10 reproduções
Autopoieses: La Vie Á Noir (Remixes), 1999
★★★★
Esses últimos tempos só escutando discos que conhecia bem, mas que há mais de meia década eu não ouvia, tem provocado as mais diferentes reações: coisas que eu achava geniais há 8 ou 10 anos e que agora soam insosas ou ultrapassadas ou mesmo chatas; e coisas que antes pareciam ok e que agora revelam-se excelentes experiências.
Este disco do Autopoieses faz parte da segunda e animada turma.
Tomei contato com o som do duo alemão na mesma época da onda Warp de IDM que pululava, no final da década passada, por entre os ouvidos descolados da modernidade paulistana (sic). Entre um Autechre e outro Squarepusher, apareceu lá um disco meio estranhão, diluído, experimental e ambiente - na época, assumo, não dei muita atenção.
O disco La Vie Á Noir, que deu origem a esse de remixes, tinha 11 faixas. Todas sem nome. Nele, samples de film noir são processados e desconstruídos de forma abstrata e experimental.
Este em questão, lançado no mesmo ano, traz 45 faixas, também sem título, embaladas com uma capa com cara de caixa de CD vazia e sem qualquer informação escrita. Assim como o disco original, o experimentalismo da construção sonora por samples e processamento digital parece ser o mote principal do álbum, mas aqui, talvez pela variedade maior de faixas e, consequentemente experimentos, ou pelo fato de ser mais “ambiente”, ou pela simples releitura inspirada (com adicional participação de Vladislav Delay, Kit Clayton, Terre Thaemlitz e Gez Varley em algumas reinterpretações), La Vie Á Noir (Remixes) dá um banho no anterior.
Não é um disco de fácil audição, bem pelo contrário. Fones de ouvido acompanham muito bem e ajudam a ressaltar as sonoridades hipnóticas e a inventividade na construção sonora, repleta de texturas, cliques, ruídos e barulhos. Mas é daqueles álbuns que vale a pena escutar (bem) mais de uma vez, pra descobrir e entender melhor o trabalho.
A duo acabou logo na sequência.
Ekkehard Ehlers, começou a gravar solo sob o nome de Auch ou mesmo sob seu nome verdadeiro. Sebastian Meissner passou a lançar discos sob as alcunhas de Random Inc. Bizz Circuits, Klimek e Random Industries.
Site Oficial cuidado com o volume :P
música pra ouvir: Untitled 03
comentários originais
Daniel a.k.a. Suss4 26/09/2007 às 2:39 pm opa, eae Bêla! tá bacana o blog, tem bastante coisa pra fuçar„, depois vou passar o pente fino com calma, vi que tem varias coisas do meu agrado… link musical do dia: http://www.youtube.com/watch?v=U2Kxf6TUAFI beeem bacaninha, Los Pekenikes.