Typographica: Floating Opera
★★★★★
RECOMENDO
(texto retirado do Jazz Archives - clique no link acima para baixar o disco)
This brilliant bunch of creative music is really true masterpiece!!! Extra class musicianship, top-notch studio work, very adventurous and intelligent compositions plus perfect and juicy spectrum of sounds! I got this CD two weeks ago and cannot stop wondering about all those highest qualities of Real Cultural Shock! But - could anybody say where to get two first recordings of Tipographica (this kind of task seems to me impossible - I have heard only God Says I Can’t Dance before Floating Opera and - both are essential)? Well, Japanese weird RIO-ish experimental all-instrumental jazz-rock combo having Italian-language name Tipographica was active during nineties of XX century. They released altogether four albums, first two of them are unfortunately out-of-print and impossible to get… In addition to guitar-bass-keyboards-drums they enriched their soundspectrum with saxophone and trombone, also with mokkin (xylophone of Japanese Kabuki theatre) and other percussion instruments. The music has relationship with Frank Zappa’s jazz compositions, Henry Cow’s instrumentals, Picchio Dal Pozzo’s Abbiamo-Tutti-I-Suoi-Problemi-era, Santana’s Caravanserai-Welcome-era, Mahavishnu Orchestra…and many more…and sometimes hints to Japanese folklore… Surely my all- time-favourite band among Japanese rock-releated music ever! Fave tunes? All the record is one big fave tune… But the really burning saxophone solo in Highway At Samurai Play comes into my mind. Unfortunately I have the greatest pleasure to give five stars in these progarchives- page (and everywhere in general) quite seldom. But today is probably the last this-kind- of-celebration-day in this year. Five stars really to Tipographica!!!
Fat32 é a banda que vai estar acompanhando o Secret Chiefs 3 em sua turnê de verão pela Europa.
grande banda, lança novo disco
baixe no link: The Bad Plus / Never Stop [2010]
leia resenha aporias do disco de 2005 do trio aqui
Prévia de “Burning”, filme do Mogwai que vai acompanhar o “Special Movies”, CD/DVD com registros de uma série de shows que fizeram em New York no ano passado. O lançamento está marcado para agosto, mas a banda já oferece pacotes diversos em pré-venda pelo site oficial.
o leitor Rafael manda avisar que sua banda Forgotten Live in Death Paradise tem dois discos pra baixar gratuitamente na página oficial do MySpace.
alguma dica de disco, banda, video ou música? clique em SUBMIT ao lado pra mandar pra nós.
“Haudasta lomilla”, DVD ao vivo do sensacional Alamaailman Vasarat foi recentemente lançado na Finlandia. Nem sei se esse vídeo é dele, mas serve um pouco de aperitivo. A capa do DVD e a enorme tracklist do show dá pra ser conferida clicando aqui.
Mais info: Site Oficial | MySpace
11 reproduções
★★★★½
Jazz com grande influência de Rock ou Rock com doses cavalares de Jazz? Big Band com cara de progressivo ou Avant-Garde mais acessível? Frank Sinatra ou Frank Zappa? Possivelmente nos meados dos anos 80 um termo resumiria isso tudo: Avant-Prog.
Seja qual nome você queira dar pro som do Club Foot Orchestra, uma coisa não dá pra negar: o grupo de músicos liderados por Richard Marriot fez algo peculiar.
Marriot fundou uma orquestra em 1983 pra tocar regularmente no The Club Foot, um point de músicos e artistas visuais na 2520 Third Street em São Francisco, EUA. Nessa turma não entrava só virtuoso tocando partes difíceis ou improvisando: os novatos músicos colaboravam com funções simples, porém essenciais.
Falando dos temas musicais especificamente, como você pode escutar no exemplo abaixo, a música era complexa sem assustar. Os metais tinham grande importância na orquestração do som cheio de contrapontos culminando numa mistura sem dogmas de jazz post-bop, easy-listening, rock, reggae, klezmer, mariachi, clássico etc e artistas marginais da época como Carla Bley, Xavier Cugat e Kurt Weill. Impossível, pra mim pelo menos, não lembrar de algumas fases do Zappa.
Dois foram os registros dessa época, lançados pela Ralph Records - e raríssimos hoje em dia: Wild Beasts (1985) e Kidnapped (1987). E são esses álbuns, na íntegra, que aparecem neste disco Wild Beasts, Kidnapped, and More lançado em 1995 (e em CD em 2007), com direito a mais 2 faixas extras.
