Postagens com o marcador marcionigro

Os Melhores de 2009

E aqui está a lista dos melhores discos do ano passado.

Acesse por este link ou pelo menu MELHORES à esquerda desta página.

os melhores discos de 2009 @ aporias

comentários originais

Bruno Scartozzoni 27/01/2010 às 7:13 pm Finalmente. O post mais aguardado do ano.

Eloisa 27/01/2010 às 1:09 pm Adorei. Valeu.

Os Melhores de 2008

m2008_abertura.gif

fim de ano, você já sabe: hora de fazer a lista dos melhores discos que passaram pelos nossos ouvidos.

clique aqui para acessar a lista dos melhores de 2008.

espero que curtam uma das melhores seleções que já passaram por este blog.

comentários originais

O melhor da música em 2008 | richarley.com.br 08/01/2009 às 3:22 pm […] Aporias é mais um blog pretensioso sobre música. Mas não aqueles de download fácil, sem informação alguma. Seu autor, o designer Carlos Bêla, juntamente com seus colaboradores (entre eles, este que vos escreve), ainda insiste que a boa informação é o melhor caminho para se descobrir música realmente interessante e inovadora feita por aí. E é acreditando numa possível troca saudável de conhecimentos musicais que o Aporias tem a pretensão de falar de artistas pouco ou nada conhecidos do grande público. […]

Sérgio Vaz 05/01/2009 às 7:03 pm Carlos, parabéns pelos melhores do ano! As apresentações dos colaboradores estão legais, a lista está rica e variada. Eu, de minha parte, vou atrás da Paola Prestini, do Nick Cave, do Byrne & Eno e desse Tango Saloon. Parabéns!

riga 05/01/2009 às 2:50 pm deixando aqui o meu protesto: - cadê o “chorão e amigos acústico”? vocês não entendem nada de música….

Marck 30/12/2008 às 5:44 pm Genial, eu sempre espero essa lista para, a partir dela, direcionar meu ouvido no próximo ano. Fico feliz em ver o Black Mountain na lista, passaram pelo Brasil esse ano, incrível o show deles, a must see.

jean boechat 25/12/2008 às 2:02 am cade a malu magalhães? =^D

Gui 24/12/2008 às 2:05 pm Ezelende… Vou fuçar essa lista aos poucos. Bêla, você que curtiu o Advisory Circle, já encomendou ou novo do Belbury Poly que sai no meio de Janeiro? Eu curto bastante as bandas da Ghost Box em geral. Engraçado que é um conceito bem definido no tempo e espaço, um ritual de necromancia pra trazer a Inglaterra pré-Tatcher de volta à vida. De ciência obscura, passando por burocracia socialista até folclore pagão. Ceramic Dog é demais ao vivo ;)

Os Melhores de 2007

m2007_abertura.gif

E aí está a lista d’Os Melhores de 2007!

clique aqui para acessar.

Divirta-se!

comentários originais

Carlos Bêla 22/02/2008 às 12:22 am Tiago, uma honra te ver por aqui! Valeu pelo comentário elucidativo. Abraço!

Tiago Mesquita 21/02/2008 às 8:18 pm Amigos o Alan Bishop continua a tocar com o Brothers Unconnected, com o seu irmão, e no Alvarius B. Ele está longe da inatividade. parabéns pelo saite

Cassiano Wogel 15/01/2008 às 2:42 pm Pensei que já tinha ouvido a maior parte de coisas esplêndidas lançadas em 2007, mas essa lista está me fazendo reformular a minha lista pessoal de grandes álbuns do ano. Descobrir coisas como Tin Hat, Exploding Star Orchestra e Juana Molina aqui foi algo extraordinário. Muitos parabéns à equipe!

Evilasio 11/01/2008 às 2:02 am Que 2009 a lista seja o dobro desta! Abracos!

rogerio 30/12/2007 às 10:31 pm Olá, estava passando pelo blog e resolvi deixar um comentário na lista de melhores de 2007, pois ela está muito boa. Abração

[Flash 9 is required to listen to audio.]

