Postagens com o marcador Progressive

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Risky Biz, faixa 4 do último disco (auto-intitulado) da loirinha arretada Marnie Stern.

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Doctor Nerve: Splinter from “Beta 14 OK”, 1991

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Club Foot Orchestra: Wild Beasts, Kidnapped, and More, 1995

★★★★½

Jazz com grande influência de Rock ou Rock com doses cavalares de Jazz? Big Band com cara de progressivo ou Avant-Garde mais acessível? Frank Sinatra ou Frank Zappa? Possivelmente nos meados dos anos 80 um termo resumiria isso tudo: Avant-Prog.

Seja qual nome você queira dar pro som do Club Foot Orchestra, uma coisa não dá pra negar: o grupo de músicos liderados por Richard Marriot fez algo peculiar.

Marriot fundou uma orquestra em 1983 pra tocar regularmente no The Club Foot, um point de músicos e artistas visuais na 2520 Third Street em São Francisco, EUA. Nessa turma não entrava só virtuoso tocando partes difíceis ou improvisando: os novatos músicos colaboravam com funções simples, porém essenciais.

Falando dos temas musicais especificamente, como você pode escutar no exemplo abaixo, a música era complexa sem assustar. Os metais tinham grande importância na orquestração do som cheio de contrapontos culminando numa mistura sem dogmas de jazz post-bop, easy-listening, rock, reggae, klezmer, mariachi, clássico etc e artistas marginais da época como Carla Bley, Xavier Cugat e Kurt Weill. Impossível, pra mim pelo menos, não lembrar de algumas fases do Zappa.

Dois foram os registros dessa época, lançados pela Ralph Records - e raríssimos hoje em dia: Wild Beasts (1985) e Kidnapped (1987). E são esses álbuns, na íntegra, que aparecem neste disco Wild Beasts, Kidnapped, and More lançado em 1995 (e em CD em 2007), com direito a mais 2 faixas extras.

Ou seja, pra quem quer conhecer o “Klezmer Paso Dobles” (Suerte de la Noche), “Balkan Surf” (Entrance), “Dinosaur Story Avant-o-rama” (Innocent), “No-Wave meets the Red Army Chorus on a cartoon bunny path” (Time Axe Bag Dad) do Club Foot Orchestra, essa é a porta de entrada perfeita e fácil.

A banda, depois dessa fase, enveredou num meio bem interessante, porém distinto do apresentado nesta coletânea: trilhas sonoras para filmes mudos. E não foram poucos: O Gabinete do Dr. Caligari, Nosferatu, O Encouraçado Potemkin, Fantasma da Ópera, entre outros além de releituras de Metropolis, Caixa de Pandora, etc

O grupo também compôs a trilha de 39 episódios do Gato Félix (The Twisted Tales of Felix the Cat, 1995-1997), o que faz todo sentido, já que a sonoridade da banda tem tudo a ver com desenhos animados.

Site Oficial

música pra ouvir: Suerte De La Noche (Wild Beasts)

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riga 27/03/2009 às 11:57 pm carazza…excellent!!

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Giraffes? Giraffes!: More Skin With Milk-Mouth, 2007

★★★★

Girafas? Sim, girafas.

Só o nome da banda já dá vontade de baixar o álbum, nem que seja pra uma espiadela rapidita no som.

Pois. Fiz. E não é que não é só de nome que os caras são bons?

A dupla de Post/Math-Rock formada por Joseph Andreoli e Kenneth Topham faz um som que lembra principalmente The Advantage, mas também Hella e outros similares: melodias simples, repetitivas e frenéticas, tempo rápido, construção inteligente. Deve ser bem legal ver isso ao vivo.

Ouvir? Ouvir!