Ou seja, pra quem quer conhecer o “Klezmer Paso Dobles” (Suerte de la Noche), “Balkan Surf” (Entrance), “Dinosaur Story Avant-o-rama” (Innocent), “No-Wave meets the Red Army Chorus on a cartoon bunny path” (Time Axe Bag Dad) do Club Foot Orchestra, essa é a porta de entrada perfeita e fácil.
A banda, depois dessa fase, enveredou num meio bem interessante, porém distinto do apresentado nesta coletânea: trilhas sonoras para filmes mudos. E não foram poucos: O Gabinete do Dr. Caligari, Nosferatu, O Encouraçado Potemkin, Fantasma da Ópera, entre outros além de releituras de Metropolis, Caixa de Pandora, etc
O grupo também compôs a trilha de 39 episódios do Gato Félix (The Twisted Tales of Felix the Cat, 1995-1997), o que faz todo sentido, já que a sonoridade da banda tem tudo a ver com desenhos animados.
música pra ouvir: Suerte De La Noche (Wild Beasts)
riga 27/03/2009 às 11:57 pm carazza…excellent!!
7 reproduções
★★★★★
Começaram o ano com o divertido Let’s Go Everywhere, para crianças - e com a participação delas. No meio do ano, sai o Zaebos (*), décimo primeiro volume do segundo livro de Masada do amigo, colaborador e admirador de longa data John Zorn. E agora, no finalzinho do mês passado, logo após sua passagem pelo Brasil com shows incríveis, lançam pelo próprio selo, o Radiolarians 1.
Já posso dizer que dois mil e oito foi o ano do trio Medeski, Martin & Wood. Tanto que abri uma excessão no blog: a de, a princípio, comentar apenas um disco por artista.
Se você não foi aos shows do MMW, e curte aquele jazz com groove tão característico da banda… esqueça este disco. :P E o anterior também (*).
Abre parênteses.
Engraçado como algumas bandas são rapidamente encaixadas em determinados nichos ou estilos, sem uma análise minimamente mais cuidadosa. O interessante disso é que é bem comum essa generalização vir dos próprios fãs, justamente aqueles que conhecem melhor o trabalho do artista.
MMW infelizmente cai facilmente nesta armadilha. Eles fazem jazz/funk? Sim, certamente. Mas só isso? Nem fudendo.
Dando uma rápida passada na discografia da banda… ou mesmo ouvindo 3 ou 4 dos seus discos mais representativos, é fácil perceber que o trio vai muito além dessa percepção jazz-moderninho-feliz-grooveado.
Os caras vieram de uma escola avant-garde, calcada em improviso e experimentação. Nos anos 80, antes da fundação oficial do trio, se esbarraram em gravações e shows de artistas como Bob Moses, John Lurie, John Zorn, Ned Rothenberg, Bob Mintzer, Dewey Redman, Alan Dawson, etc.
Todos seus discos trazem esse lado, junto com samba, country, reggae, salsa, jazz tradicional, etc com igual ou até maior importância que o funk. Alguns de seus álbuns mal “esbarram” no groove, como, por exemplo, o Tonic, o Notes From The Undergound e, principalmente, o Farmer’s Reserve.
Fecha parênteses.
A liberdade criativa que eu esperava no primeiro disco lançado pelo selo próprio e comentada no post anterior da banda só apareceu agora.
Primeiro de três volumes, a série Radiolarians (ou radiolários, em português: protozoários amebóides que dão origem a esqueletos minerais, encontrados no plâncton oceânico - e tão divinamente ilustrados pelo biólogo alemão Ernst Haeckel no começo do século passado, inclusive na capa deste álbum) tem justamente a proposta de liberdade total.
Medeski comenta que “a banda não é sobre música, per se, e sim sobre as sensações e sentimentos que vêm dela”. É fácil entender isso quando você vai a um show deles e se vê viajando boquiaberto por horas numa espécie de (desculpa a bicho-grilagem) viagem sensorial. Os caras estão lá claramente pela experiência, pela experimentação - não pra fazer bonitinho tocando “hits” pro público bater o pezinho. São até meio mal educados, pouco se comunicam com o público. Pena.