10 reproduções

Les Luthiers: Sonamos, Pese a Todo, 1971

por Marcio Nigro

★★★★★

Johann Sebastian Mastropiero é, provavelmente, o compositor fictício mais criativo de todos os tempos. Não conhece? Mas do Les Luthiers você certamente já ouviu falar? Não? Isso talvez se deva ao fato de que você fala português em vez de espanhol.

Criado em 1967, na capital argentina, o Les Luthiers é conjunto musical humorístico mais inventivo e ativo de todos os tempos. Aliás, é um dos fenômenos musicais mais indefiníveis que conheço, o que justifica sua aparição aqui no Aporias .

Durante seus 40 anos de existência, esse quinteto (que começou hepteto, depois sexteto) satirizou diversos estilos: da guarânia ao rock, do tango ao brega, da ópera à bossa nova, em turnês mundiais pelos países de língua hispânica e inclusive os EUA e o Brasil (em 1977 e 1980), com espetáculos em inglês e português, respectivamente.

O que atrai milhares de pessoas aos seus espetáculos não é apenas o fato de serem cantores, multi-instrumentista e compositores incrivelmente habilidosos e geniais. E nem somente a facilidade com que transitam entre o humor ultra sofisticado e o puro pastelão sem perder a classe e o hilariante humor. Mas também o fato de tocarem dezenas de instrumentos informais que foram concebidos por eles próprios (eles contam com um luthier que se dedica exclusivamente a isso).

Afinal, onde mais você verá — e ouvirá — um Latín, um violino feito com lata de presunto? Ou quem sabe o Tubófano Silicônico Cromático, uma espécie de flauta pan construída com tubos de ensaio? Ou ainda o Dactilófano (ou Máquina de Tocar) uma máquina de escrever misturada com xilofone? A cada novo espetáculo do Les Luthiers, um novo instrumento é apresentado, causando delírio na platéia que pode ver ao vivo de onde vem os sons que em seus apenas oito álbum é difícil identificar. Impossível não ficar admirado com um Baixo Barríltono (um baixo acústico feito com um grande barril de madeira deslizante com um músico dentro) ou uma Mandocleta (uma mistura de bicicleta e mandolina) , por exemplo.

Pessoalmente, nunca pude ver o show com meu corpo presente, mas felizmente o grupo já lançou vários DVDs com apresentações de diferentes épocas. Recomendo começar pelo DVD Mastropiero que Nunca, de 1979, que traz o Les Luthiers no ápice, quando ainda era um sexteto. Só para ter uma idéia, em um dos número o excelente pianista Carlos Nunes tem acoplado ao instrumento um espelho retrovisor para ver os demais integrantes à suas costas. Maravilhoso!

E por falar em Mastropiero, é impossível falar em Les Luthiers sem falar em Johann Sebastian Mastropiero, o músico imaginário que é “compositor” de boa parte das obras do conjunto. E para se inciar nas obras de Mastropiero nada melhor do que falar do primeiro álbum do Les Luthiers, Sonamos, Pese a Todo.

Difícil dizer se o disco de estréia é o melhor, mas certamente é o lugar certo pra começar a entender o conjunto. Primeiro porque, logo de saída, são apresentado alguns dos instrumentos informais.

Segundo, dois dos maiores clássicos do Les Luthiers encontram-se nesse álbum. A faixa Concerto Grosso alla Rústica é um primor na união de sofisticação musical, misturando uma orquestras de câmera e um conjunto de música andina com maestria. Nela não há uma piada explícita, o que a torna ainda mais fenomenal, pois só a beleza da composição é suficiente [clique no play deste post]

Já o Teorema de Thales musicado é completamente improvável e imperdível.

Qualquer CD do Les Luthiers vale a pena e é difícil dizer qual é meu favorito. Provavelmente os dois gravados ao vivo: Mastropiero que Nunca (1979) e Hacen Muchas Gracias de Nada (1980, com o clássica La Gajina Dijo Eureka), pois são geniais do começo ao fim.

