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3 reproduções

Magma: Attahk, 1978

por Marcio Nigro

★★★★½

Falando em bandas esquisitas, impossível não pensar em Magma, um grupo nascido em Paris no final dos anos 60 e liderado pela baterista Christian Vander, uma espécie de Robert Fripp francês (no sentido de ser o centro do sistema solar da banda enquanto os astros ao seu redor podem mudar).

O Magma pode ser chamado de progressivo, jazz-rock, prog-jazz, ou sei lá que outro nome feio. Não importa. É um grupo que faz do exagero e do excesso estilísticos seu ponto forte. Suas influências vão de Carl Orff, Wagner, e Stravinsky a John Coltrane e R&B.

O Magma não apenas criou seu próprio estilo musical como foi além e criou seu próprio idioma, o Kobaian, na qual todos os discos são cantados, em geral falando sobre guerras interplanetárias. A banda tanto é uma referência musical, que ganhou um estilo nomeado em sua homenagem: Zeuhl (olha aí o nome feio), que em kobaiano quer dizer “celestial”.

O álbum mais clássico e cultuado do grupo é Mekanïk Destruktïw Kommandöh (também conhecido como .M.D.K.), de 1973. Mas decidi eleger outro para o Aporias: o Attahk, de 1978, que gosto mais por misturar ainda um “q” das discotecas da época, trazendo mais um elemento bizarro a uma das bandas bizarras da história. Paradoxalmente, é um dos trabalhos mais palatáveis do Magma, o que não quer dizer que os desavisados não estranharão o gosto.

Com capa ilustrada pelo também inconfundível H.R. Gigger, Attahk é definitivamente mais eclético do que seus antecessores, incorporando mais idiomas musicais, incluindo o gospel, funk e o pop. O resultado na verdade é praticamente um trabalho solo de Chris Vander, mas como o Magma não existe sem ele, a verdade é que não faz tanta diferença assim essa informação.

A ênfase é no ritmo e nos vocais, o que traz uma área mais brilho e clareza ao som do grupo. Porém, não me entendam mal: à primeira ouvida pode parecer uma floresta impenetrável. A verdade é que não consigo ouvir Magma sem achar engraçado, pois claramente há por traz de tudo um bom humor contagiante. Chega a ser ridículo o exagero sonoro. Mas a genialidade está nisso, levar tudo ao extremo sem se levar muito a sério.

A primeira faixa The Last Sevem Minutes traz Vander endemoniado, um trabalho do nível de um Mahavishnu Orchestra. Aqui vai ela.

Enfim, Attahk certamente é o mais Aporias dos álbum do Magma e merece um lugar de destaque em qualquer prateleira da sala, muito embora não vá sempre agradar as visitas.

música pra ouvir: The Last Sevem Minutes

comentários originais

Vagner 05/06/2007 às 12:58 am Mucho loko! Excelente álbum.

henrík 09/05/2007 às 3:18 am bem bacana! ai meu HD querido, vou te encher um pouquinho mais uma vez…

Nelson Endebo 08/05/2007 às 4:48 pm Magma é o que há, quem conhece não larga mais. Legal ter falado desse disco, sempre que alguém no Brasil fala do Magma (e pouca gente fala!), sempre se refere ao MDK, o que, apesar de fazer sentido, acabando obscurecendo a discografia desse grupo seminal. Sei que há muitos “músicos experimentais” no Brasil que idolatram esses caras, pena que os fãs de progressivo (não que a banda seja exatamente isso, mas…) no Brasil são mais ligados no lance “sinfônico” do que qualquer outra coisa.