Postagens com o marcador garage

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The Electric Prunes: Mass In F Minor, 1968

★★★½

Na última semana, o lançamento do novo disco do Tomahawk teve uma repercussão interessante. Muita gente curtiu a idéia de pegar canções ancestrais dos índios americanos e transformá-las num rock fragmentado, outras acharam o disco soporífero.

Pessoalmente curti bastante o resultado… e comecei a pensar que outros projetos musicais tiveram semelhante postura, independente do resultado ter sido pior ou melhor que o supracitado. De cara me lembrei dessa banda da década de 60 que o Roger me apresentou em 1994-95: The Electric Prunes.

Aqui o tema é bem mais antigo que os índios: canto gregoriano. As músicas exploram o cantar típico monofônico dos monges, e os misturam com o rock psicodélico dos 60’s.

O quinteto, formado em 1965 em Los Angeles, havia lançado dois discos num garage rock bem comum na época. Nada muito novo até o Mass In F Minor sair pra assustar seus fãs e iniciar uma corrida travada até hoje pelos fanáticos por músicas “peculiares”.

Suas faixas foram arranjadas e conduzidas pelo músico erudito David Axelrod, interpretando uma missa e suas divisões (desculpe, os termos usados aqui podem estar imprecisos pois não manjo nada de missas): Kyrie, Gloria, Credo, Sanctus, Benedictus, Agnus Dei + 2 rockitos (Hey Mr. President e Flowing Smoothly) bem divertidos mas sem nenhuma relação com a “Mass”.

Durante a gravação do disco a banda brigou e ele acabou sendo concluído com a ajuda de músicos de estúdio e da banda canadense The Collectors. Ou seja, é “meio” um disco dos Prunes, meio do próprio compositor David Axelrod.

Após o completo fracasso de vendas desse disco e do único show feito, no qual a banda deixou claro que não conseguiria tocar as composições de Axelrod, o quarto disco foi gravado com um grupo de músicos completamente diferente e cuja capa constava a chamada the new improved Electric Prunes. Bizarro? Magina…

Apesar do fracasso da época, as missas psicodélicas desse disco viraram um cult e a Kyrie Eleison foi usada na trilha sonora do Easy Rider de Dennis Hopper, 1969. E a banda acabou voltando no final dos anos 90 com 3 integrantes da formação original, gravando 2 discos e 1 DVD. Mas nada de missa, nem em sonho…

Só me toquei agora que, por pura coincidência, comento sobre um disco “religioso” em plena visita do Seu Bento 16. Que coisa… Se alguém por aqui lembrar de outros projetos que reinventam músicas antigas, por favor, comente!

Amém! :)

Site oficial

wiki do Electric Prunes

música pra ouvir: Kyrie Eleison

comentários originais

Nelson Endebo 10/05/2007 às 3:30 pm Esse tema é excelente, me fez tirar o pó de muita coisa! Não consigo me lembrar de muitos álbuns que tenham “reinventado” músicas ancestrais, mas achei algumas coisas interessantes: 1. O último álbum de Bruce Springsteen, “We Shall Overcome”, é feito de versões do compositor Pete Seeger. A faixa “O Mary Don’t You Weep”, entretanto, nada mais é do que uma das mais antigas canções gospel do cancioneiro americano. Eu tenho um compacto de um certo Colored Quartet que data da década de 1910 e esta faixa está lá, com o nome de “Pharaoh’s Army got Drowned”… ou seja, uma canção religiosa, cuja melodia possivelmente vem de cantos ritualísticos de algum lugar da África. 2. John Zorn gravou o “Kol Nidre”, composição litúrgica judaica que era raramente executada por um quarteto de cordas; James Joyce a descreve no “Ulisses” como um canto. 3. As Irlandesas do The Corrs fizeram um ótimo disco em 2005, propositadamente chamado “Home”, feito em sua maioria de canções folclóricas irlandesas, incluindo duas baladas celtas cantadas no gaélico irlandês. 4. O disco do Marc Ribot em homenagem ao músico haitiano Frantz Casseus é, apesar de não tratar exatamente de composições “da terra”, não deixa de ser uma releitura apaixonada de um compositor que praticamente inventou sozinho um estilo musical baseado no Haiti. 5. O compositor libanês Bechara El-Khoury, principalmente na coleção “Orchestral Works”, parte do romantismo francês, passa por mestres modernos como Messiaen e Boulez e acaba “orientalizando” a tradição européia, uma vez que seus motivos são claramente inspirados na tradição árabe, parecida com a judaica em muitos aspectos. 6. Os suíços do Young Gods já reviveram a música de Kurt Weill, um dos formadores da consciência americana. Globalização é foda. 7. Boa parte do catálogo da Tzadik parte da tradição judaica, seja ela Azkenazi ou Sefaradi. Cracow Klezmer Band, Davka, Anthony Coleman e o próprio John Zorn (Masada, Bar Kokhba, Kristallnacht, todos esses nomes se relacionam diretamente à memória judaica) são bons exemplos disso. Bem, apesar de ter fugido um pouco do tema, taí a minha contribuição.