Agora, talvez seja mais fácil encontrar as músicas a granel. Por isso, para os interessados, aqui vão os melhores momentos de cada álbum que pode ajudar a ir direto ao ponto:

Cantata Laxatón (1972) Bolero Matropiero Pieza en forma de Tango Vals del Segundo

Vol. 3 (1973) Voglio Entrare per la Finestra La Bossa Nostra Romanza Escocesa sin Palabras

Vol. 4 (1976) Teresa y El Oso Mi Aventura por la India Serena Mariacchi

Vol. 7 (1983) Homeje a Huesito Williams

Cardoso en Gulevandia (1991) Una Canción Regia Sólo Necessitamos Añoralgias

É claro que ajuda muito entender espanhol para se apaixonar pelo Les Luthiers. Muitas faixas começam com uma nota explicativa — narrada pela voz bombástica de Marcos Mundstock — sobre o contexto da música na obra de Mastropiero. Além disso, tantos nos álbuns de estúdio como principalmente nos dois ao vivo, existem muitos quadros e histórias musicadas. Sem a compreensão do idioma, muito se perde.

A boa notícia é que os DVDs trazem a opção de legenda em português, o que é bom inclusive pra quem conhece melhor o idioma, pois há muitos trocadilhos e coisas do gênero. Por outro lado, talvez seja missão impossível encontrá-los aqui no Brasil. O jeito é comprar on-line ou pedir para algum amigo que esteja indo pra Buenos Aires comprar.

Enfim, se vira.

Sítio oficial

Wikipedia (espanhol)

música pra ouvir: Concerto Grosso alla Rústica

comentários originais

fernando 25/06/2010 às 11:03 pm Tive a grande ventura de assistir a um espectaculo deste conjunto em Cordoba, ESpanha, em 1997 (98 talvez) e foi simplesmente espetacular

Vera Coutinho 22/03/2010 às 1:29 pm Eu tive o privilégio de assisti-los na década de 70, período muito triste para a Argentina e podem acreditar: eles deixam a platéia sem fôlego. São incomparáveis.

Lulu 26/11/2007 às 11:04 am Cantata Laxatón é um álbum fundamental. Normaliza e estimula el tono intestinal.

Carlos Bêla 23/11/2007 às 2:29 am Johann Sebastian Mastropiero nunca morrerá! esses caras são geniais. grande resenha!

[Flash 9 is required to listen to audio.]

3 reproduções

Magma: Attahk, 1978

por Marcio Nigro

★★★★½

Falando em bandas esquisitas, impossível não pensar em Magma, um grupo nascido em Paris no final dos anos 60 e liderado pela baterista Christian Vander, uma espécie de Robert Fripp francês (no sentido de ser o centro do sistema solar da banda enquanto os astros ao seu redor podem mudar).

O Magma pode ser chamado de progressivo, jazz-rock, prog-jazz, ou sei lá que outro nome feio. Não importa. É um grupo que faz do exagero e do excesso estilísticos seu ponto forte. Suas influências vão de Carl Orff, Wagner, e Stravinsky a John Coltrane e R&B.

O Magma não apenas criou seu próprio estilo musical como foi além e criou seu próprio idioma, o Kobaian, na qual todos os discos são cantados, em geral falando sobre guerras interplanetárias. A banda tanto é uma referência musical, que ganhou um estilo nomeado em sua homenagem: Zeuhl (olha aí o nome feio), que em kobaiano quer dizer “celestial”.

O álbum mais clássico e cultuado do grupo é Mekanïk Destruktïw Kommandöh (também conhecido como .M.D.K.), de 1973. Mas decidi eleger outro para o Aporias: o Attahk, de 1978, que gosto mais por misturar ainda um “q” das discotecas da época, trazendo mais um elemento bizarro a uma das bandas bizarras da história. Paradoxalmente, é um dos trabalhos mais palatáveis do Magma, o que não quer dizer que os desavisados não estranharão o gosto.

