uma das faixas do disco do post anterior.
Tin Hat - Foreign Legion, 2010
★★★★
o ex-Tin Hat Trio tem feito, desde sua fundação em 1997, discos belíssimos, com uma inventiva mistura de erudito, folk, música de cabaré, jazz, e outros tantos estilos, com uma cara ao mesmo tempo erudita e acessível.
fundado por Rob Burger (acordeon), Mark Orton (violão) e Carla Kihlstedt (violino), o grupo gravou 5 discos - sendo o último já sem o “Trio” no nome, devido a saída de Burger, e a entrada de Zeena Parkins (harpa), Ben Goldberg (clarinete) e Ara Anderson (metais e teclados).
este disco que você pode baixar no link é o primeiro registro oficial ao vivo da banda. pra quem é fã, uma ótima retrospectiva. pra quem não conhece, o melhor jeito de se aprofundar no som dos caras.
RECOMENDO.
Show na íntegra de Mike Patton na Holanda, interpretando Laborintus II, peça do compositor italiano Luciano Berio (e que nada tem a ver com o projeto Mondo Cane). O blog stubbadub também disponibilizou a apresentação para download.
visualização da Great Fugue, opus 133, de Ludwig van Beethoven
Beethoven, Great Fugue, op. 133, string quartet
terceiro e recém-lançado disco da dupla da ex-Belle & Sebastian com o ex-Screaming Trees.
leia mais e baixe aqui: Isobel Campbell And Mark Lanegan - Hawk (2010)
10 reproduções
por Marcio Nigro
★★★★★
Johann Sebastian Mastropiero é, provavelmente, o compositor fictício mais criativo de todos os tempos. Não conhece? Mas do Les Luthiers você certamente já ouviu falar? Não? Isso talvez se deva ao fato de que você fala português em vez de espanhol.
Criado em 1967, na capital argentina, o Les Luthiers é conjunto musical humorístico mais inventivo e ativo de todos os tempos. Aliás, é um dos fenômenos musicais mais indefiníveis que conheço, o que justifica sua aparição aqui no Aporias .
Durante seus 40 anos de existência, esse quinteto (que começou hepteto, depois sexteto) satirizou diversos estilos: da guarânia ao rock, do tango ao brega, da ópera à bossa nova, em turnês mundiais pelos países de língua hispânica e inclusive os EUA e o Brasil (em 1977 e 1980), com espetáculos em inglês e português, respectivamente.
O que atrai milhares de pessoas aos seus espetáculos não é apenas o fato de serem cantores, multi-instrumentista e compositores incrivelmente habilidosos e geniais. E nem somente a facilidade com que transitam entre o humor ultra sofisticado e o puro pastelão sem perder a classe e o hilariante humor. Mas também o fato de tocarem dezenas de instrumentos informais que foram concebidos por eles próprios (eles contam com um luthier que se dedica exclusivamente a isso).
Afinal, onde mais você verá — e ouvirá — um Latín, um violino feito com lata de presunto? Ou quem sabe o Tubófano Silicônico Cromático, uma espécie de flauta pan construída com tubos de ensaio? Ou ainda o Dactilófano (ou Máquina de Tocar) uma máquina de escrever misturada com xilofone? A cada novo espetáculo do Les Luthiers, um novo instrumento é apresentado, causando delírio na platéia que pode ver ao vivo de onde vem os sons que em seus apenas oito álbum é difícil identificar. Impossível não ficar admirado com um Baixo Barríltono (um baixo acústico feito com um grande barril de madeira deslizante com um músico dentro) ou uma Mandocleta (uma mistura de bicicleta e mandolina) , por exemplo.
Pessoalmente, nunca pude ver o show com meu corpo presente, mas felizmente o grupo já lançou vários DVDs com apresentações de diferentes épocas. Recomendo começar pelo DVD Mastropiero que Nunca, de 1979, que traz o Les Luthiers no ápice, quando ainda era um sexteto. Só para ter uma idéia, em um dos número o excelente pianista Carlos Nunes tem acoplado ao instrumento um espelho retrovisor para ver os demais integrantes à suas costas. Maravilhoso!