Claro que não estamos falando de um free-jazz absoluto. Neste Radiolarians 1, eles não esqueceram o lado mais acessível e que lhe deu boa parte da fama - e da maldição comentada nos parênteses acima - e se (nos) deliciam com ótimos temas como “Professor Nohair” ou “Free Go Lily”. Mesmo nessas, um groove é facilmente deixado de lado para improvisos de todas as espécies, ora de piano ou órgão, ora de baixou, ora de bateria, para depois voltar ao balanço.
Mas são as músicas mais “soltas” que eu acredito que fazem deste o melhor trabalho do trio em anos.
Reliquary (ouça acima), como comentou um querido amigo, é praticamente um Hendrix psicopata. No disco ela quase chega a 8 minutos, contra uns 12 ou 15 dos shows da banda aqui no Brasil. A brusca interrupção do tema nervoso inicial pra um piano delicado no meio da música já valeu, pra mim, a audição do álbum.
A idéia de feitura deste álbum, que originalmente deveria se chamar Viva La Evolution é muito interessante. Eles se juntaram por 5 dias pra compor e trocar material que cada um dos integrantes tinha criado separada e anteriormente. Logo na sequência, sairam em turnê, tocando quase que exclusivamente esse material inédito, entre um ou outro tema antigo e mais conhecido do seu público, perto do bis :P
Finalizada a tour, o trio entrou num estúdio por 3 ou 4 dias e gravou esse material novo.
Agora, abandonarão esses temas e começarão tudo de novo, mais 2 vezes - o que resultará nos próximos volumes da série Radiolarians.
A julgar por esse começo, acredito que estamos tendo a oportunidade de conhecer um renascido MMW, mais sensorial, mais livre e, por que não dizer, mais sincero.
E agora com seu exosqueleto de quitina à mostra!
(*) Vale fazer aqui um pequeno comentário a respeito do Book of Angels, Vol. 11: Zaebos que, apesar de não ser de composições do trio e sim de temas klezmer de John Zorn, tem um pique muito semelhante ao Radiolarians 1.

10 reproduções
★★★½
Tremendo mau humor? Puto(a)? Chateado(a)? Triste? Seu papagaio de estimação se matou?
Não tema!
Musique Idiote é uma gabola homenagem aos temas previsíveis e estólidos, criados eletronicamente pelo compositor francês de trilhas sonoras Roger Roger, também conhecido como Cecil Leuter.
São 16 temas simples e pacóvios, tocados em moog, que exploram linhas… ermm… idiotas.
E, bem, eu me sinto um idiota tentando descrever algo tão básico e bolônio. E jocoso. Quiçá basbaque.
Então, ouça o asonsado exemplo abaixo. Dá pra achar esse disco e outros do cara numa procura rápida no Google. Vale a pena, nem que seja pra matar sua curiosidade marota. Ou pra divertir uma criança. Ou um cachorro. Ou um papagaio suicida.
música pra ouvir: Duetto
André Ganzelevitch 14/10/2008 às 9:31 am Sobre sua descrição da “musique idiote” dei muitas risadas. Concordo que se trata de sum bolônio, pacóvio, jocoso e basbaque. Quem sabe acrescentariamos, além disso tudo, outros adjetivos classificatórios como parvo, estulto, néscio, energúmeno, tolo, lerdo, leso e palerma.
Roger Marmo 02/09/2008 às 1:46 am Eu juro que não tenho nada a ver com esse disco. Se bem que eu até que gostaria…
Lulu 01/09/2008 às 11:55 am Omessa!
10 reproduções
★★★★½
Se tem uma banda com atitude no free jazz de hoje, ela se chama The Thing.
O trio escandinavo liderado pelo saxofonista Mats Gustafsson faz praticamente um punk com baixo acústico e bateria. Mas, ao mesmo tempo, é free jazz puro.
Originalmente formado para tocar músicas de Don Cherry, o trio foi gradativamente incluindo músicas próprias a seus discos, sem, no entanto, esquecer as versões: de Ornette Colemann (ah vá!?) a Lightning Bolt, tudo passa pelo Filtro The Thing.
Esse filtro tem uma característica marcante: o tocar de Gustafsson. O saxofonista começou a carreira cedo - aos 14 anos, pegou o bocal do seu sax e encaixou na antiga flauta, criando seu flautofone (fluteophone). Tocou com AALY Trio, Two Slices of Acoustic Car, Derek Bailey’s Company, Ken Vandermark, Peter Brotzmann, Sonic Youth, só pra citar alguns exemplos.