Com capa ilustrada pelo também inconfundível H.R. Gigger, Attahk é definitivamente mais eclético do que seus antecessores, incorporando mais idiomas musicais, incluindo o gospel, funk e o pop. O resultado na verdade é praticamente um trabalho solo de Chris Vander, mas como o Magma não existe sem ele, a verdade é que não faz tanta diferença assim essa informação.

A ênfase é no ritmo e nos vocais, o que traz uma área mais brilho e clareza ao som do grupo. Porém, não me entendam mal: à primeira ouvida pode parecer uma floresta impenetrável. A verdade é que não consigo ouvir Magma sem achar engraçado, pois claramente há por traz de tudo um bom humor contagiante. Chega a ser ridículo o exagero sonoro. Mas a genialidade está nisso, levar tudo ao extremo sem se levar muito a sério.

A primeira faixa The Last Sevem Minutes traz Vander endemoniado, um trabalho do nível de um Mahavishnu Orchestra. Aqui vai ela.

Enfim, Attahk certamente é o mais Aporias dos álbum do Magma e merece um lugar de destaque em qualquer prateleira da sala, muito embora não vá sempre agradar as visitas.

música pra ouvir: The Last Sevem Minutes

comentários originais

Vagner 05/06/2007 às 12:58 am Mucho loko! Excelente álbum.

henrík 09/05/2007 às 3:18 am bem bacana! ai meu HD querido, vou te encher um pouquinho mais uma vez…

Nelson Endebo 08/05/2007 às 4:48 pm Magma é o que há, quem conhece não larga mais. Legal ter falado desse disco, sempre que alguém no Brasil fala do Magma (e pouca gente fala!), sempre se refere ao MDK, o que, apesar de fazer sentido, acabando obscurecendo a discografia desse grupo seminal. Sei que há muitos “músicos experimentais” no Brasil que idolatram esses caras, pena que os fãs de progressivo (não que a banda seja exatamente isso, mas…) no Brasil são mais ligados no lance “sinfônico” do que qualquer outra coisa.

Os Melhores de 2006

Aporias 2006

Publicamos hoje a lista dos melhores discos deste ano.

Confira todo o post aqui.

comentários originais

riga 20/12/2006 às 12:42 pm: sendo um dos cinco leitores do aporias e talvez o menos tímido venho dar meu apoio ao Man Man como o disco mais foda do ano.

Fernando 17/01/2007 às 5:50 pm: Muito interessante as listas, não conhecia algumas das bandas e discos citados. Gostaria de agradecer pela minha lista de melhores ter se modificado um pouco depois de ouvidos vários discos da lista de vocês. Um disco muito bom que saiu esse ano e que ninguém comentou foi Sound Grammar do ainda brilhante Ornette Coleman. Vale a pena ouvir. Eu acho que sou o sexto leitor, né?

Fernando 17/01/2007 às 11:24 pm: Viu, e só pra completar o cometário, esse disco do Béla Fleck & The Flecktones é algo assim: assombroso.

[Flash 9 is required to listen to audio.]

3 reproduções

Adrian Belew: Here, 1994

por Marcio Nigro

★★★★★

Quem estudou e tocou com Frank Zappa, Laurie Anderson e Robert Fripp (sem contar David Bowie e Talking Heads) é mais ou menos como se tivesse sido diplomado em “insanidade avançada” em Harvard, Yale e Oxford.

Com um currículo desses, Adrian Belew certamente não é um músico qualquer. Porém, sua carreira solo merece quase tanta atenção quanto seu genial trabalho no King Crimson. Desde seu álbum de estréia (Lone Rhino, de 1982) foram 15 discos que vão das guitarras esquizofrênicas de Desire Caught By the Tail e The Guitar As Orchestra até o quase-pop de Young Lions e Inner Revolutions. Nesse período, além de mostrar-se um guitarrista único e versátil, Belew trasformou um cara com voz interessante em um ótimo e inconfundível cantor.

