banda nova de Jim Black, Chris Speed, Oscar Noriega e Trevor Dunn
Endangered Blood live at Bimhuis, Amsterdam 2
baixe a compilação de todo o trabalho do ótimo Microscopic Septet comentada neste post aporias.
The Microscopic Septet – Seven Men In Neckties (2CD) (2006)
grande banda, lança novo disco
baixe no link: The Bad Plus / Never Stop [2010]
leia resenha aporias do disco de 2005 do trio aqui
Aaron’s Tune, por Fred Anderson & DKV Trio
DKV Trio é: Hamid Drake, Kent Kessler, Ken Vandermark
este todo mundo conhece mas e daí?
um dos mais belos já produzidos, “Köln Concert” foi o álbum solo de maior venda da história do jazz.
só piano. improviso. belíssimo.
esqueça o video. apenas ouça a música.
Keith Jarrett: Köln Concert - Part 1 1 / 3
Saiba mais: All Music | Wikipedia
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★★★★★
Começaram o ano com o divertido Let’s Go Everywhere, para crianças - e com a participação delas. No meio do ano, sai o Zaebos (*), décimo primeiro volume do segundo livro de Masada do amigo, colaborador e admirador de longa data John Zorn. E agora, no finalzinho do mês passado, logo após sua passagem pelo Brasil com shows incríveis, lançam pelo próprio selo, o Radiolarians 1.
Já posso dizer que dois mil e oito foi o ano do trio Medeski, Martin & Wood. Tanto que abri uma excessão no blog: a de, a princípio, comentar apenas um disco por artista.
Se você não foi aos shows do MMW, e curte aquele jazz com groove tão característico da banda… esqueça este disco. :P E o anterior também (*).
Abre parênteses.
Engraçado como algumas bandas são rapidamente encaixadas em determinados nichos ou estilos, sem uma análise minimamente mais cuidadosa. O interessante disso é que é bem comum essa generalização vir dos próprios fãs, justamente aqueles que conhecem melhor o trabalho do artista.
MMW infelizmente cai facilmente nesta armadilha. Eles fazem jazz/funk? Sim, certamente. Mas só isso? Nem fudendo.
Dando uma rápida passada na discografia da banda… ou mesmo ouvindo 3 ou 4 dos seus discos mais representativos, é fácil perceber que o trio vai muito além dessa percepção jazz-moderninho-feliz-grooveado.
Os caras vieram de uma escola avant-garde, calcada em improviso e experimentação. Nos anos 80, antes da fundação oficial do trio, se esbarraram em gravações e shows de artistas como Bob Moses, John Lurie, John Zorn, Ned Rothenberg, Bob Mintzer, Dewey Redman, Alan Dawson, etc.
Todos seus discos trazem esse lado, junto com samba, country, reggae, salsa, jazz tradicional, etc com igual ou até maior importância que o funk. Alguns de seus álbuns mal “esbarram” no groove, como, por exemplo, o Tonic, o Notes From The Undergound e, principalmente, o Farmer’s Reserve.
Fecha parênteses.
A liberdade criativa que eu esperava no primeiro disco lançado pelo selo próprio e comentada no post anterior da banda só apareceu agora.
Primeiro de três volumes, a série Radiolarians (ou radiolários, em português: protozoários amebóides que dão origem a esqueletos minerais, encontrados no plâncton oceânico - e tão divinamente ilustrados pelo biólogo alemão Ernst Haeckel no começo do século passado, inclusive na capa deste álbum) tem justamente a proposta de liberdade total.
Medeski comenta que “a banda não é sobre música, per se, e sim sobre as sensações e sentimentos que vêm dela”. É fácil entender isso quando você vai a um show deles e se vê viajando boquiaberto por horas numa espécie de (desculpa a bicho-grilagem) viagem sensorial. Os caras estão lá claramente pela experiência, pela experimentação - não pra fazer bonitinho tocando “hits” pro público bater o pezinho. São até meio mal educados, pouco se comunicam com o público. Pena.
