Postagens com o marcador ambient

The Lickets: Journey In Caldecott, 2007


★★★★

Quarto álbum deles, foi lançado no mesmo esquema “quer pagar quanto?” do último do Radiohead. Mas quase ninguém ouviu falar da banda. Nem do disco que, sinceramente, achei bem melhor que o dos cabeça-de-rádio.

The Lickets faz um pastiche sonoro de estilos, resultando num som ambiente e calmo com construção formalmente minimalista. Soa quase orquestral, com alguns instrumentos construídos por eles mesmos, misturados a outros tradicionais e a alguns detalhes eletrônicos.

O Site oficial vale a visita, destacando uma espécie de game com a trilha sonora da banda.

No Myspace tem algumas faixas pra escutar.

Pelican: The Fire in Our Throats Will Beckon the Thaw, 2005


★★★★

O disco City Of Echoes, lançado neste ano, trouxe um significativo amadurecimento no som deste quarteto californiano que tem semelhança com bandas sludge/stoner/doom (ou o nome que mais lhe agradar) como Isis, Sleep, Neurosis, Mono, etc.

Apesar da qualidade do disco, que chegou a ser candidato aos melhores do ano aqui - post que deve aparecer aqui na próxima semana - Pelican não conseguiu superar sua melhor obra.

Este disco, de 2005, segundo da carreira da banda, tem um espírito mais jovem e apaixonado, embora menos complexo e pessoal. Pra começar a conhecer o Pelican e suas distorções sorumbáticas e macambúzias, este é o disco que eu sugiro.

Ouça preview das faixas no Last.fm.

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5 reproduções

The Science Group: Spoors, 2004

★★★★½

The Science Group foi fundado em 1997 na França e, guardadas as proporções, poderíamos encarar como uma continuação do som do super-grupo inglês de avant-prog Henry Cow.

Não por acaso a comparação: o percussionista, baterista, compositor, letrista e teórico musical Chris Cluter toca nas duas bandas. O sócio-fundador do Cow, guitarrista Fred Frith, participa do primeiro do Science Group também. E, claro, o som: uma combinação de avant-prog com jazz, clássico, experimental, eletrônico, ambient, RIO, avant-garde, e o que mais aparecer tem muito do clima da banda inglesa.

Chris Cluter parece viver numa realidade paralela. Ao menos temporalmente falando: é impressionante a quantidade de projetos que o cara se envolve: Slapp Happy, Art Bears, Aksak Maboul, Cassiber, News From Babel, David Thomas and The Pedestrians, Peter Blegvad, Pere Ubu, Zeena Parkins, The Residents, Lindsay Cooper, Gong, fora os discos solos (3, por enquanto), livros, participação em filmes, etc.

Americano nascido em 1947, cresceu na Inglaterra e nunca estudou música. Em 1971 foi convidado a substituir o baterista da banda Henry Cow… e aí que toda a história do cara começa.

Foi com Fred Frith e Tim Hodgkinson que, no final dos anos 70, ele fundou o Rock In Opposion (RIO), um movimento/coletivo de bandas unidas em oposição à industria músical. O festival que iniciou o movimento tinha como slogan “The music the record companies don’t want you to hear” (A música que as gravadoras não querem que você ouça) e dele fizeram parte, além do Henry Cow: Stormy Six, Samla Mammas Manna, Univers Zero e Etron Fou Leloubla. Só coisa fina. :)

De lá pra cá RIO virou sinônimo de avant-garde progressive rock (avant-prog, pra encurtar) ou rock experimental.

Essa galera toda merece alguns vários posts no Aporias (Marcio Nigro, inclusive, já escreveu aqui no blog sobre bandas que se encaixam no gênero: Magma e Alammailman Vasarat), mas foquemos no The Science Group.

Viagem no tempo para 1996. Chris Cutler propõe ao amigo Stevan Tickmayer (compositor contemporâneo erudito e tecladista) gravar um disco usando seus textos sobre ciência que ele vinha desenvolvendo desde 1992. Era o começo do Science Group. A dupla então chamou alguns convidados especialíssimos pra colaborar: Fred Frith (resenha aqui), Claudio Puntin (clarinete), Amy Denio (voz), Bob Drake (do Thinking Plague, baixo, guitarra, percussão).

Em 1999 lançam o A Mere Coincidence pelo selo inglês Recommended Records (do próprio Cutler).

