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novo disco do qarteto de saxofonistas de São Francisco fundado em 1977.Download free Rova Saxophone Quartet & The Nels Cline Singers – The Celestial Septet (2010)

novo disco do qarteto de saxofonistas de São Francisco fundado em 1977.
Download free Rova Saxophone Quartet & The Nels Cline Singers – The Celestial Septet (2010)

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26 reproduções

uma das faixas do disco do post anterior.

Tin Hat - Foreign Legion, 2010
★★★★

o ex-Tin Hat Trio tem feito, desde sua fundação em 1997, discos belíssimos, com uma inventiva mistura de erudito, folk, música de cabaré, jazz, e outros tantos estilos, com uma cara ao mesmo tempo erudita e acessível.

fundado por Rob Burger (acordeon), Mark Orton (violão) e Carla Kihlstedt (violino), o grupo gravou 5 discos - sendo o último já sem o “Trio” no nome, devido a saída de Burger, e a entrada de Zeena Parkins (harpa), Ben Goldberg (clarinete) e Ara Anderson (metais e teclados).

este disco que você pode baixar no link é o primeiro registro oficial ao vivo da banda. pra quem é fã, uma ótima retrospectiva. pra quem não conhece, o melhor jeito de se aprofundar no som dos caras.

RECOMENDO.

Tin Hat - Foreign Legion, 2010
★★★★

o ex-Tin Hat Trio tem feito, desde sua fundação em 1997, discos belíssimos, com uma inventiva mistura de erudito, folk, música de cabaré, jazz, e outros tantos estilos, com uma cara ao mesmo tempo erudita e acessível.

fundado por Rob Burger (acordeon), Mark Orton (violão) e Carla Kihlstedt (violino), o grupo gravou 5 discos - sendo o último já sem o “Trio” no nome, devido a saída de Burger, e a entrada de Zeena Parkins (harpa), Ben Goldberg (clarinete) e Ara Anderson (metais e teclados).

este disco que você pode baixar no link é o primeiro registro oficial ao vivo da banda. pra quem é fã, uma ótima retrospectiva. pra quem não conhece, o melhor jeito de se aprofundar no som dos caras.

RECOMENDO.

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20 reproduções

Max Richter - Infra, 2010
★★★★

Max Richter é um compositor, pianista e produtor alemão. Aluno de Luciano Berio, tocou a música de Arvo Pärt, Brian Eno, Philip Glass, Julia Wolfe e Steve Reich antes de começar a compor.

Se envolveu em várias produções e trilhas sonoras como o premiado Waltz with Bashir.

Este novo disco, quinto álbum solo da sua carreira, pode não ser tão bom quanto o antecessor 24 Postcards In Full Color, indicado aqui no Aporias como um dos melhores de 2008, mas ainda assim um ótimo exemplo da sua excelente música.

Site Oficial | Myspace

este link abaixo disponibiliza para download uma significativa amostra da enorme discografia do John Zorn.The Projects Of John Zorn
[via @richarley]

este link abaixo disponibiliza para download uma significativa amostra da enorme discografia do John Zorn.
The Projects Of John Zorn
[via @richarley]

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15 reproduções

inefficiente:

Julia Wolfe: LAD (for nine bagpipes), pt. 2
Dark Full Ride: Music in Multiples

Drone com 9 bagpipes; Julia Wolfe, integrante e fundadora do Bang on a Can

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11 reproduções

Club Foot Orchestra: Wild Beasts, Kidnapped, and More, 1995

★★★★½

Jazz com grande influência de Rock ou Rock com doses cavalares de Jazz? Big Band com cara de progressivo ou Avant-Garde mais acessível? Frank Sinatra ou Frank Zappa? Possivelmente nos meados dos anos 80 um termo resumiria isso tudo: Avant-Prog.

Seja qual nome você queira dar pro som do Club Foot Orchestra, uma coisa não dá pra negar: o grupo de músicos liderados por Richard Marriot fez algo peculiar.