Claro que não estamos falando de um free-jazz absoluto. Neste Radiolarians 1, eles não esqueceram o lado mais acessível e que lhe deu boa parte da fama - e da maldição comentada nos parênteses acima - e se (nos) deliciam com ótimos temas como “Professor Nohair” ou “Free Go Lily”. Mesmo nessas, um groove é facilmente deixado de lado para improvisos de todas as espécies, ora de piano ou órgão, ora de baixou, ora de bateria, para depois voltar ao balanço.
Mas são as músicas mais “soltas” que eu acredito que fazem deste o melhor trabalho do trio em anos.
Reliquary (ouça acima), como comentou um querido amigo, é praticamente um Hendrix psicopata. No disco ela quase chega a 8 minutos, contra uns 12 ou 15 dos shows da banda aqui no Brasil. A brusca interrupção do tema nervoso inicial pra um piano delicado no meio da música já valeu, pra mim, a audição do álbum.
A idéia de feitura deste álbum, que originalmente deveria se chamar Viva La Evolution é muito interessante. Eles se juntaram por 5 dias pra compor e trocar material que cada um dos integrantes tinha criado separada e anteriormente. Logo na sequência, sairam em turnê, tocando quase que exclusivamente esse material inédito, entre um ou outro tema antigo e mais conhecido do seu público, perto do bis :P
Finalizada a tour, o trio entrou num estúdio por 3 ou 4 dias e gravou esse material novo.
Agora, abandonarão esses temas e começarão tudo de novo, mais 2 vezes - o que resultará nos próximos volumes da série Radiolarians.
A julgar por esse começo, acredito que estamos tendo a oportunidade de conhecer um renascido MMW, mais sensorial, mais livre e, por que não dizer, mais sincero.
E agora com seu exosqueleto de quitina à mostra!
(*) Vale fazer aqui um pequeno comentário a respeito do Book of Angels, Vol. 11: Zaebos que, apesar de não ser de composições do trio e sim de temas klezmer de John Zorn, tem um pique muito semelhante ao Radiolarians 1.

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★★★★½
Se tem uma banda com atitude no free jazz de hoje, ela se chama The Thing.
O trio escandinavo liderado pelo saxofonista Mats Gustafsson faz praticamente um punk com baixo acústico e bateria. Mas, ao mesmo tempo, é free jazz puro.
Originalmente formado para tocar músicas de Don Cherry, o trio foi gradativamente incluindo músicas próprias a seus discos, sem, no entanto, esquecer as versões: de Ornette Colemann (ah vá!?) a Lightning Bolt, tudo passa pelo Filtro The Thing.
Esse filtro tem uma característica marcante: o tocar de Gustafsson. O saxofonista começou a carreira cedo - aos 14 anos, pegou o bocal do seu sax e encaixou na antiga flauta, criando seu flautofone (fluteophone). Tocou com AALY Trio, Two Slices of Acoustic Car, Derek Bailey’s Company, Ken Vandermark, Peter Brotzmann, Sonic Youth, só pra citar alguns exemplos.
Avesso a tradições, explora dezenas de técnicas de seu instrumento, tanto de respiração quanto até microtons. Essas variações vão do sutil ao denso em microsegundos, com competência e estilo singulares.
Se você gostar dessa música do post, pode ir atrás de qualquer álbum dos caras. É garantido. Pena que é tão difícil achar informações completas dessa banda na web.
Agressivo, coalhado de improviso, experimentalismo e qualquer outro ismo que você quiser, The Thing espõe as víceras do jazz, sem medo de sangue.
Site do selo Smalltown Superjazz
Introduction @ paalnilssen-love
música pra ouvir: Aluminium
Carlos Bêla 15/08/2008 às 3:41 pm Fala Sergio! Já ouvi falar mas nunca escutei. Valeu a dica, vou atrás e te digo! Abraço
sergio stefano 15/08/2008 às 3:13 pm Cara, vc já ouviu God is an Astronault? Acho que vai gostar. abs
Alessandra Tussi 28/07/2008 às 6:30 pm Feliz aniversário amanhã! :D
Carlos Bêla 06/07/2008 às 5:40 pm Fala Bruno, bem lembrado! Não por acaso, o Zu já gravou um disco com o próprio Mats Gustafsson chamado “How To Raise An Ox”. http://www.lastfm.com.br/music/Zu+%26+Mats+Gustafsson Abraço
Bruno 06/07/2008 às 10:24 am Quando vi o “punk com baixo acústico e bateria” me lembrei do Zu, da Itália. Banda muito boa, que segue esse estilo. Altamente recomendado.