E por falar em Mastropiero, é impossível falar em Les Luthiers sem falar em Johann Sebastian Mastropiero, o músico imaginário que é “compositor” de boa parte das obras do conjunto. E para se inciar nas obras de Mastropiero nada melhor do que falar do primeiro álbum do Les Luthiers, Sonamos, Pese a Todo.
Difícil dizer se o disco de estréia é o melhor, mas certamente é o lugar certo pra começar a entender o conjunto. Primeiro porque, logo de saída, são apresentado alguns dos instrumentos informais.
Segundo, dois dos maiores clássicos do Les Luthiers encontram-se nesse álbum. A faixa Concerto Grosso alla Rústica é um primor na união de sofisticação musical, misturando uma orquestras de câmera e um conjunto de música andina com maestria. Nela não há uma piada explícita, o que a torna ainda mais fenomenal, pois só a beleza da composição é suficiente [clique no play deste post]
Já o Teorema de Thales musicado é completamente improvável e imperdível.
Qualquer CD do Les Luthiers vale a pena e é difícil dizer qual é meu favorito. Provavelmente os dois gravados ao vivo: Mastropiero que Nunca (1979) e Hacen Muchas Gracias de Nada (1980, com o clássica La Gajina Dijo Eureka), pois são geniais do começo ao fim.
Agora, talvez seja mais fácil encontrar as músicas a granel. Por isso, para os interessados, aqui vão os melhores momentos de cada álbum que pode ajudar a ir direto ao ponto:
Cantata Laxatón (1972) Bolero Matropiero Pieza en forma de Tango Vals del Segundo
Vol. 3 (1973) Voglio Entrare per la Finestra La Bossa Nostra Romanza Escocesa sin Palabras
Vol. 4 (1976) Teresa y El Oso Mi Aventura por la India Serena Mariacchi
Vol. 7 (1983) Homeje a Huesito Williams
Cardoso en Gulevandia (1991) Una Canción Regia Sólo Necessitamos Añoralgias
É claro que ajuda muito entender espanhol para se apaixonar pelo Les Luthiers. Muitas faixas começam com uma nota explicativa — narrada pela voz bombástica de Marcos Mundstock — sobre o contexto da música na obra de Mastropiero. Além disso, tantos nos álbuns de estúdio como principalmente nos dois ao vivo, existem muitos quadros e histórias musicadas. Sem a compreensão do idioma, muito se perde.
A boa notícia é que os DVDs trazem a opção de legenda em português, o que é bom inclusive pra quem conhece melhor o idioma, pois há muitos trocadilhos e coisas do gênero. Por outro lado, talvez seja missão impossível encontrá-los aqui no Brasil. O jeito é comprar on-line ou pedir para algum amigo que esteja indo pra Buenos Aires comprar.
Enfim, se vira.
Wikipedia (espanhol)
música pra ouvir: Concerto Grosso alla Rústica
fernando 25/06/2010 às 11:03 pm Tive a grande ventura de assistir a um espectaculo deste conjunto em Cordoba, ESpanha, em 1997 (98 talvez) e foi simplesmente espetacular
Vera Coutinho 22/03/2010 às 1:29 pm Eu tive o privilégio de assisti-los na década de 70, período muito triste para a Argentina e podem acreditar: eles deixam a platéia sem fôlego. São incomparáveis.
Lulu 26/11/2007 às 11:04 am Cantata Laxatón é um álbum fundamental. Normaliza e estimula el tono intestinal.
Carlos Bêla 23/11/2007 às 2:29 am Johann Sebastian Mastropiero nunca morrerá! esses caras são geniais. grande resenha!
5 reproduções
★★★★½
The Science Group foi fundado em 1997 na França e, guardadas as proporções, poderíamos encarar como uma continuação do som do super-grupo inglês de avant-prog Henry Cow.