Marriot fundou uma orquestra em 1983 pra tocar regularmente no The Club Foot, um point de músicos e artistas visuais na 2520 Third Street em São Francisco, EUA. Nessa turma não entrava só virtuoso tocando partes difíceis ou improvisando: os novatos músicos colaboravam com funções simples, porém essenciais.

Falando dos temas musicais especificamente, como você pode escutar no exemplo abaixo, a música era complexa sem assustar. Os metais tinham grande importância na orquestração do som cheio de contrapontos culminando numa mistura sem dogmas de jazz post-bop, easy-listening, rock, reggae, klezmer, mariachi, clássico etc e artistas marginais da época como Carla Bley, Xavier Cugat e Kurt Weill. Impossível, pra mim pelo menos, não lembrar de algumas fases do Zappa.

Dois foram os registros dessa época, lançados pela Ralph Records - e raríssimos hoje em dia: Wild Beasts (1985) e Kidnapped (1987). E são esses álbuns, na íntegra, que aparecem neste disco Wild Beasts, Kidnapped, and More lançado em 1995 (e em CD em 2007), com direito a mais 2 faixas extras.

Ou seja, pra quem quer conhecer o “Klezmer Paso Dobles” (Suerte de la Noche), “Balkan Surf” (Entrance), “Dinosaur Story Avant-o-rama” (Innocent), “No-Wave meets the Red Army Chorus on a cartoon bunny path” (Time Axe Bag Dad) do Club Foot Orchestra, essa é a porta de entrada perfeita e fácil.

A banda, depois dessa fase, enveredou num meio bem interessante, porém distinto do apresentado nesta coletânea: trilhas sonoras para filmes mudos. E não foram poucos: O Gabinete do Dr. Caligari, Nosferatu, O Encouraçado Potemkin, Fantasma da Ópera, entre outros além de releituras de Metropolis, Caixa de Pandora, etc

O grupo também compôs a trilha de 39 episódios do Gato Félix (The Twisted Tales of Felix the Cat, 1995-1997), o que faz todo sentido, já que a sonoridade da banda tem tudo a ver com desenhos animados.

Site Oficial

música pra ouvir: Suerte De La Noche (Wild Beasts)

comentários originais

riga 27/03/2009 às 11:57 pm carazza…excellent!!

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10 reproduções

Mark Feldman: Music For Violin Alone, 1995

★★★★★

É muito difícil falar de determinados artistas. Ao escrever sobre alguém você automaticamente está fazendo uma escolha, o que significa que está deixando de lado uma série de informações pertinentes, importantes… em função do tempo, do espaço, do seu mood, etc

E porque falar do Zezinho se eu poderia estar falando do Huguinho?

Escrever aqui sobre Mark Feldman foi escolhido ao acaso. É o que está tocando agora na minha vitrola digital. Possivelmente seu melhor disco.

Mas como ser breve ao comentar a história de um violinista que começou na década de 80 e fez shows ou gravou em algumas centenas de discos de artistas dos mais variados estilos como Pharaoah Sanders, John Abercrombie, Uri Caine, Dave Douglas, John Zorn, Sylvie Courvosier, Michael Brecker, Joe Lovano, Bill Frisell, Bobby Previte, Don Byron, Johnny Cash, Willie Nelson, They Might Be Giants… até Jimmy Swaggert?!

A lista de colaborações é gigantesca, mas compondo como líder de algum projeto, por enquanto, ele lançou apenas oito álbuns e este Music for Violin Alone é o primeiro deles, de 1995.

O que já pode ser notado de pouco usual logo de cara é a dica que o título dá: apenas um único violino. Sozinho, sem overdubs, nada. Tipo como se o cara tivesse em casa, à vontade, com o REC do aparelho da sala ligado.

São 11 faixas que não te fazem, em momento algum, sentir falta de outro instrumento. Feldman tem um domínio absoluto do seu instrumento. É de um ecletismo ímpar, tanto nas composições tipo clássico contemporâneo vs. avant-garde, como na interpretação.

