Postagens com o marcador funk

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Stanton Moore Trio: Emphasis! (On Parenthesis), 2008

★★★★

Deve ser conhecido de muita gente esse cara, mas não posso deixa de comentar sobre o mais novo disco do trio liderado pelo baterista Stanton Moore. Ainda mais que, numa busca rápida por resultados em páginas brasileiras, encontrei muito pouco – e pra quem aprecia um jazz-funk e não conhece ainda o trabalho desse americano, vale a pena ir atrás.

Emphasis! (On Parenthesis) é o mais recente disco solo de Moore, o quarto de sua carreira que começou nos primeiros anos da década de 90 com o (então) sexteto de Nova Orleans de jazz-funk Galactic. De lá pra cá o baterista participou de inúmeros projetos, de R&B a jazz, passando até por uma contribuição com o punk-metal do Corrosion of Conformity.

Esse disco é um ótimo exemplo do que Stanton Moore pode oferecer ao gênero hoje tão bem representado por Medeski, Martin & Wood (embora o trio seja eclético o suficiente para não ser encaixado em um único gênero).

Liderando o trio que conta também com Will Bernard (guitarra) e Robert Walter (hammond B3, piano e outras teclas), o compositor apresenta 11 músicas impossíveis de não acompanhar batendo o pezinho ou socando o volante do carro. Grooves, breakbeats, guitarras sincopadas, órgãos tradiças e uma fome por uma rítmica complexa porém acessível.

O trio dá até umas arriscadas em uns temas mais rock como, por exemplo, a (Who Ate The) Layer Cake? (os títulos de todas as faixas contém indicações entre-parenteses). Mas é na quebradeira funk que a coisa fica realmente séria, como você pode ouvir na faixa abaixo.

Dá pra ir sem medo nos outros álbuns solos dele, apesar de achar o primeiro, All Kooked Out (1998), o mais fraco dos quatro.

Grooovy, baby! ;)

Site oficial com várias músicas para escutar.

música pra ouvir: Over (Compensatin’)

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The New Caledonia: Lotus, 2007

★★★★

Existem rótulos de todos os tipos pra música. Para os sons mais inclassificáveis criaram termos como o Post-Rock ou o Avant Progressive Rock, termos muito usados na tentativa de descrever diversas bandas que tem pouco a ver entre si. Mesmo assim, há quem insista nessas definições. Tentar limitar o som dos neozelandeses do The New Caledonia a uma expressão facilmente encontrada na Wikipedia não seria algo justo.

Digamos que a banda consiga representar sonoramente muito bem a ilustração da capa (acima) de seu álbum de estréia, Lotus, com uma colagem meio bagunçada de estilos, climas e ritmos extremamente distintos. No entanto, como o The New Caledonia é formado por um quarteto realmente talentoso, o resultado final é muito interessante.

Em pouco mais de 37 minutos, ouvimos a banda atacar do progressivo ao jazz, do rock ao ambient, passando por funk, disco, entre outros gêneros. Vale destacar a presença de vocais no álbum, que assim como no ótimo Mirrored, do Battles, funciona mais como um elemento complementar ao instrumental do grupo.

Falando em complemento, o bom uso de sax, teclados e sintetizadores pela dupla de guitarristas Timon Martin e Fagan Wilcox, também acrescenta muito ao som. Mas o destaque mesmo fica por conta da cozinha pra lá de afinada do baixista Mike Tayler com o baterista Stan Bicknell, que seguram com precisão cirúrgica as mudanças drásticas de andamento nas músicas de Lotus.

Vale a pena dar uma checada no Myspace da banda para conhecer um pouco melhor do som do The New Caledonia.

Aqui vocês também podem conferir o clipe da faixa Zoot Suit Pseudo.

Myspace

Site Oficial

música pra ouvir: Celestial Sattelites

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billy 15/09/2007 às 4:54 pm: vale lembrar que eles proprios liberaram o cd para download! é só checar no myspace.