Avesso a tradições, explora dezenas de técnicas de seu instrumento, tanto de respiração quanto até microtons. Essas variações vão do sutil ao denso em microsegundos, com competência e estilo singulares.
Se você gostar dessa música do post, pode ir atrás de qualquer álbum dos caras. É garantido. Pena que é tão difícil achar informações completas dessa banda na web.
Agressivo, coalhado de improviso, experimentalismo e qualquer outro ismo que você quiser, The Thing espõe as víceras do jazz, sem medo de sangue.
Site do selo Smalltown Superjazz
Introduction @ paalnilssen-love
música pra ouvir: Aluminium
Carlos Bêla 15/08/2008 às 3:41 pm Fala Sergio! Já ouvi falar mas nunca escutei. Valeu a dica, vou atrás e te digo! Abraço
sergio stefano 15/08/2008 às 3:13 pm Cara, vc já ouviu God is an Astronault? Acho que vai gostar. abs
Alessandra Tussi 28/07/2008 às 6:30 pm Feliz aniversário amanhã! :D
Carlos Bêla 06/07/2008 às 5:40 pm Fala Bruno, bem lembrado! Não por acaso, o Zu já gravou um disco com o próprio Mats Gustafsson chamado “How To Raise An Ox”. http://www.lastfm.com.br/music/Zu+%26+Mats+Gustafsson Abraço
Bruno 06/07/2008 às 10:24 am Quando vi o “punk com baixo acústico e bateria” me lembrei do Zu, da Itália. Banda muito boa, que segue esse estilo. Altamente recomendado.
6 reproduções
★★★★
Deve ser conhecido de muita gente esse cara, mas não posso deixa de comentar sobre o mais novo disco do trio liderado pelo baterista Stanton Moore. Ainda mais que, numa busca rápida por resultados em páginas brasileiras, encontrei muito pouco – e pra quem aprecia um jazz-funk e não conhece ainda o trabalho desse americano, vale a pena ir atrás.
Emphasis! (On Parenthesis) é o mais recente disco solo de Moore, o quarto de sua carreira que começou nos primeiros anos da década de 90 com o (então) sexteto de Nova Orleans de jazz-funk Galactic. De lá pra cá o baterista participou de inúmeros projetos, de R&B a jazz, passando até por uma contribuição com o punk-metal do Corrosion of Conformity.
Esse disco é um ótimo exemplo do que Stanton Moore pode oferecer ao gênero hoje tão bem representado por Medeski, Martin & Wood (embora o trio seja eclético o suficiente para não ser encaixado em um único gênero).
Liderando o trio que conta também com Will Bernard (guitarra) e Robert Walter (hammond B3, piano e outras teclas), o compositor apresenta 11 músicas impossíveis de não acompanhar batendo o pezinho ou socando o volante do carro. Grooves, breakbeats, guitarras sincopadas, órgãos tradiças e uma fome por uma rítmica complexa porém acessível.
O trio dá até umas arriscadas em uns temas mais rock como, por exemplo, a (Who Ate The) Layer Cake? (os títulos de todas as faixas contém indicações entre-parenteses). Mas é na quebradeira funk que a coisa fica realmente séria, como você pode ouvir na faixa abaixo.
Dá pra ir sem medo nos outros álbuns solos dele, apesar de achar o primeiro, All Kooked Out (1998), o mais fraco dos quatro.
Grooovy, baby! ;)
Site oficial com várias músicas para escutar.
música pra ouvir: Over (Compensatin’)
5 reproduções
★★★★
Girafas? Sim, girafas.
Só o nome da banda já dá vontade de baixar o álbum, nem que seja pra uma espiadela rapidita no som.
Pois. Fiz. E não é que não é só de nome que os caras são bons?
A dupla de Post/Math-Rock formada por Joseph Andreoli e Kenneth Topham faz um som que lembra principalmente The Advantage, mas também Hella e outros similares: melodias simples, repetitivas e frenéticas, tempo rápido, construção inteligente. Deve ser bem legal ver isso ao vivo.
Ouvir? Ouvir!
