Postagens com o marcador college

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Satellite Party: Ultra Payloaded, 2007

★★★★

Depois do chatíssimo Porno For Pyros e do solo Song Yet to Be Sung, eu já não tava botando muita fé no que viria por aí, sob a batuta do criador do Lollapalooza e festeiro profissional Mr. Perry Farrell.

Mas algo lá no fundo (principalmente minha paixão por sua primeira banda, Jane’s Addiction) me dizia que eu deveria ter esperanças, apesar da participação de nomes como Nuno Bittencourt (Extreme!!?! argh!), Fergie (Black Eyed Peas), Flea e John Frusciante (Red Hot Shitty Peppers) no primeiro disco do Satellite Party - um album conceitual de rock/pop sobre o aquecimento global (!).

Nada ainda que se compare com os Addiction, mas valeu. Farrell está cantando de maneira bem mais eclética - o que é bom, já que eu sempre achei ele um pouco repetitivo tecnicamente falando.

Disco legal, leve, gostoso de escutar… mas com um imperecível gosto de anos 90 - que não chega a prejudicar, mas também não ajuda muito :P

PS: quando o Flea vai se aposentar? mano… triste! :(

Satellite Party oficial

Jane’s Addiction MySpace

música pra ouvir: Wish Upon A Dog Star

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Marck 13/07/2007 às 12:19 pm Concordo, Porno For Pyros era de dormir. TInha lido um pouco sobre o Satellite Party na RS, não fiquei decepcionado com o que ouvi, mandou bem. Só essa capa meio sei lá o que q não pegou. :/

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7 reproduções

Wire: Pink Flag, 1977

★★★★

Curioso como, por mais que o tempo passe, alguns discos permanecem absolutamente atuais. Parecem ter sido feitos ontem. E, quando se fala de punk/post-punk, é ainda mais difícil encontrar exemplos.

O punk, pouco tempo após sua criação, virou uma caricatura de si mesmo. Raras foram as bandas que conseguiram inovar, tanto no som quanto no discurso. The Clash certamente foi uma delas - apesar do último disco da carreira, quando Joe Strummer e Paul Simonon demitiram Mick Jones e gravaram um disco que pregava a volta às origens punks, em pleno 1985, resultando num disco quase ridículo, pra ser leve na crítica.

Mas essa é outra história. O papo aqui é sobre outros caras, o Wire.

Assim como o Clash, Wire surgiu na explosão punk britânica mas, categorizá-los como pertencentes ao estilo é simplificar demais a carreira da banda. Eles sempre evitaram seguir fórmulas prontas, principalmente a punk.

Poucas músicas deste álbum têm o esquema pop verso-refrão-verso-refrão. Várias tem menos de 2 minutos. Exploram a idéia e partem pra próxima música. Se alguma letra não precisa ser repetida, não se repete. Simples assim.

E, talvez por essas, e outras tantas características, essa banda tenha discos tão interessantes.

“Pink Flag” é o primeiro deles. 1977.

Ouça “Feeling Called Love” e entenda a influência da banda no som do R.E.M.

Ouça “Lowdown” e você poderá lembrar de King Missile e outros alternativos dos 90’s.

Ouça “Three Girl Rhumba” e você verá da onde o Elastica tirou seu maior hit.

Ouça “Champs” e você vislumbrará uma possível origem pro new wave dos anos 80.

Ouça “Pink Flag” e lembre até de Motorhead.

Ouça “Strange” e pense em bandas stoner como Queens of the Stone Age.

Ouça o disco todo e esqueça toda essa nova leva de bandas de hard rock requentado como Killers e Wolfmother.

Digo isso não pra tentar provar que Wire é melhor (ou pior) que alguma outra banda citada acima porque, afinal, isso é questão de gosto. Mas é impressionante ouvir um disco como este, analisando historicamente o momento que ele foi lançado e o que o rock/pop virou nos anos 80 e o que algumas bandas - novas ou velhas - fazem até hoje.

E este foi apenas o primeiro álbum. Muita coisa nova, muita reinvenção e, por que não dizer, evolução do próprio som aconteceu depois dele. Pena que pouco se fala da banda hoje em dia.

Rock de prima. Básico e forte, que se mantém atual.

