Módulo 1000 – Não Fale Com Paredes (1970)
clássico do progressivo brasileiro, você pode baixar este disco inteiro aqui.
o leitor Rafael manda avisar que sua banda Forgotten Live in Death Paradise tem dois discos pra baixar gratuitamente na página oficial do MySpace.
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Batida de Côco, segunda faixa de “Infinito”, disco mais recente do Banquet of the Spirits, banda do percussionista brasileiro Cyro Baptista e que saiu ano passado pela Tzadik.
Mais info.: Site Oficial | MySpace
10 reproduções
★★★★½
Recentemente, por causa de um trabalho no qual estive enfurnado por meses, comentei com diferentes pessoas sobre o Uakti e qual foi a minha surpresa ao descobrir, quase 100% das vezes, que não se conhecia a música desse grupo mineiro.
Po, triste saber que um grupo de tamanha qualidade, criatividade e importância não foi assimiliado pelos seus conterrâneos. Me sinto na obrigação de falar dele neste espaço.
Uakti é uma oficina instrumental. Marco Antônio Guimarães, fundador, maestro e diretor artístico do grupo, começou em 1978 a criar seus próprios instrumentos, influenciado pelo seu mestre Smetak (o homem, o mito).
Vinte e nove anos depois, com 10 CDs lançados no Brasil e no exterior e tendo trabalhado com artistas como Philip Glass, Paul Simin, Milton Nascimento, Manhattan Transfer, Grupo Corpo, Naná Vasconcelos e muitos outros, o Uakti continua tendo um papel importantíssimo na música instrumental brasileira.
Aerofones, Electromecânicos, Idiofones, Membranofones e Cordofones: os instrumentos construídos com materiais do cotidiano como tubos de PVC, vidros, borracha, acrílico, água, panelas, latinhas, garrafões, adquirem uma sonoridade única e muito particular.

Escolher um disco pra destacar aqui é um desafio. Apesar de acreditar que a obra do grupo seja heterogênea e contenha alguns álbuns pouco inspirados (na minha opinião… veja só), existem ótimos discos - assinados tanto como Uakti como apenas pelo lider do grupo (Marco Antônio fez trilhas sonoras como Lavoura Arcaica e esta que deve ser lançada em breve, d’A Pedra do Reino).
Então segui meu coração: a música Arrumação é uma das suas mais perfeitas composições e gravações, daquelas de ouvir dezenas de vezes sem se cansar e ainda descobrir novos detalhes e nuances. Sua sensibilidade e delicadeza são absolutamente singulares. Tanto na performance quanto na criação musical.
Trilobita, o nome que o instrumento empresta ao disco, tem um som de destaque nessa faixa. Tocada com os dedos - quase como se fossem tablas - o Trilobita é formado por tambores que, por sua vez, nada mais são que tubos de PVC com pele de cabra esticada em uma das suas extremidades.
Seus shows são um capítulo à parte, já que neles temos a oportunidade de ver todas essas incríveis (e belas) criações instrumentais (Aqualung é uma das minhas prediletas: um filete d’água é que produz o som, amplificado por 2 tubos), além da performance dos excelentes músicos Paulo Santos, Artur Andrés e Décio Ramos.

música pra ouvir: Arrumação
Antonio Brandao Junior 16/05/2009 às 6:17 pm Oi Carlos, parabéns pela iniciativa. Vejo que você tem bom gosto musical. Também, como você, fico decepcionado com o fato de o trabalho do Uakti não ser tão conhecido no Brasil e principalmente em Minas. Talvez seja por causa da alienação cultural em que nosso povo está “doentemente” mergulhado. Desejo-lhe sucesso pelo espaço e que esse trabalho maravilhoso do Uakti, possa ser mais conhecido em nosso pais. Valeu, grande abraço.
Álvaro Manhães 25/11/2007 às 9:56 am Olá! Sou músico e professor e estou encantado com este trabalho. Por curiosidade comecei a utilizar experimentalmente seguindo uma publicação da revista nova escola e obtive um resultado fantastico. Gostaria de saber mais e ter acesso as variações por sobre idiofones e tudo que possível e de fácil implementação no trabalho de musicalização infantil. Trabalho atualmente com crianças de 9 a 16 anos do PETI (PROGRAMA DE ERRADICAÇÃO DO TRABALHO INFANTIL)de quissamã no RJ e procuro inserir junto a musicalização o senso de preservação e outros ganhos para humanidade. Desde ja agradeço qualquer colaboração no sentido de me fornecer mais informações e modelos de instrumentos para implantar no meu trabalho. E prometo dar os devidos créditos aos seus idealizadores. Muitíssimo obrigado.
5 reproduções
★★★
Mais um post carnavalesco. Se liga na banda de apoio: mestre Herbie Hancock no piano, Dr. Wayne Shorter no sax soprano, o tecladista do George Clinton Mr. Bernie Worrell e o experimentalista Sr. Henry Threadgill na flauta.
Que banda hein? E se eu disser que o lider desse grupo aí é o “nosso” Carlinhos Brown? Sim, você leu bem… o cara quem cometeu equívocos irreparáveis como o pop-infanto-juvenil-sorvete-na-testa Os Tribalistas é quem compõe boa parte das músicas do disco e lidera o grupo Bahia Black.
O que catso isso tem a ver com este blog? Bem, só pela mistura bizarra já seria motivo pra estar aqui: a banda já citada acima, adicionada à percussão do grupo Olodum é suficientemente excêntrica pra ser digna de nota. Mas o motivo principal é um só: é um bom disco.
