Scion A/V Video: Melvins - Electric Flower
Scion Audio Visual / Ipecac Recordings
Directed by Mark Brooks
For his turn, Mark Brooks created a stop motion masterpiece that effectively juxtaposes the Melvin’s guitar thrash with disturbingly cute, slightly referential dolls.
To learn more about the Scion A/V Video series visit: scionav.com/music/scionavvideo
Estradasphere: The Trials And Tribulations Of Parking On Your Front Lawn, do disco “It’s Understood” de 2003.
Mais info: Site oficial | MySpace | Last.fm
Kentucky, música da Hermano (2008), banda do ex-vocalista do Kyuss John Garcia.
“Haudasta lomilla”, DVD ao vivo do sensacional Alamaailman Vasarat foi recentemente lançado na Finlandia. Nem sei se esse vídeo é dele, mas serve um pouco de aperitivo. A capa do DVD e a enorme tracklist do show dá pra ser conferida clicando aqui.
Mais info: Site Oficial | MySpace
download do novo EP da banda sludge / stoner, trilha sonora para o filme Jonah Hex: Revenge Gets Ugly Mastodon EP (2010)
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★★★★
A capa é uma mistura de logo metal com cromados bregas dos anos 80. Só faltou dregadês de azul pro branco e marrons. A primeira faixa já espanta essa impressão causada pela capa, com um post rock nada anos 80. A segunda já tem uma linha mais acessível e um vocal feminino “quase-pop” que entra perto do final da faixa de cinco minutos e meio, numa levada mais feliz. A terceira já vai numa onda post-punk com uma guitarrinha esperta Talking Headiana. A quarta tem um teclado meio John Lord, guitarras pesadas e uma levada disco-circense.
E por aí vai. nada de novo em cada uma faixa, não fosse a junção delas todas não ser uma coletânea e sim o trabalho de uma única banda.
Originalmente um duo de baixo e bateria, o Chrome Hoof é daquelas gratas surpresas. Tem tudo pra virar queridinhos indies. No bom sentido.
Este terceiro disco (considerando um EP) da banda inglesa tem uma variedade surpreendente de instrumentação. Os atuais 9 ou 10 multi-instrumentistas que formam a “orquestra” Chrome Hoof oferecem uma grande variedade de arranjos, sonoridades e misturas. Do metal ao disco, do funk ao experimental, do Goblin ao Mr. Bungle.
Nada previsível, um pouco estranho, mas extremamente acessível.
Um disco pra ouvir várias vezes e continuar sacando as nuances e invenções.
Bem legal!
música pra ouvir: Leave This Ruined Husk

★★★½
Jaymz Lennfield, Grg Hammettson, Kliff McBurtney e Ringo Larz lançaram seu primeiro demo online em 2001, A Garage Dayz Nite com 7 faixas, entre elas Everybody’s Got A Ticket To Ride Except For Me And My Lightning e …And Justice For All My Loving.
Em 2004 veio outro: Beatallica, ou The Gray Album (deu pra sacar? White Album dos Beatles e Black Album do Metallica misturados? hã? hein?) com faixas como Blackened the USSR e a incrível Hey Dude.
Mas agora em 2007 finalmente a banda lança um disco “de verdade”. Sucesso total.
Tá, sim, tudo isso é uma grande bobeira. Mais uma banda pegando sucessos de algum(ns) grupo(s) clássico(s) e misturando com outros elementos, tipo Dread Zeppelin ou Richard Cheese (só pra citar aguns). Mas os caras mandam muito bem na proposta Beatles + Metallica.
É incrível como o vocalista imita com absoluta perfeição os tiques do ogro James Hetfield. E o que acho mais interessante: as misturas entre as músicas das duas bandas originais são muito bem sacadas.