Ian 04/09/2007 às 11:17 am: Muito boa essa faixa. As guitarras frippianas lembraram um pouco King Crimson. É, toda recomendação do Richarley vale a pena

Beastie Boys: The Mix Up, 2007

★★

Há não muito tempo, nesta mesma galáxia, o nome Beastie Boys era associado à inovação, criatividade e bom-humor. O trio já lançou discos divertidos e adolescentes como o Licensed To Ill, ambiciosos como Paul’s Boutique, um marco na história dos samples e ecléticos como Check Your Head.

Mas o que deu nessa rapaziada gente-fina?

To The 5 Boroughs, de 2004, não emocionou muito e agora esse instrumental The Mix Up… mano, que sono!

Nada contra climas sussas, mas cadê aquela pegada de outrora? A compilação japonesa lançada em 2001 (The In Sound from Way Out!), só com instrumentais funk-soul-jazzy do grupo, mostrou que dá pra fazer um disco gostoso de escutar e bater o pezinho, mas com classe, estilo e pompa.

Agora, esse aqui tá triste… Mike D, Ad-Rock e MCA, o que será do futuro da banda de vocês, uma das mais divertidas da história do Pop?

Fishbone: Truth And Soul, 1988

★★★★½

O recente lançamento do disco Still Stuck In Your Throat (2007) do Fishbone me inspirou a dar uma volta por todos seus discos e matar as saudades.

Essa banda, formada em 1979 e cujo primeiro disco só foi lançado nos meados da década de 80, influenciou um sem-número de grupos no começo dos 90’s. Possivelmente foram um dos culpados pela criação do tenebroso termo funk-metal, estilo que desembuchou centenas de bandas sem nenhuma identidade e que, felizmente, sumiram do mapa com a mesma velocidade que surgiram.

Truth And Soul é um dos clássicos do septeto californiano, junto com o The Reality of My Surroundings de 1991. Daqueles discos que não canso de escutar. Sua marca registrada é a mistura da música black, principalmente funk, ska e soul com punk rock, reggae, metal, hardcore, pop, etc.

Clipe da excelente Ma And Pa no Youtube

Outros videos com músicas desse álbum: Freddie’s Dead (música que abre o álbum e é uma versão do funk-soul-brother Curtis Mayfield) e Bonin’ In The Boneyard (video tosco, ao vivo).

A propósito, o tal novo disco que deu origem à viagem vale a pena.

Site oficial

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Medina 24/04/2007 às 10:30 am The Reality of My Surroundings é um dos meus discos preferidos de todos os tempos. O Truth and Soul não me agrada tanto assim. Acho uma pena que a banda nunca mais lançou algo à altura do Reality. É uma obra-prima. Abraço do Medina!

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MC 900 Ft. Jesus: One Step Ahead of the Spider, 1994

★★★★

“Fala sumido! Beleza? Por onde cê anda? Lançou esse disco em 1994 e nada mais? Tá vendendo empada na praia agora?”

MC 900 Ft. Jesus fez um certo sucesso na época desse disco, terceiro (e, até agora, último) da carreira, principalmente na MTV pelo divertido clipe da música If I Only Had a Brain, dirigido pelo então desconhecido Spike Jonze. Um segundo clipe, da But If You Go, música de clima mais cool que a anterior, não emplacou tanto.

E então o MC “Jesus de 27,43 cm 274,3 m”, sumiu na névoa pop.

Mas o Beck-com-banda-de-verdade, nascido Mark Griffin, tem uma cara própria desconhecida do público.

A influência, como você já pode notar discretamente na But If You Go citada acima, de um certo jazz é muito mais forte do que parece.

Botando a primeira faixa do disco na agulha, dá pra perceber que o pop do cara não é tão pop, nem o hip hop não é tão hip hop (ficar sem escrever uma semana, como você pode notar, me fez mal). O território é um tanto diferente da música que o fez “famoso”. Talvez, ao invés de “diferente” eu devesse usar “complementar”. É, melhor.

A união do hip-hop com toques de cool e free jazz, eletrônica e muito groove parecem funcionar muito bem por todo o disco.

