas são um capítulo a parte. Maybe it wouldn’t be hard to explain If I only had a brain

ou

Do not make the mistake of believing that I am the person who is speaking to you now I am not; that is to say N-O-T This is an indisputable fact that has been scientifically proven

Além de suas composições, uma boa versão da Stare And Stare de Curtis Mayfield, predominantemente voz e guitarra wah-wah (Vernon Reid sem virtuosismos), pontua legal o álbum.

E ele mesmo responde a pergunta que eu fiz no começo do post, via wikipedia: “Legal que alguém lembrou de mim. Ainda vivendo em Dallas. Sem fazer nenhuma música no momento. Na verdade, ando trabalhando pra conseguir o meu certificado de instrutor de vôos. Aviação é um ótimo antídoto para as frustrações nos negócios musicais. Eu acho que um dia desses eu vou fazer mais música, mas não sei ainda quando. Se cuida!”

Po, Mark, deixa de viagem e grava um disco novo aê!

música pra ouvir: Já que linkei pra vídeos do cara no YouTube, não repito a música pra dar play lá em cima: Buried At Sea

comentários originais

Gui 04/03/2007 às 8:38 pm Nossa, que legal ver esse video de novo! Na verdade, o Jisuizim tá mais pra Jisuizão. 900ft é 274,3m. Classe, inaugurei meus posts nesse blog com uma correção. Isso é que é ser indie.

henrík 03/03/2007 às 2:39 pm o clipe do jonze dispensa quaisquer comentários, mas esse compadre aí, que eu nem fazia idéia que existia realmente é muito bacana. Enquanto beck puxa levemente a estranheza musical dele pra um mainstream e tem momentos de total ‘unfreak’, como em Sea Change, esse cara aí pelo q ouvi, apesar da explícita semelhança, parece tender exatamente pro outro lado. acho que foi isso que matou a carreira musical dele, infelizmente. não sei se desejo boa sorte pra carreira no ar dele…