Postagens com o marcador Modern Creative

baixe a compilação de todo o trabalho do ótimo Microscopic Septet comentada neste post aporias. The Microscopic Septet – Seven Men In Neckties (2CD) (2006)

baixe a compilação de todo o trabalho do ótimo Microscopic Septet comentada neste post aporias.
The Microscopic Septet – Seven Men In Neckties (2CD) (2006)

grande banda, lança novo disco
baixe no link: The Bad Plus / Never Stop [2010]leia resenha aporias do disco de 2005 do trio aqui
[Flash 9 is required to listen to audio.]

10 reproduções

Esbjörn Svensson Trio (E.S.T.): Dodge The Dodo do disco “Brane Roncel Izza Odra - Live In Studio 1 Ljubljana” de 2003.

[Flash 9 is required to listen to audio.]

26 reproduções

uma das faixas do disco do post anterior.

Tin Hat - Foreign Legion, 2010
★★★★

o ex-Tin Hat Trio tem feito, desde sua fundação em 1997, discos belíssimos, com uma inventiva mistura de erudito, folk, música de cabaré, jazz, e outros tantos estilos, com uma cara ao mesmo tempo erudita e acessível.

fundado por Rob Burger (acordeon), Mark Orton (violão) e Carla Kihlstedt (violino), o grupo gravou 5 discos - sendo o último já sem o “Trio” no nome, devido a saída de Burger, e a entrada de Zeena Parkins (harpa), Ben Goldberg (clarinete) e Ara Anderson (metais e teclados).

este disco que você pode baixar no link é o primeiro registro oficial ao vivo da banda. pra quem é fã, uma ótima retrospectiva. pra quem não conhece, o melhor jeito de se aprofundar no som dos caras.

RECOMENDO.

Tin Hat - Foreign Legion, 2010
★★★★

o ex-Tin Hat Trio tem feito, desde sua fundação em 1997, discos belíssimos, com uma inventiva mistura de erudito, folk, música de cabaré, jazz, e outros tantos estilos, com uma cara ao mesmo tempo erudita e acessível.

fundado por Rob Burger (acordeon), Mark Orton (violão) e Carla Kihlstedt (violino), o grupo gravou 5 discos - sendo o último já sem o “Trio” no nome, devido a saída de Burger, e a entrada de Zeena Parkins (harpa), Ben Goldberg (clarinete) e Ara Anderson (metais e teclados).

este disco que você pode baixar no link é o primeiro registro oficial ao vivo da banda. pra quem é fã, uma ótima retrospectiva. pra quem não conhece, o melhor jeito de se aprofundar no som dos caras.

RECOMENDO.

este todo mundo conhece mas e daí?
um dos mais belos já produzidos, “Köln Concert” foi o álbum solo de maior venda da história do jazz.
só piano. improviso. belíssimo.
esqueça o video. apenas ouça a música.
Keith Jarrett: Köln Concert - Part 1 1 / 3
Saiba mais: All Music | Wikipedia

[Flash 9 is required to listen to audio.]

7 reproduções

Medeski, Martin & Wood: Radiolarians 1, 2008

★★★★★

Começaram o ano com o divertido Let’s Go Everywhere, para crianças - e com a participação delas. No meio do ano, sai o Zaebos (*), décimo primeiro volume do segundo livro de Masada do amigo, colaborador e admirador de longa data John Zorn. E agora, no finalzinho do mês passado, logo após sua passagem pelo Brasil com shows incríveis, lançam pelo próprio selo, o Radiolarians 1.

Já posso dizer que dois mil e oito foi o ano do trio Medeski, Martin & Wood. Tanto que abri uma excessão no blog: a de, a princípio, comentar apenas um disco por artista.

Se você não foi aos shows do MMW, e curte aquele jazz com groove tão característico da banda… esqueça este disco. :P E o anterior também (*).

Abre parênteses.

Engraçado como algumas bandas são rapidamente encaixadas em determinados nichos ou estilos, sem uma análise minimamente mais cuidadosa. O interessante disso é que é bem comum essa generalização vir dos próprios fãs, justamente aqueles que conhecem melhor o trabalho do artista.