Confira o MySpace oficial que tem 6 faixas disponíveis pra auscutar, fora o exemplo acima que é praticamente um progressivo matemático. [aperte o play]

música pra ouvir: I Am S/H(im)e[r] As You Am S/H(im)e[r] As You Are Me And We Am I And I Are All Our Together: Our Collective Consciousness‚ Psyc

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Renan Molin 29/05/2008 às 12:21 am Coisa fina Giraffes hein? Não connhecia, mas gostei bastante, um mix de Dream Theater com Crystal Casltes, se é que isso é possível! Me lembrou isso: http://www.myspace.com/frommonumenttomasses abraço

Medina 13/03/2008 às 3:38 pm olha que coisa linda: http://www.youtube.com/watch?v=B0KUTj7vNS0

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The Microscopic Septet: Take The Z-Train, 1982

★★★★★

Eu curto categorizar, simplificadamente, os mp3 que ouço. Boto lá no genre do iTunes se o artista faz pop, jazz, rock, clássico, etc, e, dentro desses gêneros, o estilo mais aproximado. Só que ouvindo Microscopic Septet eu fiquei completamente perdido (opa, Apple, que tal tags no iTunes?)… Certo, isso é jazz, não tenha dúvida… mas que tipo? Tradicional? Experimental? Avant-Garde? Modern Creative? Bebop? Post-Bop? Wop-bop-a-loo-mop alop-bom-bom?

Resposta: de tudo um pouco.

“Nostálgicos e futuristas ao mesmo tempo” ou “Jazz Surrealista” são definições interessantes que já fizeram desse septeto fundado em Nova Iorque no início dos anos 80.

Se por um lado eles reverenciam com Dixieland ou Bebop lá do início do século passado, por outro eles misturam com releituras avant-garde, Albert Ayler, experimental, Free, Hard Bop de agora pouco. Tudo de maneira fluida, sem sustos e com uma originalidade impressionante.

A banda acabou em 1992, mas, após o lançamento em CD dos seus álbuns em 2006, os fundadores do grupo - saxofonista soprano Philip Johnston, o barítono Dave Sewelson, o pianista Joel Forrester e o tocador de tuba (tubista?) e baixo David Hofstra - se juntaram aos ex-companheiros Don Davis (sax alto), Paul Shapiro (sax tenor) e Richard Dworkin (bateria) pra celebrar o lançamento da série History Of The Micros.

Essa série é formada por 2 volumes duplos (History of the Micros Volume 1: Seven Men in Neckties e History of the Micros Volume 2: Surrealistic Swing) que cobrem, respectivamente, os anos de 1980-85 e 1986-1990 e nada mais são que seus 4 discos Take the Z Train, Let’s Flip!, Off Beat Glory e Beauty Based on Science (The Visit) adicionados a faixas inéditas e raras (como, por exemplo, algumas da época que John Zorn tocou com a banda, anteriormente ao lançamento do primeiro disco).

Escolhi este disco apenas por ser o primeiro que a banda lançou e que, por coincidência, eu escutei. Mas qualquer coisa deles vale a audição, ainda mais se você gosta de coisas como Flat Earth Society.

Eu demoraria dias pra escrever sobre cada um dos brilhantes integrantes que fazem parte desse septeto… possivelmente muito mais tempo que você demoraria pra achar um som deles pra baixar ou pra comprar em alguma loja online.

Então, dá uma orelhada na faixa abaixo (um passeio virtual por estações de trem musicais) e corre atrás disso porque é bomdimaisdaconta! :)

Site Oficial

música pra ouvir: Take The Z-Train

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The Science Group: Spoors, 2004

★★★★½

The Science Group foi fundado em 1997 na França e, guardadas as proporções, poderíamos encarar como uma continuação do som do super-grupo inglês de avant-prog Henry Cow.

Não por acaso a comparação: o percussionista, baterista, compositor, letrista e teórico musical Chris Cluter toca nas duas bandas. O sócio-fundador do Cow, guitarrista Fred Frith, participa do primeiro do Science Group também. E, claro, o som: uma combinação de avant-prog com jazz, clássico, experimental, eletrônico, ambient, RIO, avant-garde, e o que mais aparecer tem muito do clima da banda inglesa.

Chris Cluter parece viver numa realidade paralela. Ao menos temporalmente falando: é impressionante a quantidade de projetos que o cara se envolve: Slapp Happy, Art Bears, Aksak Maboul, Cassiber, News From Babel, David Thomas and The Pedestrians, Peter Blegvad, Pere Ubu, Zeena Parkins, The Residents, Lindsay Cooper, Gong, fora os discos solos (3, por enquanto), livros, participação em filmes, etc.

Americano nascido em 1947, cresceu na Inglaterra e nunca estudou música. Em 1971 foi convidado a substituir o baterista da banda Henry Cow… e aí que toda a história do cara começa.