Confira o MySpace oficial que tem 6 faixas disponíveis pra auscutar, fora o exemplo acima que é praticamente um progressivo matemático. [aperte o play]
música pra ouvir: I Am S/H(im)e[r] As You Am S/H(im)e[r] As You Are Me And We Am I And I Are All Our Together: Our Collective Consciousness‚ Psyc
Renan Molin 29/05/2008 às 12:21 am Coisa fina Giraffes hein? Não connhecia, mas gostei bastante, um mix de Dream Theater com Crystal Casltes, se é que isso é possível! Me lembrou isso: http://www.myspace.com/frommonumenttomasses abraço
Medina 13/03/2008 às 3:38 pm olha que coisa linda: http://www.youtube.com/watch?v=B0KUTj7vNS0
5 reproduções
★★★★★
Eu curto categorizar, simplificadamente, os mp3 que ouço. Boto lá no genre do iTunes se o artista faz pop, jazz, rock, clássico, etc, e, dentro desses gêneros, o estilo mais aproximado. Só que ouvindo Microscopic Septet eu fiquei completamente perdido (opa, Apple, que tal tags no iTunes?)… Certo, isso é jazz, não tenha dúvida… mas que tipo? Tradicional? Experimental? Avant-Garde? Modern Creative? Bebop? Post-Bop? Wop-bop-a-loo-mop alop-bom-bom?
Resposta: de tudo um pouco.
“Nostálgicos e futuristas ao mesmo tempo” ou “Jazz Surrealista” são definições interessantes que já fizeram desse septeto fundado em Nova Iorque no início dos anos 80.
Se por um lado eles reverenciam com Dixieland ou Bebop lá do início do século passado, por outro eles misturam com releituras avant-garde, Albert Ayler, experimental, Free, Hard Bop de agora pouco. Tudo de maneira fluida, sem sustos e com uma originalidade impressionante.
A banda acabou em 1992, mas, após o lançamento em CD dos seus álbuns em 2006, os fundadores do grupo - saxofonista soprano Philip Johnston, o barítono Dave Sewelson, o pianista Joel Forrester e o tocador de tuba (tubista?) e baixo David Hofstra - se juntaram aos ex-companheiros Don Davis (sax alto), Paul Shapiro (sax tenor) e Richard Dworkin (bateria) pra celebrar o lançamento da série History Of The Micros.
Essa série é formada por 2 volumes duplos (History of the Micros Volume 1: Seven Men in Neckties e History of the Micros Volume 2: Surrealistic Swing) que cobrem, respectivamente, os anos de 1980-85 e 1986-1990 e nada mais são que seus 4 discos Take the Z Train, Let’s Flip!, Off Beat Glory e Beauty Based on Science (The Visit) adicionados a faixas inéditas e raras (como, por exemplo, algumas da época que John Zorn tocou com a banda, anteriormente ao lançamento do primeiro disco).
Escolhi este disco apenas por ser o primeiro que a banda lançou e que, por coincidência, eu escutei. Mas qualquer coisa deles vale a audição, ainda mais se você gosta de coisas como Flat Earth Society.
Eu demoraria dias pra escrever sobre cada um dos brilhantes integrantes que fazem parte desse septeto… possivelmente muito mais tempo que você demoraria pra achar um som deles pra baixar ou pra comprar em alguma loja online.
Então, dá uma orelhada na faixa abaixo (um passeio virtual por estações de trem musicais) e corre atrás disso porque é bomdimaisdaconta! :)
música pra ouvir: Take The Z-Train
5 reproduções
★★★★½
The Science Group foi fundado em 1997 na França e, guardadas as proporções, poderíamos encarar como uma continuação do som do super-grupo inglês de avant-prog Henry Cow.
Não por acaso a comparação: o percussionista, baterista, compositor, letrista e teórico musical Chris Cluter toca nas duas bandas. O sócio-fundador do Cow, guitarrista Fred Frith, participa do primeiro do Science Group também. E, claro, o som: uma combinação de avant-prog com jazz, clássico, experimental, eletrônico, ambient, RIO, avant-garde, e o que mais aparecer tem muito do clima da banda inglesa.
Chris Cluter parece viver numa realidade paralela. Ao menos temporalmente falando: é impressionante a quantidade de projetos que o cara se envolve: Slapp Happy, Art Bears, Aksak Maboul, Cassiber, News From Babel, David Thomas and The Pedestrians, Peter Blegvad, Pere Ubu, Zeena Parkins, The Residents, Lindsay Cooper, Gong, fora os discos solos (3, por enquanto), livros, participação em filmes, etc.