MMW infelizmente cai facilmente nesta armadilha. Eles fazem jazz/funk? Sim, certamente. Mas só isso? Nem fudendo.

Dando uma rápida passada na discografia da banda… ou mesmo ouvindo 3 ou 4 dos seus discos mais representativos, é fácil perceber que o trio vai muito além dessa percepção jazz-moderninho-feliz-grooveado.

Os caras vieram de uma escola avant-garde, calcada em improviso e experimentação. Nos anos 80, antes da fundação oficial do trio, se esbarraram em gravações e shows de artistas como Bob Moses, John Lurie, John Zorn, Ned Rothenberg, Bob Mintzer, Dewey Redman, Alan Dawson, etc.

Todos seus discos trazem esse lado, junto com samba, country, reggae, salsa, jazz tradicional, etc com igual ou até maior importância que o funk. Alguns de seus álbuns mal “esbarram” no groove, como, por exemplo, o Tonic, o Notes From The Undergound e, principalmente, o Farmer’s Reserve.

Fecha parênteses.

A liberdade criativa que eu esperava no primeiro disco lançado pelo selo próprio e comentada no post anterior da banda só apareceu agora.

Primeiro de três volumes, a série Radiolarians (ou radiolários, em português: protozoários amebóides que dão origem a esqueletos minerais, encontrados no plâncton oceânico - e tão divinamente ilustrados pelo biólogo alemão Ernst Haeckel no começo do século passado, inclusive na capa deste álbum) tem justamente a proposta de liberdade total.

Medeski comenta que “a banda não é sobre música, per se, e sim sobre as sensações e sentimentos que vêm dela”. É fácil entender isso quando você vai a um show deles e se vê viajando boquiaberto por horas numa espécie de (desculpa a bicho-grilagem) viagem sensorial. Os caras estão lá claramente pela experiência, pela experimentação - não pra fazer bonitinho tocando “hits” pro público bater o pezinho. São até meio mal educados, pouco se comunicam com o público. Pena.

Claro que não estamos falando de um free-jazz absoluto. Neste Radiolarians 1, eles não esqueceram o lado mais acessível e que lhe deu boa parte da fama - e da maldição comentada nos parênteses acima - e se (nos) deliciam com ótimos temas como “Professor Nohair” ou “Free Go Lily”. Mesmo nessas, um groove é facilmente deixado de lado para improvisos de todas as espécies, ora de piano ou órgão, ora de baixou, ora de bateria, para depois voltar ao balanço.

Mas são as músicas mais “soltas” que eu acredito que fazem deste o melhor trabalho do trio em anos.

Reliquary (ouça acima), como comentou um querido amigo, é praticamente um Hendrix psicopata. No disco ela quase chega a 8 minutos, contra uns 12 ou 15 dos shows da banda aqui no Brasil. A brusca interrupção do tema nervoso inicial pra um piano delicado no meio da música já valeu, pra mim, a audição do álbum.

A idéia de feitura deste álbum, que originalmente deveria se chamar Viva La Evolution é muito interessante. Eles se juntaram por 5 dias pra compor e trocar material que cada um dos integrantes tinha criado separada e anteriormente. Logo na sequência, sairam em turnê, tocando quase que exclusivamente esse material inédito, entre um ou outro tema antigo e mais conhecido do seu público, perto do bis :P

Finalizada a tour, o trio entrou num estúdio por 3 ou 4 dias e gravou esse material novo.

Agora, abandonarão esses temas e começarão tudo de novo, mais 2 vezes - o que resultará nos próximos volumes da série Radiolarians.

A julgar por esse começo, acredito que estamos tendo a oportunidade de conhecer um renascido MMW, mais sensorial, mais livre e, por que não dizer, mais sincero.

E agora com seu exosqueleto de quitina à mostra!

