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baixe a compilação de todo o trabalho do ótimo Microscopic Septet comentada neste post aporias. The Microscopic Septet – Seven Men In Neckties (2CD) (2006)

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The Microscopic Septet – Seven Men In Neckties (2CD) (2006)

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11 reproduções

Club Foot Orchestra: Wild Beasts, Kidnapped, and More, 1995

★★★★½

Jazz com grande influência de Rock ou Rock com doses cavalares de Jazz? Big Band com cara de progressivo ou Avant-Garde mais acessível? Frank Sinatra ou Frank Zappa? Possivelmente nos meados dos anos 80 um termo resumiria isso tudo: Avant-Prog.

Seja qual nome você queira dar pro som do Club Foot Orchestra, uma coisa não dá pra negar: o grupo de músicos liderados por Richard Marriot fez algo peculiar.

Marriot fundou uma orquestra em 1983 pra tocar regularmente no The Club Foot, um point de músicos e artistas visuais na 2520 Third Street em São Francisco, EUA. Nessa turma não entrava só virtuoso tocando partes difíceis ou improvisando: os novatos músicos colaboravam com funções simples, porém essenciais.

Falando dos temas musicais especificamente, como você pode escutar no exemplo abaixo, a música era complexa sem assustar. Os metais tinham grande importância na orquestração do som cheio de contrapontos culminando numa mistura sem dogmas de jazz post-bop, easy-listening, rock, reggae, klezmer, mariachi, clássico etc e artistas marginais da época como Carla Bley, Xavier Cugat e Kurt Weill. Impossível, pra mim pelo menos, não lembrar de algumas fases do Zappa.

Dois foram os registros dessa época, lançados pela Ralph Records - e raríssimos hoje em dia: Wild Beasts (1985) e Kidnapped (1987). E são esses álbuns, na íntegra, que aparecem neste disco Wild Beasts, Kidnapped, and More lançado em 1995 (e em CD em 2007), com direito a mais 2 faixas extras.

Ou seja, pra quem quer conhecer o “Klezmer Paso Dobles” (Suerte de la Noche), “Balkan Surf” (Entrance), “Dinosaur Story Avant-o-rama” (Innocent), “No-Wave meets the Red Army Chorus on a cartoon bunny path” (Time Axe Bag Dad) do Club Foot Orchestra, essa é a porta de entrada perfeita e fácil.

A banda, depois dessa fase, enveredou num meio bem interessante, porém distinto do apresentado nesta coletânea: trilhas sonoras para filmes mudos. E não foram poucos: O Gabinete do Dr. Caligari, Nosferatu, O Encouraçado Potemkin, Fantasma da Ópera, entre outros além de releituras de Metropolis, Caixa de Pandora, etc

O grupo também compôs a trilha de 39 episódios do Gato Félix (The Twisted Tales of Felix the Cat, 1995-1997), o que faz todo sentido, já que a sonoridade da banda tem tudo a ver com desenhos animados.

Site Oficial

música pra ouvir: Suerte De La Noche (Wild Beasts)

comentários originais

riga 27/03/2009 às 11:57 pm carazza…excellent!!

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5 reproduções

The Microscopic Septet: Take The Z-Train, 1982

★★★★★

Eu curto categorizar, simplificadamente, os mp3 que ouço. Boto lá no genre do iTunes se o artista faz pop, jazz, rock, clássico, etc, e, dentro desses gêneros, o estilo mais aproximado. Só que ouvindo Microscopic Septet eu fiquei completamente perdido (opa, Apple, que tal tags no iTunes?)… Certo, isso é jazz, não tenha dúvida… mas que tipo? Tradicional? Experimental? Avant-Garde? Modern Creative? Bebop? Post-Bop? Wop-bop-a-loo-mop alop-bom-bom?

Resposta: de tudo um pouco.