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★★★★★
Eu curto categorizar, simplificadamente, os mp3 que ouço. Boto lá no genre do iTunes se o artista faz pop, jazz, rock, clássico, etc, e, dentro desses gêneros, o estilo mais aproximado. Só que ouvindo Microscopic Septet eu fiquei completamente perdido (opa, Apple, que tal tags no iTunes?)… Certo, isso é jazz, não tenha dúvida… mas que tipo? Tradicional? Experimental? Avant-Garde? Modern Creative? Bebop? Post-Bop? Wop-bop-a-loo-mop alop-bom-bom?
Resposta: de tudo um pouco.
“Nostálgicos e futuristas ao mesmo tempo” ou “Jazz Surrealista” são definições interessantes que já fizeram desse septeto fundado em Nova Iorque no início dos anos 80.
Se por um lado eles reverenciam com Dixieland ou Bebop lá do início do século passado, por outro eles misturam com releituras avant-garde, Albert Ayler, experimental, Free, Hard Bop de agora pouco. Tudo de maneira fluida, sem sustos e com uma originalidade impressionante.
A banda acabou em 1992, mas, após o lançamento em CD dos seus álbuns em 2006, os fundadores do grupo - saxofonista soprano Philip Johnston, o barítono Dave Sewelson, o pianista Joel Forrester e o tocador de tuba (tubista?) e baixo David Hofstra - se juntaram aos ex-companheiros Don Davis (sax alto), Paul Shapiro (sax tenor) e Richard Dworkin (bateria) pra celebrar o lançamento da série History Of The Micros.
Essa série é formada por 2 volumes duplos (History of the Micros Volume 1: Seven Men in Neckties e History of the Micros Volume 2: Surrealistic Swing) que cobrem, respectivamente, os anos de 1980-85 e 1986-1990 e nada mais são que seus 4 discos Take the Z Train, Let’s Flip!, Off Beat Glory e Beauty Based on Science (The Visit) adicionados a faixas inéditas e raras (como, por exemplo, algumas da época que John Zorn tocou com a banda, anteriormente ao lançamento do primeiro disco).
Escolhi este disco apenas por ser o primeiro que a banda lançou e que, por coincidência, eu escutei. Mas qualquer coisa deles vale a audição, ainda mais se você gosta de coisas como Flat Earth Society.
Eu demoraria dias pra escrever sobre cada um dos brilhantes integrantes que fazem parte desse septeto… possivelmente muito mais tempo que você demoraria pra achar um som deles pra baixar ou pra comprar em alguma loja online.
Então, dá uma orelhada na faixa abaixo (um passeio virtual por estações de trem musicais) e corre atrás disso porque é bomdimaisdaconta! :)
música pra ouvir: Take The Z-Train
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★★★★½
The Science Group foi fundado em 1997 na França e, guardadas as proporções, poderíamos encarar como uma continuação do som do super-grupo inglês de avant-prog Henry Cow.
Não por acaso a comparação: o percussionista, baterista, compositor, letrista e teórico musical Chris Cluter toca nas duas bandas. O sócio-fundador do Cow, guitarrista Fred Frith, participa do primeiro do Science Group também. E, claro, o som: uma combinação de avant-prog com jazz, clássico, experimental, eletrônico, ambient, RIO, avant-garde, e o que mais aparecer tem muito do clima da banda inglesa.
Chris Cluter parece viver numa realidade paralela. Ao menos temporalmente falando: é impressionante a quantidade de projetos que o cara se envolve: Slapp Happy, Art Bears, Aksak Maboul, Cassiber, News From Babel, David Thomas and The Pedestrians, Peter Blegvad, Pere Ubu, Zeena Parkins, The Residents, Lindsay Cooper, Gong, fora os discos solos (3, por enquanto), livros, participação em filmes, etc.