O arco do violinho vira quase uma segunda voz, de tantas texturas, cores e nuances que ele consegue produzir: vai de glissandos delicados a “serras metálicas” dramáticas; com controle e elegância.

De novo, eu poderia ficar horas escrevendo e falando sobre esse cara; mas acho melhor parar por aqui. A nota lá em cima e o preview aqui em baixo (a segunda faixa, Jet, de quase 9 minutos) falam por si.

Site oficial

música pra ouvir: Jet

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5 reproduções

The Science Group: Spoors, 2004

★★★★½

The Science Group foi fundado em 1997 na França e, guardadas as proporções, poderíamos encarar como uma continuação do som do super-grupo inglês de avant-prog Henry Cow.

Não por acaso a comparação: o percussionista, baterista, compositor, letrista e teórico musical Chris Cluter toca nas duas bandas. O sócio-fundador do Cow, guitarrista Fred Frith, participa do primeiro do Science Group também. E, claro, o som: uma combinação de avant-prog com jazz, clássico, experimental, eletrônico, ambient, RIO, avant-garde, e o que mais aparecer tem muito do clima da banda inglesa.

Chris Cluter parece viver numa realidade paralela. Ao menos temporalmente falando: é impressionante a quantidade de projetos que o cara se envolve: Slapp Happy, Art Bears, Aksak Maboul, Cassiber, News From Babel, David Thomas and The Pedestrians, Peter Blegvad, Pere Ubu, Zeena Parkins, The Residents, Lindsay Cooper, Gong, fora os discos solos (3, por enquanto), livros, participação em filmes, etc.

Americano nascido em 1947, cresceu na Inglaterra e nunca estudou música. Em 1971 foi convidado a substituir o baterista da banda Henry Cow… e aí que toda a história do cara começa.

Foi com Fred Frith e Tim Hodgkinson que, no final dos anos 70, ele fundou o Rock In Opposion (RIO), um movimento/coletivo de bandas unidas em oposição à industria músical. O festival que iniciou o movimento tinha como slogan “The music the record companies don’t want you to hear” (A música que as gravadoras não querem que você ouça) e dele fizeram parte, além do Henry Cow: Stormy Six, Samla Mammas Manna, Univers Zero e Etron Fou Leloubla. Só coisa fina. :)

De lá pra cá RIO virou sinônimo de avant-garde progressive rock (avant-prog, pra encurtar) ou rock experimental.

Essa galera toda merece alguns vários posts no Aporias (Marcio Nigro, inclusive, já escreveu aqui no blog sobre bandas que se encaixam no gênero: Magma e Alammailman Vasarat), mas foquemos no The Science Group.

Viagem no tempo para 1996. Chris Cutler propõe ao amigo Stevan Tickmayer (compositor contemporâneo erudito e tecladista) gravar um disco usando seus textos sobre ciência que ele vinha desenvolvendo desde 1992. Era o começo do Science Group. A dupla então chamou alguns convidados especialíssimos pra colaborar: Fred Frith (resenha aqui), Claudio Puntin (clarinete), Amy Denio (voz), Bob Drake (do Thinking Plague, baixo, guitarra, percussão).

Em 1999 lançam o A Mere Coincidence pelo selo inglês Recommended Records (do próprio Cutler).

Em 2003, parte desse grupo - Cutler, Tickmayer, Drake junto com o guitarrista e compositor Mike Johnson, fundador do Thinking Plague - lança o instrumental Spoors.

As vozes, pra quem não gostou delas no primeiro disco, não estão presentes, o que, de certa maneira, poderia dar um ar mais acessível ao disco. Mas não: aqui o som é menos rock, mais erudito, com uma levada dark e obliqua e que até se arrisca, em alguns momentos, a incluir elementos e instrumentos eletrônicos na orquestração.

O disco de 15 faixas é dividido em 4 “suites”: Timelines (temas mais velozes, matemáticos e complexos), New Indents (temas mais soltos, experimentais, em levadas dissonantes quando não atonais, onde as teclas tem maior importância), Bagatelles (mais pesado, meio circense, cujas cordas aparecem mais) e Old and News Paths (bem avant-prog, rock, esquisito, lembrando, em vários momentos, o trabalho erudito do Zappa).

