texto e dowload deste ótimo disco:
★★★★½
Happy Family: Happy Family, 1995
Doctor Nerve: Splinter from “Beta 14 OK”, 1991
Aaron’s Tune, por Fred Anderson & DKV Trio
DKV Trio é: Hamid Drake, Kent Kessler, Ken Vandermark
recomendo:
Fred Frith - Step Across the Border (1990) - Documentário
texto retirado do blog que disponibiliza o download do video:
“Este documentário, filmado entre 1988 e 1990, na verdade vai muito além do “documental”. Se, por um lado, se propõe a retrar a vida e a música de Fred Frith (de um modo totalmente anti-biográfico e anti-midiático) , por outro, é uma “work in progress”, em que a inspiração é retirada do próprio processo de composição - como no free jazz. Algumas filmagens foram realizadas no meio da noite, sem premeditação; o filme mesmo é uma mudança contínua, onde vemos Frith tocando, ensaiando, conversando, andando pela cidade ou pelo campo, sozinho ou com seus amigos. Não há indicações sobre nada do que vai acontecer, e uma cena ou uma peça não estabelece nenhum compromisso sobre o que virá depois. “
Gravikords, Whirlies & Pyrophones - Vários Artistas, 1996.
★★★½
Boa coletânea de músicas feitas primordialmente por instrumentos inventados, construidos caseiramente.
Nesta página você pode baixar o disco, além de saber um pouco mais sobre cada um dos 18 criadores/construtores, originários de várias partes do mundo.
11 reproduções
★★★★½
Jazz com grande influência de Rock ou Rock com doses cavalares de Jazz? Big Band com cara de progressivo ou Avant-Garde mais acessível? Frank Sinatra ou Frank Zappa? Possivelmente nos meados dos anos 80 um termo resumiria isso tudo: Avant-Prog.
Seja qual nome você queira dar pro som do Club Foot Orchestra, uma coisa não dá pra negar: o grupo de músicos liderados por Richard Marriot fez algo peculiar.
Marriot fundou uma orquestra em 1983 pra tocar regularmente no The Club Foot, um point de músicos e artistas visuais na 2520 Third Street em São Francisco, EUA. Nessa turma não entrava só virtuoso tocando partes difíceis ou improvisando: os novatos músicos colaboravam com funções simples, porém essenciais.
Falando dos temas musicais especificamente, como você pode escutar no exemplo abaixo, a música era complexa sem assustar. Os metais tinham grande importância na orquestração do som cheio de contrapontos culminando numa mistura sem dogmas de jazz post-bop, easy-listening, rock, reggae, klezmer, mariachi, clássico etc e artistas marginais da época como Carla Bley, Xavier Cugat e Kurt Weill. Impossível, pra mim pelo menos, não lembrar de algumas fases do Zappa.
Dois foram os registros dessa época, lançados pela Ralph Records - e raríssimos hoje em dia: Wild Beasts (1985) e Kidnapped (1987). E são esses álbuns, na íntegra, que aparecem neste disco Wild Beasts, Kidnapped, and More lançado em 1995 (e em CD em 2007), com direito a mais 2 faixas extras.
Ou seja, pra quem quer conhecer o “Klezmer Paso Dobles” (Suerte de la Noche), “Balkan Surf” (Entrance), “Dinosaur Story Avant-o-rama” (Innocent), “No-Wave meets the Red Army Chorus on a cartoon bunny path” (Time Axe Bag Dad) do Club Foot Orchestra, essa é a porta de entrada perfeita e fácil.
A banda, depois dessa fase, enveredou num meio bem interessante, porém distinto do apresentado nesta coletânea: trilhas sonoras para filmes mudos. E não foram poucos: O Gabinete do Dr. Caligari, Nosferatu, O Encouraçado Potemkin, Fantasma da Ópera, entre outros além de releituras de Metropolis, Caixa de Pandora, etc
O grupo também compôs a trilha de 39 episódios do Gato Félix (The Twisted Tales of Felix the Cat, 1995-1997), o que faz todo sentido, já que a sonoridade da banda tem tudo a ver com desenhos animados.
música pra ouvir: Suerte De La Noche (Wild Beasts)
riga 27/03/2009 às 11:57 pm carazza…excellent!!