Foi com Fred Frith e Tim Hodgkinson que, no final dos anos 70, ele fundou o Rock In Opposion (RIO), um movimento/coletivo de bandas unidas em oposição à industria músical. O festival que iniciou o movimento tinha como slogan “The music the record companies don’t want you to hear” (A música que as gravadoras não querem que você ouça) e dele fizeram parte, além do Henry Cow: Stormy Six, Samla Mammas Manna, Univers Zero e Etron Fou Leloubla. Só coisa fina. :)

De lá pra cá RIO virou sinônimo de avant-garde progressive rock (avant-prog, pra encurtar) ou rock experimental.

Essa galera toda merece alguns vários posts no Aporias (Marcio Nigro, inclusive, já escreveu aqui no blog sobre bandas que se encaixam no gênero: Magma e Alammailman Vasarat), mas foquemos no The Science Group.

Viagem no tempo para 1996. Chris Cutler propõe ao amigo Stevan Tickmayer (compositor contemporâneo erudito e tecladista) gravar um disco usando seus textos sobre ciência que ele vinha desenvolvendo desde 1992. Era o começo do Science Group. A dupla então chamou alguns convidados especialíssimos pra colaborar: Fred Frith (resenha aqui), Claudio Puntin (clarinete), Amy Denio (voz), Bob Drake (do Thinking Plague, baixo, guitarra, percussão).

Em 1999 lançam o A Mere Coincidence pelo selo inglês Recommended Records (do próprio Cutler).

Em 2003, parte desse grupo - Cutler, Tickmayer, Drake junto com o guitarrista e compositor Mike Johnson, fundador do Thinking Plague - lança o instrumental Spoors.

As vozes, pra quem não gostou delas no primeiro disco, não estão presentes, o que, de certa maneira, poderia dar um ar mais acessível ao disco. Mas não: aqui o som é menos rock, mais erudito, com uma levada dark e obliqua e que até se arrisca, em alguns momentos, a incluir elementos e instrumentos eletrônicos na orquestração.

O disco de 15 faixas é dividido em 4 “suites”: Timelines (temas mais velozes, matemáticos e complexos), New Indents (temas mais soltos, experimentais, em levadas dissonantes quando não atonais, onde as teclas tem maior importância), Bagatelles (mais pesado, meio circense, cujas cordas aparecem mais) e Old and News Paths (bem avant-prog, rock, esquisito, lembrando, em vários momentos, o trabalho erudito do Zappa).

Brilhante.

Chris Cutler oficial

Chris Cutler wiki

Tickmayer

RIO wiki

música pra ouvir: Old And New Paths: Discrete Networks

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Friendly Bears: On Oceans, Light, And Sleep, 2005

★★★★

Mais uma boa surpresa encontrada no eMusic.

Friendly Bears tem uma base forte de free-jazz, mas o (post/avant) rock tem importância primordial para definir o estilo desse quarteto novaiorquino de nome fofis.

Um (nem sempre) suave trompete dá o ar jazzistico e conduz a maioria das composições, num ar meio Modern Creative que me lembrou Dave Douglas. As composições com essas características já valeriam o disco, mas é justamente quando o grupo descamba na mistura de rock e clássico (sem, contudo, parecer careta) que a coisa fica mais interessante.

Citemos algumas referências declaradas da banda, pra explicar um pouco melhor do que estamos falando: Shudder to Think, Bartok, Stereolab, Jeromes Dream, Komeda, Pat Metheny Group, Alban Berg. Mistureba.

A Doubtful Case e To Arhats, por exemplo, têm participações de cantores (um cara e uma mina - não descobri se são integrantes da banda) fazendo linhas dissonantes belíssimas. A primeira faixa acompanhada ora por guitarras um pouco pesadas, ora por bases eletrônicas. A segunda, mais surpreendente na linha instrumental, faz um caminho mais experimental e (ugh!) moderno (no sentido Bartok da coisa, se é que você me entende :P ). Essas vozes aparecem em outras faixas também.

Tudo na boa, sem exageiros ou sustos gratuítos.

Esse é o primeiro disco dos caras, lançado em 2005 - apesar da banda, inicialmente um trio, tocar junta desde 2000.