Em 2003, parte desse grupo - Cutler, Tickmayer, Drake junto com o guitarrista e compositor Mike Johnson, fundador do Thinking Plague - lança o instrumental Spoors.

As vozes, pra quem não gostou delas no primeiro disco, não estão presentes, o que, de certa maneira, poderia dar um ar mais acessível ao disco. Mas não: aqui o som é menos rock, mais erudito, com uma levada dark e obliqua e que até se arrisca, em alguns momentos, a incluir elementos e instrumentos eletrônicos na orquestração.

O disco de 15 faixas é dividido em 4 “suites”: Timelines (temas mais velozes, matemáticos e complexos), New Indents (temas mais soltos, experimentais, em levadas dissonantes quando não atonais, onde as teclas tem maior importância), Bagatelles (mais pesado, meio circense, cujas cordas aparecem mais) e Old and News Paths (bem avant-prog, rock, esquisito, lembrando, em vários momentos, o trabalho erudito do Zappa).

Brilhante.

Chris Cutler oficial

Chris Cutler wiki

Tickmayer

RIO wiki

música pra ouvir: Old And New Paths: Discrete Networks

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Autopoieses: La Vie Á Noir (Remixes), 1999

★★★★

Esses últimos tempos só escutando discos que conhecia bem, mas que há mais de meia década eu não ouvia, tem provocado as mais diferentes reações: coisas que eu achava geniais há 8 ou 10 anos e que agora soam insosas ou ultrapassadas ou mesmo chatas; e coisas que antes pareciam ok e que agora revelam-se excelentes experiências.

Este disco do Autopoieses faz parte da segunda e animada turma.

Tomei contato com o som do duo alemão na mesma época da onda Warp de IDM que pululava, no final da década passada, por entre os ouvidos descolados da modernidade paulistana (sic). Entre um Autechre e outro Squarepusher, apareceu lá um disco meio estranhão, diluído, experimental e ambiente - na época, assumo, não dei muita atenção.

O disco La Vie Á Noir, que deu origem a esse de remixes, tinha 11 faixas. Todas sem nome. Nele, samples de film noir são processados e desconstruídos de forma abstrata e experimental.

Este em questão, lançado no mesmo ano, traz 45 faixas, também sem título, embaladas com uma capa com cara de caixa de CD vazia e sem qualquer informação escrita. Assim como o disco original, o experimentalismo da construção sonora por samples e processamento digital parece ser o mote principal do álbum, mas aqui, talvez pela variedade maior de faixas e, consequentemente experimentos, ou pelo fato de ser mais “ambiente”, ou pela simples releitura inspirada (com adicional participação de Vladislav Delay, Kit Clayton, Terre Thaemlitz e Gez Varley em algumas reinterpretações), La Vie Á Noir (Remixes) dá um banho no anterior.

Não é um disco de fácil audição, bem pelo contrário. Fones de ouvido acompanham muito bem e ajudam a ressaltar as sonoridades hipnóticas e a inventividade na construção sonora, repleta de texturas, cliques, ruídos e barulhos. Mas é daqueles álbuns que vale a pena escutar (bem) mais de uma vez, pra descobrir e entender melhor o trabalho.

A duo acabou logo na sequência.

Ekkehard Ehlers, começou a gravar solo sob o nome de Auch ou mesmo sob seu nome verdadeiro. Sebastian Meissner passou a lançar discos sob as alcunhas de Random Inc. Bizz Circuits, Klimek e Random Industries.

Site Oficial cuidado com o volume :P

música pra ouvir: Untitled 03

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Daniel a.k.a. Suss4 26/09/2007 às 2:39 pm opa, eae Bêla! tá bacana o blog, tem bastante coisa pra fuçar„, depois vou passar o pente fino com calma, vi que tem varias coisas do meu agrado… link musical do dia: http://www.youtube.com/watch?v=U2Kxf6TUAFI beeem bacaninha, Los Pekenikes.

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4 reproduções

The New Caledonia: Lotus, 2007

★★★★

Existem rótulos de todos os tipos pra música. Para os sons mais inclassificáveis criaram termos como o Post-Rock ou o Avant Progressive Rock, termos muito usados na tentativa de descrever diversas bandas que tem pouco a ver entre si. Mesmo assim, há quem insista nessas definições. Tentar limitar o som dos neozelandeses do The New Caledonia a uma expressão facilmente encontrada na Wikipedia não seria algo justo.