Americano nascido em 1947, cresceu na Inglaterra e nunca estudou música. Em 1971 foi convidado a substituir o baterista da banda Henry Cow… e aí que toda a história do cara começa.
Foi com Fred Frith e Tim Hodgkinson que, no final dos anos 70, ele fundou o Rock In Opposion (RIO), um movimento/coletivo de bandas unidas em oposição à industria músical. O festival que iniciou o movimento tinha como slogan “The music the record companies don’t want you to hear” (A música que as gravadoras não querem que você ouça) e dele fizeram parte, além do Henry Cow: Stormy Six, Samla Mammas Manna, Univers Zero e Etron Fou Leloubla. Só coisa fina. :)
De lá pra cá RIO virou sinônimo de avant-garde progressive rock (avant-prog, pra encurtar) ou rock experimental.
Essa galera toda merece alguns vários posts no Aporias (Marcio Nigro, inclusive, já escreveu aqui no blog sobre bandas que se encaixam no gênero: Magma e Alammailman Vasarat), mas foquemos no The Science Group.
Viagem no tempo para 1996. Chris Cutler propõe ao amigo Stevan Tickmayer (compositor contemporâneo erudito e tecladista) gravar um disco usando seus textos sobre ciência que ele vinha desenvolvendo desde 1992. Era o começo do Science Group. A dupla então chamou alguns convidados especialíssimos pra colaborar: Fred Frith (resenha aqui), Claudio Puntin (clarinete), Amy Denio (voz), Bob Drake (do Thinking Plague, baixo, guitarra, percussão).
Em 1999 lançam o A Mere Coincidence pelo selo inglês Recommended Records (do próprio Cutler).
Em 2003, parte desse grupo - Cutler, Tickmayer, Drake junto com o guitarrista e compositor Mike Johnson, fundador do Thinking Plague - lança o instrumental Spoors.
As vozes, pra quem não gostou delas no primeiro disco, não estão presentes, o que, de certa maneira, poderia dar um ar mais acessível ao disco. Mas não: aqui o som é menos rock, mais erudito, com uma levada dark e obliqua e que até se arrisca, em alguns momentos, a incluir elementos e instrumentos eletrônicos na orquestração.
O disco de 15 faixas é dividido em 4 “suites”: Timelines (temas mais velozes, matemáticos e complexos), New Indents (temas mais soltos, experimentais, em levadas dissonantes quando não atonais, onde as teclas tem maior importância), Bagatelles (mais pesado, meio circense, cujas cordas aparecem mais) e Old and News Paths (bem avant-prog, rock, esquisito, lembrando, em vários momentos, o trabalho erudito do Zappa).
Brilhante.
música pra ouvir: Old And New Paths: Discrete Networks

★★★★
Excelente disco de estréia da banda Grand Ulena. Noise, ritmos assimétricos e muita dissonância.
Trio de guitarra, baixo e bateria tipo Orthrelm, Ho-Ag, Usaisamonster e, claro, Ruins.
ouça um preview do disco no Last.fm
Site Oficial com uma música pra download.

★★★★★
Se alguém hoje me pedisse um exemplo de jazz “moderno”, com o perdão das possíveis interpretações levianas que esse termo pode aventar, possivelmente eu citaria esse disco.
David Torn é um compositor, multi-instrumentista, produtor, cantor, escritor, guitarrista, assobiador e chupador de cana (olha a margem…) novaiorquino na ativa do mundo rock, jazz, avant-garde, new age, world, pop, etc desde os anos 80.
Trabalhou já com Leonard Bernstein, John Abercrombie, Jan Garbarek, David Bowie, KD Lang, Tori Amos, Tony Levin, Terry Bozzio, Don Cherry, Dave Douglas, Jeff Beck e mais uma porrada. Colaborou nas trilhas sonoras de Velvet Goldmine, The Big Lebowski, Traffic, entre outras tantas.
Suas técnicas de texturas sonoras na guitarra lembram, em alguns momentos, as atmosferas de Robert Fripp e, em outros, experimentalimos eletrônicos minimalistas como os artistas do selo alemão Raster-Noton.
