6 reproduções
The Book of Knots: Traineater, 2007
★★★★
Continuando a falar dessa galera da californiana que toca em uma porrada de banda, todas diferentes entre si, todas boas.
Comecei pelo Charming Hostess, depois a Carla Kihlstedt - onde citei este The Book of Knots - e, por último, falei do líder do Sleepytime Gorilla Museum Nils Frykdahl, na resenha do Faun Fables.
Os integrantes dessa banda têm, em seu extenso portifolio, participações em bandas como Sparklehorse, Elvis Costello, Pere Ubu, Skeleton Key, They Might Be Giants, Frank Black e outros. Só por essas bandas citadas já dá pra sacar que a coisa é eclética.
O motivo de não ter comentado ainda sobre The Book of Knots é que o primeiro disco da banda não é propriamente nada demais. A banda mesmo não se levava tão a sério - era mais uma diversão entre artistas profissionais e donos do estúdio de gravação. Mas depois do lançamento, em 2004, do auto-intitulado The Book of Knots, um álbum conceitual sobre o mar, a coisa começou a mudar de figura.
Este segundo disco é bem mais ambicioso que o primeiro, no bom sentido da palavra “ambição”, além de mais inspirado e criativo.
Traineater fala sobre o conhecido “rust belt” dos EUA, que são áreas de industria decadente cujo centro é composto pela produção de ferro das cidades de Pensilvânia e Ohio. Música americana, jazz, noise, metal, rock e pop se misturam num clima sombrio e passional e, ao mesmo tempo, tenso e melancólico.
O centro da banda é formado por Tony Maimone (Pere Ubu, They Might Be Giants, Bob Mould, Lucinda Williams…), Carla Kihlstedt (Tin Hat Trio, Tom Waits, Sleepytime Gorilla Museum, 2 Foot Yard, e outros), o produtor, engenheiro de som e guitarrista Joel Hamilton (Elvis Costello, unsane, Frank Black, Sparklehorse, Shiner, Players Club…) e Matthias Bossi (Sleepytime Gorilla Museum, Skeleton Key, Vic Thrill…) mas as participações especiais são sempre em grande número. Este album, por exemplo, tem Tom Waits (excelente faixa Pray), Mike Watt (Pedro to Cleveland), entre outras, adicionando um sabor interessante ao cenário. Não por acaso, lembra algumas faixas do Sleepytime Gorilla Museum, porém bem menos teatral, metal e exagerado.
Típico álbum para uma audição não-passiva. Atenção é essencial para sacar todas as nuances e asperezas dessa grande banda. Como eles mesmos citam na sua página do MySpace: “something is very very wrong, and beautiful”.
Página da banda no site do selo ANTI
música pra ouvir: Pray