(*) Vale fazer aqui um pequeno comentário a respeito do Book of Angels, Vol. 11: Zaebos que, apesar de não ser de composições do trio e sim de temas klezmer de John Zorn, tem um pique muito semelhante ao Radiolarians 1.

Zaebos’ /></p>

<p><a href="http://www.mmw.net/">Site oficial</a></p>
<p><a href="http://www.myspace.com/medeskimartinandwood">Myspace</a></p>

<p>música pra ouvir: <i>Reliquary</i></p> </body></html>

[Flash 9 is required to listen to audio.]

6 reproduções

Stanton Moore Trio: Emphasis! (On Parenthesis), 2008

★★★★

Deve ser conhecido de muita gente esse cara, mas não posso deixa de comentar sobre o mais novo disco do trio liderado pelo baterista Stanton Moore. Ainda mais que, numa busca rápida por resultados em páginas brasileiras, encontrei muito pouco – e pra quem aprecia um jazz-funk e não conhece ainda o trabalho desse americano, vale a pena ir atrás.

Emphasis! (On Parenthesis) é o mais recente disco solo de Moore, o quarto de sua carreira que começou nos primeiros anos da década de 90 com o (então) sexteto de Nova Orleans de jazz-funk Galactic. De lá pra cá o baterista participou de inúmeros projetos, de R&B a jazz, passando até por uma contribuição com o punk-metal do Corrosion of Conformity.

Esse disco é um ótimo exemplo do que Stanton Moore pode oferecer ao gênero hoje tão bem representado por Medeski, Martin & Wood (embora o trio seja eclético o suficiente para não ser encaixado em um único gênero).

Liderando o trio que conta também com Will Bernard (guitarra) e Robert Walter (hammond B3, piano e outras teclas), o compositor apresenta 11 músicas impossíveis de não acompanhar batendo o pezinho ou socando o volante do carro. Grooves, breakbeats, guitarras sincopadas, órgãos tradiças e uma fome por uma rítmica complexa porém acessível.

O trio dá até umas arriscadas em uns temas mais rock como, por exemplo, a (Who Ate The) Layer Cake? (os títulos de todas as faixas contém indicações entre-parenteses). Mas é na quebradeira funk que a coisa fica realmente séria, como você pode ouvir na faixa abaixo.

Dá pra ir sem medo nos outros álbuns solos dele, apesar de achar o primeiro, All Kooked Out (1998), o mais fraco dos quatro.

Grooovy, baby! ;)

Site oficial com várias músicas para escutar.

música pra ouvir: Over (Compensatin’)

[Flash 9 is required to listen to audio.]

5 reproduções

The Microscopic Septet: Take The Z-Train, 1982

★★★★★

Eu curto categorizar, simplificadamente, os mp3 que ouço. Boto lá no genre do iTunes se o artista faz pop, jazz, rock, clássico, etc, e, dentro desses gêneros, o estilo mais aproximado. Só que ouvindo Microscopic Septet eu fiquei completamente perdido (opa, Apple, que tal tags no iTunes?)… Certo, isso é jazz, não tenha dúvida… mas que tipo? Tradicional? Experimental? Avant-Garde? Modern Creative? Bebop? Post-Bop? Wop-bop-a-loo-mop alop-bom-bom?

Resposta: de tudo um pouco.

“Nostálgicos e futuristas ao mesmo tempo” ou “Jazz Surrealista” são definições interessantes que já fizeram desse septeto fundado em Nova Iorque no início dos anos 80.

Se por um lado eles reverenciam com Dixieland ou Bebop lá do início do século passado, por outro eles misturam com releituras avant-garde, Albert Ayler, experimental, Free, Hard Bop de agora pouco. Tudo de maneira fluida, sem sustos e com uma originalidade impressionante.

A banda acabou em 1992, mas, após o lançamento em CD dos seus álbuns em 2006, os fundadores do grupo - saxofonista soprano Philip Johnston, o barítono Dave Sewelson, o pianista Joel Forrester e o tocador de tuba (tubista?) e baixo David Hofstra - se juntaram aos ex-companheiros Don Davis (sax alto), Paul Shapiro (sax tenor) e Richard Dworkin (bateria) pra celebrar o lançamento da série History Of The Micros.