O último disco que eu recordava ter escutado dele foi o GTR-OGLQ de 1998 com Vernon Reid e Elliot Sharp que, se por um lado trazia sonoridades singulares e elaboradas feitas apenas por guitarras, por outro dava uma excessiva importância para esse instrumento, característica que não me agrada tanto, apesar do seu evidente uso criativo.
Em Prezens (lançado pela ECM depois de 21 anos da sua última contribuição com o selo), Torn se junta com o saxofonista Tim Berne, o tecladista Craig Taborn e o baterista Tom Rainey para a produção de uma elaborada escultura sonora (na falta de expressão melhor) densa, quebrada, improvisada e atmosférica.
Com a presença evidente e ao mesmo tempo sutil de eletrônicos, misturados a um set “tradicional” de músicos de jazz, o que o disco mostra é um trabalho cooperativo desses músicos que já tantas vezes gravaram juntos, de uma qualidade absoluta.
Pra ouvir com muita atenção, de preferência com fones de ouvido.
Escute 4 faixas inteiras no Myspace
10 reproduções
★★★★½
Recentemente, por causa de um trabalho no qual estive enfurnado por meses, comentei com diferentes pessoas sobre o Uakti e qual foi a minha surpresa ao descobrir, quase 100% das vezes, que não se conhecia a música desse grupo mineiro.
Po, triste saber que um grupo de tamanha qualidade, criatividade e importância não foi assimiliado pelos seus conterrâneos. Me sinto na obrigação de falar dele neste espaço.
Uakti é uma oficina instrumental. Marco Antônio Guimarães, fundador, maestro e diretor artístico do grupo, começou em 1978 a criar seus próprios instrumentos, influenciado pelo seu mestre Smetak (o homem, o mito).
Vinte e nove anos depois, com 10 CDs lançados no Brasil e no exterior e tendo trabalhado com artistas como Philip Glass, Paul Simin, Milton Nascimento, Manhattan Transfer, Grupo Corpo, Naná Vasconcelos e muitos outros, o Uakti continua tendo um papel importantíssimo na música instrumental brasileira.
Aerofones, Electromecânicos, Idiofones, Membranofones e Cordofones: os instrumentos construídos com materiais do cotidiano como tubos de PVC, vidros, borracha, acrílico, água, panelas, latinhas, garrafões, adquirem uma sonoridade única e muito particular.

Escolher um disco pra destacar aqui é um desafio. Apesar de acreditar que a obra do grupo seja heterogênea e contenha alguns álbuns pouco inspirados (na minha opinião… veja só), existem ótimos discos - assinados tanto como Uakti como apenas pelo lider do grupo (Marco Antônio fez trilhas sonoras como Lavoura Arcaica e esta que deve ser lançada em breve, d’A Pedra do Reino).
Então segui meu coração: a música Arrumação é uma das suas mais perfeitas composições e gravações, daquelas de ouvir dezenas de vezes sem se cansar e ainda descobrir novos detalhes e nuances. Sua sensibilidade e delicadeza são absolutamente singulares. Tanto na performance quanto na criação musical.
Trilobita, o nome que o instrumento empresta ao disco, tem um som de destaque nessa faixa. Tocada com os dedos - quase como se fossem tablas - o Trilobita é formado por tambores que, por sua vez, nada mais são que tubos de PVC com pele de cabra esticada em uma das suas extremidades.
Seus shows são um capítulo à parte, já que neles temos a oportunidade de ver todas essas incríveis (e belas) criações instrumentais (Aqualung é uma das minhas prediletas: um filete d’água é que produz o som, amplificado por 2 tubos), além da performance dos excelentes músicos Paulo Santos, Artur Andrés e Décio Ramos.

música pra ouvir: Arrumação
Antonio Brandao Junior 16/05/2009 às 6:17 pm Oi Carlos, parabéns pela iniciativa. Vejo que você tem bom gosto musical. Também, como você, fico decepcionado com o fato de o trabalho do Uakti não ser tão conhecido no Brasil e principalmente em Minas. Talvez seja por causa da alienação cultural em que nosso povo está “doentemente” mergulhado. Desejo-lhe sucesso pelo espaço e que esse trabalho maravilhoso do Uakti, possa ser mais conhecido em nosso pais. Valeu, grande abraço.