“Nostálgicos e futuristas ao mesmo tempo” ou “Jazz Surrealista” são definições interessantes que já fizeram desse septeto fundado em Nova Iorque no início dos anos 80.

Se por um lado eles reverenciam com Dixieland ou Bebop lá do início do século passado, por outro eles misturam com releituras avant-garde, Albert Ayler, experimental, Free, Hard Bop de agora pouco. Tudo de maneira fluida, sem sustos e com uma originalidade impressionante.

A banda acabou em 1992, mas, após o lançamento em CD dos seus álbuns em 2006, os fundadores do grupo - saxofonista soprano Philip Johnston, o barítono Dave Sewelson, o pianista Joel Forrester e o tocador de tuba (tubista?) e baixo David Hofstra - se juntaram aos ex-companheiros Don Davis (sax alto), Paul Shapiro (sax tenor) e Richard Dworkin (bateria) pra celebrar o lançamento da série History Of The Micros.

Essa série é formada por 2 volumes duplos (History of the Micros Volume 1: Seven Men in Neckties e History of the Micros Volume 2: Surrealistic Swing) que cobrem, respectivamente, os anos de 1980-85 e 1986-1990 e nada mais são que seus 4 discos Take the Z Train, Let’s Flip!, Off Beat Glory e Beauty Based on Science (The Visit) adicionados a faixas inéditas e raras (como, por exemplo, algumas da época que John Zorn tocou com a banda, anteriormente ao lançamento do primeiro disco).

Escolhi este disco apenas por ser o primeiro que a banda lançou e que, por coincidência, eu escutei. Mas qualquer coisa deles vale a audição, ainda mais se você gosta de coisas como Flat Earth Society.

Eu demoraria dias pra escrever sobre cada um dos brilhantes integrantes que fazem parte desse septeto… possivelmente muito mais tempo que você demoraria pra achar um som deles pra baixar ou pra comprar em alguma loja online.

Então, dá uma orelhada na faixa abaixo (um passeio virtual por estações de trem musicais) e corre atrás disso porque é bomdimaisdaconta! :)

Site Oficial

música pra ouvir: Take The Z-Train

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6 reproduções

Corleone: Wei Wu Wei, 2005

★★★★★

Engraçado como certas dicas caem do céu assim, sem você pedir. Um velho amigo de ondas cyber-fuckin’-internéticas, sem mais nem menos, me repassa uma mensagem vinda da lista de discussão que ele conduz há tempos, a Bungle Weird, da qual já fiz parte por alguns anos. Nela, um caritativo e civil ser comenta sobre esse disco do qual nunca ouvi falar.

Baixo o disco.

:-O

Corleone é um projeto “avant-garde sicilian jazz core” do italiano Roy Paci.

Paci lidera um octeto pop bem divertido chamado Roy Paci & Aretuska, que vai numa onda mais Mano Negra / patchanka, e tem lançados 3 LPs e outros 6 EPs e singles. Já participou de discos de uma baletada de artistas italianos cujos nomes não adianta nada eu escrever porque nem eu nem você conhecemos, mas eu vou dar um copy/paste mesmo assim pra causar uma boa impressão à esse texto: Pascal Comelade, Ivano Fossati, Piero Pelù, Samuele Bersani, Teresa De Sio, Subsonica, Tonino Carotone, Nicola Arigliano, Daniele Sepe, Luca Barbarossa, Vinicio Capossela, Macaco, Africa Unite, Persiana Jones, Radici nel cemento, Il parto delle nuvole pesanti, 99 Posse, Arpioni, Negrita, Jovanotti, etc. Foda né? :P

Antes de formar o Aretuska, o trompetista e flugelhornista tocava no Mau Mau, um grupo italiano pop de relativo sucesso nacional.

E porque eu tô contando tudo isso e onde o avant-garde entra nessa história? Bem, é justamente isso o mais curioso pra mim. Esses artistas todos aí em cima são de pop, rock, eletrônico, jazz tradicional, música italiana; a outra banda de Paci é rock/pop patchanka bem-feito. E, de repente, o cara comete um disco como este.