Simplificando, o som é como se o Metallica lançasse um disco de cover dos Beatles. Mas, a brincadeira é mais interessante porque eles incluem inúmeros elementos musicais do quarteto “metaleiro” no meio. Nunca uma música dos ingleses é tocada de forma literal. We can work it out é arranjada de maneira a integrar a Hit the lights, por exemplo. No remorse se mistura com No reply, e por aí vai.
As letras também são reinterpretadas e misturadas, como o próprio nome do disco da a entender.
I’m the Sandman-with a metal beat And I think that-Dokken’z fuckin’ weak I want you to bang-right in the street And if you sleepwalk-destroy and seek SANDMAN!
Beatallica tem presença garantida nas varadas de noite no trabalho desde 2002! Testado e aprovado, preferencialmente com a companhia de latas de cerveja :)
Carlos Bêla 16/09/2007 às 7:33 pm Fala Luiz Concordo com você e também prefiro as 2 demos a esse disco… mas optei pelo último por ser o primeiro oficial e mais recente. Valeu!
Luiz Felipe 16/09/2007 às 1:46 pm Muito melhor do que o próprio Metallica \m/ mais ainda prefiro as duas “demos” anteriores do que este CD novo.
riga 14/07/2007 às 5:12 pm crasse!crasse! e aproveitando o comentário…chique no útero o player “slick”
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★★★★
Continuando a falar dessa galera da californiana que toca em uma porrada de banda, todas diferentes entre si, todas boas.
Comecei pelo Charming Hostess, depois a Carla Kihlstedt - onde citei este The Book of Knots - e, por último, falei do líder do Sleepytime Gorilla Museum Nils Frykdahl, na resenha do Faun Fables.
Os integrantes dessa banda têm, em seu extenso portifolio, participações em bandas como Sparklehorse, Elvis Costello, Pere Ubu, Skeleton Key, They Might Be Giants, Frank Black e outros. Só por essas bandas citadas já dá pra sacar que a coisa é eclética.
O motivo de não ter comentado ainda sobre The Book of Knots é que o primeiro disco da banda não é propriamente nada demais. A banda mesmo não se levava tão a sério - era mais uma diversão entre artistas profissionais e donos do estúdio de gravação. Mas depois do lançamento, em 2004, do auto-intitulado The Book of Knots, um álbum conceitual sobre o mar, a coisa começou a mudar de figura.
Este segundo disco é bem mais ambicioso que o primeiro, no bom sentido da palavra “ambição”, além de mais inspirado e criativo.
Traineater fala sobre o conhecido “rust belt” dos EUA, que são áreas de industria decadente cujo centro é composto pela produção de ferro das cidades de Pensilvânia e Ohio. Música americana, jazz, noise, metal, rock e pop se misturam num clima sombrio e passional e, ao mesmo tempo, tenso e melancólico.
O centro da banda é formado por Tony Maimone (Pere Ubu, They Might Be Giants, Bob Mould, Lucinda Williams…), Carla Kihlstedt (Tin Hat Trio, Tom Waits, Sleepytime Gorilla Museum, 2 Foot Yard, e outros), o produtor, engenheiro de som e guitarrista Joel Hamilton (Elvis Costello, unsane, Frank Black, Sparklehorse, Shiner, Players Club…) e Matthias Bossi (Sleepytime Gorilla Museum, Skeleton Key, Vic Thrill…) mas as participações especiais são sempre em grande número. Este album, por exemplo, tem Tom Waits (excelente faixa Pray), Mike Watt (Pedro to Cleveland), entre outras, adicionando um sabor interessante ao cenário. Não por acaso, lembra algumas faixas do Sleepytime Gorilla Museum, porém bem menos teatral, metal e exagerado.
Típico álbum para uma audição não-passiva. Atenção é essencial para sacar todas as nuances e asperezas dessa grande banda. Como eles mesmos citam na sua página do MySpace: “something is very very wrong, and beautiful”.
Página da banda no site do selo ANTI
música pra ouvir: Pray

★★★★½
O recente lançamento do disco Still Stuck In Your Throat (2007) do Fishbone me inspirou a dar uma volta por todos seus discos e matar as saudades.