Brilhante.

Chris Cutler oficial

Chris Cutler wiki

Tickmayer

RIO wiki

música pra ouvir: Old And New Paths: Discrete Networks

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6 reproduções

Louis Andriessen: De Stijl; M Is for Man, Music, Mozart, 1994

por Lulu Camargo

★★★★★

Teve um tempo em que compositor minimalista que se prezasse trabalhava em colaboração com Robert Wilson e Peter Greenaway. Foi assim com o Phillip Glass (Einstein on the Beach), ou Michael Nyman (as trilhas dos filmes do Peter Greenaway).

Pois o Louis Andriessen é um danado: trabalhou com ambos.

Minimalista europeu, mais especificamente holandês, mais especificamente de Amsterdam (ô tentação de cidade!), consegue sair da tendência meio new age dos seus colegas norte-americanos, jogando deliberadamente fora todo o improviso e as texturas climáticas.

O lance aqui é fazer música da forma mais racional e direta possível. Tipo assim, como já indica a capa do CD, um Mondrian sonoro.

Tive o prazer de assistir umas palestras com ele. Quando perguntado por que não escrevia para a formação orquestral tradicional respondeu: “primeiro por que as orquestras geralmente não gostam de tocar a minha música; e além disso, a orquestra tradicional não tem baixo elétrico!”

Louis Andriessen no Wikipedia

música pra ouvir: De Stijl

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10 reproduções

Uakti: Trilobyte, 1996

★★★★½

Recentemente, por causa de um trabalho no qual estive enfurnado por meses, comentei com diferentes pessoas sobre o Uakti e qual foi a minha surpresa ao descobrir, quase 100% das vezes, que não se conhecia a música desse grupo mineiro.

Po, triste saber que um grupo de tamanha qualidade, criatividade e importância não foi assimiliado pelos seus conterrâneos. Me sinto na obrigação de falar dele neste espaço.

Uakti é uma oficina instrumental. Marco Antônio Guimarães, fundador, maestro e diretor artístico do grupo, começou em 1978 a criar seus próprios instrumentos, influenciado pelo seu mestre Smetak (o homem, o mito).

Vinte e nove anos depois, com 10 CDs lançados no Brasil e no exterior e tendo trabalhado com artistas como Philip Glass, Paul Simin, Milton Nascimento, Manhattan Transfer, Grupo Corpo, Naná Vasconcelos e muitos outros, o Uakti continua tendo um papel importantíssimo na música instrumental brasileira.

Aerofones, Electromecânicos, Idiofones, Membranofones e Cordofones: os instrumentos construídos com materiais do cotidiano como tubos de PVC, vidros, borracha, acrílico, água, panelas, latinhas, garrafões, adquirem uma sonoridade única e muito particular.

Uakti

Escolher um disco pra destacar aqui é um desafio. Apesar de acreditar que a obra do grupo seja heterogênea e contenha alguns álbuns pouco inspirados (na minha opinião… veja só), existem ótimos discos - assinados tanto como Uakti como apenas pelo lider do grupo (Marco Antônio fez trilhas sonoras como Lavoura Arcaica e esta que deve ser lançada em breve, d’A Pedra do Reino).

Então segui meu coração: a música Arrumação é uma das suas mais perfeitas composições e gravações, daquelas de ouvir dezenas de vezes sem se cansar e ainda descobrir novos detalhes e nuances. Sua sensibilidade e delicadeza são absolutamente singulares. Tanto na performance quanto na criação musical.

Trilobita, o nome que o instrumento empresta ao disco, tem um som de destaque nessa faixa. Tocada com os dedos - quase como se fossem tablas - o Trilobita é formado por tambores que, por sua vez, nada mais são que tubos de PVC com pele de cabra esticada em uma das suas extremidades.