10 reproduções
★★★★★
É muito difícil falar de determinados artistas. Ao escrever sobre alguém você automaticamente está fazendo uma escolha, o que significa que está deixando de lado uma série de informações pertinentes, importantes… em função do tempo, do espaço, do seu mood, etc
E porque falar do Zezinho se eu poderia estar falando do Huguinho?
Escrever aqui sobre Mark Feldman foi escolhido ao acaso. É o que está tocando agora na minha vitrola digital. Possivelmente seu melhor disco.
Mas como ser breve ao comentar a história de um violinista que começou na década de 80 e fez shows ou gravou em algumas centenas de discos de artistas dos mais variados estilos como Pharaoah Sanders, John Abercrombie, Uri Caine, Dave Douglas, John Zorn, Sylvie Courvosier, Michael Brecker, Joe Lovano, Bill Frisell, Bobby Previte, Don Byron, Johnny Cash, Willie Nelson, They Might Be Giants… até Jimmy Swaggert?!
A lista de colaborações é gigantesca, mas compondo como líder de algum projeto, por enquanto, ele lançou apenas oito álbuns e este Music for Violin Alone é o primeiro deles, de 1995.
O que já pode ser notado de pouco usual logo de cara é a dica que o título dá: apenas um único violino. Sozinho, sem overdubs, nada. Tipo como se o cara tivesse em casa, à vontade, com o REC do aparelho da sala ligado.
São 11 faixas que não te fazem, em momento algum, sentir falta de outro instrumento. Feldman tem um domínio absoluto do seu instrumento. É de um ecletismo ímpar, tanto nas composições tipo clássico contemporâneo vs. avant-garde, como na interpretação.
O arco do violinho vira quase uma segunda voz, de tantas texturas, cores e nuances que ele consegue produzir: vai de glissandos delicados a “serras metálicas” dramáticas; com controle e elegância.
De novo, eu poderia ficar horas escrevendo e falando sobre esse cara; mas acho melhor parar por aqui. A nota lá em cima e o preview aqui em baixo (a segunda faixa, Jet, de quase 9 minutos) falam por si.
música pra ouvir: Jet
5 reproduções
★★★★
Ela estava atrasada, resolvi esperar no bar do hotel.
- Garçon!
- Boa noite, senhor?
- Bela noite. Veja a lua!
- Deseja um drink, senhor?
- Sim, um whisky sour, com pouco açúcar, por favor.
- Perfeitamente, senhor. Com licença.
- Obrigado.
O amendoim, menos crocante que o esperado, acalma o estômago incomodado. Uma magra jovem de feições francesas sobe ao pequeno palco, delicadamente sentando-se ao banquinho. Outros músicos se juntam a ela.
La Vie En Rose começa e penso “ok, de novo mais um desses Jazz de Bar de Hotel™”. Logo no primeiro minuto já dá pra notar que a coisa não é bem por aí.
Olho com mais atenção para o guitarrista, discreto… Não seria o Marc Ribot? Uhmm… Certeza! Eu reconheceria o jeito dele tocar de olhos fechados. Do lado é o… como chama mesmo?… Greg Cohen! Isso. Kenny Wollison do outro lado? James Carter? Cyrus Chestnu? Vernon Reid? Pera, isso tá ficando bom.
Meu drink chega.
- Obrigado.
Droga, puzeram muito açúcar.
Que seja, o som tá bom.
Essas músicas me soam muito bem. São bem tradicionais, aquela coisa tranquila com gosto de Billie Holiday, mas nem todas as músicas são conhecidas. Ela deve compor também, além de interpretar deliciosamente bem.
Meu telefone toca.
- Ah, você vai se atrasar mais? Tudo bem.
Os temas vão se desenvolvendo com uma delicadeza ímpar: swing standards, blues, country e folk com clima anos 20 e 30. Entre composições próprias (descobri perguntando pro senhor de gravata púrpura da mesa do lado, que parece ser fã de longa data), aparecem um Fats Waller, Bessie Smith e a já citada Billie Holiday. Pra tocar a “Always a Use”, ela mesma assume o violão.