Essa banda, formada em 1979 e cujo primeiro disco só foi lançado nos meados da década de 80, influenciou um sem-número de grupos no começo dos 90’s. Possivelmente foram um dos culpados pela criação do tenebroso termo funk-metal, estilo que desembuchou centenas de bandas sem nenhuma identidade e que, felizmente, sumiram do mapa com a mesma velocidade que surgiram.
Truth And Soul é um dos clássicos do septeto californiano, junto com o The Reality of My Surroundings de 1991. Daqueles discos que não canso de escutar. Sua marca registrada é a mistura da música black, principalmente funk, ska e soul com punk rock, reggae, metal, hardcore, pop, etc.
Clipe da excelente Ma And Pa no Youtube
Outros videos com músicas desse álbum: Freddie’s Dead (música que abre o álbum e é uma versão do funk-soul-brother Curtis Mayfield) e Bonin’ In The Boneyard (video tosco, ao vivo).
A propósito, o tal novo disco que deu origem à viagem vale a pena.
Medina 24/04/2007 às 10:30 am The Reality of My Surroundings é um dos meus discos preferidos de todos os tempos. O Truth and Soul não me agrada tanto assim. Acho uma pena que a banda nunca mais lançou algo à altura do Reality. É uma obra-prima. Abraço do Medina!
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★★★★★
Finalmente.
Quem me conhece sabe o quanto eu curto o trabalho do John Zorn. E quando eu falo “curto”, não é força de expressão… o figura tem uma discografia realmente extensa, com 4 a 8 lançamentos por ano desde 1980 - e eu acompanho cada lançamento desde que conheci o seu trabalho, em 1991.
O nome deste blog, inclusive, cita o título de um dos discos do cara (Aporias: Requia for Piano & Orchestra), de 1998.
Eu vinha evitando falar dele aqui por algumas razões. Primeiro porque seria previsível. Segundo porque eu não conseguia decidir qual disco escolher. Terceiro porque eu tava esperando uma oportunidade como esta - um disco novo de composições inéditas. Mas tinha que ser foda.
Este é.
Ano passado, Zorn juntou Mike Patton (Fantômas, Mr. Bungle, Tomahawk, etc), Trevor Dunn (Mr. Bungle, Secret Chiefs 3, Trevor Dunn’s Trio-Convulsant, etc) e Joey Baron (Naked City, Masada, Dave Douglas, Paul Motian, etc) e compôs 2 discos “hardcore song cycle scored for” voz, baixo e bateria: Moonchild e Astronome.
O primeiro é ok, mas nada muito especial. O segundo já deu pra tirar o chapéu - opinião que, vinda de um fã, não quer dizer muita coisa :P - e quase entrou entre Os Melhores do Ano deste blog.
Aí veio o Six Litanies for Heliogabalus. Nesta continuação de Moonchild/Astronome, Zorn chamou mais gente pra colaborar. Se liga: Ikue Mori (eletrônicos), Jamie Saft (órgão) e o trio de vozes femininas formado por Martha Cluver, Abby Fischer e Kirsten Soller além do próprio compositor com seu instrumento oficial, o sax alto.
Que disco! Beleza, sei que é suspeito… mas que disco! :D
É o primeiro graaaande disco de Zorn, na minha opinião (tirando os da série Film Works e Masada), desde Xu Feng de 2000 e do projeto colaborativo The Stone: Issue One de 2005 que, por coincidência, também trazia Mike Patton entre os integrantes - além de Dave Douglas, Bill Laswell, Rob Burger e Ben Perowsky.
Assim como os outros dois discos “primos”, Six Litanies for Heliogabalus mostra uma complexa e intrincada mistura de música clássica moderna, metal, hardcore, jazz, música medieval além de sacadas de bom humor e algumas diarréias.