Se você é daqueles que curte dar uma força pra bandas independentes, que estão começando ou que fogem do esquema de grandes selos, vale a pena se associar ao eMusic e comprar mp3 legalmente em qualquer parte do mundo e sem DRM. Tem muita opção boa por lá.

Não ganho nada com essa propaganda, devo deixar isso bem claro.

O MySpace da banda disponibiliza 4 músicas pra audição, sendo 2 baixáveis. Esta é uma quinta faixa, chamada Shams of Tabriz

música pra ouvir: Shamz Of Tabriz

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The New Caledonia: Lotus, 2007

★★★★

Existem rótulos de todos os tipos pra música. Para os sons mais inclassificáveis criaram termos como o Post-Rock ou o Avant Progressive Rock, termos muito usados na tentativa de descrever diversas bandas que tem pouco a ver entre si. Mesmo assim, há quem insista nessas definições. Tentar limitar o som dos neozelandeses do The New Caledonia a uma expressão facilmente encontrada na Wikipedia não seria algo justo.

Digamos que a banda consiga representar sonoramente muito bem a ilustração da capa (acima) de seu álbum de estréia, Lotus, com uma colagem meio bagunçada de estilos, climas e ritmos extremamente distintos. No entanto, como o The New Caledonia é formado por um quarteto realmente talentoso, o resultado final é muito interessante.

Em pouco mais de 37 minutos, ouvimos a banda atacar do progressivo ao jazz, do rock ao ambient, passando por funk, disco, entre outros gêneros. Vale destacar a presença de vocais no álbum, que assim como no ótimo Mirrored, do Battles, funciona mais como um elemento complementar ao instrumental do grupo.

Falando em complemento, o bom uso de sax, teclados e sintetizadores pela dupla de guitarristas Timon Martin e Fagan Wilcox, também acrescenta muito ao som. Mas o destaque mesmo fica por conta da cozinha pra lá de afinada do baixista Mike Tayler com o baterista Stan Bicknell, que seguram com precisão cirúrgica as mudanças drásticas de andamento nas músicas de Lotus.

Vale a pena dar uma checada no Myspace da banda para conhecer um pouco melhor do som do The New Caledonia.

Aqui vocês também podem conferir o clipe da faixa Zoot Suit Pseudo.

Myspace

Site Oficial

música pra ouvir: Celestial Sattelites

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billy 15/09/2007 às 4:54 pm: vale lembrar que eles proprios liberaram o cd para download! é só checar no myspace.

Ian 04/09/2007 às 11:17 am: Muito boa essa faixa. As guitarras frippianas lembraram um pouco King Crimson. É, toda recomendação do Richarley vale a pena

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Omar Rodriguez-Lopez: Se Dice Bisonte, No Bufalo, 2007

★★★★½

Omar Rodriguez-Lopez é o cara. Vai mandar bem lá nos quintos de Porto Rico, rapá!

Começou tocando hardcore (Startled Calf), foi pro post-hardcore (At The Drive-In), depois pro dub (De Facto), ajudou a criar uma das bandas mais peculiares da atualidade (The Mars Volta), gravou com Damo Suzuki (Can) no final do ano passado um fusion/experimental e agora lança um disco de… de… uhmmm…

Como categorizar Se Dice Bisonte, No Bufalo?

Eu não consigo.

O disco tem participação do velho amigo Cedric Bixler-Zavala, cantor e co-fundador do Mars Volta, além de outros integrantes da banda como Marcel Rodriguez-Lopez, Adrian Terrazas-Gonzales e Juan Alderete de la Pena. Apesar da presença desses músicos, e do fato do álbum ter sido gravado ao mesmo tempo que Amputechture do próprio Mars Volta (lançado no ano passado e comentado aqui), o disco soa como outra banda.

Como Omar.

O cara tem um estilo único de tocar guitarra e compor. Se seu amor por dissonâncias (especialmente pela quarta aumentada - o intervalo musical conhecido na Idade Média como diabolus in musica), cromatismos e música serial fosse analisado apenas sob o aspecto técnico, poderia nos fazer lembrar imediatamente de Robert Fripp (que, claramente é uma grande influência) mas seria simplificar demais uma complexa formação musical. Segundo o próprio músico, sua maior influência é o pianista de salsa Larry Harlow.