- Garçom, mais um whisky sour! Ah! E outra porção de amendoim, por favor.
Excelente. Aquele piano tá ótimo. Básico, perfeitamente bem tocado, nenhuma nota a mais ou a menos.
Que voz!
Mas será possível, esse barman tá com problema no açucareiro!
Uhmm… bem, acho que tenho que ir agora. Últimos goles.
Aproveito pra comprar o CD na porta do bar. É de 1996, lançado pela Atlantic. Nunca tinha ouvido falar dela, mas parece que é famosa. A Time considerou esse disco como “a mais excitante, envolvente performance vocal feita por uma nova cantora no ano (de 96)”, seja lá o que isso queira dizer.
Fiquei sabendo depois, pelo barman, ao reclamar do excesso de açúcar de seus drinks, que ela sumiu depois desse disco e só voltou em 2004. Aí, lançou 3 discos, sendo o último em 2006, com participação de K.D. Lang e tocando, além das composições próprias novas, canções de Serge Gainsbourg e Tom Waits.
Voilá!
Agora vou jantar. Longe daquele barman.
Não sei porque não pedi um vinho…
Site oficial com todas suas músicas pra escutar.
Veja seus videos no last.fm
música pra ouvir: I’m Gonna Sit Right Down And Write Myself A Letter
jvlav 07/04/2008 às 9:21 pm como sempre um bom post ! abraço
Brian Morris 01/04/2008 às 3:26 pm Em 1996, estava num restaurante curtindo minha comida italiano quando ouvia numa música muita boa no outro parte do restaurante. A voz dela era bem paricido de Billie Holiday. Pensei, que legal eles está tocando ela. Pensei de novo, hmmm, o sound system tem alta qualidade, parece Billie está lá! Com curiosidade, fui lá. Era Madeleine Peyroux, cantando, tocando uma violão (Terence Blanchard tocando trompete). Deixe minha comida pra lá, heh. Depois, conversei um pouco com ela, comprei um CD. Desde aquele dia, sou fã #1 dela.
Carlos Bêla 23/03/2008 às 8:56 pm valeu dudu! espero que tenha curtido o som também! abraço
dudu colmeia.tv 23/03/2008 às 6:04 pm belo post, meu velho
10 reproduções
★★★★
Esses últimos tempos só escutando discos que conhecia bem, mas que há mais de meia década eu não ouvia, tem provocado as mais diferentes reações: coisas que eu achava geniais há 8 ou 10 anos e que agora soam insosas ou ultrapassadas ou mesmo chatas; e coisas que antes pareciam ok e que agora revelam-se excelentes experiências.
Este disco do Autopoieses faz parte da segunda e animada turma.
Tomei contato com o som do duo alemão na mesma época da onda Warp de IDM que pululava, no final da década passada, por entre os ouvidos descolados da modernidade paulistana (sic). Entre um Autechre e outro Squarepusher, apareceu lá um disco meio estranhão, diluído, experimental e ambiente - na época, assumo, não dei muita atenção.
O disco La Vie Á Noir, que deu origem a esse de remixes, tinha 11 faixas. Todas sem nome. Nele, samples de film noir são processados e desconstruídos de forma abstrata e experimental.
Este em questão, lançado no mesmo ano, traz 45 faixas, também sem título, embaladas com uma capa com cara de caixa de CD vazia e sem qualquer informação escrita. Assim como o disco original, o experimentalismo da construção sonora por samples e processamento digital parece ser o mote principal do álbum, mas aqui, talvez pela variedade maior de faixas e, consequentemente experimentos, ou pelo fato de ser mais “ambiente”, ou pela simples releitura inspirada (com adicional participação de Vladislav Delay, Kit Clayton, Terre Thaemlitz e Gez Varley em algumas reinterpretações), La Vie Á Noir (Remixes) dá um banho no anterior.
