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★★★½
Tremendo mau humor? Puto(a)? Chateado(a)? Triste? Seu papagaio de estimação se matou?
Não tema!
Musique Idiote é uma gabola homenagem aos temas previsíveis e estólidos, criados eletronicamente pelo compositor francês de trilhas sonoras Roger Roger, também conhecido como Cecil Leuter.
São 16 temas simples e pacóvios, tocados em moog, que exploram linhas… ermm… idiotas.
E, bem, eu me sinto um idiota tentando descrever algo tão básico e bolônio. E jocoso. Quiçá basbaque.
Então, ouça o asonsado exemplo abaixo. Dá pra achar esse disco e outros do cara numa procura rápida no Google. Vale a pena, nem que seja pra matar sua curiosidade marota. Ou pra divertir uma criança. Ou um cachorro. Ou um papagaio suicida.
música pra ouvir: Duetto
André Ganzelevitch 14/10/2008 às 9:31 am Sobre sua descrição da “musique idiote” dei muitas risadas. Concordo que se trata de sum bolônio, pacóvio, jocoso e basbaque. Quem sabe acrescentariamos, além disso tudo, outros adjetivos classificatórios como parvo, estulto, néscio, energúmeno, tolo, lerdo, leso e palerma.
Roger Marmo 02/09/2008 às 1:46 am Eu juro que não tenho nada a ver com esse disco. Se bem que eu até que gostaria…
Lulu 01/09/2008 às 11:55 am Omessa!
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★★★½
Na última semana, o lançamento do novo disco do Tomahawk teve uma repercussão interessante. Muita gente curtiu a idéia de pegar canções ancestrais dos índios americanos e transformá-las num rock fragmentado, outras acharam o disco soporífero.
Pessoalmente curti bastante o resultado… e comecei a pensar que outros projetos musicais tiveram semelhante postura, independente do resultado ter sido pior ou melhor que o supracitado. De cara me lembrei dessa banda da década de 60 que o Roger me apresentou em 1994-95: The Electric Prunes.
Aqui o tema é bem mais antigo que os índios: canto gregoriano. As músicas exploram o cantar típico monofônico dos monges, e os misturam com o rock psicodélico dos 60’s.
O quinteto, formado em 1965 em Los Angeles, havia lançado dois discos num garage rock bem comum na época. Nada muito novo até o Mass In F Minor sair pra assustar seus fãs e iniciar uma corrida travada até hoje pelos fanáticos por músicas “peculiares”.
Suas faixas foram arranjadas e conduzidas pelo músico erudito David Axelrod, interpretando uma missa e suas divisões (desculpe, os termos usados aqui podem estar imprecisos pois não manjo nada de missas): Kyrie, Gloria, Credo, Sanctus, Benedictus, Agnus Dei + 2 rockitos (Hey Mr. President e Flowing Smoothly) bem divertidos mas sem nenhuma relação com a “Mass”.
Durante a gravação do disco a banda brigou e ele acabou sendo concluído com a ajuda de músicos de estúdio e da banda canadense The Collectors. Ou seja, é “meio” um disco dos Prunes, meio do próprio compositor David Axelrod.
Após o completo fracasso de vendas desse disco e do único show feito, no qual a banda deixou claro que não conseguiria tocar as composições de Axelrod, o quarto disco foi gravado com um grupo de músicos completamente diferente e cuja capa constava a chamada the new improved Electric Prunes. Bizarro? Magina…
Apesar do fracasso da época, as missas psicodélicas desse disco viraram um cult e a Kyrie Eleison foi usada na trilha sonora do Easy Rider de Dennis Hopper, 1969. E a banda acabou voltando no final dos anos 90 com 3 integrantes da formação original, gravando 2 discos e 1 DVD. Mas nada de missa, nem em sonho…
Só me toquei agora que, por pura coincidência, comento sobre um disco “religioso” em plena visita do Seu Bento 16. Que coisa… Se alguém por aqui lembrar de outros projetos que reinventam músicas antigas, por favor, comente!
