Postagens com o marcador frança

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10 reproduções

Roger Roger: Musique Idiote, 1971

★★★½

Tremendo mau humor? Puto(a)? Chateado(a)? Triste? Seu papagaio de estimação se matou?

Não tema!

Musique Idiote é uma gabola homenagem aos temas previsíveis e estólidos, criados eletronicamente pelo compositor francês de trilhas sonoras Roger Roger, também conhecido como Cecil Leuter.

São 16 temas simples e pacóvios, tocados em moog, que exploram linhas… ermm… idiotas.

E, bem, eu me sinto um idiota tentando descrever algo tão básico e bolônio. E jocoso. Quiçá basbaque.

Então, ouça o asonsado exemplo abaixo. Dá pra achar esse disco e outros do cara numa procura rápida no Google. Vale a pena, nem que seja pra matar sua curiosidade marota. Ou pra divertir uma criança. Ou um cachorro. Ou um papagaio suicida.

Roger Roger na wikipedia

música pra ouvir: Duetto

comentários originais

André Ganzelevitch 14/10/2008 às 9:31 am Sobre sua descrição da “musique idiote” dei muitas risadas. Concordo que se trata de sum bolônio, pacóvio, jocoso e basbaque. Quem sabe acrescentariamos, além disso tudo, outros adjetivos classificatórios como parvo, estulto, néscio, energúmeno, tolo, lerdo, leso e palerma.

Roger Marmo 02/09/2008 às 1:46 am Eu juro que não tenho nada a ver com esse disco. Se bem que eu até que gostaria…

Lulu 01/09/2008 às 11:55 am Omessa!

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5 reproduções

The Science Group: Spoors, 2004

★★★★½

The Science Group foi fundado em 1997 na França e, guardadas as proporções, poderíamos encarar como uma continuação do som do super-grupo inglês de avant-prog Henry Cow.

Não por acaso a comparação: o percussionista, baterista, compositor, letrista e teórico musical Chris Cluter toca nas duas bandas. O sócio-fundador do Cow, guitarrista Fred Frith, participa do primeiro do Science Group também. E, claro, o som: uma combinação de avant-prog com jazz, clássico, experimental, eletrônico, ambient, RIO, avant-garde, e o que mais aparecer tem muito do clima da banda inglesa.

Chris Cluter parece viver numa realidade paralela. Ao menos temporalmente falando: é impressionante a quantidade de projetos que o cara se envolve: Slapp Happy, Art Bears, Aksak Maboul, Cassiber, News From Babel, David Thomas and The Pedestrians, Peter Blegvad, Pere Ubu, Zeena Parkins, The Residents, Lindsay Cooper, Gong, fora os discos solos (3, por enquanto), livros, participação em filmes, etc.

Americano nascido em 1947, cresceu na Inglaterra e nunca estudou música. Em 1971 foi convidado a substituir o baterista da banda Henry Cow… e aí que toda a história do cara começa.

Foi com Fred Frith e Tim Hodgkinson que, no final dos anos 70, ele fundou o Rock In Opposion (RIO), um movimento/coletivo de bandas unidas em oposição à industria músical. O festival que iniciou o movimento tinha como slogan “The music the record companies don’t want you to hear” (A música que as gravadoras não querem que você ouça) e dele fizeram parte, além do Henry Cow: Stormy Six, Samla Mammas Manna, Univers Zero e Etron Fou Leloubla. Só coisa fina. :)

De lá pra cá RIO virou sinônimo de avant-garde progressive rock (avant-prog, pra encurtar) ou rock experimental.

Essa galera toda merece alguns vários posts no Aporias (Marcio Nigro, inclusive, já escreveu aqui no blog sobre bandas que se encaixam no gênero: Magma e Alammailman Vasarat), mas foquemos no The Science Group.

Viagem no tempo para 1996. Chris Cutler propõe ao amigo Stevan Tickmayer (compositor contemporâneo erudito e tecladista) gravar um disco usando seus textos sobre ciência que ele vinha desenvolvendo desde 1992. Era o começo do Science Group. A dupla então chamou alguns convidados especialíssimos pra colaborar: Fred Frith (resenha aqui), Claudio Puntin (clarinete), Amy Denio (voz), Bob Drake (do Thinking Plague, baixo, guitarra, percussão).

Em 1999 lançam o A Mere Coincidence pelo selo inglês Recommended Records (do próprio Cutler).

Em 2003, parte desse grupo - Cutler, Tickmayer, Drake junto com o guitarrista e compositor Mike Johnson, fundador do Thinking Plague - lança o instrumental Spoors.

As vozes, pra quem não gostou delas no primeiro disco, não estão presentes, o que, de certa maneira, poderia dar um ar mais acessível ao disco. Mas não: aqui o som é menos rock, mais erudito, com uma levada dark e obliqua e que até se arrisca, em alguns momentos, a incluir elementos e instrumentos eletrônicos na orquestração.

O disco de 15 faixas é dividido em 4 “suites”: Timelines (temas mais velozes, matemáticos e complexos), New Indents (temas mais soltos, experimentais, em levadas dissonantes quando não atonais, onde as teclas tem maior importância), Bagatelles (mais pesado, meio circense, cujas cordas aparecem mais) e Old and News Paths (bem avant-prog, rock, esquisito, lembrando, em vários momentos, o trabalho erudito do Zappa).

