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Ahleuchatistas: The Same and the Other, 2004
★★★★½
O nome eu ainda não consegui pronunciar. Mas os discos do Ahleuchatistas não saem da minha vitrola digital.
A combinação baixo-bateria-guitarra instrumental parece nunca ficar velha, desde que seus “tocadores” sejam originais, como é o caso desse trio.
Seus discos nada previsíveis do começo ao fim, exploram texturas complexas com cara de jam numa sonoridade crua, sem qualquer tipo de efeitos ou grandes produções. É como se a banda estivesse tocando pra você, de improviso, na garagem da sua casa.
O nome do grupo vem da mistura de Ah-Leu-Cha, bebop cheio de contrapontos de Charlie Parker (canção conhecida pela performance dele com Miles Davis) e do movimento mexicano dos Zapatistas.
Apesar da citação ao bebop, o som (quase) nada tem a ver com o jazz… guardando semelhanças apenas na característica improvisional do estilo.
É provável que em qualquer resenha que você ler sobre os caras aparecerá o nome de Captain Beefheart como influência primordial da banda. De fato é difícil não lembrar dele. Mas outras associações aparecem rapidamente: Massacre (fenomenal banda de Fred Frith e Bill Laswell), King Crimson (era Larks’ Tongues in Aspic, Starless and Bible Black e Red) e Frank Zappa. Citaria também o experimentalismo e texturas do grande Derek Bailey.
Interessante notar como eles transitam entre a composição meticulosa, matemática e o improviso absoluto sem que pareçam duas linguagens quase opostas. É isso que faz o Ahleuchatistas único: uma mistura de free-jazz tocado por uma banda de rock e um post-rock cubista.
Outra característica peculiar é que a guitarra e o baixo não usam distorção (no máximo um leve overdrive), embora muitas vezes a banda soe bem heavy. O “peso” das músicas aparece na intensidade do toque e não por causa de recursos tecnológicos.
Uma verdadeira ode explosiva à crueza e liberdade sonora.
Escolhi este disco na base do sorteio. Os outros dois, On the Culture Industry (2004) e What You Will (2006), são igualmente bons.
comentários originais
miranda july at MaWá com W 26/04/2007 às 10:29 am […] criação dela, deixa você fazer parte. Como se ela estivesse fazendo isso ao seu lado – ou como o Carlos Bêla, ao falar de uma banda, descreve É como se a banda estivesse tocando pra você, de improviso, na […]
riga 24/03/2007 às 2:58 am sim, sim! me pareceu assaz interessante. vou ter que ir atrás desse tb!