Numa espécie de improviso espontâneo organizado (Zorn é bom nisso, tendo desenvolvido estudos e técnicas apuradas e precisas para orquestrar o caos - os discos da série Cobra são bons exemplos disso), a música tem inspiração nos “excessos decadentes do imperador/criança-deus que fez Calígula e Nero parecerem seres humanos razoáveis - assassinando em jantares seus convidados em chuvas de pétalas de rosas perfumadas”.
As possibilidades são infinitas com esse grupo de integrantes que, pra melhorar a coisa, já trabalharam inúmeras vezes juntos em outros projetos, o que certamente trás uma intimidade ao tocar. Nesgas de Mr. Bungle, Naked City, Fantômas e Electric Masada passam pela mente ao escutar o álbum mas, apesar disso, ele não soa como nenhum desses projetos.
As seis composições tem climas e intensidades diferentes sendo o solo de voz de 8 minutos um dos destaques. Impressionante como Patton desenvolveu sua técnica de improviso vocal, não deixando nada a dever aos mestres japoneses como Yamantaka Eye.
Litany II tem uma condução mais jazz, com boa participação de Jamie Saft, e possivelmente é a que mais lembra o velho e bom Naked City.
O trio feminino faz um papel incrível no meio do desencontro cru e distorcido dos outros instrumentos - em especial na faixa Litany III de 10 minutos e meio sem repetição de um único compasso.
Praticamente um disco erudito contemporâneo tocado por uma banda de rock.
Candidato a disco do ano - enter. :)
Site do selo Tzadik de John Zorn.
Mais sobre Zorn no Wikipedia.
música pra ouvir: Litany I
O místico velhinho do Nepal 31/05/2007 às 4:54 am Caralho… Esse disco é genial, no nível do Astronome e superior ao Moonchild. John Zorn é, sem dúvidas, o melhor compositor do século 21.
Fábio A. 24/05/2007 às 1:00 pm Sem sombra de dúvidas este é mais um disco hiper criativo do Zorn e sua turma! Nota 11 pro Patton!
gustavo 25/04/2007 às 5:05 pm muito foda,absurdo esse album ,fora ,nãosei direito se é um album dele ou alguma participação que tem , fred frith , zeena parkins e john zorn, que uma viagem tbm muito bom.
Fabiano 18/04/2007 às 9:31 pm Realmente esse disco é bompra dedéu. Sou como vc um fã d Zorn e sua turma. Se faltar algo especial em sua discografia posso te ajudar. Abrç
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★★★½
Dica vinda da sessão de links do site do Ahleuchatistas, logo após escrever a resenha abaixo.
Tem uma certa semelhança com eles, mas Dysrhythmia é mais complexo e irregular, como o próprio nome já dá a entender.
O trio da Filadélfia mixa rock progressivo, indie-rock, avant-jazz e ambient, resultando num som forte, encorpado, do jeito que a gente gosta (uhmm… isso não era um slogan de café instantâneo?).
Pra quem curte sons que não dão pra ser acompanhados com o bater dos pezinhos.
música pra ouvir: Appeared At First
Vagner 05/06/2007 às 12:23 am Tenho todos os álbuns, mas com certeza esse é o melhor!!
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★★★½
Vi outro dia no ótimo blog Polaroid Rainbow um post sobre o Queen, meio que se desculpando e ao mesmo tempo homenageando a banda.
Nunca morri de amores por eles. Eu era, na época que conheci a banda - meados dos 80’s - mais da turma que curtia um som mais cru como Kiss e AC/DC ou eletrônico como Kraftwerk. Mas não há como negar a importância e a qualidade do quarteto liderado pelo Bigode. Ainda assim, gosto é gosto.
Mas o tal post me fez lembrar de uma coletânea-tributo lançada em 2002 pelo selo Three One G: Dynamite With A Laserbeam. O sub-título do disco já explica bem a sua proposta: “Queen como se ouvido através de um moedor de carne”
Se você gosta de barulho, esse disco é pra você. São 16 músicas, que variam em duração de 56 segundos a pouco mais de 5 minutos. Ou seja, acaba sendo um disco curto - que não enjôa.