Buried At Sea lembra muito Beck; Tiptoe Through The Inferno tem uma levada bem funk, com muito improviso instrumental e spoken word; Gracias Pepe vai pra uma onda mais low-tech climático; Bill’s Dream é totalmente Miles Davis do final dos anos 60 com cítaras e tablas; Rhubarb encerra o disco de maneira mais abstrata.

As letras bem-humoradas são um capítulo a parte. Maybe it wouldn’t be hard to explain If I only had a brain

ou

Do not make the mistake of believing that I am the person who is speaking to you now I am not; that is to say N-O-T This is an indisputable fact that has been scientifically proven

Além de suas composições, uma boa versão da Stare And Stare de Curtis Mayfield, predominantemente voz e guitarra wah-wah (Vernon Reid sem virtuosismos), pontua legal o álbum.

E ele mesmo responde a pergunta que eu fiz no começo do post, via wikipedia: “Legal que alguém lembrou de mim. Ainda vivendo em Dallas. Sem fazer nenhuma música no momento. Na verdade, ando trabalhando pra conseguir o meu certificado de instrutor de vôos. Aviação é um ótimo antídoto para as frustrações nos negócios musicais. Eu acho que um dia desses eu vou fazer mais música, mas não sei ainda quando. Se cuida!”

Po, Mark, deixa de viagem e grava um disco novo aê!

música pra ouvir: Já que linkei pra vídeos do cara no YouTube, não repito a música pra dar play lá em cima: Buried At Sea

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Gui 04/03/2007 às 8:38 pm Nossa, que legal ver esse video de novo! Na verdade, o Jisuizim tá mais pra Jisuizão. 900ft é 274,3m. Classe, inaugurei meus posts nesse blog com uma correção. Isso é que é ser indie.

henrík 03/03/2007 às 2:39 pm o clipe do jonze dispensa quaisquer comentários, mas esse compadre aí, que eu nem fazia idéia que existia realmente é muito bacana. Enquanto beck puxa levemente a estranheza musical dele pra um mainstream e tem momentos de total ‘unfreak’, como em Sea Change, esse cara aí pelo q ouvi, apesar da explícita semelhança, parece tender exatamente pro outro lado. acho que foi isso que matou a carreira musical dele, infelizmente. não sei se desejo boa sorte pra carreira no ar dele…

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Bahia Black: Ritual Beating System, 1992

★★★

Mais um post carnavalesco. Se liga na banda de apoio: mestre Herbie Hancock no piano, Dr. Wayne Shorter no sax soprano, o tecladista do George Clinton Mr. Bernie Worrell e o experimentalista Sr. Henry Threadgill na flauta.

Que banda hein? E se eu disser que o lider desse grupo aí é o “nosso” Carlinhos Brown? Sim, você leu bem… o cara quem cometeu equívocos irreparáveis como o pop-infanto-juvenil-sorvete-na-testa Os Tribalistas é quem compõe boa parte das músicas do disco e lidera o grupo Bahia Black.

O que catso isso tem a ver com este blog? Bem, só pela mistura bizarra já seria motivo pra estar aqui: a banda já citada acima, adicionada à percussão do grupo Olodum é suficientemente excêntrica pra ser digna de nota. Mas o motivo principal é um só: é um bom disco.

Por mais que você, assim como eu, possa não ir com a cara de Brown nem gostar da música “pop” do soteropolitano nascido Antônio Carlos Santos de Freitas, difícil negar que seja um grande instrumentista.

Claro que tocar bem não faz de alguém um bom compositor mas… ao menos neste disco, Carlito Marrón - como é conhecido na Espanha, país onde possivelmente ele é visto como um cara muito mais cool que aqui - faz um trabalho interessante.

Quem juntou essa moçada toda não poderia ser outro: o produtor (Brian Eno, Ginger Baker, Jah Wobble), “construtor” (Praxis, Arcana), compositor (Material, Last Exit), baixista (Painkiller, David Byrne, Fred Frith), remixador (Bob Marley, Miles Davis) e agregador de músicos que aparentemente não combinam Bill Laswell.

