baixe um dos mais divertidos álbuns do ano passado segundo nós aqui do Aporias.
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★★★★
Ela estava atrasada, resolvi esperar no bar do hotel.
- Garçon!
- Boa noite, senhor?
- Bela noite. Veja a lua!
- Deseja um drink, senhor?
- Sim, um whisky sour, com pouco açúcar, por favor.
- Perfeitamente, senhor. Com licença.
- Obrigado.
O amendoim, menos crocante que o esperado, acalma o estômago incomodado. Uma magra jovem de feições francesas sobe ao pequeno palco, delicadamente sentando-se ao banquinho. Outros músicos se juntam a ela.
La Vie En Rose começa e penso “ok, de novo mais um desses Jazz de Bar de Hotel™”. Logo no primeiro minuto já dá pra notar que a coisa não é bem por aí.
Olho com mais atenção para o guitarrista, discreto… Não seria o Marc Ribot? Uhmm… Certeza! Eu reconheceria o jeito dele tocar de olhos fechados. Do lado é o… como chama mesmo?… Greg Cohen! Isso. Kenny Wollison do outro lado? James Carter? Cyrus Chestnu? Vernon Reid? Pera, isso tá ficando bom.
Meu drink chega.
- Obrigado.
Droga, puzeram muito açúcar.
Que seja, o som tá bom.
Essas músicas me soam muito bem. São bem tradicionais, aquela coisa tranquila com gosto de Billie Holiday, mas nem todas as músicas são conhecidas. Ela deve compor também, além de interpretar deliciosamente bem.
Meu telefone toca.
- Ah, você vai se atrasar mais? Tudo bem.
Os temas vão se desenvolvendo com uma delicadeza ímpar: swing standards, blues, country e folk com clima anos 20 e 30. Entre composições próprias (descobri perguntando pro senhor de gravata púrpura da mesa do lado, que parece ser fã de longa data), aparecem um Fats Waller, Bessie Smith e a já citada Billie Holiday. Pra tocar a “Always a Use”, ela mesma assume o violão.
- Garçom, mais um whisky sour! Ah! E outra porção de amendoim, por favor.
Excelente. Aquele piano tá ótimo. Básico, perfeitamente bem tocado, nenhuma nota a mais ou a menos.
Que voz!
Mas será possível, esse barman tá com problema no açucareiro!
Uhmm… bem, acho que tenho que ir agora. Últimos goles.
Aproveito pra comprar o CD na porta do bar. É de 1996, lançado pela Atlantic. Nunca tinha ouvido falar dela, mas parece que é famosa. A Time considerou esse disco como “a mais excitante, envolvente performance vocal feita por uma nova cantora no ano (de 96)”, seja lá o que isso queira dizer.
Fiquei sabendo depois, pelo barman, ao reclamar do excesso de açúcar de seus drinks, que ela sumiu depois desse disco e só voltou em 2004. Aí, lançou 3 discos, sendo o último em 2006, com participação de K.D. Lang e tocando, além das composições próprias novas, canções de Serge Gainsbourg e Tom Waits.
Voilá!
Agora vou jantar. Longe daquele barman.
Não sei porque não pedi um vinho…
Site oficial com todas suas músicas pra escutar.
Veja seus videos no last.fm
música pra ouvir: I’m Gonna Sit Right Down And Write Myself A Letter
jvlav 07/04/2008 às 9:21 pm como sempre um bom post ! abraço
Brian Morris 01/04/2008 às 3:26 pm Em 1996, estava num restaurante curtindo minha comida italiano quando ouvia numa música muita boa no outro parte do restaurante. A voz dela era bem paricido de Billie Holiday. Pensei, que legal eles está tocando ela. Pensei de novo, hmmm, o sound system tem alta qualidade, parece Billie está lá! Com curiosidade, fui lá. Era Madeleine Peyroux, cantando, tocando uma violão (Terence Blanchard tocando trompete). Deixe minha comida pra lá, heh. Depois, conversei um pouco com ela, comprei um CD. Desde aquele dia, sou fã #1 dela.
Carlos Bêla 23/03/2008 às 8:56 pm valeu dudu! espero que tenha curtido o som também! abraço
dudu colmeia.tv 23/03/2008 às 6:04 pm belo post, meu velho
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★★★★
Pois ele é guerreiro
Ele é bandoleiro
Ele é justiceiro
Ele é mandingueiro
Ele é um tuareg
Se liga no vizú dos fita. Style, né? Eles são tuaregs.
Todos do sul do Sahara, mais precisamente Mali, a banda se formou nos campos rebeldes de Coronel Ghadaffi no começo dos anos 2000. Assim como o aqui já comentado Yat-Kha, Tinariwen criou um estilo próprio misturando a(s) música(s) de suas origens tradicionais com baterias e guitarras do rock.
Sua música fala basicamente de questões políticas, repressão, problemas sociais e do exílio. Mas eu não manjo da língua deles pra saber se as letras são bem escritas ou não.
Fato é que a música do grupo é muito rica e gostosa de ouvir. A mistura, como não poderia deixar de ser, é geral. O próprio local de origem deles já é um pastiche sonoro. Os pontos fortes, claro, são a música árabe e a africana, conduzidos por uma guitarra bem Ali Farka Touré. Muitas vezes lembra Blues, só que do Magreb (ou será que o Blues é que lembra o som do norte da África? acho que sim né? :P ).
Sua discografia é curta ainda: 4 discos, sendo o último lançado há poucas semanas (ainda não escutei). Este é o segundo, lançado pela World Village. A produção é muito boa: direta ao assunto, sem aqueles tratamentos polidos que alguns selos ocidentais insistem em usar, achando que, por causa de um reverb longo e uma equalização brilhante, o disco terá mais aceitação entre o público estrangeiro. A parada aqui é crua mesmo.
A condução é basicamente feita por instrumentos de corda - principalmente guitarra - e voz - cujo canto é mais suave que a maioria dos vocais árabes típicos. A percussão é mais tímida e tranquila. A complexidade dos arranjos é particularmente notável, com contrapontos entre as cordas, bem ao estilo africano de múltiplas vozes.
Isso aí é rock de prima.
outra capa do mesmo disco:

música pra ouvir: Oualahila Ar Teninam
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★★★★
Conheci esse disco há uns 15 anos, na época que estava descobrindo o rock dos anos 70, principalmente o Led Zeppelin. Desde então, vira e mexe, eu pego ele pra escutar (no momento a versão mp3 dele, tirada de CD, mas que antes era fita K7 e antes bolacha de vinil).
Sabe aquele rock básico, simples, que o povo não sabe mais como fazer? Então. Que puta disco.
Na época o rock tava ficando meio pretensioso (o começo de uma era progressivóide cabeça) e o cara, que já tocava muito (mas sem punheta de guitar hero), tratou de montar um quarteto e soltar a fúria do rock’n’roll dentro dele. Ele declarou “desculpe mas este é apenas um disco de rock”. Simples assim.
No vocal? Um cara que cantava muito (ainda canta, acho) bem que tava no começo da carreira, com uma puta voz e um jeito meio Robert Plant de ser: Rod Stewart. Sim, aquele que depois nos anos 80 cantou “Love Touch”, “Do Ya Think I’m Sexy” e outras baboseiras terríveis já mandou muito bem antes de usar mullet.
Nada de novo no som (nem na época, muito menos agora) mas bom pra caralho.
música pra ouvir: Shapes Of Things