Seus shows são um capítulo à parte, já que neles temos a oportunidade de ver todas essas incríveis (e belas) criações instrumentais (Aqualung é uma das minhas prediletas: um filete d’água é que produz o som, amplificado por 2 tubos), além da performance dos excelentes músicos Paulo Santos, Artur Andrés e Décio Ramos.

Site Oficial

Uakti instrumentos

música pra ouvir: Arrumação

comentários originais

Antonio Brandao Junior 16/05/2009 às 6:17 pm Oi Carlos, parabéns pela iniciativa. Vejo que você tem bom gosto musical. Também, como você, fico decepcionado com o fato de o trabalho do Uakti não ser tão conhecido no Brasil e principalmente em Minas. Talvez seja por causa da alienação cultural em que nosso povo está “doentemente” mergulhado. Desejo-lhe sucesso pelo espaço e que esse trabalho maravilhoso do Uakti, possa ser mais conhecido em nosso pais. Valeu, grande abraço.

Álvaro Manhães 25/11/2007 às 9:56 am Olá! Sou músico e professor e estou encantado com este trabalho. Por curiosidade comecei a utilizar experimentalmente seguindo uma publicação da revista nova escola e obtive um resultado fantastico. Gostaria de saber mais e ter acesso as variações por sobre idiofones e tudo que possível e de fácil implementação no trabalho de musicalização infantil. Trabalho atualmente com crianças de 9 a 16 anos do PETI (PROGRAMA DE ERRADICAÇÃO DO TRABALHO INFANTIL)de quissamã no RJ e procuro inserir junto a musicalização o senso de preservação e outros ganhos para humanidade. Desde ja agradeço qualquer colaboração no sentido de me fornecer mais informações e modelos de instrumentos para implantar no meu trabalho. E prometo dar os devidos créditos aos seus idealizadores. Muitíssimo obrigado.

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10 reproduções

Quincy Jones: In Cold Blood, 1967

★★★★½

In Cold Blood, baseado no livro de mesmo nome de Truman Capote, foi o primeiro filme comercial a usar a palavra “shit”.

Quincy Jones foi o cara que arranjou e produziu o disco de maior sucesso da história da música pop.

Jones fez grandes trilhas sonoras, várias delas bem conhecidas como, por exemplo, a Cor Púrpura mas, por alguma razão, esse excelente thriller [com o perdão do trocadilho] foi meio esquecido. Talvez por não ser muito o que se espera mais dele (e que faz divinamente bem): música black, funk, soul. Ou talvez porque esqueceram mesmo… Por isso tô aqui pra lembrar.

Nem consegui descobrir se foi lançado em CD, o que seria lamentável. Em todo caso, uma cópia digital de vinil roda por aí na internet. Meio difícil de conseguir, mas vale a pena.

música pra ouvir: In Cold Blood

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6 reproduções

Corleone: Wei Wu Wei, 2005

★★★★★

Engraçado como certas dicas caem do céu assim, sem você pedir. Um velho amigo de ondas cyber-fuckin’-internéticas, sem mais nem menos, me repassa uma mensagem vinda da lista de discussão que ele conduz há tempos, a Bungle Weird, da qual já fiz parte por alguns anos. Nela, um caritativo e civil ser comenta sobre esse disco do qual nunca ouvi falar.

Baixo o disco.

:-O

Corleone é um projeto “avant-garde sicilian jazz core” do italiano Roy Paci.

Paci lidera um octeto pop bem divertido chamado Roy Paci & Aretuska, que vai numa onda mais Mano Negra / patchanka, e tem lançados 3 LPs e outros 6 EPs e singles. Já participou de discos de uma baletada de artistas italianos cujos nomes não adianta nada eu escrever porque nem eu nem você conhecemos, mas eu vou dar um copy/paste mesmo assim pra causar uma boa impressão à esse texto: Pascal Comelade, Ivano Fossati, Piero Pelù, Samuele Bersani, Teresa De Sio, Subsonica, Tonino Carotone, Nicola Arigliano, Daniele Sepe, Luca Barbarossa, Vinicio Capossela, Macaco, Africa Unite, Persiana Jones, Radici nel cemento, Il parto delle nuvole pesanti, 99 Posse, Arpioni, Negrita, Jovanotti, etc. Foda né? :P

Antes de formar o Aretuska, o trompetista e flugelhornista tocava no Mau Mau, um grupo italiano pop de relativo sucesso nacional.