Amém! :)
música pra ouvir: Kyrie Eleison
Nelson Endebo 10/05/2007 às 3:30 pm Esse tema é excelente, me fez tirar o pó de muita coisa! Não consigo me lembrar de muitos álbuns que tenham “reinventado” músicas ancestrais, mas achei algumas coisas interessantes: 1. O último álbum de Bruce Springsteen, “We Shall Overcome”, é feito de versões do compositor Pete Seeger. A faixa “O Mary Don’t You Weep”, entretanto, nada mais é do que uma das mais antigas canções gospel do cancioneiro americano. Eu tenho um compacto de um certo Colored Quartet que data da década de 1910 e esta faixa está lá, com o nome de “Pharaoh’s Army got Drowned”… ou seja, uma canção religiosa, cuja melodia possivelmente vem de cantos ritualísticos de algum lugar da África. 2. John Zorn gravou o “Kol Nidre”, composição litúrgica judaica que era raramente executada por um quarteto de cordas; James Joyce a descreve no “Ulisses” como um canto. 3. As Irlandesas do The Corrs fizeram um ótimo disco em 2005, propositadamente chamado “Home”, feito em sua maioria de canções folclóricas irlandesas, incluindo duas baladas celtas cantadas no gaélico irlandês. 4. O disco do Marc Ribot em homenagem ao músico haitiano Frantz Casseus é, apesar de não tratar exatamente de composições “da terra”, não deixa de ser uma releitura apaixonada de um compositor que praticamente inventou sozinho um estilo musical baseado no Haiti. 5. O compositor libanês Bechara El-Khoury, principalmente na coleção “Orchestral Works”, parte do romantismo francês, passa por mestres modernos como Messiaen e Boulez e acaba “orientalizando” a tradição européia, uma vez que seus motivos são claramente inspirados na tradição árabe, parecida com a judaica em muitos aspectos. 6. Os suíços do Young Gods já reviveram a música de Kurt Weill, um dos formadores da consciência americana. Globalização é foda. 7. Boa parte do catálogo da Tzadik parte da tradição judaica, seja ela Azkenazi ou Sefaradi. Cracow Klezmer Band, Davka, Anthony Coleman e o próprio John Zorn (Masada, Bar Kokhba, Kristallnacht, todos esses nomes se relacionam diretamente à memória judaica) são bons exemplos disso. Bem, apesar de ter fugido um pouco do tema, taí a minha contribuição.
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★★★★½
Não, apesar do nome, essa banda não é formada por transexuais. Ao menos isso não foi revelado ao público… ainda. Aliás, não consegui descobrir nada a respeito da origem desse nome. Mas isso não vem ao caso.
eX-Girl é um grupo japonês formado por três… err… garotas: Kirilo (baixo e synth), Keikos (guitarra) e Yoko (bateria). Todas cantam. Juntas, num esquema meio ópera meio música japa. Elas vieram de um planeta chamado Kero Kero (não conheço lá, se alguém aqui tiver vindo de lá, mande algumas fotos!).
Apesar da clara influência do New Wave, o trio faz um som sem similares, incorporando um pouco de eletrônica, punk, noise e psicodelismo ao rock/pop. Não é pra tocar em rádio, mas dá pra cantar junto fááácil.
Aliás, falando em rádio, ouvi pela primeira vez o som delas (assim como de outras tantas bandas legais como The Fabrications, Degenerate Art Ensemble, Marcelo Radulovich, The Creeping Candies, Lothar and the Hand People, etc) no podcast da MusicNerve.
Recomendo!
Assim como o som das mina.
涼しい
música pra ouvir: e-sa-ya
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★★★★½
Pegue uma garota meiga de ascendência oriental. Adicione pitadas adicionais de fofura tipo Hello Kitty e Minnie Mouse. Ensine a ela instrumentos como cítara elétrica, pianos de brinquedo, acordeons de plástico, theremin e ukelele.
Agora dê a ela uma bexiga de hélio e peça pra ingerir o gás e cantar. Bata no liquidificador influências ecléticas e desconjuntadas, um pouco de Hawaii, Bollywood, psicodelismo, valsa e algumas coisas estranhas e obscuras que nem nome têm.
Aqueça tudo em fogo brando (para misturar melhor), chame Les Claypool pra produzir o álbum e tocar instrumentos.
Servir imediatamente.
Já aviso: ouça primeiro aqui uma música, porque a voz da Gabby La La é do esquema “ame-ou-odeie” de tão peculiar.
Se você gostou, continuemos com adjetivos: excêntrico, curioso, peculiar, idiossincrático, bem-humorado, lépido, leve, colorido, descompromissado, intrigante, bizarro e patusco.
É pop e estranho ao mesmo tempo.
Pelas definições acima, dá pra perceber que eu ainda não consegui descrever bem o que ela faz. Só sei que esse disco é muito divertido.
Gabby é uma multi-instrumentista de estilo singular. Começou a tocar piano aos 5 anos de idade, passou pra guitarra aos 12, cítara aos 13 com o mestre Ali Akbar Khan (famoso e premiado músico indiano, cunhado de Ravi Shankar, participou do clássico Concert for Bangladesh de George Harrison e ensina cítara nos EUA desde 1965, tendo criado uma escola de música em Berkley) e, aos 15, ao ver um show do Primus (do próprio Les Claypool), decidiu levar a música à sério.
