10 reproduções
★★★½
Tremendo mau humor? Puto(a)? Chateado(a)? Triste? Seu papagaio de estimação se matou?
Não tema!
Musique Idiote é uma gabola homenagem aos temas previsíveis e estólidos, criados eletronicamente pelo compositor francês de trilhas sonoras Roger Roger, também conhecido como Cecil Leuter.
São 16 temas simples e pacóvios, tocados em moog, que exploram linhas… ermm… idiotas.
E, bem, eu me sinto um idiota tentando descrever algo tão básico e bolônio. E jocoso. Quiçá basbaque.
Então, ouça o asonsado exemplo abaixo. Dá pra achar esse disco e outros do cara numa procura rápida no Google. Vale a pena, nem que seja pra matar sua curiosidade marota. Ou pra divertir uma criança. Ou um cachorro. Ou um papagaio suicida.
música pra ouvir: Duetto
André Ganzelevitch 14/10/2008 às 9:31 am Sobre sua descrição da “musique idiote” dei muitas risadas. Concordo que se trata de sum bolônio, pacóvio, jocoso e basbaque. Quem sabe acrescentariamos, além disso tudo, outros adjetivos classificatórios como parvo, estulto, néscio, energúmeno, tolo, lerdo, leso e palerma.
Roger Marmo 02/09/2008 às 1:46 am Eu juro que não tenho nada a ver com esse disco. Se bem que eu até que gostaria…
Lulu 01/09/2008 às 11:55 am Omessa!
10 reproduções
★★★★★
Seis audições depois e cada vez isso fica mais interessante. Compositor, arranjador e multi-instrumentista israelense, vivendo atualmente no Reino Unido, Koby Israelite é daqueles caras que gostam de surpreender o ouvinte, misturando diferentes tipos de estilos e gêneros musicais no mesmo álbum.
Tudo com uma aura klezmer, esse estilo de música não-liturgica judaica com forte influência cigana que anda sendo constantemente reinterpretado e traduzido há algum tempo pela moçada tocadora de jazz, rock e avant-garde da baixa Nova Iorque, como Don Byron, Davka, Jamie Saft, Medeski, Martin & Wood, John Zorn, etc.
Israelite tem lançados 5 discos, sendo 2 de interpretações de outros músicos, como é o caso do Orobas: Book Of Angels Vol. 4, escolhido por este blog como um dos melhores de 2006. Dos 3 restantes, acredito que Dance Of The Idiots seja o seu melhor trabalho.
O álbum é uma verdadeira viagem de explorações e possibilidades de klezmer, feita por um músico eclético e pesquisador, numa forma contemporânea e inspirada. Rock, cigano, clássico, balkan, metal, cantos litúrgicos, jazz, árabe - estilos esmagados e processados de maneira absolutamente inspirada. “Cantorial Death Metal, Nino Rota Klezmer, Balkan Surf, Catskills free improvisation” - diz o press release do álbum.
Fora convidados pros vocais, guitarras, violinos, didgeridoo, sax, trompete, trombone, baixos, etc, Koby manda ver na flauta, vocais, acordeon, clarinete, piano, teclados, bateria, percussão e programação.
O disco começa tranquilo e um tanto dançante com a excelente Saints And Dates, com percussão com cara de anos 20 e tema leve, quase no estilo André Popp. Em Toledo Five Four a viagem pula pro Oriente Médio, com algumas doses de improviso. A pesada If That Makes Any Sense mistura cantos religiosos com metal - que me faz pensar como nenhum Praxis pensou nisso antes. A belíssima e leve Battersea Blues já vai pra uma onda mais mística, com toques de guitarra que lembram Bill Frisell e um didgeridoo fantástico. I Used To Be Cool tem variações bruscas de condução, explorando melodias orientais e improviso. Pulamos pros balkans em In The Meantime e pra algo próximo aos Secret Chiefs 3 em Wanna Dance?. Finalmente a música título aparece, antes da última do álbum, numa forma alegre, bem-humorada e satírica (meio que desavisadamente você ouve claramente uma passagem rápida do tema dos Simpsons).
música pra ouvir: Toledo Five Four
fabio borissevitch 01/09/2007 às 2:45 am Esse disco é muito foda! Parabéns pelo blog. Já virei fã
5 reproduções
★★★½
Deixei um pouco os discos novos de lado, ando numas de escutar velhos discos que eu gosto (ou gostei) muito. Até por isso que ultimamente o blog anda devagar.