Essa série é formada por 2 volumes duplos (History of the Micros Volume 1: Seven Men in Neckties e History of the Micros Volume 2: Surrealistic Swing) que cobrem, respectivamente, os anos de 1980-85 e 1986-1990 e nada mais são que seus 4 discos Take the Z Train, Let’s Flip!, Off Beat Glory e Beauty Based on Science (The Visit) adicionados a faixas inéditas e raras (como, por exemplo, algumas da época que John Zorn tocou com a banda, anteriormente ao lançamento do primeiro disco).

Escolhi este disco apenas por ser o primeiro que a banda lançou e que, por coincidência, eu escutei. Mas qualquer coisa deles vale a audição, ainda mais se você gosta de coisas como Flat Earth Society.

Eu demoraria dias pra escrever sobre cada um dos brilhantes integrantes que fazem parte desse septeto… possivelmente muito mais tempo que você demoraria pra achar um som deles pra baixar ou pra comprar em alguma loja online.

Então, dá uma orelhada na faixa abaixo (um passeio virtual por estações de trem musicais) e corre atrás disso porque é bomdimaisdaconta! :)

Site Oficial

música pra ouvir: Take The Z-Train

[Flash 9 is required to listen to audio.]

6 reproduções

Friendly Bears: On Oceans, Light, And Sleep, 2005

★★★★

Mais uma boa surpresa encontrada no eMusic.

Friendly Bears tem uma base forte de free-jazz, mas o (post/avant) rock tem importância primordial para definir o estilo desse quarteto novaiorquino de nome fofis.

Um (nem sempre) suave trompete dá o ar jazzistico e conduz a maioria das composições, num ar meio Modern Creative que me lembrou Dave Douglas. As composições com essas características já valeriam o disco, mas é justamente quando o grupo descamba na mistura de rock e clássico (sem, contudo, parecer careta) que a coisa fica mais interessante.

Citemos algumas referências declaradas da banda, pra explicar um pouco melhor do que estamos falando: Shudder to Think, Bartok, Stereolab, Jeromes Dream, Komeda, Pat Metheny Group, Alban Berg. Mistureba.

A Doubtful Case e To Arhats, por exemplo, têm participações de cantores (um cara e uma mina - não descobri se são integrantes da banda) fazendo linhas dissonantes belíssimas. A primeira faixa acompanhada ora por guitarras um pouco pesadas, ora por bases eletrônicas. A segunda, mais surpreendente na linha instrumental, faz um caminho mais experimental e (ugh!) moderno (no sentido Bartok da coisa, se é que você me entende :P ). Essas vozes aparecem em outras faixas também.

Tudo na boa, sem exageiros ou sustos gratuítos.

Esse é o primeiro disco dos caras, lançado em 2005 - apesar da banda, inicialmente um trio, tocar junta desde 2000.

Se você é daqueles que curte dar uma força pra bandas independentes, que estão começando ou que fogem do esquema de grandes selos, vale a pena se associar ao eMusic e comprar mp3 legalmente em qualquer parte do mundo e sem DRM. Tem muita opção boa por lá.

Não ganho nada com essa propaganda, devo deixar isso bem claro.

O MySpace da banda disponibiliza 4 músicas pra audição, sendo 2 baixáveis. Esta é uma quinta faixa, chamada Shams of Tabriz

música pra ouvir: Shamz Of Tabriz

[Flash 9 is required to listen to audio.]

10 reproduções

Koby Israelite: Dance Of The Idiots, 2003

★★★★★

Seis audições depois e cada vez isso fica mais interessante. Compositor, arranjador e multi-instrumentista israelense, vivendo atualmente no Reino Unido, Koby Israelite é daqueles caras que gostam de surpreender o ouvinte, misturando diferentes tipos de estilos e gêneros musicais no mesmo álbum.