Por mais que você, assim como eu, possa não ir com a cara de Brown nem gostar da música “pop” do soteropolitano nascido Antônio Carlos Santos de Freitas, difícil negar que seja um grande instrumentista.
Claro que tocar bem não faz de alguém um bom compositor mas… ao menos neste disco, Carlito Marrón - como é conhecido na Espanha, país onde possivelmente ele é visto como um cara muito mais cool que aqui - faz um trabalho interessante.
Quem juntou essa moçada toda não poderia ser outro: o produtor (Brian Eno, Ginger Baker, Jah Wobble), “construtor” (Praxis, Arcana), compositor (Material, Last Exit), baixista (Painkiller, David Byrne, Fred Frith), remixador (Bob Marley, Miles Davis) e agregador de músicos que aparentemente não combinam Bill Laswell.
As primeiras faixas são cantadas. Uma bossinha curta de voz e violão Retrato Calado abre o disco, seguida da Capitão do Asfalto que tem uma percussão mais elaborada e um refrão mais pop.
O disco começa a ficar mais legal quando, por coincidência (ou não), Brown pára de cantar. Parece que as faixas nas quais ele canta soam mais previsíveis… mas pode ser preconceito meu.
The Seven Powers é um jazz espetacular composto por Hancock, com a bateria poderosa do Olodum, assim como a atonal Gwagwa O De.
Faixas estritamente percussivas dão um toque legal pro disco como Uma Viagem del Baldes de Larry Wright tocada por Brown e Larry Wright em… baldes; Olodum trás aquele tema típico do grupo percussivo baiano (aqui executado por 10 músicos) e Follow Me, toda conduzida numa única bateria funk, enriquecida de metais percussivos, pelo Tony “Funky Drummer” Walls.
Nina in the Womb of the Forest fecha o disco com uma viagem meio tribal meio experimental, feita com uma mistura eclética de instrumentos percussivos, berimbau e uma flauta de fundo.
Uma experiência auditiva interessante :)
Ah… já que o ano começa agora, feliz 2007!
música pra ouvir: The Seven Powers
Diogo 24/12/2007 às 6:34 pm Ó o Bêla curtindo carnaval me bateu curiosade de ouvir isso.
4 reproduções
★★★★
Vai chegando o carnaval e post temáticos pipocam nos blogs, tanto dos que gostam quanto dos que não gostam de samba. Aqui a gente tenta ser original e nunca consegue então, lá vai um post carnal-aporia-valesco.
Que tal um Jacob do Bandolim? Apesar de não fazer exatamente samba, é apropriado, não? Mas, ao invés de interpretações tradicionais, temos aqui um tributo feito por artistas do selo de vanguarda Tzadik, de John Zorn.
Jacob Pick Bittencourt (1918-1969) foi um dos grandes nomes do choro. Grande instrumentista e compositor, não gostava de carnaval e sim de frevo. Curiosamente seu primeiro instrumento foi um violino que ganhou aos 12 anos de idade. Desde então sua paixão pela música só cresceu. Autodidata, mando ver no bandolim desde cedo, quando tentava imitar trechos de melodias cantadas pela mãe.
Acompanhou artistas como Noel Rosa, Augusto Calheiros, Ataulfo Alves, Carlos Galhardo, Lamartine Babo. Pra pagar as contas, já que viver de música no Brasil nunca foi bolinho, Jacob trabalhou por muito tempo como escrevente da Justiça do RJ. Mas o bandolim era sua vida. Gravou 52 discos em 78 RPM, 12 LPs além de participações em discos de outros artistas e coletâneas.
A excelente série “Great Jewish Music” da Tzadik tem como proposta fazer interpretações inventivas, avant-garde ou experimentais de, como já diz o nome, grandes músicos judeus. Já fizeram previamente parte dessa série de tributos: Burt Bacharach, Serge Gainsbourg, Marc Bolan (T-Rex) e Sasha Argov.
Este volume trás interpretações não-tão-experimentais quanto os outros, sendo de mais fácil digestão.
O percussionista brasileiro queridinho da cena de jazz de downtown NY Cyro Baptista abre o disco com Noites Cariocas numa interpretação mais fiel possível ao compositor. A partir daí a viagem começa. Ben Perowsky troca o bandolim por uma flauta e faz uma cover bem cool de Pérolas. Rob Burger & Mauri Refosco substituem parte da percussão chorona por uma bateria eletrônica e colocam um acordeon como linha solo.
Pharaoh’s Daughter faz uma versão de Sapeca que parece uma mistura de música peruana com toques de música do leste europeu. A ótima banda Davka faz Receita De Samba virar klezmer. Já Shanir Ezra Blumenkranz vai pro extremo e recria Santa Morena como um grindcore desconstruído. Em compensação, 2 Foot Yard, a banda da Carla Kihlstedt (comentada neste post), faz de Falta-Me Você uma das melhores faixas do disco, com um violino sentimental, um órgão fuzzy, uma guitarra dissonante e uma percussão exparsa de fundo (é esta a música de exemplo abaixo). O disco fecha com um clima estranho e fantasmagórico feito pelo tecladista James Saft cuja linha principal da Ciumento é conduzida por um assobio.
Com exceção apenas de uma ou 2 músicas, as 12 interpetações neste álbum são bem respeitosas… as linhas principais são mantidas. Os arranjos e andamentos são modificados, além da instrumentação, de maneira mais sutil que os outros tributos desta série (que soam mais como desconstruções do que covers).
Um belíssimo disco pela qualidade dos interpretes e, claro, pelo altíssimo nível musical do compositor carioca.
Visite o site do instituto Jacob do Bandolim.
música pra ouvir: Falta-me Você