Wei Wu Wei é brilhante. Rola uma surpresa atrás da outra nesse disco de composições inéditas de Roy Paci (+ um cover da Come Live Your Life With Me) que trás um naipe eclético de músicos convidados. As faixas passeiam por incontáveis ambiências e referências. Só pra citar algumas: Nino Rota, Ornette Colleman, Miles Davis, ska, reggae, dub, klezmer, canto africano (uma faixa tem participação de Mohamed El Badaui), jazz tradicional, jazz experimental, electronica, trip-hop, trilhas de filmes italianos 60’s e 70’s, sapateado, tango, funk, Flat Earth Society, etc, etc. Acho que eu nunca usei tantas tags pra definir um disco como este aqui.

Algumas composições, em especial, lembram muito Zappa. A liberdade e o astral das músicas também me fizeram recordar de um dos melhores discos do John Zorn, aquele de interpretações de músicas do Ennio Morricone, The Big Gundown de 1985 - embora o do Zorn seja ainda mais eclético e variado (e experimental e caótico).

O álbum soa livre por todos aqueles estilos. É fresco e variado; excêntrico e belo na medida certa. E tem uma personalidade italiana embutida em todas as músicas. Curioso isso, porque eu não saberia expressar em palavras o que faz parecer tão “italiano” nesse contexto.

Valeu, Pablo Fernandez e Nelson Endebo, pela excelente dica.

Corleone

Roy Paci

música pra ouvir: Doverosi Sballi

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Nelson Endebo 20/04/2007 às 9:30 am Ô Carlos, volta pra BungleWeird! Tá rolando um monte de música bacana por lá… Volta lá pra gente trocar idéia! abraço

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4 reproduções

Rova: Orkestrova - An Alligator In Your Wallet, 2004

★★★★

Rova Saxophone Quartet, ou simplesmente Rova, foi fundado em 1977 em São Francisco. A idéia era fazer free jazz e avant-garde apenas com saxofones. E os caras já começaram muito bem. Não era apenas um grupo de free jazz e post-bop: flertavam com a música contemporânea erudita, Varèse, Cage, Messiaen, avant-rock e música folclórica dos 5 continentes.

O tempo passou mas a qualidade permaneceu intacta. Eles continuam ativamente lançando discos a cada ano ou 2. Este, por exemplo é o penúltimo: eles acabaram de lançar um novo, “Totally Spinning”, que eu ainda não tive a oportunidade de ouvir.

Fora os 4 líderes tenor, barítono, alto e soprano, o álbum traz muitas participações especiais: a pianista e compositora Satoko Fujii, trompetista Natsuki Tamura, violinista Carla Khilsted (também integrante do Charming Hostess comentado há poucos dias), trombonista Michael Vlatkovich, baterista Scott Amendola, baixista Ken Filiano, entre outros músicos.

As composições são variadas, surpreendentes. De solos a ambiências a passagens orquestrais, tudo parece combinar com uma precisão e, ao mesmo tempo, uma noção de improviso que faz parecer que todos compartilham de um único cérebro. Os músicos estão de tal maneira em sintonia que não dá pra saber onde acaba a música escrita e começa o improviso.

Isto é música livre.

Se você espera um som de fácil entendimento, esqueça deste disco (e possivelmente desta banda). Agora, se você curte explorar novas ambiências e complexidades, este disco é um ótimo começo pra entrar no mundo do Rova.

Quero falar de outros discos deles aqui, pq tem muita coisa boa. A discografia é bem extensa, com mais de 20 discos que, com raríssimas exceções, são igualmente excelentes. Foi bem difícil escolher um único disco mas decidi por comentar sobre um mais recente. Basicamente pra mostrar que, por mais que o tempo passe (e muitas vezes isso pra um artista inovador não é um mero detalhe - nada mais difícil que continuar sendo criativo sempre), os caras continuam fazendo um puta som.