E porque eu tô contando tudo isso e onde o avant-garde entra nessa história? Bem, é justamente isso o mais curioso pra mim. Esses artistas todos aí em cima são de pop, rock, eletrônico, jazz tradicional, música italiana; a outra banda de Paci é rock/pop patchanka bem-feito. E, de repente, o cara comete um disco como este.

Wei Wu Wei é brilhante. Rola uma surpresa atrás da outra nesse disco de composições inéditas de Roy Paci (+ um cover da Come Live Your Life With Me) que trás um naipe eclético de músicos convidados. As faixas passeiam por incontáveis ambiências e referências. Só pra citar algumas: Nino Rota, Ornette Colleman, Miles Davis, ska, reggae, dub, klezmer, canto africano (uma faixa tem participação de Mohamed El Badaui), jazz tradicional, jazz experimental, electronica, trip-hop, trilhas de filmes italianos 60’s e 70’s, sapateado, tango, funk, Flat Earth Society, etc, etc. Acho que eu nunca usei tantas tags pra definir um disco como este aqui.

Algumas composições, em especial, lembram muito Zappa. A liberdade e o astral das músicas também me fizeram recordar de um dos melhores discos do John Zorn, aquele de interpretações de músicas do Ennio Morricone, The Big Gundown de 1985 - embora o do Zorn seja ainda mais eclético e variado (e experimental e caótico).

O álbum soa livre por todos aqueles estilos. É fresco e variado; excêntrico e belo na medida certa. E tem uma personalidade italiana embutida em todas as músicas. Curioso isso, porque eu não saberia expressar em palavras o que faz parecer tão “italiano” nesse contexto.

Valeu, Pablo Fernandez e Nelson Endebo, pela excelente dica.

Corleone

Roy Paci

música pra ouvir: Doverosi Sballi

comentários originais

Nelson Endebo 20/04/2007 às 9:30 am Ô Carlos, volta pra BungleWeird! Tá rolando um monte de música bacana por lá… Volta lá pra gente trocar idéia! abraço

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6 reproduções

John Zorn: Six Litanies for Heliogabalus, 2007

★★★★★

Finalmente.

Quem me conhece sabe o quanto eu curto o trabalho do John Zorn. E quando eu falo “curto”, não é força de expressão… o figura tem uma discografia realmente extensa, com 4 a 8 lançamentos por ano desde 1980 - e eu acompanho cada lançamento desde que conheci o seu trabalho, em 1991.

O nome deste blog, inclusive, cita o título de um dos discos do cara (Aporias: Requia for Piano & Orchestra), de 1998.

Eu vinha evitando falar dele aqui por algumas razões. Primeiro porque seria previsível. Segundo porque eu não conseguia decidir qual disco escolher. Terceiro porque eu tava esperando uma oportunidade como esta - um disco novo de composições inéditas. Mas tinha que ser foda.

Este é.

Ano passado, Zorn juntou Mike Patton (Fantômas, Mr. Bungle, Tomahawk, etc), Trevor Dunn (Mr. Bungle, Secret Chiefs 3, Trevor Dunn’s Trio-Convulsant, etc) e Joey Baron (Naked City, Masada, Dave Douglas, Paul Motian, etc) e compôs 2 discos “hardcore song cycle scored for” voz, baixo e bateria: Moonchild e Astronome.

O primeiro é ok, mas nada muito especial. O segundo já deu pra tirar o chapéu - opinião que, vinda de um fã, não quer dizer muita coisa :P - e quase entrou entre Os Melhores do Ano deste blog.