Peguei esse aqui pra escutar, depois de - sei lá - uns 6 ou 7 anos, esperando achar, nessa nova audição, que sua graça teria se esvaído com o tempo. Realmente ele soa um pouco “anos 90” demais, mas ainda tem um frescor considerável.
Titán é um trio mexicano formado por Julian Lede (guitarras, programação), Emilio Acevedo (programação e teclados) e Jay de la Cueva (baixo e teclados) que lançou esse disco em 99 e… boas. Nada mais vi deles, nada mais ouvi. Pelo que diz a wikipedia em espanhol, eles lançaram outro disco em 2005. O Myspace da banda confirma o fato com algumas faixas menos inspiradas.
Misturando muita música dos anos 70 com electro, dance, lounge, rock, funk, surf, disco e outros tantos estilos, o trio fabrica, na base da colagem-copy/paste-samples mixados com instrumentos “de verdade”, um disco dançante, bem-humorado e eclético.
Um bom exemplo é a música deste post, com nome de clássico do metal (C’mon Feel The Noise) a música é recheada de samples do tema do seriado 70’s Starsky and Hutch.
Fun, fun, fun.
PS: Não confundir essa banda com a Titan americana, stoner, muito legal por sinal :)
Site do selo atual da banda
música pra ouvir: C’mon Feel The Noise
Richarley Menescal 25/08/2007 às 5:35 pm Curti! Essa música é muito bacana… e realmente bem mais inspirada do que os sons que tem no MySpace deles. To procurando esse disco na net
6 reproduções
★★★★★
Engraçado como certas dicas caem do céu assim, sem você pedir. Um velho amigo de ondas cyber-fuckin’-internéticas, sem mais nem menos, me repassa uma mensagem vinda da lista de discussão que ele conduz há tempos, a Bungle Weird, da qual já fiz parte por alguns anos. Nela, um caritativo e civil ser comenta sobre esse disco do qual nunca ouvi falar.
Baixo o disco.
:-O
Corleone é um projeto “avant-garde sicilian jazz core” do italiano Roy Paci.
Paci lidera um octeto pop bem divertido chamado Roy Paci & Aretuska, que vai numa onda mais Mano Negra / patchanka, e tem lançados 3 LPs e outros 6 EPs e singles. Já participou de discos de uma baletada de artistas italianos cujos nomes não adianta nada eu escrever porque nem eu nem você conhecemos, mas eu vou dar um copy/paste mesmo assim pra causar uma boa impressão à esse texto: Pascal Comelade, Ivano Fossati, Piero Pelù, Samuele Bersani, Teresa De Sio, Subsonica, Tonino Carotone, Nicola Arigliano, Daniele Sepe, Luca Barbarossa, Vinicio Capossela, Macaco, Africa Unite, Persiana Jones, Radici nel cemento, Il parto delle nuvole pesanti, 99 Posse, Arpioni, Negrita, Jovanotti, etc. Foda né? :P
Antes de formar o Aretuska, o trompetista e flugelhornista tocava no Mau Mau, um grupo italiano pop de relativo sucesso nacional.
E porque eu tô contando tudo isso e onde o avant-garde entra nessa história? Bem, é justamente isso o mais curioso pra mim. Esses artistas todos aí em cima são de pop, rock, eletrônico, jazz tradicional, música italiana; a outra banda de Paci é rock/pop patchanka bem-feito. E, de repente, o cara comete um disco como este.