Americano nascido em 1947, cresceu na Inglaterra e nunca estudou música. Em 1971 foi convidado a substituir o baterista da banda Henry Cow… e aí que toda a história do cara começa.
Foi com Fred Frith e Tim Hodgkinson que, no final dos anos 70, ele fundou o Rock In Opposion (RIO), um movimento/coletivo de bandas unidas em oposição à industria músical. O festival que iniciou o movimento tinha como slogan “The music the record companies don’t want you to hear” (A música que as gravadoras não querem que você ouça) e dele fizeram parte, além do Henry Cow: Stormy Six, Samla Mammas Manna, Univers Zero e Etron Fou Leloubla. Só coisa fina. :)
De lá pra cá RIO virou sinônimo de avant-garde progressive rock (avant-prog, pra encurtar) ou rock experimental.
Essa galera toda merece alguns vários posts no Aporias (Marcio Nigro, inclusive, já escreveu aqui no blog sobre bandas que se encaixam no gênero: Magma e Alammailman Vasarat), mas foquemos no The Science Group.
Viagem no tempo para 1996. Chris Cutler propõe ao amigo Stevan Tickmayer (compositor contemporâneo erudito e tecladista) gravar um disco usando seus textos sobre ciência que ele vinha desenvolvendo desde 1992. Era o começo do Science Group. A dupla então chamou alguns convidados especialíssimos pra colaborar: Fred Frith (resenha aqui), Claudio Puntin (clarinete), Amy Denio (voz), Bob Drake (do Thinking Plague, baixo, guitarra, percussão).
Em 1999 lançam o A Mere Coincidence pelo selo inglês Recommended Records (do próprio Cutler).
Em 2003, parte desse grupo - Cutler, Tickmayer, Drake junto com o guitarrista e compositor Mike Johnson, fundador do Thinking Plague - lança o instrumental Spoors.
As vozes, pra quem não gostou delas no primeiro disco, não estão presentes, o que, de certa maneira, poderia dar um ar mais acessível ao disco. Mas não: aqui o som é menos rock, mais erudito, com uma levada dark e obliqua e que até se arrisca, em alguns momentos, a incluir elementos e instrumentos eletrônicos na orquestração.
O disco de 15 faixas é dividido em 4 “suites”: Timelines (temas mais velozes, matemáticos e complexos), New Indents (temas mais soltos, experimentais, em levadas dissonantes quando não atonais, onde as teclas tem maior importância), Bagatelles (mais pesado, meio circense, cujas cordas aparecem mais) e Old and News Paths (bem avant-prog, rock, esquisito, lembrando, em vários momentos, o trabalho erudito do Zappa).
Brilhante.
música pra ouvir: Old And New Paths: Discrete Networks
4 reproduções
★★★★
A capa é uma mistura de logo metal com cromados bregas dos anos 80. Só faltou dregadês de azul pro branco e marrons. A primeira faixa já espanta essa impressão causada pela capa, com um post rock nada anos 80. A segunda já tem uma linha mais acessível e um vocal feminino “quase-pop” que entra perto do final da faixa de cinco minutos e meio, numa levada mais feliz. A terceira já vai numa onda post-punk com uma guitarrinha esperta Talking Headiana. A quarta tem um teclado meio John Lord, guitarras pesadas e uma levada disco-circense.
E por aí vai. nada de novo em cada uma faixa, não fosse a junção delas todas não ser uma coletânea e sim o trabalho de uma única banda.
Originalmente um duo de baixo e bateria, o Chrome Hoof é daquelas gratas surpresas. Tem tudo pra virar queridinhos indies. No bom sentido.
Este terceiro disco (considerando um EP) da banda inglesa tem uma variedade surpreendente de instrumentação. Os atuais 9 ou 10 multi-instrumentistas que formam a “orquestra” Chrome Hoof oferecem uma grande variedade de arranjos, sonoridades e misturas. Do metal ao disco, do funk ao experimental, do Goblin ao Mr. Bungle.
Nada previsível, um pouco estranho, mas extremamente acessível.
Um disco pra ouvir várias vezes e continuar sacando as nuances e invenções.
Bem legal!
música pra ouvir: Leave This Ruined Husk