Não é um disco de fácil audição, bem pelo contrário. Fones de ouvido acompanham muito bem e ajudam a ressaltar as sonoridades hipnóticas e a inventividade na construção sonora, repleta de texturas, cliques, ruídos e barulhos. Mas é daqueles álbuns que vale a pena escutar (bem) mais de uma vez, pra descobrir e entender melhor o trabalho.
A duo acabou logo na sequência.
Ekkehard Ehlers, começou a gravar solo sob o nome de Auch ou mesmo sob seu nome verdadeiro. Sebastian Meissner passou a lançar discos sob as alcunhas de Random Inc. Bizz Circuits, Klimek e Random Industries.
Site Oficial cuidado com o volume :P
música pra ouvir: Untitled 03
Daniel a.k.a. Suss4 26/09/2007 às 2:39 pm opa, eae Bêla! tá bacana o blog, tem bastante coisa pra fuçar„, depois vou passar o pente fino com calma, vi que tem varias coisas do meu agrado… link musical do dia: http://www.youtube.com/watch?v=U2Kxf6TUAFI beeem bacaninha, Los Pekenikes.
6 reproduções
por Lulu Camargo
★★★★★
Teve um tempo em que compositor minimalista que se prezasse trabalhava em colaboração com Robert Wilson e Peter Greenaway. Foi assim com o Phillip Glass (Einstein on the Beach), ou Michael Nyman (as trilhas dos filmes do Peter Greenaway).
Pois o Louis Andriessen é um danado: trabalhou com ambos.
Minimalista europeu, mais especificamente holandês, mais especificamente de Amsterdam (ô tentação de cidade!), consegue sair da tendência meio new age dos seus colegas norte-americanos, jogando deliberadamente fora todo o improviso e as texturas climáticas.
O lance aqui é fazer música da forma mais racional e direta possível. Tipo assim, como já indica a capa do CD, um Mondrian sonoro.
Tive o prazer de assistir umas palestras com ele. Quando perguntado por que não escrevia para a formação orquestral tradicional respondeu: “primeiro por que as orquestras geralmente não gostam de tocar a minha música; e além disso, a orquestra tradicional não tem baixo elétrico!”
música pra ouvir: De Stijl
5 reproduções
★★★½
Deixei um pouco os discos novos de lado, ando numas de escutar velhos discos que eu gosto (ou gostei) muito. Até por isso que ultimamente o blog anda devagar.
Peguei esse aqui pra escutar, depois de - sei lá - uns 6 ou 7 anos, esperando achar, nessa nova audição, que sua graça teria se esvaído com o tempo. Realmente ele soa um pouco “anos 90” demais, mas ainda tem um frescor considerável.
Titán é um trio mexicano formado por Julian Lede (guitarras, programação), Emilio Acevedo (programação e teclados) e Jay de la Cueva (baixo e teclados) que lançou esse disco em 99 e… boas. Nada mais vi deles, nada mais ouvi. Pelo que diz a wikipedia em espanhol, eles lançaram outro disco em 2005. O Myspace da banda confirma o fato com algumas faixas menos inspiradas.
Misturando muita música dos anos 70 com electro, dance, lounge, rock, funk, surf, disco e outros tantos estilos, o trio fabrica, na base da colagem-copy/paste-samples mixados com instrumentos “de verdade”, um disco dançante, bem-humorado e eclético.
Um bom exemplo é a música deste post, com nome de clássico do metal (C’mon Feel The Noise) a música é recheada de samples do tema do seriado 70’s Starsky and Hutch.
Fun, fun, fun.
PS: Não confundir essa banda com a Titan americana, stoner, muito legal por sinal :)
Site do selo atual da banda
música pra ouvir: C’mon Feel The Noise
Richarley Menescal 25/08/2007 às 5:35 pm Curti! Essa música é muito bacana… e realmente bem mais inspirada do que os sons que tem no MySpace deles. To procurando esse disco na net
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★★★★½
Há quem ache que Buena Vista foi só um truque de marketing do Ry Cooder pra dar uma impulsionada no seu caminho musical, até então meio caído. Há quem ache que ele salvou a carreira de velhos e bons músicos. E há até quem diga que Buena Vista foi um respiro na quase morta música tradicional cubana, que impulsionou um reconhecimento mundial e uma valorização que não se fazia presente há décadas.