Não por acaso a comparação: o percussionista, baterista, compositor, letrista e teórico musical Chris Cluter toca nas duas bandas. O sócio-fundador do Cow, guitarrista Fred Frith, participa do primeiro do Science Group também. E, claro, o som: uma combinação de avant-prog com jazz, clássico, experimental, eletrônico, ambient, RIO, avant-garde, e o que mais aparecer tem muito do clima da banda inglesa.
Chris Cluter parece viver numa realidade paralela. Ao menos temporalmente falando: é impressionante a quantidade de projetos que o cara se envolve: Slapp Happy, Art Bears, Aksak Maboul, Cassiber, News From Babel, David Thomas and The Pedestrians, Peter Blegvad, Pere Ubu, Zeena Parkins, The Residents, Lindsay Cooper, Gong, fora os discos solos (3, por enquanto), livros, participação em filmes, etc.
Americano nascido em 1947, cresceu na Inglaterra e nunca estudou música. Em 1971 foi convidado a substituir o baterista da banda Henry Cow… e aí que toda a história do cara começa.
Foi com Fred Frith e Tim Hodgkinson que, no final dos anos 70, ele fundou o Rock In Opposion (RIO), um movimento/coletivo de bandas unidas em oposição à industria músical. O festival que iniciou o movimento tinha como slogan “The music the record companies don’t want you to hear” (A música que as gravadoras não querem que você ouça) e dele fizeram parte, além do Henry Cow: Stormy Six, Samla Mammas Manna, Univers Zero e Etron Fou Leloubla. Só coisa fina. :)
De lá pra cá RIO virou sinônimo de avant-garde progressive rock (avant-prog, pra encurtar) ou rock experimental.
Essa galera toda merece alguns vários posts no Aporias (Marcio Nigro, inclusive, já escreveu aqui no blog sobre bandas que se encaixam no gênero: Magma e Alammailman Vasarat), mas foquemos no The Science Group.
Viagem no tempo para 1996. Chris Cutler propõe ao amigo Stevan Tickmayer (compositor contemporâneo erudito e tecladista) gravar um disco usando seus textos sobre ciência que ele vinha desenvolvendo desde 1992. Era o começo do Science Group. A dupla então chamou alguns convidados especialíssimos pra colaborar: Fred Frith (resenha aqui), Claudio Puntin (clarinete), Amy Denio (voz), Bob Drake (do Thinking Plague, baixo, guitarra, percussão).
Em 1999 lançam o A Mere Coincidence pelo selo inglês Recommended Records (do próprio Cutler).
Em 2003, parte desse grupo - Cutler, Tickmayer, Drake junto com o guitarrista e compositor Mike Johnson, fundador do Thinking Plague - lança o instrumental Spoors.
As vozes, pra quem não gostou delas no primeiro disco, não estão presentes, o que, de certa maneira, poderia dar um ar mais acessível ao disco. Mas não: aqui o som é menos rock, mais erudito, com uma levada dark e obliqua e que até se arrisca, em alguns momentos, a incluir elementos e instrumentos eletrônicos na orquestração.
O disco de 15 faixas é dividido em 4 “suites”: Timelines (temas mais velozes, matemáticos e complexos), New Indents (temas mais soltos, experimentais, em levadas dissonantes quando não atonais, onde as teclas tem maior importância), Bagatelles (mais pesado, meio circense, cujas cordas aparecem mais) e Old and News Paths (bem avant-prog, rock, esquisito, lembrando, em vários momentos, o trabalho erudito do Zappa).
Brilhante.
música pra ouvir: Old And New Paths: Discrete Networks

★★★★★
Se alguém hoje me pedisse um exemplo de jazz “moderno”, com o perdão das possíveis interpretações levianas que esse termo pode aventar, possivelmente eu citaria esse disco.