Digamos que a banda consiga representar sonoramente muito bem a ilustração da capa (acima) de seu álbum de estréia, Lotus, com uma colagem meio bagunçada de estilos, climas e ritmos extremamente distintos. No entanto, como o The New Caledonia é formado por um quarteto realmente talentoso, o resultado final é muito interessante.

Em pouco mais de 37 minutos, ouvimos a banda atacar do progressivo ao jazz, do rock ao ambient, passando por funk, disco, entre outros gêneros. Vale destacar a presença de vocais no álbum, que assim como no ótimo Mirrored, do Battles, funciona mais como um elemento complementar ao instrumental do grupo.

Falando em complemento, o bom uso de sax, teclados e sintetizadores pela dupla de guitarristas Timon Martin e Fagan Wilcox, também acrescenta muito ao som. Mas o destaque mesmo fica por conta da cozinha pra lá de afinada do baixista Mike Tayler com o baterista Stan Bicknell, que seguram com precisão cirúrgica as mudanças drásticas de andamento nas músicas de Lotus.

Vale a pena dar uma checada no Myspace da banda para conhecer um pouco melhor do som do The New Caledonia.

Aqui vocês também podem conferir o clipe da faixa Zoot Suit Pseudo.

Myspace

Site Oficial

música pra ouvir: Celestial Sattelites

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billy 15/09/2007 às 4:54 pm: vale lembrar que eles proprios liberaram o cd para download! é só checar no myspace.

Ian 04/09/2007 às 11:17 am: Muito boa essa faixa. As guitarras frippianas lembraram um pouco King Crimson. É, toda recomendação do Richarley vale a pena

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10 reproduções

Uakti: Trilobyte, 1996

★★★★½

Recentemente, por causa de um trabalho no qual estive enfurnado por meses, comentei com diferentes pessoas sobre o Uakti e qual foi a minha surpresa ao descobrir, quase 100% das vezes, que não se conhecia a música desse grupo mineiro.

Po, triste saber que um grupo de tamanha qualidade, criatividade e importância não foi assimiliado pelos seus conterrâneos. Me sinto na obrigação de falar dele neste espaço.

Uakti é uma oficina instrumental. Marco Antônio Guimarães, fundador, maestro e diretor artístico do grupo, começou em 1978 a criar seus próprios instrumentos, influenciado pelo seu mestre Smetak (o homem, o mito).

Vinte e nove anos depois, com 10 CDs lançados no Brasil e no exterior e tendo trabalhado com artistas como Philip Glass, Paul Simin, Milton Nascimento, Manhattan Transfer, Grupo Corpo, Naná Vasconcelos e muitos outros, o Uakti continua tendo um papel importantíssimo na música instrumental brasileira.

Aerofones, Electromecânicos, Idiofones, Membranofones e Cordofones: os instrumentos construídos com materiais do cotidiano como tubos de PVC, vidros, borracha, acrílico, água, panelas, latinhas, garrafões, adquirem uma sonoridade única e muito particular.

Uakti

Escolher um disco pra destacar aqui é um desafio. Apesar de acreditar que a obra do grupo seja heterogênea e contenha alguns álbuns pouco inspirados (na minha opinião… veja só), existem ótimos discos - assinados tanto como Uakti como apenas pelo lider do grupo (Marco Antônio fez trilhas sonoras como Lavoura Arcaica e esta que deve ser lançada em breve, d’A Pedra do Reino).

Então segui meu coração: a música Arrumação é uma das suas mais perfeitas composições e gravações, daquelas de ouvir dezenas de vezes sem se cansar e ainda descobrir novos detalhes e nuances. Sua sensibilidade e delicadeza são absolutamente singulares. Tanto na performance quanto na criação musical.

Trilobita, o nome que o instrumento empresta ao disco, tem um som de destaque nessa faixa. Tocada com os dedos - quase como se fossem tablas - o Trilobita é formado por tambores que, por sua vez, nada mais são que tubos de PVC com pele de cabra esticada em uma das suas extremidades.

Seus shows são um capítulo à parte, já que neles temos a oportunidade de ver todas essas incríveis (e belas) criações instrumentais (Aqualung é uma das minhas prediletas: um filete d’água é que produz o som, amplificado por 2 tubos), além da performance dos excelentes músicos Paulo Santos, Artur Andrés e Décio Ramos.