Eu concordo com um pouco de tudo isso aí. Mas num tô muito preocupado em pensar e tô muito mais a fim é de ouvir. Fui com a cara dessa “moçada” logo na primeira vez que escutei o som deles, através, como muitas pessoas, do documentário de Win Wenders… a única vez que vi uma sessão normal (não-festival) de cinema terminar com toda sala batendo palmas, de pé.
Mestre Compay Segundo, se não me engano o mais velho da turma, logo me chamou a atenção pelo seu astral absolutamente positivo. Não que os outros não o tivessem, mas o de Compay era contagiante.
Numa fase de pensar na idade, já que fiz aniversário outro dia, e na vida… e no novo ano que começa agora, estou curtindo muito re-escutar discos e músicas que de alguma maneira são importantes e significam algo pra mim.
Este álbum do violinista e cantor cubano, Lo Mejor De La Vida, não é exatamente algo inovador ou genial. Nem é o melhor disco de música cubana que ouvi. Talvez não seja o melhor do Compay também… Mas e daí? Suas interpretações são leves, divertidas, bem-humoradas, pra cima, simples e muito bem acabadas.
Pra que mais?
Fique com a divertida letra da El Camisón de Pepa (Pedro Flores) que dá pra ouvir lá no começo do post:
Pepa tiene un camisón que baila solo una danza, le hace chiquita la panza cuando aprieta el cinturón ya no tiene ni un botón para apretar la varilla, tiene un roto en la rodilla y en otro sitio peor.
El camisón de Pepa tiene historia en la Habana ganó el premio mayor con su singularidad no es de tela ni es de seda ni es un vestido imperial. Por la calle le hace un talle que le gritan a l pasar:
Qué bonita se ve Pepa con su camisón, paseando por la Alameda y por el Malecón.
Qué bonita
Compay, you’re the man! :D
música pra ouvir: El Camisón de Pepa
10 reproduções
★★★★½
Recentemente, por causa de um trabalho no qual estive enfurnado por meses, comentei com diferentes pessoas sobre o Uakti e qual foi a minha surpresa ao descobrir, quase 100% das vezes, que não se conhecia a música desse grupo mineiro.
Po, triste saber que um grupo de tamanha qualidade, criatividade e importância não foi assimiliado pelos seus conterrâneos. Me sinto na obrigação de falar dele neste espaço.
Uakti é uma oficina instrumental. Marco Antônio Guimarães, fundador, maestro e diretor artístico do grupo, começou em 1978 a criar seus próprios instrumentos, influenciado pelo seu mestre Smetak (o homem, o mito).
Vinte e nove anos depois, com 10 CDs lançados no Brasil e no exterior e tendo trabalhado com artistas como Philip Glass, Paul Simin, Milton Nascimento, Manhattan Transfer, Grupo Corpo, Naná Vasconcelos e muitos outros, o Uakti continua tendo um papel importantíssimo na música instrumental brasileira.
Aerofones, Electromecânicos, Idiofones, Membranofones e Cordofones: os instrumentos construídos com materiais do cotidiano como tubos de PVC, vidros, borracha, acrílico, água, panelas, latinhas, garrafões, adquirem uma sonoridade única e muito particular.

Escolher um disco pra destacar aqui é um desafio. Apesar de acreditar que a obra do grupo seja heterogênea e contenha alguns álbuns pouco inspirados (na minha opinião… veja só), existem ótimos discos - assinados tanto como Uakti como apenas pelo lider do grupo (Marco Antônio fez trilhas sonoras como Lavoura Arcaica e esta que deve ser lançada em breve, d’A Pedra do Reino).
Então segui meu coração: a música Arrumação é uma das suas mais perfeitas composições e gravações, daquelas de ouvir dezenas de vezes sem se cansar e ainda descobrir novos detalhes e nuances. Sua sensibilidade e delicadeza são absolutamente singulares. Tanto na performance quanto na criação musical.