As interpretações de algumas faixas são incríveis (no sentido mais literal possível). Acaba sendo legal pra conhecer bandas boas (e bem mais ecléticas do que podem parecer) como o excelente Upsilon Acrux, o Asterisk, o Locust… além dos mestres Melt Banana.
A desconstrução musical é quase constante nas interpretações, o que, em alguns casos, resulta em boas versões como a Another One Bites The Dust (The Get Hustle) e Vultan’s Theme (The Spacewürm) Versões mais lineares também aparecem pra dar uma quebrada na loucura, como a We Are The Champions (Das Oath), bem menos melosa e chata (sorry, não aguento essa música) que a original.
Há também rock industriais como a versão pra Who Needs You do Sinking Body ou a Lilly Of The Valley pelo Bastard Noise (o nome da banda traduz muito bem o som… barulho máximo sem nenhum controle). Outras mais psicodélicas como o Gogogo Airheart tocando Death On Two Legs ou uma meio Sonic Youth sem guitarras da The Fairy Feller’s Master Stroke pelo Glass Candy.
Os destaques ficam pra já citada banda Upsilon Acrux, tocando uma versão surreal de Bicycle Race - pela originalidade na interpretação e reconstrução da música - e pra última faixa do disco, tocada pela banda de mais nome entre as 16 do tributo, os japoneses do Melt Banana, interpretando a We Will Rock You meio low-tech com scratches na guitarra. Só faltou, pra mim, ter outra banda importante e significativa da “área”, o Orthrelm… ou mesmo os caras do Arab On Radar. Ambos já gravaram por este selo. Pena.
Por serem estilos completamente diferentes (o do Queen e o dessas bandas), o resultado são músicas curiosas, meio pop meio noise, meio desconjuntado meio engraçado.
Você pode achar um sacrilégio com o Bigode e sua trupe… mas, como eu disse lá em cima, gosto é gosto! :)
PS: falando em sacrilégio com o Queen - nada a ver com esse disco - você já viu o clipe da versão do Electric Six pra Radio Ga Ga? Poucas vezes ri tanto com um clipe. Veja aqui.
editado em 09.02.07: retirado informação errada sobre a banda Asterisk
música pra ouvir: Bicycle Race
samuca 12/02/2007 às 2:20 pm Fala Bêla, vim aqui dá um bizu no teu brógue e tu tá me falando em Dancing Queen, carái? hahaha Abraço, man! Samuca
Carlos Bêla 09/02/2007 às 2:15 pm Nelson, Você está certo. Eu tinha confundido Asterisk com Asva, essa sim com o Trey Spruance. Valeu pelo toque! Abraço
Nelson Endebo 09/02/2007 às 11:17 am Carlos, um comentário: o Asterisk é uma banda sueca de grindcore, e, até onde eu sei, a única relação deles com o Trey Spruance é uma resenha de autoria dele na página da Mimicry. De resto, o álbum é mesmo incrível. Valeu pelo bom trabalho, abraço!
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por Marcio Nigro
★★★★★
Soube que o meu primeiro post foi considerado muito pop. Tudo bem, sem máguas. Então, vou compensar com uma banda finlandesa…
Quem já não ouviu falar em Alammailman Vasarat? Aliás, quem consegue pronunciar esse nome corretamente? Bom, pela capa já dá pra sacar que não é nada convencional. Sexteto composto dois violoncelistas, trombonistas/tubista , pianista/acordeonista, baterista/percussionista e saxofonista/clarinetista, o AV — melhor usar as iniciais — é derivado de dois membro do Höyry-kone outro conjunto do mesmo país, que tem uma versão genial de The Trooper, do Iron Maiden. Ouçam só [link para mp3].