Aí veio o Six Litanies for Heliogabalus. Nesta continuação de Moonchild/Astronome, Zorn chamou mais gente pra colaborar. Se liga: Ikue Mori (eletrônicos), Jamie Saft (órgão) e o trio de vozes femininas formado por Martha Cluver, Abby Fischer e Kirsten Soller além do próprio compositor com seu instrumento oficial, o sax alto.

Que disco! Beleza, sei que é suspeito… mas que disco! :D

É o primeiro graaaande disco de Zorn, na minha opinião (tirando os da série Film Works e Masada), desde Xu Feng de 2000 e do projeto colaborativo The Stone: Issue One de 2005 que, por coincidência, também trazia Mike Patton entre os integrantes - além de Dave Douglas, Bill Laswell, Rob Burger e Ben Perowsky.

Assim como os outros dois discos “primos”, Six Litanies for Heliogabalus mostra uma complexa e intrincada mistura de música clássica moderna, metal, hardcore, jazz, música medieval além de sacadas de bom humor e algumas diarréias.

Numa espécie de improviso espontâneo organizado (Zorn é bom nisso, tendo desenvolvido estudos e técnicas apuradas e precisas para orquestrar o caos - os discos da série Cobra são bons exemplos disso), a música tem inspiração nos “excessos decadentes do imperador/criança-deus que fez Calígula e Nero parecerem seres humanos razoáveis - assassinando em jantares seus convidados em chuvas de pétalas de rosas perfumadas”.

As possibilidades são infinitas com esse grupo de integrantes que, pra melhorar a coisa, já trabalharam inúmeras vezes juntos em outros projetos, o que certamente trás uma intimidade ao tocar. Nesgas de Mr. Bungle, Naked City, Fantômas e Electric Masada passam pela mente ao escutar o álbum mas, apesar disso, ele não soa como nenhum desses projetos.

As seis composições tem climas e intensidades diferentes sendo o solo de voz de 8 minutos um dos destaques. Impressionante como Patton desenvolveu sua técnica de improviso vocal, não deixando nada a dever aos mestres japoneses como Yamantaka Eye.

Litany II tem uma condução mais jazz, com boa participação de Jamie Saft, e possivelmente é a que mais lembra o velho e bom Naked City.

O trio feminino faz um papel incrível no meio do desencontro cru e distorcido dos outros instrumentos - em especial na faixa Litany III de 10 minutos e meio sem repetição de um único compasso.

Praticamente um disco erudito contemporâneo tocado por uma banda de rock.

Candidato a disco do ano - enter. :)

Site do selo Tzadik de John Zorn.

Mais sobre Zorn no Wikipedia.

música pra ouvir: Litany I

comentários originais

O místico velhinho do Nepal 31/05/2007 às 4:54 am Caralho… Esse disco é genial, no nível do Astronome e superior ao Moonchild. John Zorn é, sem dúvidas, o melhor compositor do século 21.

Fábio A. 24/05/2007 às 1:00 pm Sem sombra de dúvidas este é mais um disco hiper criativo do Zorn e sua turma! Nota 11 pro Patton!

gustavo 25/04/2007 às 5:05 pm muito foda,absurdo esse album ,fora ,nãosei direito se é um album dele ou alguma participação que tem , fred frith , zeena parkins e john zorn, que uma viagem tbm muito bom.

Fabiano 18/04/2007 às 9:31 pm Realmente esse disco é bompra dedéu. Sou como vc um fã d Zorn e sua turma. Se faltar algo especial em sua discografia posso te ajudar. Abrç

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5 reproduções

Christopher Young: The Grudge, 2004

★★★★

Se você curte filme de terror, esse soundtrack é dos bons.

Christopher Young já tá na área há tempos. Fez trilhas do Hellraiser 1 e 2, Copycat, Glass House, The Exorcism of Emily Rose e mais recentemente do Ghost Rider.

Considero esse um dos seus melhores trabalhos, pelo clima que a trilha passa, pela composição principal ser especialmente interessante e, principalmente, por ser uma daquelas trilhas legais de se ouvir mesmo sem as imagens pras quais elas foram criadas.

Pra ouvir com subwoofers, bem alto e no escuro. :D