Site Oficial

Uakti instrumentos

música pra ouvir: Arrumação

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Antonio Brandao Junior 16/05/2009 às 6:17 pm Oi Carlos, parabéns pela iniciativa. Vejo que você tem bom gosto musical. Também, como você, fico decepcionado com o fato de o trabalho do Uakti não ser tão conhecido no Brasil e principalmente em Minas. Talvez seja por causa da alienação cultural em que nosso povo está “doentemente” mergulhado. Desejo-lhe sucesso pelo espaço e que esse trabalho maravilhoso do Uakti, possa ser mais conhecido em nosso pais. Valeu, grande abraço.

Álvaro Manhães 25/11/2007 às 9:56 am Olá! Sou músico e professor e estou encantado com este trabalho. Por curiosidade comecei a utilizar experimentalmente seguindo uma publicação da revista nova escola e obtive um resultado fantastico. Gostaria de saber mais e ter acesso as variações por sobre idiofones e tudo que possível e de fácil implementação no trabalho de musicalização infantil. Trabalho atualmente com crianças de 9 a 16 anos do PETI (PROGRAMA DE ERRADICAÇÃO DO TRABALHO INFANTIL)de quissamã no RJ e procuro inserir junto a musicalização o senso de preservação e outros ganhos para humanidade. Desde ja agradeço qualquer colaboração no sentido de me fornecer mais informações e modelos de instrumentos para implantar no meu trabalho. E prometo dar os devidos créditos aos seus idealizadores. Muitíssimo obrigado.

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Omar Rodriguez-Lopez: Se Dice Bisonte, No Bufalo, 2007

★★★★½

Omar Rodriguez-Lopez é o cara. Vai mandar bem lá nos quintos de Porto Rico, rapá!

Começou tocando hardcore (Startled Calf), foi pro post-hardcore (At The Drive-In), depois pro dub (De Facto), ajudou a criar uma das bandas mais peculiares da atualidade (The Mars Volta), gravou com Damo Suzuki (Can) no final do ano passado um fusion/experimental e agora lança um disco de… de… uhmmm…

Como categorizar Se Dice Bisonte, No Bufalo?

Eu não consigo.

O disco tem participação do velho amigo Cedric Bixler-Zavala, cantor e co-fundador do Mars Volta, além de outros integrantes da banda como Marcel Rodriguez-Lopez, Adrian Terrazas-Gonzales e Juan Alderete de la Pena. Apesar da presença desses músicos, e do fato do álbum ter sido gravado ao mesmo tempo que Amputechture do próprio Mars Volta (lançado no ano passado e comentado aqui), o disco soa como outra banda.

Como Omar.

O cara tem um estilo único de tocar guitarra e compor. Se seu amor por dissonâncias (especialmente pela quarta aumentada - o intervalo musical conhecido na Idade Média como diabolus in musica), cromatismos e música serial fosse analisado apenas sob o aspecto técnico, poderia nos fazer lembrar imediatamente de Robert Fripp (que, claramente é uma grande influência) mas seria simplificar demais uma complexa formação musical. Segundo o próprio músico, sua maior influência é o pianista de salsa Larry Harlow.

As influências de progressivo (King Crimson) e fusion (Mahavishnu Orchestra) estão mais diluídas nesse terceiro álbum solo, enquanto o krautrock parece ficar mais forte. Aliás, são tantas as referências subjetivas nas composições que acaba não evidenciando nenhuma delas… se é que você me entende :P

Sem dúvida o melhor disco solo de Omar. E um dos mais interessantes que ouvi neste ano - até agora.

música pra ouvir: Rapid Fire Tollbooth

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riga 18/06/2007 às 12:18 am cacetes!!!! aliás, o wikepedia classificou assim: Progressive rock Post-hardcore Experimental rock

Beastie Boys: The Mix Up, 2007

★★

Há não muito tempo, nesta mesma galáxia, o nome Beastie Boys era associado à inovação, criatividade e bom-humor. O trio já lançou discos divertidos e adolescentes como o Licensed To Ill, ambiciosos como Paul’s Boutique, um marco na história dos samples e ecléticos como Check Your Head.

Mas o que deu nessa rapaziada gente-fina?

To The 5 Boroughs, de 2004, não emocionou muito e agora esse instrumental The Mix Up… mano, que sono!

Nada contra climas sussas, mas cadê aquela pegada de outrora? A compilação japonesa lançada em 2001 (The In Sound from Way Out!), só com instrumentais funk-soul-jazzy do grupo, mostrou que dá pra fazer um disco gostoso de escutar e bater o pezinho, mas com classe, estilo e pompa.

