baixe a compilação de todo o trabalho do ótimo Microscopic Septet comentada neste post aporias.
The Microscopic Septet – Seven Men In Neckties (2CD) (2006)
Charanjit Singh - Ten Ragas to a Disco Beat, 2010
Reedição de uma pérola obscura de 1982, de autoria de um músico veterano de Bollywood que resolveu gravar versões eletrônicas de alguns ragas tradicionais. O resultado, segundo quem entende do gênero, antecipava em uns 3 anos o surgimento da acid house em Chicago…
Baixe aqui.
Saiba mais sobre o sr. Singh aqui.
recomendo:
Fred Frith - Step Across the Border (1990) - Documentário
texto retirado do blog que disponibiliza o download do video:
“Este documentário, filmado entre 1988 e 1990, na verdade vai muito além do “documental”. Se, por um lado, se propõe a retrar a vida e a música de Fred Frith (de um modo totalmente anti-biográfico e anti-midiático) , por outro, é uma “work in progress”, em que a inspiração é retirada do próprio processo de composição - como no free jazz. Algumas filmagens foram realizadas no meio da noite, sem premeditação; o filme mesmo é uma mudança contínua, onde vemos Frith tocando, ensaiando, conversando, andando pela cidade ou pelo campo, sozinho ou com seus amigos. Não há indicações sobre nada do que vai acontecer, e uma cena ou uma peça não estabelece nenhum compromisso sobre o que virá depois. “
11 reproduções
★★★★½
Jazz com grande influência de Rock ou Rock com doses cavalares de Jazz? Big Band com cara de progressivo ou Avant-Garde mais acessível? Frank Sinatra ou Frank Zappa? Possivelmente nos meados dos anos 80 um termo resumiria isso tudo: Avant-Prog.
Seja qual nome você queira dar pro som do Club Foot Orchestra, uma coisa não dá pra negar: o grupo de músicos liderados por Richard Marriot fez algo peculiar.
Marriot fundou uma orquestra em 1983 pra tocar regularmente no The Club Foot, um point de músicos e artistas visuais na 2520 Third Street em São Francisco, EUA. Nessa turma não entrava só virtuoso tocando partes difíceis ou improvisando: os novatos músicos colaboravam com funções simples, porém essenciais.
Falando dos temas musicais especificamente, como você pode escutar no exemplo abaixo, a música era complexa sem assustar. Os metais tinham grande importância na orquestração do som cheio de contrapontos culminando numa mistura sem dogmas de jazz post-bop, easy-listening, rock, reggae, klezmer, mariachi, clássico etc e artistas marginais da época como Carla Bley, Xavier Cugat e Kurt Weill. Impossível, pra mim pelo menos, não lembrar de algumas fases do Zappa.
Dois foram os registros dessa época, lançados pela Ralph Records - e raríssimos hoje em dia: Wild Beasts (1985) e Kidnapped (1987). E são esses álbuns, na íntegra, que aparecem neste disco Wild Beasts, Kidnapped, and More lançado em 1995 (e em CD em 2007), com direito a mais 2 faixas extras.
Ou seja, pra quem quer conhecer o “Klezmer Paso Dobles” (Suerte de la Noche), “Balkan Surf” (Entrance), “Dinosaur Story Avant-o-rama” (Innocent), “No-Wave meets the Red Army Chorus on a cartoon bunny path” (Time Axe Bag Dad) do Club Foot Orchestra, essa é a porta de entrada perfeita e fácil.
A banda, depois dessa fase, enveredou num meio bem interessante, porém distinto do apresentado nesta coletânea: trilhas sonoras para filmes mudos. E não foram poucos: O Gabinete do Dr. Caligari, Nosferatu, O Encouraçado Potemkin, Fantasma da Ópera, entre outros além de releituras de Metropolis, Caixa de Pandora, etc
O grupo também compôs a trilha de 39 episódios do Gato Félix (The Twisted Tales of Felix the Cat, 1995-1997), o que faz todo sentido, já que a sonoridade da banda tem tudo a ver com desenhos animados.
música pra ouvir: Suerte De La Noche (Wild Beasts)
riga 27/03/2009 às 11:57 pm carazza…excellent!!