Here é o CD de Adrian Belew que mais escuto, o que não quer dizer que seja o mais representativo. Provavelmente, é também o seu trabalho mais pop, no qual ele toca tudo (bateria, cello, baixo e o que pintar) e canta em praticamente todas as faixas. Cada música tem sua atmosfera própria, muitas com melodias dignas de um Paul McCartney, de quem Belew certamente é fã. Fly, por exemplo, é uma tradução musical do título, um vôo livre em paisagens sonoras que nos remete ao bom e velho professor Robert Fripp. Já Peace on Earth (uma releitura de um trecho de Tango Zebra, em Desire Caught…) tem cor e cheiro de Eleonor Rigby, muito embora não seja parecida. Um primor de composição:

[aperte o play acima]

De início, talvez alguns torçam o nariz para as faixas com ar mais pop. Mas não se enganem, em algum momento, Belew traz aquele elemento que tira a música do lugar comum e a leva para paradas bem inusitadas.

Para se ter uma idéia de como Here é bom, basta dizer que o próprio autor afirmou numa entrevista que ficou 95% satisfeito com o resultado. Quem sou eu pra discordar.

Site oficial.

música pra ouvir: Peace On Earth

comentários originais

Carlos Bêla 10/12/2006 às 6:24 pm: Belew é foda! Dos discos mais novos dele, tem essa série de “Sides”… o primeiro, “Side One” de 2005, eu achei especialmente bom. Excelente, eu diria. Valeu, Nigro!

Marcio Nigro 10/12/2006 às 6:45 pm: Na verdade cada disco dele vale ser ouvido e comentado. Os tries sides são ótimos. O side Three talvez seja o melhor. Enfim, o cara é muito bão!

Valter Barberini 20/09/2007 às 10:33 pm: Curto o cara desde os anos 80, um gênial compositor e músico, é um Jimmy Hendrix moderno, uma guitarra longe do lugar comum. Sou guitarrista e não consigo entender como ele tira aqueles sons da guitarra. Ele regravou a música “Come and get it” uma musica desconhecida de Paul McCartney e arrasou, ficou muito melhor que a original, e olha que também sou fã do Paul.

[Flash 9 is required to listen to audio.]

6 reproduções

Alammailman Vasarat: Vasaraasia, 2000

por Marcio Nigro

★★★★★

Soube que o meu primeiro post foi considerado muito pop. Tudo bem, sem máguas. Então, vou compensar com uma banda finlandesa…

Quem já não ouviu falar em Alammailman Vasarat? Aliás, quem consegue pronunciar esse nome corretamente? Bom, pela capa já dá pra sacar que não é nada convencional. Sexteto composto dois violoncelistas, trombonistas/tubista , pianista/acordeonista, baterista/percussionista e saxofonista/clarinetista, o AV — melhor usar as iniciais — é derivado de dois membro do Höyry-kone outro conjunto do mesmo país, que tem uma versão genial de The Trooper, do Iron Maiden. Ouçam só [link para mp3].

Eu ia definir genericamente de “os martelos do submundo” — essa é a tradução de Alammailman Vasarat — como progressivo, mas, conversando com o rapaz que rege com punhos de ferro o Aporias ,acabei entendo que o termo “progressivo” é meio maldito por essas bandas (aliás, em todo lugar aparentemente), e só serve pra definir bandas “afetadas” como Yes, Genesis, EL&P e Gentle Giant (estranhamente, ele diz que King Crimson não é progressivo, e por isso esse é uma banda permitido aqui, ao contrário das outras… Ou seja, todo mundo tem suas idiossincrasias). Enfim, para evitar polêmica, usarei a definição da própria banda, o que certamente agradará a gerência: “ethnic brass punk” ou “kosher-kebab jazz”. Há ate quem diga que é “babaganush-klezmer com curry e maionese a parte”. Outro termo adequado é “mutco-lôco”. Melhor escutar para entender [aperte o play no começo do post :P ]

O AV é certamente uma das bandas contemporâneas que mais me impressionou. Até então não tinha ouvido nada parecido quando baixei essa mesma faixa desse CD no antigo Audiogalaxy. Trata-se de uma galera de finlandeses que cresceu ouvindo do clássico ao metal, da valsa do exército da salvação ao jazz, da música étnica ao punk e resolveram juntar tudo no mesmo pacote. E funcionou!