Agora, esse aqui tá triste… Mike D, Ad-Rock e MCA, o que será do futuro da banda de vocês, uma das mais divertidas da história do Pop?

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The Book of Knots: Traineater, 2007

★★★★

Continuando a falar dessa galera da californiana que toca em uma porrada de banda, todas diferentes entre si, todas boas.

Comecei pelo Charming Hostess, depois a Carla Kihlstedt - onde citei este The Book of Knots - e, por último, falei do líder do Sleepytime Gorilla Museum Nils Frykdahl, na resenha do Faun Fables.

Os integrantes dessa banda têm, em seu extenso portifolio, participações em bandas como Sparklehorse, Elvis Costello, Pere Ubu, Skeleton Key, They Might Be Giants, Frank Black e outros. Só por essas bandas citadas já dá pra sacar que a coisa é eclética.

O motivo de não ter comentado ainda sobre The Book of Knots é que o primeiro disco da banda não é propriamente nada demais. A banda mesmo não se levava tão a sério - era mais uma diversão entre artistas profissionais e donos do estúdio de gravação. Mas depois do lançamento, em 2004, do auto-intitulado The Book of Knots, um álbum conceitual sobre o mar, a coisa começou a mudar de figura.

Este segundo disco é bem mais ambicioso que o primeiro, no bom sentido da palavra “ambição”, além de mais inspirado e criativo.

Traineater fala sobre o conhecido “rust belt” dos EUA, que são áreas de industria decadente cujo centro é composto pela produção de ferro das cidades de Pensilvânia e Ohio. Música americana, jazz, noise, metal, rock e pop se misturam num clima sombrio e passional e, ao mesmo tempo, tenso e melancólico.

O centro da banda é formado por Tony Maimone (Pere Ubu, They Might Be Giants, Bob Mould, Lucinda Williams…), Carla Kihlstedt (Tin Hat Trio, Tom Waits, Sleepytime Gorilla Museum, 2 Foot Yard, e outros), o produtor, engenheiro de som e guitarrista Joel Hamilton (Elvis Costello, unsane, Frank Black, Sparklehorse, Shiner, Players Club…) e Matthias Bossi (Sleepytime Gorilla Museum, Skeleton Key, Vic Thrill…) mas as participações especiais são sempre em grande número. Este album, por exemplo, tem Tom Waits (excelente faixa Pray), Mike Watt (Pedro to Cleveland), entre outras, adicionando um sabor interessante ao cenário. Não por acaso, lembra algumas faixas do Sleepytime Gorilla Museum, porém bem menos teatral, metal e exagerado.

Típico álbum para uma audição não-passiva. Atenção é essencial para sacar todas as nuances e asperezas dessa grande banda. Como eles mesmos citam na sua página do MySpace: “something is very very wrong, and beautiful”.

Página da banda no site do selo ANTI

música pra ouvir: Pray

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Dysrhythmia: Barriers And Passages, 2006

★★★½

Dica vinda da sessão de links do site do Ahleuchatistas, logo após escrever a resenha abaixo.

Tem uma certa semelhança com eles, mas Dysrhythmia é mais complexo e irregular, como o próprio nome já dá a entender.

O trio da Filadélfia mixa rock progressivo, indie-rock, avant-jazz e ambient, resultando num som forte, encorpado, do jeito que a gente gosta (uhmm… isso não era um slogan de café instantâneo?).

Pra quem curte sons que não dão pra ser acompanhados com o bater dos pezinhos.

música pra ouvir: Appeared At First

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Vagner 05/06/2007 às 12:23 am Tenho todos os álbuns, mas com certeza esse é o melhor!!

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5 reproduções

Christopher Young: The Grudge, 2004

★★★★

Se você curte filme de terror, esse soundtrack é dos bons.

Christopher Young já tá na área há tempos. Fez trilhas do Hellraiser 1 e 2, Copycat, Glass House, The Exorcism of Emily Rose e mais recentemente do Ghost Rider.

Considero esse um dos seus melhores trabalhos, pelo clima que a trilha passa, pela composição principal ser especialmente interessante e, principalmente, por ser uma daquelas trilhas legais de se ouvir mesmo sem as imagens pras quais elas foram criadas.

Pra ouvir com subwoofers, bem alto e no escuro. :D

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5 reproduções

Michael Giacchino: Lost - Original Television Soundtrack, 2006

★★★★½

Uma coisa que sempre gostei é de ouvir trilhas sonoras, independentemente se já vi ou não o filme. Não é incomum eu ir assistir a um lançamento no cinema cuja trilha eu já conheça. Acho que uma boa trilha sobrevive sem as imagens.