As primeiras faixas são cantadas. Uma bossinha curta de voz e violão Retrato Calado abre o disco, seguida da Capitão do Asfalto que tem uma percussão mais elaborada e um refrão mais pop.

O disco começa a ficar mais legal quando, por coincidência (ou não), Brown pára de cantar. Parece que as faixas nas quais ele canta soam mais previsíveis… mas pode ser preconceito meu.

The Seven Powers é um jazz espetacular composto por Hancock, com a bateria poderosa do Olodum, assim como a atonal Gwagwa O De.

Faixas estritamente percussivas dão um toque legal pro disco como Uma Viagem del Baldes de Larry Wright tocada por Brown e Larry Wright em… baldes; Olodum trás aquele tema típico do grupo percussivo baiano (aqui executado por 10 músicos) e Follow Me, toda conduzida numa única bateria funk, enriquecida de metais percussivos, pelo Tony “Funky Drummer” Walls.

Nina in the Womb of the Forest fecha o disco com uma viagem meio tribal meio experimental, feita com uma mistura eclética de instrumentos percussivos, berimbau e uma flauta de fundo.

Uma experiência auditiva interessante :)

Ah… já que o ano começa agora, feliz 2007!

música pra ouvir: The Seven Powers

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Diogo 24/12/2007 às 6:34 pm Ó o Bêla curtindo carnaval me bateu curiosade de ouvir isso.

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Nôze: How To Dance, 2006

★★★★½

Dá gosto de ouvir novos e-artistas que não façam e-lixo. Esse aqui é pra quem gosta de e-music criativa, dançante e ao mesmo tempo dissonante.

O som da dupla francesa Nôze é surpreendente. Não que seja daquelas colagens que a cada 20 segundos muda completamente o clima da música. Cada faixa em si é relativamente homogênea do seu começo ao fim, e o disco também não é um pastiche sonoro - tem uma cara única.

A base das músicas se assemelha mais a um Electro, mas o que aparece em cima da bateria-baixo é que surpreende. Em cima dessa base pode aparecer um piano preparado, percussão eletrônica techno, vocais esquisitos, uma guitarra distorcida, metais como saxofone, etc. Instrumentos, máquinas e vozes a serviço de um som pra ouvir numa pista ou na poltrona, batendo o pezinho. Vai de gosto.

Nicolas Sfintescu e Ezechiel Pailhes começaram a fazer música há 2 anos. A dupla começou mais como um “electro-free-jazz”, segundo eles mesmos contam. Pailhes tocava jazz e piano clássico.

Após um tempo o grupo foi optando por um som mais eletrônico e minimalista, de levada dançante. “Queríamos um som mais pra pista de dança, pra tocar em clubes e fazer as pessoas dançarem”. Mas ouvindo o disco, claramente eles não esqueceram dos primórdios tempos da banda e do gosto pelo jazz, blues e, principalmente, música clássica do período romântico francês e também moderna/contemporânea européia.

Mas a intenção não é fazer música séria ou “cabeça”. Eles querem se divertir. Fácil descobrir isso ao ouvir a faixa que abre o disco, Love Affair, possivelmente a mais pop, e prestar atenção na letra:

I wash my feet And I feel so good I brush my teeth And I feel so good I clean my nose And I’m ready For my love affair

Albert em um “q” da The Telephone Call do Kraftwerk, mas com vários instrumentos de sopro como sax, clarinete e oboé em linhas desencontradas com uma vocalista cantando algo que parece japonês com alemão (aperte o play no começo do post).

Tulipshnaps é totalmente ácida com um vocal meio Residents latino, se isso é possível…

C é mais climática, sem deixar de ser dançante, com teclados processados e distorcidos que parecem guitarras.

Kitchen tem cara de outro francês, Mr. Oizo (veja este clipe se é que você já não conhece) adicionando vocais mais falados que cantados e um John Cage psicodélico no final.