O som é denso, às vezes frenético, às vezes mórbido, às vezes engraçado ou algo no meio termo. Os cellos distorcidos soam como guitarras, no estilo Apocalyptica, fazendo o contraponto com melodias étnicas do acordeon, metais e clarinetes. Consegue ser heavy metal, mesmo não sendo, ao ponto que nos shows do AV rola stage diving aos montes. Ao mesmo tempo, consegue soar como uma divertida banda de Bar Mitzvah que resolveu aterrorizar todos os convidados da festa.

Os dois primeiros álbuns são bem parecidos em termos de estilo, mas acabei escolhendo o Vasaraasia para essa resenha, por ter vindo antes e, assim, ser mais original. Porém, o segundo — Käärmelautakunta (mais um nome impronunciável), de 2003 — de repente é até melhor em termos absolutos. Por isso, qualquer um vai bem. Já o terceiro é em parceria com um cara chamado Tuomari Nurmio, outro finlandês meio pirado que nunca tinha ouvido falar que canta na maioria das músicas, no dialeto deles, claro. O resultado não foi tão bom, mas é interessante e é diferente dos álbuns antecessores.

Resumindo: não é para os tímpanos sensíveis, o que não impede ser genial, esquizofrênico e divertido, como eu gosto.

música pra ouvir: Delhin Yöt

comentários originais

Gilberto Jr 09/11/2006 às 9:50 pm: Meu Deus do céu! Que som mais doido!!! Dahora :D

Foncati 10/11/2006 às 11:28 am: Dos rótulos citados eu fico com a “banda de Bar Mitzvah que resolveu aterrorizar todos os convidados da festa”, pra não chamar de Zé Pilintra’s Band. Meu primeiro comentário aqui, momento para agradecimentos e bons votos. Valeu e tudo de bom.

smirkoff 14/11/2006 às 7:09 pm: Uma banda que consegue descobrir algo de interessante numa música do Iron Maiden merece meu respeito! Belê!

MaWá 30/11/2006 às 10:12 am: Assim como o Foncati, fico com a definição da banda que aterroriza Bar Mitzvah. Muito louco!

Bruno Maia 17/03/2007 às 12:23 pm: Nem na Amazon achei pra comprar!

[Flash 9 is required to listen to audio.]

6 reproduções

Ben Folds: Rockin’ The Suburbs, 2001

por Marcio Nigro

★★★★★

Esse é o meu primeiro post aqui no Aporias, palavra cujo significado mostra que o Bêla é um sujeito que freqüentou boas escolas e, pelo que sei, já leu pele menos dois livros — Lúcia Já vou Indo e O Caso da Borboleta Atíria — mas ainda está tentando terminar Marcelo, Martelo, Marmelo. Bom, como ele disse que vai me apresentar depois de meu primeiro post, não vou falar sobre mim, por enquanto, e ir direto à musica, que é o que interessa.

Para minha estréia aqui, escolhi falar de um artista até bem conhecido nos EUA, mas meio anônimo por aqui: Ben Folds e seu álbum Rockin’ the Suburbs. Conhecido mais por ser líder do extinto trio Ben Folds Five (BFF, que merecerá pelo menos um post aqui), o cantor, pianista e multi-instrumentista tem feito na última década um rock realmente alternativo no que diz respeito a talento e criatividade. Para definir estilisticamente o som que Ben Folds faz vou recorrer à definição dele mesmo sobre seu antigo trio: “Punk for sissys”, algo como “punk para maricas”, uma ótima definição para um tipo de som meio indefinível, ao mesmo tempo que mostra a veia irônica e debochada de Ben Folds. Ou seja, Aporias.