5 reproduções
★★★★★
Eu curto categorizar, simplificadamente, os mp3 que ouço. Boto lá no genre do iTunes se o artista faz pop, jazz, rock, clássico, etc, e, dentro desses gêneros, o estilo mais aproximado. Só que ouvindo Microscopic Septet eu fiquei completamente perdido (opa, Apple, que tal tags no iTunes?)… Certo, isso é jazz, não tenha dúvida… mas que tipo? Tradicional? Experimental? Avant-Garde? Modern Creative? Bebop? Post-Bop? Wop-bop-a-loo-mop alop-bom-bom?
Resposta: de tudo um pouco.
“Nostálgicos e futuristas ao mesmo tempo” ou “Jazz Surrealista” são definições interessantes que já fizeram desse septeto fundado em Nova Iorque no início dos anos 80.
Se por um lado eles reverenciam com Dixieland ou Bebop lá do início do século passado, por outro eles misturam com releituras avant-garde, Albert Ayler, experimental, Free, Hard Bop de agora pouco. Tudo de maneira fluida, sem sustos e com uma originalidade impressionante.
A banda acabou em 1992, mas, após o lançamento em CD dos seus álbuns em 2006, os fundadores do grupo - saxofonista soprano Philip Johnston, o barítono Dave Sewelson, o pianista Joel Forrester e o tocador de tuba (tubista?) e baixo David Hofstra - se juntaram aos ex-companheiros Don Davis (sax alto), Paul Shapiro (sax tenor) e Richard Dworkin (bateria) pra celebrar o lançamento da série History Of The Micros.
Essa série é formada por 2 volumes duplos (History of the Micros Volume 1: Seven Men in Neckties e History of the Micros Volume 2: Surrealistic Swing) que cobrem, respectivamente, os anos de 1980-85 e 1986-1990 e nada mais são que seus 4 discos Take the Z Train, Let’s Flip!, Off Beat Glory e Beauty Based on Science (The Visit) adicionados a faixas inéditas e raras (como, por exemplo, algumas da época que John Zorn tocou com a banda, anteriormente ao lançamento do primeiro disco).
Escolhi este disco apenas por ser o primeiro que a banda lançou e que, por coincidência, eu escutei. Mas qualquer coisa deles vale a audição, ainda mais se você gosta de coisas como Flat Earth Society.
Eu demoraria dias pra escrever sobre cada um dos brilhantes integrantes que fazem parte desse septeto… possivelmente muito mais tempo que você demoraria pra achar um som deles pra baixar ou pra comprar em alguma loja online.
Então, dá uma orelhada na faixa abaixo (um passeio virtual por estações de trem musicais) e corre atrás disso porque é bomdimaisdaconta! :)
música pra ouvir: Take The Z-Train
4 reproduções
★★★★½
Mais uma daquelas surpresas ao procurar determinada banda no Google ou na Wikipédia, com resultados apenas em português: pouco ou quase nada se fala deles na nossa língua.
Os Weirdos foram (ainda são?) uma banda de punk rock fundada em 1977 e que acabou (mas voltou depois algumas vezes, por isso a interrogação nos parênteses anteriores) apenas 4 anos depois.
Nascida na cidade de Los Angeles, longe do punk novaiorquino dos Ramones, Television e Talking Heads do outro lado do país, a banda nunca conseguiu fechar contrato com uma gravadora e acabou sem gravar um único disco.
Mas graças a algumas gravações caseiras, singles e EPs da época, o selo Frontier lançou, em 1991, esta ótima coletânea de uma das melhores bandas da primeira geração punk dos EUA.
Em 1988, com apenas 2 dos integrantes originais, os irmãos John e Dix Denney, se reuniram com Zander Schloss (Circle Jerks), Sean Antillon (The Skulls) para gravar um disco, com a ajuda do fã Flea (Red Hot Chili Peppers), lançado 2 anos depois - e que não é o caso de ser comentado aqui.