As influências de progressivo (King Crimson) e fusion (Mahavishnu Orchestra) estão mais diluídas nesse terceiro álbum solo, enquanto o krautrock parece ficar mais forte. Aliás, são tantas as referências subjetivas nas composições que acaba não evidenciando nenhuma delas… se é que você me entende :P

Sem dúvida o melhor disco solo de Omar. E um dos mais interessantes que ouvi neste ano - até agora.

música pra ouvir: Rapid Fire Tollbooth

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riga 18/06/2007 às 12:18 am cacetes!!!! aliás, o wikepedia classificou assim: Progressive rock Post-hardcore Experimental rock

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Battles: Mirrored, 2007

★★★★★

Candidato a disco do ano. Enter.

Finalmente saiu esse disco oficialmente, assim posso comentar (e colocar a capa no post - até então desconhecida). As faixas vazaram na segunda semana de março, data deste post, mas só agora foi lançado “de verdade”.

O buchicho em volta do primeiro LP da banda é justificável:

1- seus integrantes já passaram por bandas (ou ainda fazem parte) como Don Caballero, Helmet, Tomahawk, Lynx, entre outros

2- os 3 EPs lançados em 2004 e 2006 já davam um preview do poder de ataque do Battles

Tras EP e B EP introduziram o som post-rock da banda, mas sem causar muito alarde. Em 2006 lançaram o EP C, significativamente melhor e mais maduro que os anteriores. Mas é com Mirrored agora que a banda põe o pau na mesa. Com todo respeito.

O teaser começou no último dia de fevereiro, com esse excelente clipe da música Atlas, postado no YouTube.

Esse disco é o primeiro que tem vocais nas músicas. Até então o Battles era uma banda 100% instrumental e, acredito, justamente pelo fato de adicionar voz ao seu som, eles deixaram de parecer como outras tantas bandas de post-math-rock pra passarem a soar como… eles mesmos.

O vocal é sempre trabalhado de maneira criativa, processado com pitchs, vocoders, delays e outros efeitos, dando uma cara meio robótica mas, ao mesmo tempo, humanizando - e dando um ar até por vezes infantil ou cômico - à música.

Um certo aroma krautrock é notável em algumas faixas, assim como influências de progressivos 70’s, mas com uma roupagem definitivamente pessoal e intransferível. Impossível também não lembrar de obras do Minimalismo de Steve Reich e companhia bela: repetição de pequenos trechos com pequenas variações ao longo do tempo com resultados hipnóticos.

Fudido!

Site Oficial

Myspace

Battles band

música pra ouvir: Ddiamondd

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george 28/05/2007 às 1:18 am Esse disco vicia. Muito foda mesmo!

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Magma: Attahk, 1978

por Marcio Nigro

★★★★½

Falando em bandas esquisitas, impossível não pensar em Magma, um grupo nascido em Paris no final dos anos 60 e liderado pela baterista Christian Vander, uma espécie de Robert Fripp francês (no sentido de ser o centro do sistema solar da banda enquanto os astros ao seu redor podem mudar).

O Magma pode ser chamado de progressivo, jazz-rock, prog-jazz, ou sei lá que outro nome feio. Não importa. É um grupo que faz do exagero e do excesso estilísticos seu ponto forte. Suas influências vão de Carl Orff, Wagner, e Stravinsky a John Coltrane e R&B.

O Magma não apenas criou seu próprio estilo musical como foi além e criou seu próprio idioma, o Kobaian, na qual todos os discos são cantados, em geral falando sobre guerras interplanetárias. A banda tanto é uma referência musical, que ganhou um estilo nomeado em sua homenagem: Zeuhl (olha aí o nome feio), que em kobaiano quer dizer “celestial”.

O álbum mais clássico e cultuado do grupo é Mekanïk Destruktïw Kommandöh (também conhecido como .M.D.K.), de 1973. Mas decidi eleger outro para o Aporias: o Attahk, de 1978, que gosto mais por misturar ainda um “q” das discotecas da época, trazendo mais um elemento bizarro a uma das bandas bizarras da história. Paradoxalmente, é um dos trabalhos mais palatáveis do Magma, o que não quer dizer que os desavisados não estranharão o gosto.