Álvaro Manhães 25/11/2007 às 9:56 am Olá! Sou músico e professor e estou encantado com este trabalho. Por curiosidade comecei a utilizar experimentalmente seguindo uma publicação da revista nova escola e obtive um resultado fantastico. Gostaria de saber mais e ter acesso as variações por sobre idiofones e tudo que possível e de fácil implementação no trabalho de musicalização infantil. Trabalho atualmente com crianças de 9 a 16 anos do PETI (PROGRAMA DE ERRADICAÇÃO DO TRABALHO INFANTIL)de quissamã no RJ e procuro inserir junto a musicalização o senso de preservação e outros ganhos para humanidade. Desde ja agradeço qualquer colaboração no sentido de me fornecer mais informações e modelos de instrumentos para implantar no meu trabalho. E prometo dar os devidos créditos aos seus idealizadores. Muitíssimo obrigado.
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★★★★½
Omar Rodriguez-Lopez é o cara. Vai mandar bem lá nos quintos de Porto Rico, rapá!
Começou tocando hardcore (Startled Calf), foi pro post-hardcore (At The Drive-In), depois pro dub (De Facto), ajudou a criar uma das bandas mais peculiares da atualidade (The Mars Volta), gravou com Damo Suzuki (Can) no final do ano passado um fusion/experimental e agora lança um disco de… de… uhmmm…
Como categorizar Se Dice Bisonte, No Bufalo?
Eu não consigo.
O disco tem participação do velho amigo Cedric Bixler-Zavala, cantor e co-fundador do Mars Volta, além de outros integrantes da banda como Marcel Rodriguez-Lopez, Adrian Terrazas-Gonzales e Juan Alderete de la Pena. Apesar da presença desses músicos, e do fato do álbum ter sido gravado ao mesmo tempo que Amputechture do próprio Mars Volta (lançado no ano passado e comentado aqui), o disco soa como outra banda.
Como Omar.
O cara tem um estilo único de tocar guitarra e compor. Se seu amor por dissonâncias (especialmente pela quarta aumentada - o intervalo musical conhecido na Idade Média como diabolus in musica), cromatismos e música serial fosse analisado apenas sob o aspecto técnico, poderia nos fazer lembrar imediatamente de Robert Fripp (que, claramente é uma grande influência) mas seria simplificar demais uma complexa formação musical. Segundo o próprio músico, sua maior influência é o pianista de salsa Larry Harlow.
As influências de progressivo (King Crimson) e fusion (Mahavishnu Orchestra) estão mais diluídas nesse terceiro álbum solo, enquanto o krautrock parece ficar mais forte. Aliás, são tantas as referências subjetivas nas composições que acaba não evidenciando nenhuma delas… se é que você me entende :P
Sem dúvida o melhor disco solo de Omar. E um dos mais interessantes que ouvi neste ano - até agora.
música pra ouvir: Rapid Fire Tollbooth
riga 18/06/2007 às 12:18 am cacetes!!!! aliás, o wikepedia classificou assim: Progressive rock Post-hardcore Experimental rock
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★★★★★
Finalmente.
Quem me conhece sabe o quanto eu curto o trabalho do John Zorn. E quando eu falo “curto”, não é força de expressão… o figura tem uma discografia realmente extensa, com 4 a 8 lançamentos por ano desde 1980 - e eu acompanho cada lançamento desde que conheci o seu trabalho, em 1991.
O nome deste blog, inclusive, cita o título de um dos discos do cara (Aporias: Requia for Piano & Orchestra), de 1998.
Eu vinha evitando falar dele aqui por algumas razões. Primeiro porque seria previsível. Segundo porque eu não conseguia decidir qual disco escolher. Terceiro porque eu tava esperando uma oportunidade como esta - um disco novo de composições inéditas. Mas tinha que ser foda.
Este é.
