Khelifi Ahmed - Fi Sahra Oua Tbel Idouk (by mabroukali)
6 reproduções
★★★★
Pois ele é guerreiro
Ele é bandoleiro
Ele é justiceiro
Ele é mandingueiro
Ele é um tuareg
Se liga no vizú dos fita. Style, né? Eles são tuaregs.
Todos do sul do Sahara, mais precisamente Mali, a banda se formou nos campos rebeldes de Coronel Ghadaffi no começo dos anos 2000. Assim como o aqui já comentado Yat-Kha, Tinariwen criou um estilo próprio misturando a(s) música(s) de suas origens tradicionais com baterias e guitarras do rock.
Sua música fala basicamente de questões políticas, repressão, problemas sociais e do exílio. Mas eu não manjo da língua deles pra saber se as letras são bem escritas ou não.
Fato é que a música do grupo é muito rica e gostosa de ouvir. A mistura, como não poderia deixar de ser, é geral. O próprio local de origem deles já é um pastiche sonoro. Os pontos fortes, claro, são a música árabe e a africana, conduzidos por uma guitarra bem Ali Farka Touré. Muitas vezes lembra Blues, só que do Magreb (ou será que o Blues é que lembra o som do norte da África? acho que sim né? :P ).
Sua discografia é curta ainda: 4 discos, sendo o último lançado há poucas semanas (ainda não escutei). Este é o segundo, lançado pela World Village. A produção é muito boa: direta ao assunto, sem aqueles tratamentos polidos que alguns selos ocidentais insistem em usar, achando que, por causa de um reverb longo e uma equalização brilhante, o disco terá mais aceitação entre o público estrangeiro. A parada aqui é crua mesmo.
A condução é basicamente feita por instrumentos de corda - principalmente guitarra - e voz - cujo canto é mais suave que a maioria dos vocais árabes típicos. A percussão é mais tímida e tranquila. A complexidade dos arranjos é particularmente notável, com contrapontos entre as cordas, bem ao estilo africano de múltiplas vozes.
Isso aí é rock de prima.
outra capa do mesmo disco:

música pra ouvir: Oualahila Ar Teninam
5 reproduções
★★★
Mais um post carnavalesco. Se liga na banda de apoio: mestre Herbie Hancock no piano, Dr. Wayne Shorter no sax soprano, o tecladista do George Clinton Mr. Bernie Worrell e o experimentalista Sr. Henry Threadgill na flauta.
Que banda hein? E se eu disser que o lider desse grupo aí é o “nosso” Carlinhos Brown? Sim, você leu bem… o cara quem cometeu equívocos irreparáveis como o pop-infanto-juvenil-sorvete-na-testa Os Tribalistas é quem compõe boa parte das músicas do disco e lidera o grupo Bahia Black.
O que catso isso tem a ver com este blog? Bem, só pela mistura bizarra já seria motivo pra estar aqui: a banda já citada acima, adicionada à percussão do grupo Olodum é suficientemente excêntrica pra ser digna de nota. Mas o motivo principal é um só: é um bom disco.
Por mais que você, assim como eu, possa não ir com a cara de Brown nem gostar da música “pop” do soteropolitano nascido Antônio Carlos Santos de Freitas, difícil negar que seja um grande instrumentista.
Claro que tocar bem não faz de alguém um bom compositor mas… ao menos neste disco, Carlito Marrón - como é conhecido na Espanha, país onde possivelmente ele é visto como um cara muito mais cool que aqui - faz um trabalho interessante.
Quem juntou essa moçada toda não poderia ser outro: o produtor (Brian Eno, Ginger Baker, Jah Wobble), “construtor” (Praxis, Arcana), compositor (Material, Last Exit), baixista (Painkiller, David Byrne, Fred Frith), remixador (Bob Marley, Miles Davis) e agregador de músicos que aparentemente não combinam Bill Laswell.
As primeiras faixas são cantadas. Uma bossinha curta de voz e violão Retrato Calado abre o disco, seguida da Capitão do Asfalto que tem uma percussão mais elaborada e um refrão mais pop.
O disco começa a ficar mais legal quando, por coincidência (ou não), Brown pára de cantar. Parece que as faixas nas quais ele canta soam mais previsíveis… mas pode ser preconceito meu.
The Seven Powers é um jazz espetacular composto por Hancock, com a bateria poderosa do Olodum, assim como a atonal Gwagwa O De.
Faixas estritamente percussivas dão um toque legal pro disco como Uma Viagem del Baldes de Larry Wright tocada por Brown e Larry Wright em… baldes; Olodum trás aquele tema típico do grupo percussivo baiano (aqui executado por 10 músicos) e Follow Me, toda conduzida numa única bateria funk, enriquecida de metais percussivos, pelo Tony “Funky Drummer” Walls.
Nina in the Womb of the Forest fecha o disco com uma viagem meio tribal meio experimental, feita com uma mistura eclética de instrumentos percussivos, berimbau e uma flauta de fundo.
Uma experiência auditiva interessante :)
Ah… já que o ano começa agora, feliz 2007!
música pra ouvir: The Seven Powers
Diogo 24/12/2007 às 6:34 pm Ó o Bêla curtindo carnaval me bateu curiosade de ouvir isso.