Tudo com uma aura klezmer, esse estilo de música não-liturgica judaica com forte influência cigana que anda sendo constantemente reinterpretado e traduzido há algum tempo pela moçada tocadora de jazz, rock e avant-garde da baixa Nova Iorque, como Don Byron, Davka, Jamie Saft, Medeski, Martin & Wood, John Zorn, etc.

Israelite tem lançados 5 discos, sendo 2 de interpretações de outros músicos, como é o caso do Orobas: Book Of Angels Vol. 4, escolhido por este blog como um dos melhores de 2006. Dos 3 restantes, acredito que Dance Of The Idiots seja o seu melhor trabalho.

O álbum é uma verdadeira viagem de explorações e possibilidades de klezmer, feita por um músico eclético e pesquisador, numa forma contemporânea e inspirada. Rock, cigano, clássico, balkan, metal, cantos litúrgicos, jazz, árabe - estilos esmagados e processados de maneira absolutamente inspirada. “Cantorial Death Metal, Nino Rota Klezmer, Balkan Surf, Catskills free improvisation” - diz o press release do álbum.

Fora convidados pros vocais, guitarras, violinos, didgeridoo, sax, trompete, trombone, baixos, etc, Koby manda ver na flauta, vocais, acordeon, clarinete, piano, teclados, bateria, percussão e programação.

O disco começa tranquilo e um tanto dançante com a excelente Saints And Dates, com percussão com cara de anos 20 e tema leve, quase no estilo André Popp. Em Toledo Five Four a viagem pula pro Oriente Médio, com algumas doses de improviso. A pesada If That Makes Any Sense mistura cantos religiosos com metal - que me faz pensar como nenhum Praxis pensou nisso antes. A belíssima e leve Battersea Blues já vai pra uma onda mais mística, com toques de guitarra que lembram Bill Frisell e um didgeridoo fantástico. I Used To Be Cool tem variações bruscas de condução, explorando melodias orientais e improviso. Pulamos pros balkans em In The Meantime e pra algo próximo aos Secret Chiefs 3 em Wanna Dance?. Finalmente a música título aparece, antes da última do álbum, numa forma alegre, bem-humorada e satírica (meio que desavisadamente você ouve claramente uma passagem rápida do tema dos Simpsons).

Site Oficial

música pra ouvir: Toledo Five Four

comentários originais

fabio borissevitch 01/09/2007 às 2:45 am Esse disco é muito foda! Parabéns pelo blog. Já virei fã

David Torn (+ Tim Berne, Craig Taborn & Tom Rainey): Prezens, 2007

★★★★★

Se alguém hoje me pedisse um exemplo de jazz “moderno”, com o perdão das possíveis interpretações levianas que esse termo pode aventar, possivelmente eu citaria esse disco.

David Torn é um compositor, multi-instrumentista, produtor, cantor, escritor, guitarrista, assobiador e chupador de cana (olha a margem…) novaiorquino na ativa do mundo rock, jazz, avant-garde, new age, world, pop, etc desde os anos 80.

Trabalhou já com Leonard Bernstein, John Abercrombie, Jan Garbarek, David Bowie, KD Lang, Tori Amos, Tony Levin, Terry Bozzio, Don Cherry, Dave Douglas, Jeff Beck e mais uma porrada. Colaborou nas trilhas sonoras de Velvet Goldmine, The Big Lebowski, Traffic, entre outras tantas.

Suas técnicas de texturas sonoras na guitarra lembram, em alguns momentos, as atmosferas de Robert Fripp e, em outros, experimentalimos eletrônicos minimalistas como os artistas do selo alemão Raster-Noton.

O último disco que eu recordava ter escutado dele foi o GTR-OGLQ de 1998 com Vernon Reid e Elliot Sharp que, se por um lado trazia sonoridades singulares e elaboradas feitas apenas por guitarras, por outro dava uma excessiva importância para esse instrumento, característica que não me agrada tanto, apesar do seu evidente uso criativo.