Ano passado, Zorn juntou Mike Patton (Fantômas, Mr. Bungle, Tomahawk, etc), Trevor Dunn (Mr. Bungle, Secret Chiefs 3, Trevor Dunn’s Trio-Convulsant, etc) e Joey Baron (Naked City, Masada, Dave Douglas, Paul Motian, etc) e compôs 2 discos “hardcore song cycle scored for” voz, baixo e bateria: Moonchild e Astronome.
O primeiro é ok, mas nada muito especial. O segundo já deu pra tirar o chapéu - opinião que, vinda de um fã, não quer dizer muita coisa :P - e quase entrou entre Os Melhores do Ano deste blog.
Aí veio o Six Litanies for Heliogabalus. Nesta continuação de Moonchild/Astronome, Zorn chamou mais gente pra colaborar. Se liga: Ikue Mori (eletrônicos), Jamie Saft (órgão) e o trio de vozes femininas formado por Martha Cluver, Abby Fischer e Kirsten Soller além do próprio compositor com seu instrumento oficial, o sax alto.
Que disco! Beleza, sei que é suspeito… mas que disco! :D
É o primeiro graaaande disco de Zorn, na minha opinião (tirando os da série Film Works e Masada), desde Xu Feng de 2000 e do projeto colaborativo The Stone: Issue One de 2005 que, por coincidência, também trazia Mike Patton entre os integrantes - além de Dave Douglas, Bill Laswell, Rob Burger e Ben Perowsky.
Assim como os outros dois discos “primos”, Six Litanies for Heliogabalus mostra uma complexa e intrincada mistura de música clássica moderna, metal, hardcore, jazz, música medieval além de sacadas de bom humor e algumas diarréias.
Numa espécie de improviso espontâneo organizado (Zorn é bom nisso, tendo desenvolvido estudos e técnicas apuradas e precisas para orquestrar o caos - os discos da série Cobra são bons exemplos disso), a música tem inspiração nos “excessos decadentes do imperador/criança-deus que fez Calígula e Nero parecerem seres humanos razoáveis - assassinando em jantares seus convidados em chuvas de pétalas de rosas perfumadas”.
As possibilidades são infinitas com esse grupo de integrantes que, pra melhorar a coisa, já trabalharam inúmeras vezes juntos em outros projetos, o que certamente trás uma intimidade ao tocar. Nesgas de Mr. Bungle, Naked City, Fantômas e Electric Masada passam pela mente ao escutar o álbum mas, apesar disso, ele não soa como nenhum desses projetos.
As seis composições tem climas e intensidades diferentes sendo o solo de voz de 8 minutos um dos destaques. Impressionante como Patton desenvolveu sua técnica de improviso vocal, não deixando nada a dever aos mestres japoneses como Yamantaka Eye.
Litany II tem uma condução mais jazz, com boa participação de Jamie Saft, e possivelmente é a que mais lembra o velho e bom Naked City.
O trio feminino faz um papel incrível no meio do desencontro cru e distorcido dos outros instrumentos - em especial na faixa Litany III de 10 minutos e meio sem repetição de um único compasso.
Praticamente um disco erudito contemporâneo tocado por uma banda de rock.
Candidato a disco do ano - enter. :)
Site do selo Tzadik de John Zorn.
Mais sobre Zorn no Wikipedia.
música pra ouvir: Litany I
O místico velhinho do Nepal 31/05/2007 às 4:54 am Caralho… Esse disco é genial, no nível do Astronome e superior ao Moonchild. John Zorn é, sem dúvidas, o melhor compositor do século 21.
Fábio A. 24/05/2007 às 1:00 pm Sem sombra de dúvidas este é mais um disco hiper criativo do Zorn e sua turma! Nota 11 pro Patton!
gustavo 25/04/2007 às 5:05 pm muito foda,absurdo esse album ,fora ,nãosei direito se é um album dele ou alguma participação que tem , fred frith , zeena parkins e john zorn, que uma viagem tbm muito bom.
Fabiano 18/04/2007 às 9:31 pm Realmente esse disco é bompra dedéu. Sou como vc um fã d Zorn e sua turma. Se faltar algo especial em sua discografia posso te ajudar. Abrç