David Torn é um compositor, multi-instrumentista, produtor, cantor, escritor, guitarrista, assobiador e chupador de cana (olha a margem…) novaiorquino na ativa do mundo rock, jazz, avant-garde, new age, world, pop, etc desde os anos 80.
Trabalhou já com Leonard Bernstein, John Abercrombie, Jan Garbarek, David Bowie, KD Lang, Tori Amos, Tony Levin, Terry Bozzio, Don Cherry, Dave Douglas, Jeff Beck e mais uma porrada. Colaborou nas trilhas sonoras de Velvet Goldmine, The Big Lebowski, Traffic, entre outras tantas.
Suas técnicas de texturas sonoras na guitarra lembram, em alguns momentos, as atmosferas de Robert Fripp e, em outros, experimentalimos eletrônicos minimalistas como os artistas do selo alemão Raster-Noton.
O último disco que eu recordava ter escutado dele foi o GTR-OGLQ de 1998 com Vernon Reid e Elliot Sharp que, se por um lado trazia sonoridades singulares e elaboradas feitas apenas por guitarras, por outro dava uma excessiva importância para esse instrumento, característica que não me agrada tanto, apesar do seu evidente uso criativo.
Em Prezens (lançado pela ECM depois de 21 anos da sua última contribuição com o selo), Torn se junta com o saxofonista Tim Berne, o tecladista Craig Taborn e o baterista Tom Rainey para a produção de uma elaborada escultura sonora (na falta de expressão melhor) densa, quebrada, improvisada e atmosférica.
Com a presença evidente e ao mesmo tempo sutil de eletrônicos, misturados a um set “tradicional” de músicos de jazz, o que o disco mostra é um trabalho cooperativo desses músicos que já tantas vezes gravaram juntos, de uma qualidade absoluta.
Pra ouvir com muita atenção, de preferência com fones de ouvido.
Escute 4 faixas inteiras no Myspace
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★★★★½
Recentemente, por causa de um trabalho no qual estive enfurnado por meses, comentei com diferentes pessoas sobre o Uakti e qual foi a minha surpresa ao descobrir, quase 100% das vezes, que não se conhecia a música desse grupo mineiro.
Po, triste saber que um grupo de tamanha qualidade, criatividade e importância não foi assimiliado pelos seus conterrâneos. Me sinto na obrigação de falar dele neste espaço.
Uakti é uma oficina instrumental. Marco Antônio Guimarães, fundador, maestro e diretor artístico do grupo, começou em 1978 a criar seus próprios instrumentos, influenciado pelo seu mestre Smetak (o homem, o mito).
Vinte e nove anos depois, com 10 CDs lançados no Brasil e no exterior e tendo trabalhado com artistas como Philip Glass, Paul Simin, Milton Nascimento, Manhattan Transfer, Grupo Corpo, Naná Vasconcelos e muitos outros, o Uakti continua tendo um papel importantíssimo na música instrumental brasileira.
Aerofones, Electromecânicos, Idiofones, Membranofones e Cordofones: os instrumentos construídos com materiais do cotidiano como tubos de PVC, vidros, borracha, acrílico, água, panelas, latinhas, garrafões, adquirem uma sonoridade única e muito particular.

Escolher um disco pra destacar aqui é um desafio. Apesar de acreditar que a obra do grupo seja heterogênea e contenha alguns álbuns pouco inspirados (na minha opinião… veja só), existem ótimos discos - assinados tanto como Uakti como apenas pelo lider do grupo (Marco Antônio fez trilhas sonoras como Lavoura Arcaica e esta que deve ser lançada em breve, d’A Pedra do Reino).
Então segui meu coração: a música Arrumação é uma das suas mais perfeitas composições e gravações, daquelas de ouvir dezenas de vezes sem se cansar e ainda descobrir novos detalhes e nuances. Sua sensibilidade e delicadeza são absolutamente singulares. Tanto na performance quanto na criação musical.
Trilobita, o nome que o instrumento empresta ao disco, tem um som de destaque nessa faixa. Tocada com os dedos - quase como se fossem tablas - o Trilobita é formado por tambores que, por sua vez, nada mais são que tubos de PVC com pele de cabra esticada em uma das suas extremidades.