Gaia tem um brasileiro apresentando a faixa, uma TB-303 perturbada na introdução, seguida de uma guitarra funk e sax dissonantes. Se não fosse feita de instrumentos eletrônicos, poderia ser um jazz avant-garde.

You Don’t trás uma base electro pra um vocal meio soul meio disco, com uma harmonização bem interessante e um glockenspiel tenso ao final.

Lovin’ All People é quase um rock.

Tuba é meio soul, com uns scats de voz ajudando a condução da bateria, teclados no contra-tempo dando um groove e uma pseudo-guitarra super funk. Uma guitarra solo bizonha aparece no final da faixa, fechando o disco de maneira inesperada.

Tudo isso é tratado de maneira bem sintética e precisa, quase como um post-electro. :P

Bandas vizinhas da dupla, como os Daft Punk, tinham que ouvir isso pra ver se inspiram um pouco e melhoram seus discos.

Limpe já seu Nôze e arrume esse disco!

música pra ouvir: Albert

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Fabrício 12/02/2007 às 6:56 pm Esse foi o post mais doido que vc colocou desde ween. Muito bão.

Gustavo 04/02/2007 às 10:03 am Como você mesmo diz: classe! Só falta pegar o danado. [].

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Ray Barretto: Acid, 1968

★★★★★

Safari > New Tab > Google > pesquisar páginas em português. Termo da pesquisa: “Ray Barretto” “Deeper Shade Of Soul” = 1 resultado. Nova pesquisa: “Ray Barreto” Acid = 13 resultados. Uma citação aqui e alí… nada de mais.

Isso me faz pensar… ou todos os brasileiros e falantes da língua portuguesa que gostam de Ray Barretto não usam internet… ou realmente o cara não é nada conhecido por essas bandas.

Uma pena porque o cara foi genial.

Corte de tempo. Eu, no início da década de 90, com 19 anos, mostrando a 3 dos meus melhores amigos uma música chamada “Deeper Shade of Soul” que viria a se tornar o hino da nossa “irmandade”… velhos amigos que se conhecem desde os tenros anos da escola primária.

Vício absoluto. Fantastilhões e quaquilhões de vezes escutada a música da banda holandesa Urban Dance Squad. Mas era deles mesmo? Desde a primeira audição dela, juntamente com o resto do ótimo disco Mental Floss For The Globe (1990), sempre nos pareceu que o “grosso” da música era de samples de uma outra canção mais antiga. Mas o LP não fazia nenhuma referência ao tal sample. Nada.

Corte de tempo. Início dos anos 2000, internet pegando, audiogalaxy ou similar… procuro pela tal música uma, duas, dezenas de vezes. Por meses a fio. Até um dia encontrar um tal de Ray Barretto. Boto pra baixar, sem muita fé, pensando ter encontrado mais um mp3 com tags errados.

Regalo, gozo, regojizo… achei! O romance heróico-brasileiro, ibero-aventuresco, criminológico-dialético e tapuio-enigmático de galhofa e safadeza, de amor legendário e de cavalaria épico-sertaneja* havia chegado ao seu fim pra começar a nova epopéia de descobrir quem é (ou foi) o cara que compôs tal espécime estrepitoso-celebrório-musico fecunda.

Bem, sabendo o nome fica muito mais fácil, não?

O cara “só” foi percussionista do Tito Puente. Ele “só” lançou quase 60 discos, fora as participações especiais. “Apenas” tocou com carinhas tipo Dizzy Gillespie, Count Basie, Wes Montgomery, Charlie Parker, Celia Cruz, Rolling Stones, Bee Gees, entre outros muitos. Colecionou prêmios pelo mundo. Enfim, um monstro.

Monstro por ser um puta tocador de conga (e outras percussões) além de um grande compositor. Tocou de tudo: mambo, salsa, jazz (de vários estilos), inúmeros crossovers, pop, funk, afro-cuban jazz, boogaloo, rock.