Depois de colaborar timidamente com 2 projetos de Claypool, Be Careful What You Wish For foi lançado pelo seu selo Prawn Song e trás, fora um cover de Roy Orbison, apenas músicas compostas por La La.
Certamente não é um disco para qualquer um mas, se você gostou da faixa aqui, já é meio caminho andado.
Ótimo álbum pra se escutar naqueles dias de mal-humor :P
música pra ouvir: Be Careful What You Wish For ‘Cause It Might Come True
Luiza R. 20/02/2007 às 11:18 am Para começo de conversa: adorei. Mas de certa forma, eu sou apaixonada pelas Petty Bookas e pela Joanna, então no meio da coisa virou uma mistura, mas eu achei divertidíssimo. baixarei.
Carlos Bêla 01/02/2007 às 8:00 pm hahahah fala foncati não consegui achar informação que confirmasse a presença do Larry LaLonde, vc achou? só pra clarificar… o figura vestido de galinha que aparece em algumas fotos com ela é o próprio Les Claypool. Buckethead usa uma máscara branca e um balde do KFC na cabeça resumindo: gente muito normal…
Foncati 01/02/2007 às 7:23 pm totalmente passado. Mr. Buckethead.
Foncati 01/02/2007 às 7:17 pm esquece. o Sr. Frango Frito Na Cabeça é Les Claypool mesmo
Foncati 01/02/2007 às 6:53 pm viciei na japa! acho que o Larry LaLonde participa tb. inclusive, no site dela tem uma foto com o figura vestido num personagem que ele costuma apresentar (não sei o nome), com uma embalagem de frango frito na cabeça e uma máscara. no MySpace dela tem um vídeo que rola Pump Up The Jam de improviso imprevísível no meio de um solo de cítara. essa não é daqui, nem de longe.
val bonna 30/01/2007 às 6:23 pm esse disco eu ouvi na época do lançamento. deveras curioso, vou dar uma reouvida!
3 reproduções
★★★★
Back to Basics. França, 1957.
Em plena era Space-age Pop, um sujeito, filho de tocador de órgão de igreja, pegou temas conhecidos da época como “La Paloma” e os levou pro estúdio. Com a ajuda do produtor Pierre Fatosme e de inúmeros tape-recorders (daqueles de rolo), gravou as linhas das músicas com instrumentos tradicionais. Então pegou essas fitas e começou a brincar: tocar de trás pra frente, acelerar, tocar duas fitas simultâneas com uma pequena diferença de tempo entre elas, desacelerar muito um trompete até parecer um baixo. Além de efeitos normais como eco, vozes duplas, inserções, montagens de fragmentos…
Até aí nada de mais se pensarmos na história da música erudita eletrônica… mas num disco pop?
André Popp criou um disco revolucionário em sua época. Alucinatório, foi, porque não dizer, um começo da era dos samples. Ouvir esse disco é uma experiência curiosa. Tudo soa divertido, extremamente bem-humorado e até, pros dias de hoje, um tanto naïf.
Mas, apesar do que foi escrito no começo do texto dar a entender o oposto, tudo foi planejado antes da gravação propriamente dita. Até que o disco não tivesse todo rascunhado pelo músico e pelo produtor Fatosme, Popp não gravou nada. A idéia era fugir dos “efeitos sonoros espaciais” tão comuns na época. É, antes de mais nada, um disco de música que, se ouvido sem muita atenção, quase não se nota o que ele tem de mais interessante: justamente a construção das músicas e sonoridades curiosas, devido às manipulações dos tapes.
Um recurso curioso usado pro André neste disco foi o seguinte: pegou uma determinada frase cantada e gravou. Tocou de trás pra frente e pediu pro cantor memorizar para, em seguida, gravar e tocar. Depois disso, finalmente, reverteu o som. O efeito foi único. Eu sei, meu caro amigo metaleiro, que aqueles cabeludos de voz fina fizeram isso na década de 80 mas, veja bem, estamos em 1957… seus ídolos do rock pauleira nem tinham nascido ainda!
Esse disco foi lançado originalmente, sabe-se lá Deus porque, sob o pseudônimo de “Elsa Popping and her Pixielanders” com a (ótima) capa abaixo:

Popp seguiu com seus experimentos com manipulação de tapes depois disso, além de fazer trilhas sonoras mais convencionais para filmes franceses… mas depois da “grande sacada”, todo o resto soou menos original, porém, com qualidade. Afinal, mesmo antes de ter a idéia de fazer o Delirium In Hi-Fi ele já era um bom e respeitado compositor.
Este álbum foi lançado em CD em 1996.
música pra ouvir: Perles De Cristal