Trilobita, o nome que o instrumento empresta ao disco, tem um som de destaque nessa faixa. Tocada com os dedos - quase como se fossem tablas - o Trilobita é formado por tambores que, por sua vez, nada mais são que tubos de PVC com pele de cabra esticada em uma das suas extremidades.
Seus shows são um capítulo à parte, já que neles temos a oportunidade de ver todas essas incríveis (e belas) criações instrumentais (Aqualung é uma das minhas prediletas: um filete d’água é que produz o som, amplificado por 2 tubos), além da performance dos excelentes músicos Paulo Santos, Artur Andrés e Décio Ramos.

música pra ouvir: Arrumação
Antonio Brandao Junior 16/05/2009 às 6:17 pm Oi Carlos, parabéns pela iniciativa. Vejo que você tem bom gosto musical. Também, como você, fico decepcionado com o fato de o trabalho do Uakti não ser tão conhecido no Brasil e principalmente em Minas. Talvez seja por causa da alienação cultural em que nosso povo está “doentemente” mergulhado. Desejo-lhe sucesso pelo espaço e que esse trabalho maravilhoso do Uakti, possa ser mais conhecido em nosso pais. Valeu, grande abraço.
Álvaro Manhães 25/11/2007 às 9:56 am Olá! Sou músico e professor e estou encantado com este trabalho. Por curiosidade comecei a utilizar experimentalmente seguindo uma publicação da revista nova escola e obtive um resultado fantastico. Gostaria de saber mais e ter acesso as variações por sobre idiofones e tudo que possível e de fácil implementação no trabalho de musicalização infantil. Trabalho atualmente com crianças de 9 a 16 anos do PETI (PROGRAMA DE ERRADICAÇÃO DO TRABALHO INFANTIL)de quissamã no RJ e procuro inserir junto a musicalização o senso de preservação e outros ganhos para humanidade. Desde ja agradeço qualquer colaboração no sentido de me fornecer mais informações e modelos de instrumentos para implantar no meu trabalho. E prometo dar os devidos créditos aos seus idealizadores. Muitíssimo obrigado.
3 reproduções
★★★★½
Tô ainda viciado nesse som de Tuva. Esses aqui são ainda mais profissas no gogó que o pessoal do Yat-Kha. Só que o grupo Shu-De vai pra onda mais tradicional e folclórica de Tuva.
Ninguém me tira da cabeça que, se isso fosse cantado numa língua mais universal como o inglês, seria um sucesso! :)
Os decendentes de Genghis Khan cantam, tocam percussão, instrumentos típicos de corda e, destaque aqui, o jaw’s harp - aquele instrumento que ninguém conhece pelo nome mas, se assistiu a algum desenho animado na vida, certamente já ouviu o som peculiar dele.
Vida longa ao gogó harmônico!
veja uma demonstração de jaw-harp.
música pra ouvir: Aian Dudal

★★★★★
Esse rápido texto é mais uma declaração de amor que propriamente um post. Tindersticks é um petardo. Absurdamente melancólico, composições belíssimas, arranjos elaborados a ponto de os chamarem de “chamber pop”. Se tem um som que não canso de ouvir nunca é o romantismo dark à la Leonard Cohen desses ingleses.
Aproveito pra perguntar: e aí, tem jeito? A banda lançou um disco em 2003 e nunca mais, fora o solo do vocalista Stuart Staples. O site oficial diz que tem um disco no forno pra sair.
Rodrigo Sommer 21/03/2007 às 4:44 pm Já ouviu o disco infantil organizado pelo Stuart Staples? Discão esse aí, mas ainda sou mais o primeiro. Abraço.
resistro® 13/03/2007 às 3:19 pm Salve! Esse é um dos meus discos prediletos de todos os tempos. Curiosidade: uma vez, assistindo a série Sopranos, o anti-herói Tony vivia uma fase de profunda depressão, na cama, tomando remédios etc. Tem uma tomada sensacional dele olhando as paredes da casa com uma música de Leonard Cohen e depois Tindersticks! Quase chorei! ) Abs!