Acid é apenas um dos discos solos do americano filho de porto-riquenhos nascido em Nova Iorque que faleceu em fevereiro do ano passado. Calcando fortemente em música latina, soul e funk, com algumas pitadas de psicodelismo, o auto-intitulado Nuevo Barretto fez um disco de 8 faixas absurdamente divertidas, alegres e prazerosas. Fora o jeito de falar, principalmente a palavra “baby”, que só pode ter influenciado a criação do Austin Powers.

Difícil falar em melhor ou pior disco, no meio de tamanho volume de produção e ecletismo musical. Só posso dizer que é um excelente começo. Vale destacar também o álbum Señor 007, de 1966, só com versões de músicas do agente inglês James Bond.

Vida longa à música de Ray Barretto!

Ray Barretto na wikipedia

ray barretto

* devido à imersão na vida e obra de Ariano Suassuna, por causa de um trabalho, não resisti a incorporar essa brilhante definição - retirada do romance A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta. :)

música pra ouvir: A Deeper Shade Of Soul

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Rafael Gaudenzi 30/01/2010 às 1:07 pm Falou e disse. Um gênio pouco conhecido por essas bandas. Valeu! DJ Gau.

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Drums & Tuba: Mostly Ape, 2002

★★★★½

Apresentar o nome dessa banda já causou descrença, riso, dúvida, choque, guerra, tumulto, liquidação do Dic. De fato, parece brincadeira. Algum trocadalho do carilho com Drum’n’Bass ou bobeira similar.

Mas ao contrário do que pode soar, o nome é absolutamente literal à formação sonora básica da dupla que dirige o projeto: uma bateria e uma tuba. A essa base instrumental bem incomum ao rock se junta um guitarrista, formando o núcleo criativo e sonoro do Drums & Tuba.

E como um trio bizonho como esse poderia soar?

De incontáveis maneiras sem perder a unidade: funk, rock, ambient, fusion, modern jazz, post-rock, experimental, space-rock, electronica, R&B, afro, etc. O que é interessante nessa banda é justamente isso: eles incorporam todas essas referências de maneira pessoal e original, sem soar um pastiche sem sentido.

Os texanos Brian Wolff (tuba, trompete e trombone) e Anthony Nozero (bateria, percussão e eletrônicos) começaram como um duo chamado Just Drums & Tuba. Na época, 1995, queriam que outro tocador de metais se juntasse ao grupo mas, devido à falta de opções que a cidade de Austin oferecia, acabaram chamando Neal McKeeby (guitarras) para se juntar a eles, tirando, assim, o Just do nome da banda.

Seus 2 primeiros discos, lançados entre 1997 e 1998 não sairam tão inspirados mas já traziam a personalidade única do grupo. Com Flatheads and Spoonies, do ano seguinte, que a coisa começou a ficar mais interessante.

A partir desse ponto que a banda tratou de usar recursos eletrônicos pra modificar a sua sonoridade. Tanto delays e outros efeitos “básicos” quanto loops e sequenciamentos simples. E isso transformou o som do trio, que antes se limitava a arranjos mais tradicionais.

Essa liberdade e certo experimentalismo rendeu o excelente Vinyl Killer, de 2001, e este aqui em destaque no blog, na minha opinião os 2 melhores da banda. Mas não posso deixar de mencionar o excelente Battles Olé, mais recente lançamento até agora (2005).

Você pode imaginar como uma tuba pode se portar uma banda de rock instrumental. É um instrumento bem limitado, sem muita expressão. Wolff sabe disso e não tenta transformá-la em algo que ela não é. Ao contrário, mantem-se respeitoso às origens do instrumento, cabendo aos outros 2 integrantes colorir o espectro sonoro e enriquecê-lo.

A bateria é agil, variada e muito criativa. E a guitarra tem um papel minimalista: adiciona harmonia de maneira sutil, valorizando a estrutura rítmica do trio, sem se impor.

Apesar de você facilmente esquecer o fato das notas graves serem produzidas por um instrumento exótico (para o estilo musical), devido à maneira de Wolff tocar (bem parecida com um contra-baixo), a tuba adiciona uma textura ao som muito peculiar. Seus agudos são diferentes de qualquer instrumento grave e, sua dinâmica, única.