Rockin’ the Suburbs é, provavelmente, o CD que mais tenho escutado nos últimos tempos e é sobre isso que eu queria falar. Sempre achei genial o trabalho do BFF, mas neste trabalho solo ele conseguiu se superar. É um daqueles álbuns em que você nota que o artista atingiu sua “maturidade musical”. É completamente pop, mas sem obviedades.

O curioso é que, à primeira vista, você não nota muita diferença entre este e que Ben Folds fazia com o BFF, em que foi o compositor da maioria da músicas. Mas há diferenças sutis que acabaram fazendo toda a diferença. Fica claro que o conceito de banda acabava limitando as idéias suas musicais. (A verdade é que qualquer um que tenha passado por uma banda sabe que é meio que nem casamento: tem que haver concessões.)

Ben Folds um exímio compositor de canções, da linha de Billy Joel, Elton John e Paul McCartney (mesmo!) com uma voz e jeito de cantar completamente pessoal e, diria, humano. Sua técnica vocal é imperfeita, mas seu timbre cativante e convidativo diz “olha sou um cara normal, não uma estrela do rock”. Embora o piano seja a pedra fundamental das músicas — e ele é um ótimo pianista —, muitos de seus refrões e passagens tem a energia do punk, do heavy metal, do pop, sem ser nada disso e tudo isso ao mesmo tempo. Ou seja, Aporias.

Outro ponto que merece destaque é o tom de autodeboche das letras. Veja só o refrão da faixa título:

I’m rockin’ the suburbs Just like Quiet Riot did I’m rockin’ the suburbs Except that they were talented I’m rockin’ the suburbs I take the cheques and face the facts That some producer with computers fixes all my shitty tracks

Mais adiante ele canta:

Y’all don’t know what it’s like Being male, middle class and white It gets me real pissed off, it makes me wanna say FUCK!

Porém nem tudo é deboche. Ao mesmo tempo, há baladas belíssimas que, apesar de sentimentais, estão longe de ser melosas. Muitas dessas canções são pequenas crônicas de dramas humanos cotidianos. Como em “Fred Jones Part 2” (não existe a parte 1):

Twenty-five years He’s worked at the paper A man’s here to take him downstairs And I’m sorry, Mr. Jones It’s time

Ou então na minha faixa favorita, “Annie Waits” que não é exatamente uma balada:

And so Annie waits, Annie waits, Annie waits For a call, From a friend The same, It’s the same Was it always the same? Annie waits for the last time

The clock never stops, never stops, never waits She’s growing old, It’s getting late And so he forgot, he forgot, Maybe not Maybe he’s been seriously hurt Would that be worse?

Headlights crest the hill Shadows pass her by and out of sight Annie sees her dreams: Friday bingo, pigeons in the park

Annie waits for the last time Just the same as the last time

Enfim, se não deu pra perceber, acho esse disco muito foda. Já está lá na minha ilha deserta. Ou, no linguajar carlosbeliano, 5 estrelas vermelhas.

música pra ouvir: Rockin’ The Suburbs

comentários originais

André Rezende 13/12/2009: Cara… Eu ouço essas musicas há muuuuuuuuuuito tempo…. E adorei seu post… Eu acho que ele deveria ser mais reconhecido aqui no Brasil… Ah! E sobre o Fred Jones Part 2! Existe sim a parte 1! (não vou culpa-lo por esse erro… pouca gente sabe disso) O nome é ‘Cigarette’ e curtinha… O meu disco preferido dele é o Way to Normal e o da Cappela é incrivel!

Marcio Nigro 13/12/2009: Estou tão desligado que só vi descobri os ultimos dois discos dele ontem… vou escutar e provavelmente adorar abcs