Em Prezens (lançado pela ECM depois de 21 anos da sua última contribuição com o selo), Torn se junta com o saxofonista Tim Berne, o tecladista Craig Taborn e o baterista Tom Rainey para a produção de uma elaborada escultura sonora (na falta de expressão melhor) densa, quebrada, improvisada e atmosférica.

Com a presença evidente e ao mesmo tempo sutil de eletrônicos, misturados a um set “tradicional” de músicos de jazz, o que o disco mostra é um trabalho cooperativo desses músicos que já tantas vezes gravaram juntos, de uma qualidade absoluta.

Pra ouvir com muita atenção, de preferência com fones de ouvido.

Escute 4 faixas inteiras no Myspace

Site de David Torn

Tim Berne wiki

Craig Taborn no allmusic

Tom Rainey no answers.com

ECM Records

[Flash 9 is required to listen to audio.]

6 reproduções

Corleone: Wei Wu Wei, 2005

★★★★★

Engraçado como certas dicas caem do céu assim, sem você pedir. Um velho amigo de ondas cyber-fuckin’-internéticas, sem mais nem menos, me repassa uma mensagem vinda da lista de discussão que ele conduz há tempos, a Bungle Weird, da qual já fiz parte por alguns anos. Nela, um caritativo e civil ser comenta sobre esse disco do qual nunca ouvi falar.

Baixo o disco.

:-O

Corleone é um projeto “avant-garde sicilian jazz core” do italiano Roy Paci.

Paci lidera um octeto pop bem divertido chamado Roy Paci & Aretuska, que vai numa onda mais Mano Negra / patchanka, e tem lançados 3 LPs e outros 6 EPs e singles. Já participou de discos de uma baletada de artistas italianos cujos nomes não adianta nada eu escrever porque nem eu nem você conhecemos, mas eu vou dar um copy/paste mesmo assim pra causar uma boa impressão à esse texto: Pascal Comelade, Ivano Fossati, Piero Pelù, Samuele Bersani, Teresa De Sio, Subsonica, Tonino Carotone, Nicola Arigliano, Daniele Sepe, Luca Barbarossa, Vinicio Capossela, Macaco, Africa Unite, Persiana Jones, Radici nel cemento, Il parto delle nuvole pesanti, 99 Posse, Arpioni, Negrita, Jovanotti, etc. Foda né? :P

Antes de formar o Aretuska, o trompetista e flugelhornista tocava no Mau Mau, um grupo italiano pop de relativo sucesso nacional.

E porque eu tô contando tudo isso e onde o avant-garde entra nessa história? Bem, é justamente isso o mais curioso pra mim. Esses artistas todos aí em cima são de pop, rock, eletrônico, jazz tradicional, música italiana; a outra banda de Paci é rock/pop patchanka bem-feito. E, de repente, o cara comete um disco como este.

Wei Wu Wei é brilhante. Rola uma surpresa atrás da outra nesse disco de composições inéditas de Roy Paci (+ um cover da Come Live Your Life With Me) que trás um naipe eclético de músicos convidados. As faixas passeiam por incontáveis ambiências e referências. Só pra citar algumas: Nino Rota, Ornette Colleman, Miles Davis, ska, reggae, dub, klezmer, canto africano (uma faixa tem participação de Mohamed El Badaui), jazz tradicional, jazz experimental, electronica, trip-hop, trilhas de filmes italianos 60’s e 70’s, sapateado, tango, funk, Flat Earth Society, etc, etc. Acho que eu nunca usei tantas tags pra definir um disco como este aqui.

Algumas composições, em especial, lembram muito Zappa. A liberdade e o astral das músicas também me fizeram recordar de um dos melhores discos do John Zorn, aquele de interpretações de músicas do Ennio Morricone, The Big Gundown de 1985 - embora o do Zorn seja ainda mais eclético e variado (e experimental e caótico).

O álbum soa livre por todos aqueles estilos. É fresco e variado; excêntrico e belo na medida certa. E tem uma personalidade italiana embutida em todas as músicas. Curioso isso, porque eu não saberia expressar em palavras o que faz parecer tão “italiano” nesse contexto.