Dos exemplos mais recentes, mais precisamente o último que me lembro, não é de filme e sim de série. Muito tem se falado de Lost por aí mas são raros os comentários sobre sua trilha.

Michael Giacchino é relativamente “novo” no meio. Mas já chegou chegando. Fez a trilha da série Alias, Secret Weapons Over Normandy e, logo após o estouro de Lost, a de Missão Impossível 3 (cujo diretor - coincidência? - é o mesmo de Lost e Alias). Também fez a trilha dos desenho da Pixar: o longa Os Incríveis e o curta One Man Band.

As composições são muito boas mas o que se destaca de cara nessa trilha de Lost é a textura sonora. Ao invés de só usar instrumentos tradicionais de orquestra, Giacchino foi lá no set de filmagemm catou uns pedaços de fuselagem de avião, metais, restos de cenário e otras cositas más e os usou na instrumentação.

O resultado é um som mais orgânico, um pouco menos “erudito”, embora muito mais “cinematográfico” que a maioria das trilhas de TV, e com uma ligação conceitual muito forte com a história da série.

Esparso, spooky, emocional e vívido, o disco trás composições com forte presença de percussão, enfatizando a tensão vivida pelo grupo de sobreviventes do acidente aéreo. Momentos mais emocionais (Win One For The Reaper e We’re Friends) ou mais ritualísticos (Navel Gazing) não comprometem a trilha - pelo contrário - adicionam um respiro à forte tensão predominante do álbum.

O tema de abertura já está entre os clássicos das trilhas sonoras, apesar de seus 16 segundos de duração, justamente pela simplicidade e personalidade da composição.

Comparações com Bernard Herrmann (Psicose, Cape Fear, Taxi Driver, O Dia Que a Terra Parou) e Danny Elfman (Darkman, The Frighteners, Nightbreed) são inevitáveis mas… porra, acho isso um elogio, não? :)

Site Oficial

música pra ouvir: Run Like, Um… Hell?

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5 reproduções

Mouse On Mars: Varcharz, 2006

★★★½

Depois de uma sequência de discos sem muita personalidade, característica que sobrava nos primeiros discos do duo alemão, Mouse on Mars lança neste ano o “Varcharz” que, pra mim, figura entre os melhores deles.

Nada contra ser dançante ou mais acessível, mas esta banda, na minha opinião, sempre fez melhor a música editada, confusa, picotada, barulhenta, lowtech, experimental.

O duo formado por Andi Roma e Jan St. Werner foi fundado em 1993 meio como um post-techno. Dizem os caras que eles se conheceram num show de death metal e resolveram formar o Mouse On Mars.

De post-techno virou uma rica e eclética combinação de inúmeros estilos musicais, sempre com um pé no eletrônico: Techno Experimental, Dub, IDM, Post-Rock, Ambient, Electro, entre outros.

Este é o décimo disco da banda. O terceiro, “Autoditacker”, de 1997, é uma obra-prima. Uma mistura de krautrock com dub e electronica combinados de maneira peculiar, arranjados em layers e layers de instrumentação elaborada e com alguma influência de jazz e drum’n’bass.

A fase que se segue de discos lançados pela Thrill Jockey é meio desigual, embora tenha ótimos resultados como o “Niun Niggung”, de 2000. Em 2004 eles lançam o que acredito ser o pior disco da dupla “Radical Connector”, sepultando todas as esperanças que eu tinha de uma possível volta às origens criativas (e não necessariamente sonoras).

Fui meio com preguiça pra escutar este novo (eu não desisto nunca!) e levei um soco no estômago. Quebradeira master! :D

Mais violento, abstrato e experimental que os anteriores, foi curiosamente gravado ao mesmo tempo que o “Radical Connector”. Mas sonora e estruturalmente é o oposto dele.

Mas nada tão diferente que descaracterize o som dos caras. A “aura” da banda continua firme: sons sintetizados com baixa resolução, batidas quebradas (sem, contudo, apelar pro drum’n’bass fácil), bom humor e tensão ao mesmo tempo.

Interessante como a banda soa rock (e às vezes pesado, a la Lightning Bolt), apesar de praticamente só usar sintetizadores. A influência de krautrock permanece, pra alegria de muitos.

Denso e ao mesmo tempo colorido, se é que isso é possível.

música pra ouvir: Chartnok