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Made In Mexico: Zodiac Zoo, 2005

★★★½

As capas enganam! Bucólica essa aí, né? Pastoral, hippie, tranquila, relaxante, inocente… O que esperar do conteúdo sonoro? O extremo oposto.

Made In Mexico é forte, distorcido, assimétrico, fuzzy… Uma espécie de Boredoms com Jesus Lizard e Lydia Lunch nos vocais. Não tão bom quanto as referências mas nerrrrrrvoso e competente.

Pra quem curte Arab On Radar.

Na tosca Home Page oficial deles você pode baixar mp3 grátis e saber mais sobre a banda.

música pra ouvir: Monster In Time

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Dengue Fever: Dengue Fever, 2003

★★★★½

Diz a lenda que dois músicos americanos foram viajar juntos para o Sudeste Asiático pra conhecer a cultura, música e história locais. Ao chegar em Camboja ficaram encantados. Alguns dias por lá, comendo, bebendo e vivendo com os locais… um deles pegou dengue.

Só que a febre da dengue alterou algo na cabeça dos caras e, ao voltarem pros EUA, decidiram formar uma banda só de Rock Cambojano.

Que tal? Lenda ou não, o som dos caras é extremamente divertido.

David Ralicke no sax e outros metais, Ethan Holtzman no orgão e seu irmão Zac Holtzman na guitarra, Paul Smith na bateria, Senon Williams no baixo e, o único integrante realmente cambojano, a cantora Chhom Nimol.

A cantora vem de uma família famosa de cantores pop de lá. Os outros instrumentistas não são novatos: tocaram em bandas como Beck, Ben Harper, Snoop Dog, Julio Iglesias (!), Dieselhead, entre outros.

Mas piraram. Os braquelas americanos esqueceram de suas influências e montaram o Dengue Fever pra soltar, em plena Los Angeles, todo aquele rock psicodélico cambojano que existia dentro deles.

Eles fazem covers de clássicos (!!) das décadas de 60 e 70 mas também tem (ótimas) composições próprias. Cantando tudo em Khmer, claro, a língua da pátria da cantora.

O som é muito próximo do psicodelismo dos 60’s, tipo Nuggets, com muito órgão Farfisa, guitarras fuzzy e condução rock’n’roll clássico. Em cima, as altamente assobiáveis melodias na voz da Nimol.

Lançaram este primeiro disco em 2003 pelo Web Of Mimicry, selo do Trey Spruance (Mr. Bungle, Secret Chiefs 3) e, no ano passado, o “Escape From Dragon House” saiu pelo Birdman Recording Group.

Pela novidade (quando escutei), e pelo fato deles tocarem a incrível “I’m Sixteen” (abaixo - original de Sathea, cantora cambojana), escolhi destacar o primeiro… mas o outro não deixa nada a desejar. Ambos os álbuns têm qualidade musical semelhante. Diferem principalmente na produção: a do primeiro é mais “na cara” e seca, menos cheia de delays - a cara dos originais cambojanos - e no fato do segundo disco ser apenas de composições próprias.

O último filme do Jim Jarmusch, Broken Flowers, tem em sua trilha a faixa “Ethanopium”, deste mesmo disco.

Fun!

Site oficial com videos e mais informações

música pra ouvir: I’m Sixteen

comentários originais

riga 24/11/2006 às 3:46 pm: sensacional….divertidásso.

Gabriel Santi 09/01/2007 às 12:05 pm: Olá. Finalmente encontrei a capa desse disco para ilustrar a resenha da revista em que escrevo. Deus te abençoe, rs. Até. PS – Mas é bom demais, hein? O Nuggets continua parindo boas bandas.

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Mudhoney: Here Comes Sickness, 2000

★★★

Essa banda eu sempre gostei muito. Das poucas da era grunge que ainda vejo graça. Esse disco é de um show feito para a BBC em 2000.

Legal? Ah… acho melhor escutar os discos de estúdio: “Every Good Boy Dserves Fudge” e “Piece of Cake” são imbatíveis. Fora a “Touch Me I’m Sick” do “Superfuzz Bigmuff” que está no Top 10 das músicas grunges.

Disco ao vivo é complicado… você sempre perde muito da performance, não tem como comparar. A não ser que você seja picareta que nem o Kiss que faz tanto overdub de estúdio em cima das gravações ao vivo que o disco fica perfeito.

O novo deles é legalzinho mas não chega aos pés dos acima citados.

música pra ouvir: Touch Me I’m Sick