Site oficial.

música pra ouvir: A Lion In Your Bag

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Farmers Market: Musikk Fra Hybridene, 1997

★★★★

Tem disco que você ouve e de cara saca o quanto os músicos se divertiram fazendo ele. É o caso deste (e dos outros) do Farmers Market, um grupo norueguês formado em 1991 por 6 caras que tocam de tudo um pouco (acordeon, banjo, mandolin, violino, guitarra, piano, bateria, sax, clarinete, baixo - fora os convidados especiais como, por exemplo, as cantoras do “Lés mystére dés Voix Bulgares”).

Eles começaram como um quinteto de jazz “normal” mas em pouco tempo influências da música búlgara, escalas orientais, tempos musicais estranhos, improvisação, pop, rock, metal, dance, folk começaram a aparecer e a coisa foi ficando realmente interessante.

Claro que dá pra imaginar a quantidade de ensaio necessária pra algumas músicas existirem (como a que abre o disco, uma colagem absurda de temas “standards” de pop, jazz, rock, metal tocados como se alguém tivesse editado no computador ou a música aqui deste post), mas mesmo assim o astral que o disco passa é de diversão. O show deles deve ser espetacular - o primeiro álbum é ao vivo, mas ainda não consegui achá-lo.

Este é o segundo disco dos caras (também pode ser encontrado com o título em inglês: “Music From The Hybrides”), de uma complexidade e, ao mesmo tempo, leveza impressionantes. O terceiro e mais recente é de 2000, lançado pelo selo alemão Winter & Winter, também excelente.

Bem difícil achar informações sobre eles na web. O melhor lugar é mesmo o site oficial ou na Wikipedia. Nem no All Music os caras aparecem. Mas vale muito pesquisar.

música pra ouvir: Tails Of The Unexpected

comentário original

brito, 15/08/2006: fiquei curioso!

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Flat Earth Society (FES): ISMS, 2004

★★★★★

A categoria “big band experimental” pode parecer estranha mas acho que é a que melhor define esse grupo belga de 22 músicos liderados pelo clarinetista Peter Vermeerch.

O branquelo é mais conhecido pelo trabalho que ele desenvolveu no X-Legged Sally (um grupo experimental de rock, jazz, avant-garde, avant-prog e mais quantos nomes quiser incluir aqui) nos anos 90. Juntou com uma moçada do outro grupo belga igualmente inclassificável Fukkeduk e formou em 98 o Flat Earth Society (ou simplesmente FES).

Esse disco, lançado pela Ipecac, é uma compilação excepcional de trabalhos tirados dos 4 discos oficiais da banda.

Climas cinematográficos, crime jazz, jazz progressivo, trilha sonora infantil, temas orientais… Influências fortes de Zappa misturado com jazzistas tipo Sun Ra e Pierre Dorge’s New Jungle Orchestra, umas pitadas de Residents…. chega! Eu poderia citar horas os climas e referências da banda.

Ao contrário do X-Legged Sally, essa banda é menos experimental, um pouco mais acessível (provavelmente pelos temas “big bands”, mais digeríveis), o que não é ruim. Neste caso, pelo contrário: parece um som mais maduro.

Claro que quando falo de acessível não quero dizer que tocaria em rádio: as músicas são imprevisíveis, você nunca sabe onde vai parar o tema que acabou de começar. E é esta característica que faz o som dos 22 carinhas (entre tocadores de metais como sax, trompete, trombone dá 11, mais percussão, guitarra, baixo, xylofone, acordeon… fora que alguns tocam 3 ou 4 instrumentos - não se pode falar de sonoridade repetitiva aqui) ser extremamente divertido, bem humorado até.

Fodão.

música pra ouvir: O.P.E.N.E.R.

comentário original

rui: parabens que grande blog,muito boas bandas.continua é um conselho que te posso dar.excelente.