Classe!

Site oficial.

música pra ouvir: 4style

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Foncati 10/01/2007 às 3:14 pm: Gostei do que ouvi aqui. Vou atrás de mais. O nome e a formação me fez lembrar, de cara, o Samurai Jazz. Um projeto formado por dois japas, um no trombone e outro nos sintetizadores. Extreme-Experimental ( )s Foncati

jf_silva 12/01/2008 às 1:29 pm: Cara ainda ñ tinha ouvido nada parecido, olha que eu toco tuba. gostei muito tem um som com articulações muito legais, como eu faço pra conseguir a parte da tuba? valeu mesmo!!!!

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Medeski Scofield Martin & Wood: Out Louder, 2006

★★★½

O trio Medeski Martin & Wood fez um dos melhores shows deste ano aqui em São Paulo até agora. Duas horas de muito jazz-funk com direito a várias sessões de improviso, bem ao estilo desse trio instrumental que vem mostrando, há 13 anos, que o jazz não precisa ser careta, muito menos velho.

O que este disco tem de novo e por isso está sendo resenhado?

Quatro razões. A primeira é que eu estou ouvindo ele neste instante pela primeira vez :P . A segunda é que chegou, há pouco tempo, a algumas lojas de discos importados no Brasil. A terceira é que é o primeiro lançamento pelo selo dos próprios caras o que, a princípio, costuma ser sinal de mais liberdade criativa. A quarta é que o trio traz um convidado especial por todo disco: o guitarrista John Scofield.

Os 4 músicos já gravaram juntos antes. O trio, formado pelo tecladista John Medeski, o baterista Billy Martin e o baixista Chris Wood, já foram a banda de apoio do disco do Scofield, “A Go Go”, de 1997. Mas, na época, além do trio ainda não ter seu nome tão difundido no meio Hard-Bop/Bost-Bop/Jazz-Funk, o disco só trazia composições do próprio John Scofield.

Desta vez é diferente. E, apesar da presença de um convidado, os quatro parecem ter nascidos para tocar juntos. Absolutamente coeso e integrado o som deles! Já não é a primeira vez que Medeski Martin & Wood trabalham com um guitarrista. Pelo contrario, em quase todos seus discos há a presença da guitarra em algumas faixas. Um dos mais inventivos, na minha opinião, é o Marc Ribot.

Embora Scofield venha de uma geração de músicos um pouco mais tradicional que Ribot, com fortes elementos de jazz soul, fusion e (post-)bop, ele não faz feio: adicionou uma série de elementos ao som do trio que não parece uma banda com um convidado e sim um quarteto de músicos que compõem, improvisam e grooveiam juntos, como velhos amigos.

Existe até uma influência clara do Brasil em algumas faixas deste disco. E não é a primeira vez que isso acontece. O próprio Medeski comentou na imprensa, algumas vezes, sobre a sua admiração pela música brasileira. Hermeto Pascoal, principalmente (a faixa “Hermeto’s Daydream”, do disco “Notes From The Undergound”, de 1992, seria uma homenagem a ele?).

Neste aqui são 2 exemplos. A faixa “Tequila And Chocolate” é praticamente uma Bossa Nova, só que com mais groove. Composição do baixista Wood, assim como a faixa de nome “Cachaça” - esse título eu não tenho dúvida da influência tupiniquim ;)

O disco tem 2 covers, como eles sempre gostam de fazer… sempre muito diferentes da original. “Julia”, do álbum branco dos Beatles, tem muito pouco da original, mas é linda. E “Legalize It”, de Peter Tosh, virou um reggae-funk-bemlouco.

Aliás, segunda vez (pelo que me lembro) que eles fazem cover de reggae. A outra vez foi no segundo disco deles, de 1992, com a música “Lively Up Yorself” do Bob Marley.