Com capa ilustrada pelo também inconfundível H.R. Gigger, Attahk é definitivamente mais eclético do que seus antecessores, incorporando mais idiomas musicais, incluindo o gospel, funk e o pop. O resultado na verdade é praticamente um trabalho solo de Chris Vander, mas como o Magma não existe sem ele, a verdade é que não faz tanta diferença assim essa informação.

A ênfase é no ritmo e nos vocais, o que traz uma área mais brilho e clareza ao som do grupo. Porém, não me entendam mal: à primeira ouvida pode parecer uma floresta impenetrável. A verdade é que não consigo ouvir Magma sem achar engraçado, pois claramente há por traz de tudo um bom humor contagiante. Chega a ser ridículo o exagero sonoro. Mas a genialidade está nisso, levar tudo ao extremo sem se levar muito a sério.

A primeira faixa The Last Sevem Minutes traz Vander endemoniado, um trabalho do nível de um Mahavishnu Orchestra. Aqui vai ela.

Enfim, Attahk certamente é o mais Aporias dos álbum do Magma e merece um lugar de destaque em qualquer prateleira da sala, muito embora não vá sempre agradar as visitas.

música pra ouvir: The Last Sevem Minutes

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Vagner 05/06/2007 às 12:58 am Mucho loko! Excelente álbum.

henrík 09/05/2007 às 3:18 am bem bacana! ai meu HD querido, vou te encher um pouquinho mais uma vez…

Nelson Endebo 08/05/2007 às 4:48 pm Magma é o que há, quem conhece não larga mais. Legal ter falado desse disco, sempre que alguém no Brasil fala do Magma (e pouca gente fala!), sempre se refere ao MDK, o que, apesar de fazer sentido, acabando obscurecendo a discografia desse grupo seminal. Sei que há muitos “músicos experimentais” no Brasil que idolatram esses caras, pena que os fãs de progressivo (não que a banda seja exatamente isso, mas…) no Brasil são mais ligados no lance “sinfônico” do que qualquer outra coisa.

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Dysrhythmia: Barriers And Passages, 2006

★★★½

Dica vinda da sessão de links do site do Ahleuchatistas, logo após escrever a resenha abaixo.

Tem uma certa semelhança com eles, mas Dysrhythmia é mais complexo e irregular, como o próprio nome já dá a entender.

O trio da Filadélfia mixa rock progressivo, indie-rock, avant-jazz e ambient, resultando num som forte, encorpado, do jeito que a gente gosta (uhmm… isso não era um slogan de café instantâneo?).

Pra quem curte sons que não dão pra ser acompanhados com o bater dos pezinhos.

música pra ouvir: Appeared At First

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Vagner 05/06/2007 às 12:23 am Tenho todos os álbuns, mas com certeza esse é o melhor!!

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Ahleuchatistas: The Same and the Other, 2004

★★★★½

O nome eu ainda não consegui pronunciar. Mas os discos do Ahleuchatistas não saem da minha vitrola digital.

A combinação baixo-bateria-guitarra instrumental parece nunca ficar velha, desde que seus “tocadores” sejam originais, como é o caso desse trio.

Seus discos nada previsíveis do começo ao fim, exploram texturas complexas com cara de jam numa sonoridade crua, sem qualquer tipo de efeitos ou grandes produções. É como se a banda estivesse tocando pra você, de improviso, na garagem da sua casa.

O nome do grupo vem da mistura de Ah-Leu-Cha, bebop cheio de contrapontos de Charlie Parker (canção conhecida pela performance dele com Miles Davis) e do movimento mexicano dos Zapatistas.

Apesar da citação ao bebop, o som (quase) nada tem a ver com o jazz… guardando semelhanças apenas na característica improvisional do estilo.

É provável que em qualquer resenha que você ler sobre os caras aparecerá o nome de Captain Beefheart como influência primordial da banda. De fato é difícil não lembrar dele. Mas outras associações aparecem rapidamente: Massacre (fenomenal banda de Fred Frith e Bill Laswell), King Crimson (era Larks’ Tongues in Aspic, Starless and Bible Black e Red) e Frank Zappa. Citaria também o experimentalismo e texturas do grande Derek Bailey.