Seus shows são um capítulo à parte, já que neles temos a oportunidade de ver todas essas incríveis (e belas) criações instrumentais (Aqualung é uma das minhas prediletas: um filete d’água é que produz o som, amplificado por 2 tubos), além da performance dos excelentes músicos Paulo Santos, Artur Andrés e Décio Ramos.

música pra ouvir: Arrumação
Antonio Brandao Junior 16/05/2009 às 6:17 pm Oi Carlos, parabéns pela iniciativa. Vejo que você tem bom gosto musical. Também, como você, fico decepcionado com o fato de o trabalho do Uakti não ser tão conhecido no Brasil e principalmente em Minas. Talvez seja por causa da alienação cultural em que nosso povo está “doentemente” mergulhado. Desejo-lhe sucesso pelo espaço e que esse trabalho maravilhoso do Uakti, possa ser mais conhecido em nosso pais. Valeu, grande abraço.
Álvaro Manhães 25/11/2007 às 9:56 am Olá! Sou músico e professor e estou encantado com este trabalho. Por curiosidade comecei a utilizar experimentalmente seguindo uma publicação da revista nova escola e obtive um resultado fantastico. Gostaria de saber mais e ter acesso as variações por sobre idiofones e tudo que possível e de fácil implementação no trabalho de musicalização infantil. Trabalho atualmente com crianças de 9 a 16 anos do PETI (PROGRAMA DE ERRADICAÇÃO DO TRABALHO INFANTIL)de quissamã no RJ e procuro inserir junto a musicalização o senso de preservação e outros ganhos para humanidade. Desde ja agradeço qualquer colaboração no sentido de me fornecer mais informações e modelos de instrumentos para implantar no meu trabalho. E prometo dar os devidos créditos aos seus idealizadores. Muitíssimo obrigado.
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★★★★½
Legal o nome dessa banda, não? Costumam ser comparados com outra de nome curioso e triplo: Neutral Milk Hotel. Será? Num sei.
Os canadenses do Rock Plaza Central formam um septeto. Po, gente pacas pra fazer um rock/folk? Será? Num sei.
Só sei de uma coisa: que puta disco!
A capa já me lembrou o trabalho do Cisma, o que de prima me fez ir com a cara da banda. Mas esse blog não é sobre design então, passemos direto ao que interessa: o som.
Sim, é compreensível serem comparados ao Neutral Milk Hotel e Will Oldham (Palace) mas, pessoalmente, curti mais o trabalho desses caras. Eles me soam menos melancólicos que os outros 2 artistas. Lembram também os ótimos Mountain Goats, Songs:Ohia e Magnolia Electric Co.
A voz de Chris Eaton, que explora seus maneirismos a seu favor, adiciona uma personalidade absurda ao trabalho do grupo, assumindo fortes referências gospel, folk e country. Os violinos e metais (trombone e trompetes) que o acompanham muitas vezes trazem um ar meio “fanfarra” ao mesmo tempo que colorem e texturizam as composições de Eaton - que por todo disco falam de cavalos mecânicos programados para pensar como cavalos reais. Os violões, tão típicos do gênero, acabam tendo uma importância reduzida, apesar de estarem sempre presentes.
Cello, piano, banjo, mandolim, acordeon e percussão completam a instrumentação, que abusa de dinâmicas e soa de maneira absolutamente orgânica… chegando a parecer, em alguns momentos, quase como uma orquestra bêbada.
A tornado of violins, horns and whisky - disse a Eye Magazine. Então, me dá mais uma dose… cowboy, claro :P
música pra ouvir: I Am An Excellent Steel Horse
Marck 18/04/2007 às 11:51 am Puta som cara, essa levada Folk/Country beabaço me agrada muito. Alias, podia colocar algo do Rodriguez. Beijundas
riga 08/04/2007 às 9:56 pm howdy ho! ducarai Bob!