Em 2003, lançaram o segundo volume dessa coletânea, não tão interessante, mas mesmo assim valendo a pena ser ouvido por fãs de rock em geral e, claro, punk.
música pra ouvir: We Got The Neutron Bomb
André Felipe 04/09/2007 às 10:10 am Mais uma daquelas surpresas ao procurar determinada banda no Google ou na Wikipédia, com resultados apenas em português: pouco ou quase nada se fala deles na nossa língua. O difícil é achar as músicas desses grupos.

★★★★½
O recente lançamento do disco Still Stuck In Your Throat (2007) do Fishbone me inspirou a dar uma volta por todos seus discos e matar as saudades.
Essa banda, formada em 1979 e cujo primeiro disco só foi lançado nos meados da década de 80, influenciou um sem-número de grupos no começo dos 90’s. Possivelmente foram um dos culpados pela criação do tenebroso termo funk-metal, estilo que desembuchou centenas de bandas sem nenhuma identidade e que, felizmente, sumiram do mapa com a mesma velocidade que surgiram.
Truth And Soul é um dos clássicos do septeto californiano, junto com o The Reality of My Surroundings de 1991. Daqueles discos que não canso de escutar. Sua marca registrada é a mistura da música black, principalmente funk, ska e soul com punk rock, reggae, metal, hardcore, pop, etc.
Clipe da excelente Ma And Pa no Youtube
Outros videos com músicas desse álbum: Freddie’s Dead (música que abre o álbum e é uma versão do funk-soul-brother Curtis Mayfield) e Bonin’ In The Boneyard (video tosco, ao vivo).
A propósito, o tal novo disco que deu origem à viagem vale a pena.
Medina 24/04/2007 às 10:30 am The Reality of My Surroundings é um dos meus discos preferidos de todos os tempos. O Truth and Soul não me agrada tanto assim. Acho uma pena que a banda nunca mais lançou algo à altura do Reality. É uma obra-prima. Abraço do Medina!
4 reproduções
por Roger Marmo
★★★★
O segundo disco do Violent Femmes pode ser incluído no time dos “segundos discos que afugentaram a maioria dos fãs”, juntamente com… bem, não me lembro de nenhum outro agora, mas vou tentar explicar o que isso quer dizer…
O primeiro álbum, homônimo, de 1982, levou os Femmes se não ao superestrelato, pelo menos ao status de ídolos indie, numa época em que essa denominação provavelmente ainda não existia. Principalmente em meio ao público universitário, lançando as bases, juntamente com outros grupos iniciantes como o R.E.M., do que acabou se convencionando chamar, de maneira bem vaga, de “college rock”.
Esse apelo se devia em grande parte às letras do cantor e guitarrista Gordon Gano, repletas de angústia pós-adolescente e frustração sexual, algo ainda incomum em uma época e lugar onde o vagalhão punk tinha chegado com pouca força após atravessar o Atlântico, e os sobreviventes do hard-rock setentista ainda reinavam.
O que “Hallowed Ground” entregou aos que esperavam mais um hit como “Blister in the Sun” foi o outro lado de Gordon Gano: o cristão devoto. Mas isso não quer dizer que o cara que antes cantava “why can’t I get just one fuck?” de repente apareceu de bem com a vida após ter encontrado Jesus. O tipo de fé que Gano professava era de uma cepa mais conflituosa e desesperada, repleta de culpa e paranóia, talvez resultante do fato dele ser filho de um pastor Batista.
Teologica e filosoficamente falando esse não é exatamente um jeito muito agradável de se levar a vida, mas pelo menos musicalmente esse tipo de espirituosidade costuma gerar resultados bem mais interessantes do que qualquer bandinha gospel, dando origem a uma linhagem musical chamada às vezes de “American Gothic”, às vezes de “Southern Gothic”, que se estende desde Johnny Cash até grupos atuais como Sixteen Horsepower, passando por este álbum.