Interessante notar como eles transitam entre a composição meticulosa, matemática e o improviso absoluto sem que pareçam duas linguagens quase opostas. É isso que faz o Ahleuchatistas único: uma mistura de free-jazz tocado por uma banda de rock e um post-rock cubista.

Outra característica peculiar é que a guitarra e o baixo não usam distorção (no máximo um leve overdrive), embora muitas vezes a banda soe bem heavy. O “peso” das músicas aparece na intensidade do toque e não por causa de recursos tecnológicos.

Uma verdadeira ode explosiva à crueza e liberdade sonora.

Escolhi este disco na base do sorteio. Os outros dois, On the Culture Industry (2004) e What You Will (2006), são igualmente bons.

Site Oficial

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miranda july at MaWá com W 26/04/2007 às 10:29 am […] criação dela, deixa você fazer parte. Como se ela estivesse fazendo isso ao seu lado – ou como o Carlos Bêla, ao falar de uma banda, descreve É como se a banda estivesse tocando pra você, de improviso, na […]

riga 24/03/2007 às 2:58 am sim, sim! me pareceu assaz interessante. vou ter que ir atrás desse tb!

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Adrian Belew: Here, 1994

por Marcio Nigro

★★★★★

Quem estudou e tocou com Frank Zappa, Laurie Anderson e Robert Fripp (sem contar David Bowie e Talking Heads) é mais ou menos como se tivesse sido diplomado em “insanidade avançada” em Harvard, Yale e Oxford.

Com um currículo desses, Adrian Belew certamente não é um músico qualquer. Porém, sua carreira solo merece quase tanta atenção quanto seu genial trabalho no King Crimson. Desde seu álbum de estréia (Lone Rhino, de 1982) foram 15 discos que vão das guitarras esquizofrênicas de Desire Caught By the Tail e The Guitar As Orchestra até o quase-pop de Young Lions e Inner Revolutions. Nesse período, além de mostrar-se um guitarrista único e versátil, Belew trasformou um cara com voz interessante em um ótimo e inconfundível cantor.

Here é o CD de Adrian Belew que mais escuto, o que não quer dizer que seja o mais representativo. Provavelmente, é também o seu trabalho mais pop, no qual ele toca tudo (bateria, cello, baixo e o que pintar) e canta em praticamente todas as faixas. Cada música tem sua atmosfera própria, muitas com melodias dignas de um Paul McCartney, de quem Belew certamente é fã. Fly, por exemplo, é uma tradução musical do título, um vôo livre em paisagens sonoras que nos remete ao bom e velho professor Robert Fripp. Já Peace on Earth (uma releitura de um trecho de Tango Zebra, em Desire Caught…) tem cor e cheiro de Eleonor Rigby, muito embora não seja parecida. Um primor de composição:

[aperte o play acima]

De início, talvez alguns torçam o nariz para as faixas com ar mais pop. Mas não se enganem, em algum momento, Belew traz aquele elemento que tira a música do lugar comum e a leva para paradas bem inusitadas.

Para se ter uma idéia de como Here é bom, basta dizer que o próprio autor afirmou numa entrevista que ficou 95% satisfeito com o resultado. Quem sou eu pra discordar.

Site oficial.

música pra ouvir: Peace On Earth

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Carlos Bêla 10/12/2006 às 6:24 pm: Belew é foda! Dos discos mais novos dele, tem essa série de “Sides”… o primeiro, “Side One” de 2005, eu achei especialmente bom. Excelente, eu diria. Valeu, Nigro!

Marcio Nigro 10/12/2006 às 6:45 pm: Na verdade cada disco dele vale ser ouvido e comentado. Os tries sides são ótimos. O side Three talvez seja o melhor. Enfim, o cara é muito bão!

Valter Barberini 20/09/2007 às 10:33 pm: Curto o cara desde os anos 80, um gênial compositor e músico, é um Jimmy Hendrix moderno, uma guitarra longe do lugar comum. Sou guitarrista e não consigo entender como ele tira aqueles sons da guitarra. Ele regravou a música “Come and get it” uma musica desconhecida de Paul McCartney e arrasou, ficou muito melhor que a original, e olha que também sou fã do Paul.