Eu ia definir genericamente de “os martelos do submundo” — essa é a tradução de Alammailman Vasarat — como progressivo, mas, conversando com o rapaz que rege com punhos de ferro o Aporias ,acabei entendo que o termo “progressivo” é meio maldito por essas bandas (aliás, em todo lugar aparentemente), e só serve pra definir bandas “afetadas” como Yes, Genesis, EL&P e Gentle Giant (estranhamente, ele diz que King Crimson não é progressivo, e por isso esse é uma banda permitido aqui, ao contrário das outras… Ou seja, todo mundo tem suas idiossincrasias). Enfim, para evitar polêmica, usarei a definição da própria banda, o que certamente agradará a gerência: “ethnic brass punk” ou “kosher-kebab jazz”. Há ate quem diga que é “babaganush-klezmer com curry e maionese a parte”. Outro termo adequado é “mutco-lôco”. Melhor escutar para entender [aperte o play no começo do post :P ]
O AV é certamente uma das bandas contemporâneas que mais me impressionou. Até então não tinha ouvido nada parecido quando baixei essa mesma faixa desse CD no antigo Audiogalaxy. Trata-se de uma galera de finlandeses que cresceu ouvindo do clássico ao metal, da valsa do exército da salvação ao jazz, da música étnica ao punk e resolveram juntar tudo no mesmo pacote. E funcionou!
O som é denso, às vezes frenético, às vezes mórbido, às vezes engraçado ou algo no meio termo. Os cellos distorcidos soam como guitarras, no estilo Apocalyptica, fazendo o contraponto com melodias étnicas do acordeon, metais e clarinetes. Consegue ser heavy metal, mesmo não sendo, ao ponto que nos shows do AV rola stage diving aos montes. Ao mesmo tempo, consegue soar como uma divertida banda de Bar Mitzvah que resolveu aterrorizar todos os convidados da festa.
Os dois primeiros álbuns são bem parecidos em termos de estilo, mas acabei escolhendo o Vasaraasia para essa resenha, por ter vindo antes e, assim, ser mais original. Porém, o segundo — Käärmelautakunta (mais um nome impronunciável), de 2003 — de repente é até melhor em termos absolutos. Por isso, qualquer um vai bem. Já o terceiro é em parceria com um cara chamado Tuomari Nurmio, outro finlandês meio pirado que nunca tinha ouvido falar que canta na maioria das músicas, no dialeto deles, claro. O resultado não foi tão bom, mas é interessante e é diferente dos álbuns antecessores.
Resumindo: não é para os tímpanos sensíveis, o que não impede ser genial, esquizofrênico e divertido, como eu gosto.
música pra ouvir: Delhin Yöt
Gilberto Jr 09/11/2006 às 9:50 pm: Meu Deus do céu! Que som mais doido!!! Dahora :D
Foncati 10/11/2006 às 11:28 am: Dos rótulos citados eu fico com a “banda de Bar Mitzvah que resolveu aterrorizar todos os convidados da festa”, pra não chamar de Zé Pilintra’s Band. Meu primeiro comentário aqui, momento para agradecimentos e bons votos. Valeu e tudo de bom.
smirkoff 14/11/2006 às 7:09 pm: Uma banda que consegue descobrir algo de interessante numa música do Iron Maiden merece meu respeito! Belê!
MaWá 30/11/2006 às 10:12 am: Assim como o Foncati, fico com a definição da banda que aterroriza Bar Mitzvah. Muito louco!
Bruno Maia 17/03/2007 às 12:23 pm: Nem na Amazon achei pra comprar!
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★★★½
Cheguei nesta banda pelo nome, sem nenhuma indicação e, antes de ler qualquer coisa a respeito deles, botei direto o mp3 na agulha… melhor jeito de analisar uma banda nova, sem pré-conceitos.
De cara parecia um metal básico, quase doom. Mas o fuzz e distorção das guitarras entregavam que eles não eram típicos metaleiros… a distorção seria muito mais grave e exagerada.