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★★★★★
Finalmente.
Quem me conhece sabe o quanto eu curto o trabalho do John Zorn. E quando eu falo “curto”, não é força de expressão… o figura tem uma discografia realmente extensa, com 4 a 8 lançamentos por ano desde 1980 - e eu acompanho cada lançamento desde que conheci o seu trabalho, em 1991.
O nome deste blog, inclusive, cita o título de um dos discos do cara (Aporias: Requia for Piano & Orchestra), de 1998.
Eu vinha evitando falar dele aqui por algumas razões. Primeiro porque seria previsível. Segundo porque eu não conseguia decidir qual disco escolher. Terceiro porque eu tava esperando uma oportunidade como esta - um disco novo de composições inéditas. Mas tinha que ser foda.
Este é.
Ano passado, Zorn juntou Mike Patton (Fantômas, Mr. Bungle, Tomahawk, etc), Trevor Dunn (Mr. Bungle, Secret Chiefs 3, Trevor Dunn’s Trio-Convulsant, etc) e Joey Baron (Naked City, Masada, Dave Douglas, Paul Motian, etc) e compôs 2 discos “hardcore song cycle scored for” voz, baixo e bateria: Moonchild e Astronome.
O primeiro é ok, mas nada muito especial. O segundo já deu pra tirar o chapéu - opinião que, vinda de um fã, não quer dizer muita coisa :P - e quase entrou entre Os Melhores do Ano deste blog.
Aí veio o Six Litanies for Heliogabalus. Nesta continuação de Moonchild/Astronome, Zorn chamou mais gente pra colaborar. Se liga: Ikue Mori (eletrônicos), Jamie Saft (órgão) e o trio de vozes femininas formado por Martha Cluver, Abby Fischer e Kirsten Soller além do próprio compositor com seu instrumento oficial, o sax alto.
Que disco! Beleza, sei que é suspeito… mas que disco! :D
É o primeiro graaaande disco de Zorn, na minha opinião (tirando os da série Film Works e Masada), desde Xu Feng de 2000 e do projeto colaborativo The Stone: Issue One de 2005 que, por coincidência, também trazia Mike Patton entre os integrantes - além de Dave Douglas, Bill Laswell, Rob Burger e Ben Perowsky.
Assim como os outros dois discos “primos”, Six Litanies for Heliogabalus mostra uma complexa e intrincada mistura de música clássica moderna, metal, hardcore, jazz, música medieval além de sacadas de bom humor e algumas diarréias.
Numa espécie de improviso espontâneo organizado (Zorn é bom nisso, tendo desenvolvido estudos e técnicas apuradas e precisas para orquestrar o caos - os discos da série Cobra são bons exemplos disso), a música tem inspiração nos “excessos decadentes do imperador/criança-deus que fez Calígula e Nero parecerem seres humanos razoáveis - assassinando em jantares seus convidados em chuvas de pétalas de rosas perfumadas”.
As possibilidades são infinitas com esse grupo de integrantes que, pra melhorar a coisa, já trabalharam inúmeras vezes juntos em outros projetos, o que certamente trás uma intimidade ao tocar. Nesgas de Mr. Bungle, Naked City, Fantômas e Electric Masada passam pela mente ao escutar o álbum mas, apesar disso, ele não soa como nenhum desses projetos.
As seis composições tem climas e intensidades diferentes sendo o solo de voz de 8 minutos um dos destaques. Impressionante como Patton desenvolveu sua técnica de improviso vocal, não deixando nada a dever aos mestres japoneses como Yamantaka Eye.
Litany II tem uma condução mais jazz, com boa participação de Jamie Saft, e possivelmente é a que mais lembra o velho e bom Naked City.
O trio feminino faz um papel incrível no meio do desencontro cru e distorcido dos outros instrumentos - em especial na faixa Litany III de 10 minutos e meio sem repetição de um único compasso.
Praticamente um disco erudito contemporâneo tocado por uma banda de rock.