Brilhante.

Chris Cutler oficial

Chris Cutler wiki

Tickmayer

RIO wiki

música pra ouvir: Old And New Paths: Discrete Networks

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3 reproduções

Vários: Cuisine Non-Stop- Introduction to the French Nouvelle Generation, 2002

★★★★

Luaka Bop, fundado em 1988 por David Byrne (Talking Head), é daqueles selos que têm um catálogo pequeno, tímido e pouco atualizado mas que, quando sai algo novo do forno, quase sempre é garantido.

É o caso desta coletânea de artistas franceses de rock/pop alternativo. Ricas texturas, misturas e sabores num disco sem cara de francês pra-gringo-ver. São bandas praticamente desconhecidas fora da França - e até mesmo dentro - que juntam referências afro, cigano, rap, electronica, folk, dub e alguns gainsbourguismos no meio, como não poderia deixar de ser.

Este selo que ajudou a expalhar nomes brasileiros como Tom Zé e Mutantes pelo mundão afora, além de artistas como Zap Mama, Vijaya Anand (que terá uma resenha aqui brevemente), Shoukichi Kina, Cornershop e outros. Suas coletâneas são sempre interessantes, com destaque a Love’s A Real Thing: The Funky Fuzzy Sounds of West Africa.

“Perfect if you’re in the mood for something eclectic, exotic or just a bit different” - dizem eles mesmos.

Site Oficial Luaka Bop

música pra ouvir: Baji Larabat da banda Lo’Jo

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Dionysos: Monsters In Love, 2005

★★★★

“François Truffaut com uma banda de Rock’n’Roll” é a definição que Iggy Pop fez ao som desse quinteto francês.

Liderado por Mathias Melzeu, Dionysos faz mais que isso: é praticamente um cinema sonoro. Faz sentido. Antes de formar o grupo em 1993, Mathias estudava cinema em Valence.

A música, e tudo que orbita ela, faz parte de um mundo surrealista, mezzo Lewis Carrol mezzo Tim Burton, imersos num clima de sombras e luzes, com uma devida pitada de névoa, só pra deixar mais nouvelle vague.

A banda que criou este universo burlesco, formado por personagens extravagantes e mundos barrocos, é bem conhecida pelo público francês, embora ignorada por boa parte do resto do planeta.

Este é o quinto álbum da banda. Muito do sucesso que o grupo conseguiu foi devido à excelência na performance ao vivo e, agora em 2007, eles acabam de lançar um CD e um DVD, Monsters In Live, com um de seus elogiados shows da última turnê.

Monsters In Love foi produzido por John Parish - que já trabalhou para P.J. Harvey, M. Ward, Sparklehorse, Eels, Goldfrapp - e fez um excelente trabalho, procurando dar um ar bem “vivo” ao disco, na tentativa de emular o espírito das performances da banda.

A banda é mais uma daquelas que busca uma instrumentação diferente, fazendo uso de ukulele, sinos, theremins e outros instrumentos menos comuns, para dar cores diferentes às músicas. Mathias é o vocalista principal, sendo muito bem acompanhado, em algumas faixas, pela cantora (e violinista) Elisabeth Ferrer, como você pode ouvir na música abaixo - o casal canta tanto em sua língua natal quanto em inglês.

O rock inglês se mistura à chanson francesa como se tivessem nascido um para o outro.

Mais que uma mistura de estilos musicais, esse disco traz uma viagem pra algum romance que ainda não foi filmado (nossa, como estou poético hoje…).

Site oficial (em francês)

Update 08.02.07: Veja o clipe de animação da música Tes Lacets sont des Fées no YouTube ou no site de quem produziu. Valeu, Morice, pelo toque.

música pra ouvir: Lips Story In A Chocolate River

comentários originais

Morice Perin 11/02/2007 às 2:11 am Dos discos em estúdio concordo sobre o Monsters, mas de maneira geral ainda penso no Whatever the Weather/Acoustique, a diversidade das versões de músicas e a clara empolgação no palco eu não vejo em nenhuma outra banda! Oh sim! Acredito que com o tempo a outra estrela apareça! O que eu acho muito bom no Monsters in Love é como ele conta uma história inteira, com personagens que aparecem várias vezes pelo disco. E voltei! hoho

Morice Perin 07/02/2007 às 6:18 pm Nunca que imaginaria encontrar uma crítica Dionysica num site Brasileiro, quanto menos uma tão boa! Acabei de escutar o novíssimo Monsters in Live (e, como já se devia esperar pelos outros ao vivo, ainda melhor que a versão de estúdio) e procurando informações sobre o DVD achei o site! Minhas sinceras congratulações! Só ousaria pedir mais uma estrela pra eles, que o Monsters in Love é muito bom! E quem gostou da capa veja o clipe de Tes Lacets sont des Fées, é uma Pintura Animada (desenho seria simplório demais) da capa! Genial!

Bruno 03/02/2007 às 6:12 pm Que ótima música, que capa fantástica, vou tentar arrumar este álbum e qualquer jeito! Mais uma vez, muito obrigado Bêla por me apresentar grandes álbums.