Tinha toques de stoner (Kyuss, Queens Of The Stone Age) e Sludge Metal (Sleep, Om, Isis).
Entra o vocal. Nú! Ozzy? Nem… não tão empostado, nem caricato. Tava mais pra um cara “normal” que curtia o Come-Morcego. Mas que o som parecia Black Sabbath, ah, isso parecia.
Vou atrás de informações. Bingo. Ninguém mais, ninguém menos que o guitarrista líder do Dinosaur Jr, Mister J. Mascis. E tocando bateria.
Pois é, este é o novo projeto do J. Mascis, uma verdadeira ode ao hard rock setentista. Nunca foi necessário dizer que o cara sempre teve uma forte veia roqueira… a influência de Sabbath, Kiss e outros sempre foi clara no som do Dinosaur Jr. Seus solos sempre tiveram um “q” de Ace Frehley. Aqui ele resolveu se entregar ao clássico e, em homenagem às suas próprias origens, tocar bateria, seu primeiro instrumento musical.
Mas a banda que ele arrumou parece ter saído da mesma garagem que ele: Asa Irons na guitarra (ele tem um tocar muito semelhante a Mascis), Kyle Thomas no vocal e guitarra, ambos da banda folk Feathers, e o velho companheiro Dave Sweetapple no baixo.
E é meio isso aí que foi comentado… rock basicão, cheio de riffs ótimos, simples, pesado. A maior parte das 7 faixas é de músicas longas, com mais de 5 minutos, muito bem conduzidas, alternando climas mais tensos e pesados com outros mais tranquilos, porém igualmente distorcidos.
A impressão que dá é que os caras estão se divertindo muito, fazendo um som que sempre curtiram, sem pose ou pretensão.
E com muito carisma.
música pra ouvir: Seer
everton jansson : ótima essa banda , tava axando q éra banda antiga!po legal banda nóva fazendo um som désse nivel!sempre entro no site teepee records pra escutar as duas faixas disponiveis rip van winkle e seer duas musicas exemplares!!tenho eh q dar um jeito d ter o cd desses kras!soh ñ sei como!impolgante d conhecer essa banda !!!
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★★★★
Tem disco que você ouve e de cara saca o quanto os músicos se divertiram fazendo ele. É o caso deste (e dos outros) do Farmers Market, um grupo norueguês formado em 1991 por 6 caras que tocam de tudo um pouco (acordeon, banjo, mandolin, violino, guitarra, piano, bateria, sax, clarinete, baixo - fora os convidados especiais como, por exemplo, as cantoras do “Lés mystére dés Voix Bulgares”).
Eles começaram como um quinteto de jazz “normal” mas em pouco tempo influências da música búlgara, escalas orientais, tempos musicais estranhos, improvisação, pop, rock, metal, dance, folk começaram a aparecer e a coisa foi ficando realmente interessante.
Claro que dá pra imaginar a quantidade de ensaio necessária pra algumas músicas existirem (como a que abre o disco, uma colagem absurda de temas “standards” de pop, jazz, rock, metal tocados como se alguém tivesse editado no computador ou a música aqui deste post), mas mesmo assim o astral que o disco passa é de diversão. O show deles deve ser espetacular - o primeiro álbum é ao vivo, mas ainda não consegui achá-lo.
Este é o segundo disco dos caras (também pode ser encontrado com o título em inglês: “Music From The Hybrides”), de uma complexidade e, ao mesmo tempo, leveza impressionantes. O terceiro e mais recente é de 2000, lançado pelo selo alemão Winter & Winter, também excelente.
Bem difícil achar informações sobre eles na web. O melhor lugar é mesmo o site oficial ou na Wikipedia. Nem no All Music os caras aparecem. Mas vale muito pesquisar.
música pra ouvir: Tails Of The Unexpected
brito, 15/08/2006: fiquei curioso!