Candidato a disco do ano - enter. :)
Site do selo Tzadik de John Zorn.
Mais sobre Zorn no Wikipedia.
música pra ouvir: Litany I
O místico velhinho do Nepal 31/05/2007 às 4:54 am Caralho… Esse disco é genial, no nível do Astronome e superior ao Moonchild. John Zorn é, sem dúvidas, o melhor compositor do século 21.
Fábio A. 24/05/2007 às 1:00 pm Sem sombra de dúvidas este é mais um disco hiper criativo do Zorn e sua turma! Nota 11 pro Patton!
gustavo 25/04/2007 às 5:05 pm muito foda,absurdo esse album ,fora ,nãosei direito se é um album dele ou alguma participação que tem , fred frith , zeena parkins e john zorn, que uma viagem tbm muito bom.
Fabiano 18/04/2007 às 9:31 pm Realmente esse disco é bompra dedéu. Sou como vc um fã d Zorn e sua turma. Se faltar algo especial em sua discografia posso te ajudar. Abrç
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★★★★½
Uma coisa que sempre gostei é de ouvir trilhas sonoras, independentemente se já vi ou não o filme. Não é incomum eu ir assistir a um lançamento no cinema cuja trilha eu já conheça. Acho que uma boa trilha sobrevive sem as imagens.
Dos exemplos mais recentes, mais precisamente o último que me lembro, não é de filme e sim de série. Muito tem se falado de Lost por aí mas são raros os comentários sobre sua trilha.
Michael Giacchino é relativamente “novo” no meio. Mas já chegou chegando. Fez a trilha da série Alias, Secret Weapons Over Normandy e, logo após o estouro de Lost, a de Missão Impossível 3 (cujo diretor - coincidência? - é o mesmo de Lost e Alias). Também fez a trilha dos desenho da Pixar: o longa Os Incríveis e o curta One Man Band.
As composições são muito boas mas o que se destaca de cara nessa trilha de Lost é a textura sonora. Ao invés de só usar instrumentos tradicionais de orquestra, Giacchino foi lá no set de filmagemm catou uns pedaços de fuselagem de avião, metais, restos de cenário e otras cositas más e os usou na instrumentação.
O resultado é um som mais orgânico, um pouco menos “erudito”, embora muito mais “cinematográfico” que a maioria das trilhas de TV, e com uma ligação conceitual muito forte com a história da série.
Esparso, spooky, emocional e vívido, o disco trás composições com forte presença de percussão, enfatizando a tensão vivida pelo grupo de sobreviventes do acidente aéreo. Momentos mais emocionais (Win One For The Reaper e We’re Friends) ou mais ritualísticos (Navel Gazing) não comprometem a trilha - pelo contrário - adicionam um respiro à forte tensão predominante do álbum.
O tema de abertura já está entre os clássicos das trilhas sonoras, apesar de seus 16 segundos de duração, justamente pela simplicidade e personalidade da composição.
Comparações com Bernard Herrmann (Psicose, Cape Fear, Taxi Driver, O Dia Que a Terra Parou) e Danny Elfman (Darkman, The Frighteners, Nightbreed) são inevitáveis mas… porra, acho isso um elogio, não? :)
música pra ouvir: Run Like, Um… Hell?
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★★★½
Billy Martin é o homem da bateria e percussão do trio jazz-funk Medesky Martin & Wood. Antes de fazer parte do trio, Martin tocou com muita gente boa como Lounge Lizards and with the John Lurie National Orchestra, Chuck Mangione, John Zorn, Bob Moses, DJ Logic, and Miho Hatori.
Este disco, lançado ano passado, traz justamente o que você não espera de um percussionista funk/jazz: composições modernas orquestrais, chamber music. Gravado originalmente com vários instrumentos africanos de percussão tonal (mbira, kalimba, lamellophone, etc), foi todo rearranjado e conduzido por Mr. Avant-Garde Anthony Coleman para quarteto de cordas e orquestra de câmara. A percussão, elaborada, é mais tímida ou quase inexistente em alguns casos.