Valeu, Pablo Fernandez e Nelson Endebo, pela excelente dica.

Corleone

Roy Paci

música pra ouvir: Doverosi Sballi

comentários originais

Nelson Endebo 20/04/2007 às 9:30 am Ô Carlos, volta pra BungleWeird! Tá rolando um monte de música bacana por lá… Volta lá pra gente trocar idéia! abraço

[Flash 9 is required to listen to audio.]

4 reproduções

Vários: Great Jewish Music - Jacob Do Bandolim, 2004

★★★★

Vai chegando o carnaval e post temáticos pipocam nos blogs, tanto dos que gostam quanto dos que não gostam de samba. Aqui a gente tenta ser original e nunca consegue então, lá vai um post carnal-aporia-valesco.

Que tal um Jacob do Bandolim? Apesar de não fazer exatamente samba, é apropriado, não? Mas, ao invés de interpretações tradicionais, temos aqui um tributo feito por artistas do selo de vanguarda Tzadik, de John Zorn.

Jacob Pick Bittencourt (1918-1969) foi um dos grandes nomes do choro. Grande instrumentista e compositor, não gostava de carnaval e sim de frevo. Curiosamente seu primeiro instrumento foi um violino que ganhou aos 12 anos de idade. Desde então sua paixão pela música só cresceu. Autodidata, mando ver no bandolim desde cedo, quando tentava imitar trechos de melodias cantadas pela mãe.

Acompanhou artistas como Noel Rosa, Augusto Calheiros, Ataulfo Alves, Carlos Galhardo, Lamartine Babo. Pra pagar as contas, já que viver de música no Brasil nunca foi bolinho, Jacob trabalhou por muito tempo como escrevente da Justiça do RJ. Mas o bandolim era sua vida. Gravou 52 discos em 78 RPM, 12 LPs além de participações em discos de outros artistas e coletâneas.

A excelente série “Great Jewish Music” da Tzadik tem como proposta fazer interpretações inventivas, avant-garde ou experimentais de, como já diz o nome, grandes músicos judeus. Já fizeram previamente parte dessa série de tributos: Burt Bacharach, Serge Gainsbourg, Marc Bolan (T-Rex) e Sasha Argov.

Este volume trás interpretações não-tão-experimentais quanto os outros, sendo de mais fácil digestão.

O percussionista brasileiro queridinho da cena de jazz de downtown NY Cyro Baptista abre o disco com Noites Cariocas numa interpretação mais fiel possível ao compositor. A partir daí a viagem começa. Ben Perowsky troca o bandolim por uma flauta e faz uma cover bem cool de Pérolas. Rob Burger & Mauri Refosco substituem parte da percussão chorona por uma bateria eletrônica e colocam um acordeon como linha solo.

Pharaoh’s Daughter faz uma versão de Sapeca que parece uma mistura de música peruana com toques de música do leste europeu. A ótima banda Davka faz Receita De Samba virar klezmer. Já Shanir Ezra Blumenkranz vai pro extremo e recria Santa Morena como um grindcore desconstruído. Em compensação, 2 Foot Yard, a banda da Carla Kihlstedt (comentada neste post), faz de Falta-Me Você uma das melhores faixas do disco, com um violino sentimental, um órgão fuzzy, uma guitarra dissonante e uma percussão exparsa de fundo (é esta a música de exemplo abaixo). O disco fecha com um clima estranho e fantasmagórico feito pelo tecladista James Saft cuja linha principal da Ciumento é conduzida por um assobio.

Com exceção apenas de uma ou 2 músicas, as 12 interpetações neste álbum são bem respeitosas… as linhas principais são mantidas. Os arranjos e andamentos são modificados, além da instrumentação, de maneira mais sutil que os outros tributos desta série (que soam mais como desconstruções do que covers).

Um belíssimo disco pela qualidade dos interpretes e, claro, pelo altíssimo nível musical do compositor carioca.

Visite o site do instituto Jacob do Bandolim.

música pra ouvir: Falta-me Você