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John Zorn: Six Litanies for Heliogabalus, 2007

★★★★★

Finalmente.

Quem me conhece sabe o quanto eu curto o trabalho do John Zorn. E quando eu falo “curto”, não é força de expressão… o figura tem uma discografia realmente extensa, com 4 a 8 lançamentos por ano desde 1980 - e eu acompanho cada lançamento desde que conheci o seu trabalho, em 1991.

O nome deste blog, inclusive, cita o título de um dos discos do cara (Aporias: Requia for Piano & Orchestra), de 1998.

Eu vinha evitando falar dele aqui por algumas razões. Primeiro porque seria previsível. Segundo porque eu não conseguia decidir qual disco escolher. Terceiro porque eu tava esperando uma oportunidade como esta - um disco novo de composições inéditas. Mas tinha que ser foda.

Este é.

Ano passado, Zorn juntou Mike Patton (Fantômas, Mr. Bungle, Tomahawk, etc), Trevor Dunn (Mr. Bungle, Secret Chiefs 3, Trevor Dunn’s Trio-Convulsant, etc) e Joey Baron (Naked City, Masada, Dave Douglas, Paul Motian, etc) e compôs 2 discos “hardcore song cycle scored for” voz, baixo e bateria: Moonchild e Astronome.

O primeiro é ok, mas nada muito especial. O segundo já deu pra tirar o chapéu - opinião que, vinda de um fã, não quer dizer muita coisa :P - e quase entrou entre Os Melhores do Ano deste blog.

Aí veio o Six Litanies for Heliogabalus. Nesta continuação de Moonchild/Astronome, Zorn chamou mais gente pra colaborar. Se liga: Ikue Mori (eletrônicos), Jamie Saft (órgão) e o trio de vozes femininas formado por Martha Cluver, Abby Fischer e Kirsten Soller além do próprio compositor com seu instrumento oficial, o sax alto.

Que disco! Beleza, sei que é suspeito… mas que disco! :D

É o primeiro graaaande disco de Zorn, na minha opinião (tirando os da série Film Works e Masada), desde Xu Feng de 2000 e do projeto colaborativo The Stone: Issue One de 2005 que, por coincidência, também trazia Mike Patton entre os integrantes - além de Dave Douglas, Bill Laswell, Rob Burger e Ben Perowsky.

Assim como os outros dois discos “primos”, Six Litanies for Heliogabalus mostra uma complexa e intrincada mistura de música clássica moderna, metal, hardcore, jazz, música medieval além de sacadas de bom humor e algumas diarréias.

Numa espécie de improviso espontâneo organizado (Zorn é bom nisso, tendo desenvolvido estudos e técnicas apuradas e precisas para orquestrar o caos - os discos da série Cobra são bons exemplos disso), a música tem inspiração nos “excessos decadentes do imperador/criança-deus que fez Calígula e Nero parecerem seres humanos razoáveis - assassinando em jantares seus convidados em chuvas de pétalas de rosas perfumadas”.

As possibilidades são infinitas com esse grupo de integrantes que, pra melhorar a coisa, já trabalharam inúmeras vezes juntos em outros projetos, o que certamente trás uma intimidade ao tocar. Nesgas de Mr. Bungle, Naked City, Fantômas e Electric Masada passam pela mente ao escutar o álbum mas, apesar disso, ele não soa como nenhum desses projetos.

As seis composições tem climas e intensidades diferentes sendo o solo de voz de 8 minutos um dos destaques. Impressionante como Patton desenvolveu sua técnica de improviso vocal, não deixando nada a dever aos mestres japoneses como Yamantaka Eye.

Litany II tem uma condução mais jazz, com boa participação de Jamie Saft, e possivelmente é a que mais lembra o velho e bom Naked City.

O trio feminino faz um papel incrível no meio do desencontro cru e distorcido dos outros instrumentos - em especial na faixa Litany III de 10 minutos e meio sem repetição de um único compasso.

Praticamente um disco erudito contemporâneo tocado por uma banda de rock.

Candidato a disco do ano - enter. :)

Site do selo Tzadik de John Zorn.

Mais sobre Zorn no Wikipedia.

música pra ouvir: Litany I

comentários originais

O místico velhinho do Nepal 31/05/2007 às 4:54 am Caralho… Esse disco é genial, no nível do Astronome e superior ao Moonchild. John Zorn é, sem dúvidas, o melhor compositor do século 21.

Fábio A. 24/05/2007 às 1:00 pm Sem sombra de dúvidas este é mais um disco hiper criativo do Zorn e sua turma! Nota 11 pro Patton!

gustavo 25/04/2007 às 5:05 pm muito foda,absurdo esse album ,fora ,nãosei direito se é um album dele ou alguma participação que tem , fred frith , zeena parkins e john zorn, que uma viagem tbm muito bom.

Fabiano 18/04/2007 às 9:31 pm Realmente esse disco é bompra dedéu. Sou como vc um fã d Zorn e sua turma. Se faltar algo especial em sua discografia posso te ajudar. Abrç

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