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Medeski, Martin & Wood: Radiolarians 1, 2008

★★★★★

Começaram o ano com o divertido Let’s Go Everywhere, para crianças - e com a participação delas. No meio do ano, sai o Zaebos (*), décimo primeiro volume do segundo livro de Masada do amigo, colaborador e admirador de longa data John Zorn. E agora, no finalzinho do mês passado, logo após sua passagem pelo Brasil com shows incríveis, lançam pelo próprio selo, o Radiolarians 1.

Já posso dizer que dois mil e oito foi o ano do trio Medeski, Martin & Wood. Tanto que abri uma excessão no blog: a de, a princípio, comentar apenas um disco por artista.

Se você não foi aos shows do MMW, e curte aquele jazz com groove tão característico da banda… esqueça este disco. :P E o anterior também (*).

Abre parênteses.

Engraçado como algumas bandas são rapidamente encaixadas em determinados nichos ou estilos, sem uma análise minimamente mais cuidadosa. O interessante disso é que é bem comum essa generalização vir dos próprios fãs, justamente aqueles que conhecem melhor o trabalho do artista.

MMW infelizmente cai facilmente nesta armadilha. Eles fazem jazz/funk? Sim, certamente. Mas só isso? Nem fudendo.

Dando uma rápida passada na discografia da banda… ou mesmo ouvindo 3 ou 4 dos seus discos mais representativos, é fácil perceber que o trio vai muito além dessa percepção jazz-moderninho-feliz-grooveado.

Os caras vieram de uma escola avant-garde, calcada em improviso e experimentação. Nos anos 80, antes da fundação oficial do trio, se esbarraram em gravações e shows de artistas como Bob Moses, John Lurie, John Zorn, Ned Rothenberg, Bob Mintzer, Dewey Redman, Alan Dawson, etc.

Todos seus discos trazem esse lado, junto com samba, country, reggae, salsa, jazz tradicional, etc com igual ou até maior importância que o funk. Alguns de seus álbuns mal “esbarram” no groove, como, por exemplo, o Tonic, o Notes From The Undergound e, principalmente, o Farmer’s Reserve.

Fecha parênteses.

A liberdade criativa que eu esperava no primeiro disco lançado pelo selo próprio e comentada no post anterior da banda só apareceu agora.

Primeiro de três volumes, a série Radiolarians (ou radiolários, em português: protozoários amebóides que dão origem a esqueletos minerais, encontrados no plâncton oceânico - e tão divinamente ilustrados pelo biólogo alemão Ernst Haeckel no começo do século passado, inclusive na capa deste álbum) tem justamente a proposta de liberdade total.

Medeski comenta que “a banda não é sobre música, per se, e sim sobre as sensações e sentimentos que vêm dela”. É fácil entender isso quando você vai a um show deles e se vê viajando boquiaberto por horas numa espécie de (desculpa a bicho-grilagem) viagem sensorial. Os caras estão lá claramente pela experiência, pela experimentação - não pra fazer bonitinho tocando “hits” pro público bater o pezinho. São até meio mal educados, pouco se comunicam com o público. Pena.

Claro que não estamos falando de um free-jazz absoluto. Neste Radiolarians 1, eles não esqueceram o lado mais acessível e que lhe deu boa parte da fama - e da maldição comentada nos parênteses acima - e se (nos) deliciam com ótimos temas como “Professor Nohair” ou “Free Go Lily”. Mesmo nessas, um groove é facilmente deixado de lado para improvisos de todas as espécies, ora de piano ou órgão, ora de baixou, ora de bateria, para depois voltar ao balanço.

Mas são as músicas mais “soltas” que eu acredito que fazem deste o melhor trabalho do trio em anos.

Reliquary (ouça acima), como comentou um querido amigo, é praticamente um Hendrix psicopata. No disco ela quase chega a 8 minutos, contra uns 12 ou 15 dos shows da banda aqui no Brasil. A brusca interrupção do tema nervoso inicial pra um piano delicado no meio da música já valeu, pra mim, a audição do álbum.

A idéia de feitura deste álbum, que originalmente deveria se chamar Viva La Evolution é muito interessante. Eles se juntaram por 5 dias pra compor e trocar material que cada um dos integrantes tinha criado separada e anteriormente. Logo na sequência, sairam em turnê, tocando quase que exclusivamente esse material inédito, entre um ou outro tema antigo e mais conhecido do seu público, perto do bis :P

Finalizada a tour, o trio entrou num estúdio por 3 ou 4 dias e gravou esse material novo.

Agora, abandonarão esses temas e começarão tudo de novo, mais 2 vezes - o que resultará nos próximos volumes da série Radiolarians.

A julgar por esse começo, acredito que estamos tendo a oportunidade de conhecer um renascido MMW, mais sensorial, mais livre e, por que não dizer, mais sincero.

E agora com seu exosqueleto de quitina à mostra!

(*) Vale fazer aqui um pequeno comentário a respeito do Book of Angels, Vol. 11: Zaebos que, apesar de não ser de composições do trio e sim de temas klezmer de John Zorn, tem um pique muito semelhante ao Radiolarians 1.

Zaebos’ /></p>

<p><a href="http://www.mmw.net/">Site oficial</a></p>
<p><a href="http://www.myspace.com/medeskimartinandwood">Myspace</a></p>

<p>música pra ouvir: <i>Reliquary</i></p> </body></html>

1 note

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  1. aporias posted this

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