A faixa de abertura já resume o disco apenas com o título: “Country Death Song”, que narra a história de um sujeito que decide que a única saída para a situação desesperada em que sua família se encontra é levar as filhas até uma caverna e atirá-las em um poço sem fundo, lembrando-as antes de que “good children go to heaven”.
As músicas que se seguem dão continuidade ao clima sombrio, como “Never Tell”, e incluem até mesmo hinos de louvor sem um pingo de ironia, como “Jesus Walking On The Water”, o que deixou a crítica da época desnorteada a ponto de classificar a banda como “Contemporary Christian”. Uma faixa como “Sweet Misery Blues” até remete ao Violent Femmes do primeiro disco, com sua narrativa de paixão não-correspondida, mas dessa vez o narrador está mais próximo de um “stalker” obcecado, enquanto um clarinete choroso manda a música direto de volta pra década de 1930.
De modo geral a instrumentação de “Hallowed Ground” ainda se baseia em instrumentos acústicos, principalmente no baixo desenfreado de Brian Ritchie, mas expandindo um pouco mais os arranjos, incluindo de rabecas até “jaw-harps”, e até uma seção de metais que conta com a participação de ninguém menos que John Zorn, com seus inconfundíveis sax e apitos pra chamar patos.
Os discos seguintes do Violent Femmes melhoraram um pouco de humor, mas nenhum deles, na minha opinião, se aproxima do brilhantismo da dobradinha “Violent Femmes”/”Hallowed Ground”, excetuando uma ou outra música (como a inesquecível “I Held Her In My Arms”, do álbum “The Blind Leading the Naked”). Infelizmente.
Ah, e se alguém se lembrar de algum outro exemplo de “segundo disco que afugentou os fãs do primeiro”, favor deixar sua contribuição nos comentários…
música pra ouvir: Country Death Song
Richarley Menescal 23/09/2006: Ae Bela, curti o blog! RSS do blog já devidamente adicionado aqui pra eu ficar acompanhando! Valeu!
val bonna 25/09/2006: o segundo disco do Blind Melon é um bom companheiro dessa lista. eu adoro!
Luis Nunes : Pô, temos um belo exemplo em terras nacionais… Los Hermanos com o Bloco do Eu Sozinho. Abraço e parabéns, ta muito show o blog…
Will : Ao menos nos EUA, o seguno do Weezer, Pinkerton, afugentou os fãs. O mesmo aconteceu com Seven More Minutos, do Rentals. E temo que o segundo da Wonkavision possa causar o mesmo nos fãs mais xiitas.
6 reproduções
★★★★★
Fred Frith? Saca? Não? Então nem continue lendo. Vá a uma loja (de rua ou online) ou ligue seu p2p preferido e baixe este disco. 26 faixas do mais puro Avant-Garde criativo.
O cara é uma lenda. Um dos melhores compositores que conheço e um puta guitarrista (e quando falo bem de guitarrista eu me refiro a aqueles caras que tocam sem parecer que querem mostrar que tocam oitocentas mil notas por centésimo de segundo e sim caras que usam a guitarra como instrumento musical - e não sexual - pra fugir de clichès). Fundador da maravilhosa banda Henry Cow, o cara já tocou com John Zorn, Bill Laswell, Residents (sim! ele deve ter visto como os caras são atrás dos grandes olhos com cartolas), Zeena Parkins, Brian Eno, etc, etc… Pra cada colaboração ele dá um toque pessoal, sem se repetir “jamás”.
Mas é nos discos solos (e antes disso, no próprio Henry Cow) que, na minha opinião, o cara vai além.
Escolhi esse disco pra começar a analisar o som do cara apenas pq é um disco mais eclético, que mostra várias das facetas do carinha. Destaque especial pra música “Norrgarden Nylva” (originalmente lançada 10 anos antes), fantástica.
Se for pra conhecer, comece por este. Se já conhecer, comentarei sobre os outros aqui.
música pra ouvir: Norrgarden Nyvla