Belo disco, revelando um lado que pouca gente conhece do músico.
música pra ouvir: Starlings 1

★★★★★
Esse rápido texto é mais uma declaração de amor que propriamente um post. Tindersticks é um petardo. Absurdamente melancólico, composições belíssimas, arranjos elaborados a ponto de os chamarem de “chamber pop”. Se tem um som que não canso de ouvir nunca é o romantismo dark à la Leonard Cohen desses ingleses.
Aproveito pra perguntar: e aí, tem jeito? A banda lançou um disco em 2003 e nunca mais, fora o solo do vocalista Stuart Staples. O site oficial diz que tem um disco no forno pra sair.
Rodrigo Sommer 21/03/2007 às 4:44 pm Já ouviu o disco infantil organizado pelo Stuart Staples? Discão esse aí, mas ainda sou mais o primeiro. Abraço.
resistro® 13/03/2007 às 3:19 pm Salve! Esse é um dos meus discos prediletos de todos os tempos. Curiosidade: uma vez, assistindo a série Sopranos, o anti-herói Tony vivia uma fase de profunda depressão, na cama, tomando remédios etc. Tem uma tomada sensacional dele olhando as paredes da casa com uma música de Leonard Cohen e depois Tindersticks! Quase chorei! ) Abs!
4 reproduções
★★★★½
Assumo que música clássica antiga (pré-século XX) não é o meu forte. Sempre fui mais pro Schoenberg que pro Mozart. Mas não há como negar a genialidade, criatividade e importância do [considerado por muitos] maior compositor ocidental de todos os tempos, Sr. Johann Sebastian Bach.
Não, meu caro amigo hair metal, eu não estou falando do vocalista do Skid Row. É o tiozinho nascido em 1685 que mandou ver no barroco e neo-clássico.
Uri Caine é um pianista americano, nascido na Filadélfia em 1956, super eclético: toca de Mahler a bebop, de post-bop a experimental, de Thelonious Monk a bossa nova. Esteve no Brasil há uns 4 anos, tocando na banda do trompetista “modern creative” Dave Douglas.
No final dos anos 90 ele começou a fazer interpretações magníficas e modernas (mais pro jazz / avant-garde que pro erudito) de compositores como Mahler (“Urlicht / Primal Light”). E aí que o cara mostrou a que veio.
Segundo o próprio Uri Caine, “The Goldberg Variations é o símbolo da diversidade de Bach”. A diversidade que era possível na época, com a tecnologia e criatividade do século XVII~XVIII.
O que Caine fez foi transformar isso num disco erudito (e também pop) contemporâneo: rock, dub, electro, modern jazz, free jazz, improviso, ragtime, blues, música de video game, medieval, avant-garde, atonalismo, valsa, música de natal (!), soul, tango, mambo, gospel, bebop, experimental, drum & bass, samba, klezmer, corais, bossa nova, poemas, colagens, ambiências, quarteto de cordas, orquestra e… uhmmm… Bach!
Interpretações inspiradas em outros músicos eruditos clássicos como Vivaldi, Verdi ou mais modernos como Rachmaninov ou Philip Glass também rolam.
Mas nada disso soa caricato ou nonsense. Muito pelo contrário, parece que tudo faz sentido.
Talvez se Bach vivesse nos dias de hoje, com as tecnologias disponíveis agora, ele fizesse um disco assim.
As 30 variações originais viraram 72. A maior parte das faixas varia entre 30 segundos e 3 minutos neste álbum duplo lançado pela gravadora alemã Winter & Winter, com suas tradicionais embalagens de CD (seus discos vêm sempre numa espécie de híbrido de caixa de CD com caixa de madeira, num acabamento diferenciado - muito legal).
Achei sensacional.
Goste ou não de música clássica, recomendo uma audição completa.
Amantes puristas de música clássica, por favor, passem longe!