Gostei da “Down The Tube”, de mais de 11 minutos, que além de bons improvisos e surpresas, os papéis do teclado e da guitarra parecem ser trocados em alguns monentos: órgão distorcido com guitarra limpa dialogam muito bem.

Sobre o fato de lançarem por selo próprio este disco, realmente nada mudou. A sonoridade continua a mesma, a qualidade idem, o que me faz pensar que eles faziam o que bem entendiam no selo anterior, o famoso Blue Note Records (que, pra se despedir, lançou uma coletânea do trio).

Não é o melhor disco deles, mas vale muito a pena.

Site oficial

música pra ouvir: Little Walter Rides Again

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Richarley Menescal 18/10/200: eu tava por fora desse lançamento! Boa notícia! Preciso ouvir isso logo!

Lulu Camargo 23/10/2006: Tenho um mp3 desgarrado deles tocando com o guitarrista do Phish, você sabe de que álbum é isso? Se não me engano é um cover de Hey Joe…

Carlos Bêla 23/10/2006: fala lulu! foram feitos vários shows do trio com o trey anastasio (phish). que eu saiba nunca foi lançado nenhum desses shows em CD. eu tenho tbem em mp3 um show no texas de 1995, que eles tocam crosstown traffic. também rolaram shows da banda moe com participação do trey anastasio e do john medeski, mas esses, sinceramente, eu não gostei muito não.

Lulu Camargo 26/10/2006: É isso que eu tenho, Crosstown Trafic, mas tem tambem uma versao deles de Hey Joe – só não sei se é também com Trey Anastasio. O que eu tenho por aqui também é um trecho do audio da participação deles no “Sessions at W54″, com um pouco do David Byrne entrevistando os caras.

Gabriel 29/11/2006: Não sabia desse disco dos MMW com Scofield! Putz, putz! Preciso escutar JÁ!

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Les Claypool: Of Whales And Woe, 2006

★★★½

Eu posso contar nos dedos a quantidade de músicos que têm um estilo completamente próprio, daqueles que você escuta meio minuto de música e sabe quem é. E que ninguém mais consegue imitar.

Les Claypool é um desses caras, goste ou não da sua música. O cara criou um estilo só dele e o imprime em tudo que faz: desde os discos do Primus, passando pelos projetos paralelos como Oysterhead e Frog Brigade e indo aos discos solos assinados apenas com o seu nome.

Este lançamento de 2006 (o cara lança praticamente um disco por ano) da grife Claypool é um disco bem “solo”. Quase tudo foi gravado por ele: baixo (sua especialidade), bateria, algumas guitarras.

O som? Não sei como explicar. Melhor ouvir o disco, se você já conhecer o som do cara. Se não, recomendo começar por um disco do Primus mesmo: “Frizzle Fry” e “Sailing The Seas Of Cheese” são os clássicos.

Mas o estilo prórpio tem seu preço: às vezes o cara pode cair em armadilhas, fazendo músicas meio parecidas com outras já existentes. Não chega a prejudicar este disco mas também não é o melhor que o Claypool fez.

Tudo bem, ele pode.

Site oficial do Les Claypool

música pra ouvir: One Better

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heinar: Essa musica lembra os bons discos do Material…deve ser o baixo la na frente…

sergio bala: bom achei esse album excelente ! pra mim um disco nota 9 ! esse album tem musicas bem originais como one better , filipino ray , phanton patriot e iowan gal ! oq muitas pessoas dizem sobre as musicas do les claypool serem meia parecidas umas com as outras ea forma de composição do les ! o les faz uma sequencia de notas rapidas e faz uma pausa e vareia as notas ! mais se analisar todas as musicas naum tem nada de igual ! as semelhanças ficam nas musicas dmv, phanton patriot,filipino ray jarre car new race etc! essas musicas o les faz sempre uma pausa mais msm assim saum todas originais e naum chegam a tirar o merito do les ! e dificil achar alguem q faça q nem ele ! uma musica simples ,sofisticada original , as vezes com formulas vencidas e criaivas ! primusssssss suckssssssss