Wei Wu Wei é brilhante. Rola uma surpresa atrás da outra nesse disco de composições inéditas de Roy Paci (+ um cover da Come Live Your Life With Me) que trás um naipe eclético de músicos convidados. As faixas passeiam por incontáveis ambiências e referências. Só pra citar algumas: Nino Rota, Ornette Colleman, Miles Davis, ska, reggae, dub, klezmer, canto africano (uma faixa tem participação de Mohamed El Badaui), jazz tradicional, jazz experimental, electronica, trip-hop, trilhas de filmes italianos 60’s e 70’s, sapateado, tango, funk, Flat Earth Society, etc, etc. Acho que eu nunca usei tantas tags pra definir um disco como este aqui.
Algumas composições, em especial, lembram muito Zappa. A liberdade e o astral das músicas também me fizeram recordar de um dos melhores discos do John Zorn, aquele de interpretações de músicas do Ennio Morricone, The Big Gundown de 1985 - embora o do Zorn seja ainda mais eclético e variado (e experimental e caótico).
O álbum soa livre por todos aqueles estilos. É fresco e variado; excêntrico e belo na medida certa. E tem uma personalidade italiana embutida em todas as músicas. Curioso isso, porque eu não saberia expressar em palavras o que faz parecer tão “italiano” nesse contexto.
Valeu, Pablo Fernandez e Nelson Endebo, pela excelente dica.
música pra ouvir: Doverosi Sballi
Nelson Endebo 20/04/2007 às 9:30 am Ô Carlos, volta pra BungleWeird! Tá rolando um monte de música bacana por lá… Volta lá pra gente trocar idéia! abraço
3 reproduções
★★★★
Back to Basics. França, 1957.
Em plena era Space-age Pop, um sujeito, filho de tocador de órgão de igreja, pegou temas conhecidos da época como “La Paloma” e os levou pro estúdio. Com a ajuda do produtor Pierre Fatosme e de inúmeros tape-recorders (daqueles de rolo), gravou as linhas das músicas com instrumentos tradicionais. Então pegou essas fitas e começou a brincar: tocar de trás pra frente, acelerar, tocar duas fitas simultâneas com uma pequena diferença de tempo entre elas, desacelerar muito um trompete até parecer um baixo. Além de efeitos normais como eco, vozes duplas, inserções, montagens de fragmentos…
Até aí nada de mais se pensarmos na história da música erudita eletrônica… mas num disco pop?
André Popp criou um disco revolucionário em sua época. Alucinatório, foi, porque não dizer, um começo da era dos samples. Ouvir esse disco é uma experiência curiosa. Tudo soa divertido, extremamente bem-humorado e até, pros dias de hoje, um tanto naïf.
Mas, apesar do que foi escrito no começo do texto dar a entender o oposto, tudo foi planejado antes da gravação propriamente dita. Até que o disco não tivesse todo rascunhado pelo músico e pelo produtor Fatosme, Popp não gravou nada. A idéia era fugir dos “efeitos sonoros espaciais” tão comuns na época. É, antes de mais nada, um disco de música que, se ouvido sem muita atenção, quase não se nota o que ele tem de mais interessante: justamente a construção das músicas e sonoridades curiosas, devido às manipulações dos tapes.
Um recurso curioso usado pro André neste disco foi o seguinte: pegou uma determinada frase cantada e gravou. Tocou de trás pra frente e pediu pro cantor memorizar para, em seguida, gravar e tocar. Depois disso, finalmente, reverteu o som. O efeito foi único. Eu sei, meu caro amigo metaleiro, que aqueles cabeludos de voz fina fizeram isso na década de 80 mas, veja bem, estamos em 1957… seus ídolos do rock pauleira nem tinham nascido ainda!
Esse disco foi lançado originalmente, sabe-se lá Deus porque, sob o pseudônimo de “Elsa Popping and her Pixielanders” com a (ótima) capa abaixo:

Popp seguiu com seus experimentos com manipulação de tapes depois disso, além de fazer trilhas sonoras mais convencionais para filmes franceses… mas depois da “grande sacada”, todo o resto soou menos original, porém, com qualidade. Afinal, mesmo antes de ter a idéia de fazer o Delirium In Hi-Fi ele já era um bom e respeitado compositor.
Este álbum foi lançado em CD em 1996.
música pra ouvir: Perles De Cristal