E muito bom, na minha opinião :P

música pra ouvir: Lowdown

comentários originais

Fernando 03/05/2008: Podes crer o álbum pink flag é muito bom, é impressionante mas eu não consigo parar de ouvir é do caralho

Julio 13/11/2008: Wire é a minha banda favorita desde que era piá incrível como seguem praticamente desconhecidos no Brasil

Roger Farias 12/07/2009: cara essa banda é foda bichin, eu conheci ela há umas duas semanas por meio de uma entrevista do elastica que vi na net e escutei, e muito obrigado eu descobri muito sobre eles agora obrigado mesmo

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4 reproduções

Violent Femmes: Hallowed Ground, 1985

por Roger Marmo

★★★★

O segundo disco do Violent Femmes pode ser incluído no time dos “segundos discos que afugentaram a maioria dos fãs”, juntamente com… bem, não me lembro de nenhum outro agora, mas vou tentar explicar o que isso quer dizer…

O primeiro álbum, homônimo, de 1982, levou os Femmes se não ao superestrelato, pelo menos ao status de ídolos indie, numa época em que essa denominação provavelmente ainda não existia. Principalmente em meio ao público universitário, lançando as bases, juntamente com outros grupos iniciantes como o R.E.M., do que acabou se convencionando chamar, de maneira bem vaga, de “college rock”.

Esse apelo se devia em grande parte às letras do cantor e guitarrista Gordon Gano, repletas de angústia pós-adolescente e frustração sexual, algo ainda incomum em uma época e lugar onde o vagalhão punk tinha chegado com pouca força após atravessar o Atlântico, e os sobreviventes do hard-rock setentista ainda reinavam.

O que “Hallowed Ground” entregou aos que esperavam mais um hit como “Blister in the Sun” foi o outro lado de Gordon Gano: o cristão devoto. Mas isso não quer dizer que o cara que antes cantava “why can’t I get just one fuck?” de repente apareceu de bem com a vida após ter encontrado Jesus. O tipo de fé que Gano professava era de uma cepa mais conflituosa e desesperada, repleta de culpa e paranóia, talvez resultante do fato dele ser filho de um pastor Batista.

Teologica e filosoficamente falando esse não é exatamente um jeito muito agradável de se levar a vida, mas pelo menos musicalmente esse tipo de espirituosidade costuma gerar resultados bem mais interessantes do que qualquer bandinha gospel, dando origem a uma linhagem musical chamada às vezes de “American Gothic”, às vezes de “Southern Gothic”, que se estende desde Johnny Cash até grupos atuais como Sixteen Horsepower, passando por este álbum.

A faixa de abertura já resume o disco apenas com o título: “Country Death Song”, que narra a história de um sujeito que decide que a única saída para a situação desesperada em que sua família se encontra é levar as filhas até uma caverna e atirá-las em um poço sem fundo, lembrando-as antes de que “good children go to heaven”.

As músicas que se seguem dão continuidade ao clima sombrio, como “Never Tell”, e incluem até mesmo hinos de louvor sem um pingo de ironia, como “Jesus Walking On The Water”, o que deixou a crítica da época desnorteada a ponto de classificar a banda como “Contemporary Christian”. Uma faixa como “Sweet Misery Blues” até remete ao Violent Femmes do primeiro disco, com sua narrativa de paixão não-correspondida, mas dessa vez o narrador está mais próximo de um “stalker” obcecado, enquanto um clarinete choroso manda a música direto de volta pra década de 1930.

De modo geral a instrumentação de “Hallowed Ground” ainda se baseia em instrumentos acústicos, principalmente no baixo desenfreado de Brian Ritchie, mas expandindo um pouco mais os arranjos, incluindo de rabecas até “jaw-harps”, e até uma seção de metais que conta com a participação de ninguém menos que John Zorn, com seus inconfundíveis sax e apitos pra chamar patos.

Os discos seguintes do Violent Femmes melhoraram um pouco de humor, mas nenhum deles, na minha opinião, se aproxima do brilhantismo da dobradinha “Violent Femmes”/”Hallowed Ground”, excetuando uma ou outra música (como a inesquecível “I Held Her In My Arms”, do álbum “The Blind Leading the Naked”). Infelizmente.

Ah, e se alguém se lembrar de algum outro exemplo de “segundo disco que afugentou os fãs do primeiro”, favor deixar sua contribuição nos comentários…

música pra ouvir: Country Death Song

comentários originais

Richarley Menescal 23/09/2006: Ae Bela, curti o blog! RSS do blog já devidamente adicionado aqui pra eu ficar acompanhando! Valeu!

val bonna 25/09/2006: o segundo disco do Blind Melon é um bom companheiro dessa lista. eu adoro!

Luis Nunes : Pô, temos um belo exemplo em terras nacionais… Los Hermanos com o Bloco do Eu Sozinho. Abraço e parabéns, ta muito show o blog…

Will : Ao menos nos EUA, o seguno do Weezer, Pinkerton, afugentou os fãs. O mesmo aconteceu com Seven More Minutos, do Rentals. E temo que o segundo da Wonkavision possa causar o mesmo nos fãs mais xiitas.