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Alammailman Vasarat: Vasaraasia, 2000

por Marcio Nigro

★★★★★

Soube que o meu primeiro post foi considerado muito pop. Tudo bem, sem máguas. Então, vou compensar com uma banda finlandesa…

Quem já não ouviu falar em Alammailman Vasarat? Aliás, quem consegue pronunciar esse nome corretamente? Bom, pela capa já dá pra sacar que não é nada convencional. Sexteto composto dois violoncelistas, trombonistas/tubista , pianista/acordeonista, baterista/percussionista e saxofonista/clarinetista, o AV — melhor usar as iniciais — é derivado de dois membro do Höyry-kone outro conjunto do mesmo país, que tem uma versão genial de The Trooper, do Iron Maiden. Ouçam só [link para mp3].

Eu ia definir genericamente de “os martelos do submundo” — essa é a tradução de Alammailman Vasarat — como progressivo, mas, conversando com o rapaz que rege com punhos de ferro o Aporias ,acabei entendo que o termo “progressivo” é meio maldito por essas bandas (aliás, em todo lugar aparentemente), e só serve pra definir bandas “afetadas” como Yes, Genesis, EL&P e Gentle Giant (estranhamente, ele diz que King Crimson não é progressivo, e por isso esse é uma banda permitido aqui, ao contrário das outras… Ou seja, todo mundo tem suas idiossincrasias). Enfim, para evitar polêmica, usarei a definição da própria banda, o que certamente agradará a gerência: “ethnic brass punk” ou “kosher-kebab jazz”. Há ate quem diga que é “babaganush-klezmer com curry e maionese a parte”. Outro termo adequado é “mutco-lôco”. Melhor escutar para entender [aperte o play no começo do post :P ]

O AV é certamente uma das bandas contemporâneas que mais me impressionou. Até então não tinha ouvido nada parecido quando baixei essa mesma faixa desse CD no antigo Audiogalaxy. Trata-se de uma galera de finlandeses que cresceu ouvindo do clássico ao metal, da valsa do exército da salvação ao jazz, da música étnica ao punk e resolveram juntar tudo no mesmo pacote. E funcionou!

O som é denso, às vezes frenético, às vezes mórbido, às vezes engraçado ou algo no meio termo. Os cellos distorcidos soam como guitarras, no estilo Apocalyptica, fazendo o contraponto com melodias étnicas do acordeon, metais e clarinetes. Consegue ser heavy metal, mesmo não sendo, ao ponto que nos shows do AV rola stage diving aos montes. Ao mesmo tempo, consegue soar como uma divertida banda de Bar Mitzvah que resolveu aterrorizar todos os convidados da festa.

Os dois primeiros álbuns são bem parecidos em termos de estilo, mas acabei escolhendo o Vasaraasia para essa resenha, por ter vindo antes e, assim, ser mais original. Porém, o segundo — Käärmelautakunta (mais um nome impronunciável), de 2003 — de repente é até melhor em termos absolutos. Por isso, qualquer um vai bem. Já o terceiro é em parceria com um cara chamado Tuomari Nurmio, outro finlandês meio pirado que nunca tinha ouvido falar que canta na maioria das músicas, no dialeto deles, claro. O resultado não foi tão bom, mas é interessante e é diferente dos álbuns antecessores.

Resumindo: não é para os tímpanos sensíveis, o que não impede ser genial, esquizofrênico e divertido, como eu gosto.

música pra ouvir: Delhin Yöt

comentários originais

Gilberto Jr 09/11/2006 às 9:50 pm: Meu Deus do céu! Que som mais doido!!! Dahora :D

Foncati 10/11/2006 às 11:28 am: Dos rótulos citados eu fico com a “banda de Bar Mitzvah que resolveu aterrorizar todos os convidados da festa”, pra não chamar de Zé Pilintra’s Band. Meu primeiro comentário aqui, momento para agradecimentos e bons votos. Valeu e tudo de bom.

smirkoff 14/11/2006 às 7:09 pm: Uma banda que consegue descobrir algo de interessante numa música do Iron Maiden merece meu respeito! Belê!

MaWá 30/11/2006 às 10:12 am: Assim como o Foncati, fico com a definição da banda que aterroriza Bar Mitzvah. Muito louco!

Bruno Maia 17/03/2007 às 12:23 pm: Nem na Amazon achei pra comprar!