2 reproduções
★★★★½
Se tem uma banda de post-rock que eu considero singular, essa se chama Laddio Bolocko.
Esses caras tem a atitude e originalidade que falta em muitos novos lançamentos do gênero (?).
Se você tem achado o Battles novo um puta disco (que, de fato, é), ouça este, com músicas do final da década passada. :)
Ok, não quero entrar de novo naquelas análises de vantagens e desvantagens de se usar rótulos. Sempre fui contra eles até começar a escrever este blog e me tocar que, sem um pouco de generalização, fica difícil demais de falar de música.
O que o Laddio Bolocko tem de post-rock é o fato de ser instrumental, levar boas doses de experimentalismo às suas composições, utilizar instrumentos eletrônicos pra compor com guitarras, baixo e bateria, e ter forte influência de minimalismo, avant-garde jazz, math e ambient.
Mais que isso, a banda novaiorquina formada por membros do Mars Volta, Panicsville, Craw and Chalk e Dazzling Killmen em 1996, incorpora muito do kraut rock, de noise tipo Flying Luttenbachers ou Ruins, uma sujeira e caos post-punk de um This Heat, além de uma certa irreverência instrumental.
Com músicas variando de 60 segundos a 34 minutos, esse disco duplo é uma compilação de todas as gravações da banda que, infelizmente, já acabou. O primeiro disco contém o Strange Warmings of Laddio Bolocko, de 1997, e é mais sombrio, sujo e experimetal. O segundo disco, no entanto, é mais hipnótico e psicodélico, compilando os EPs In Real Time, de 1998 e As If By Remote de 1999.
Se você não curte noise, fuja desse disco. Mas se você está à procura de sons com personalidade e culhões :P , Laddio Bolocko pode ser uma ótima pedida.
10 reproduções
★★★★
Esses últimos tempos só escutando discos que conhecia bem, mas que há mais de meia década eu não ouvia, tem provocado as mais diferentes reações: coisas que eu achava geniais há 8 ou 10 anos e que agora soam insosas ou ultrapassadas ou mesmo chatas; e coisas que antes pareciam ok e que agora revelam-se excelentes experiências.
Este disco do Autopoieses faz parte da segunda e animada turma.
Tomei contato com o som do duo alemão na mesma época da onda Warp de IDM que pululava, no final da década passada, por entre os ouvidos descolados da modernidade paulistana (sic). Entre um Autechre e outro Squarepusher, apareceu lá um disco meio estranhão, diluído, experimental e ambiente - na época, assumo, não dei muita atenção.
O disco La Vie Á Noir, que deu origem a esse de remixes, tinha 11 faixas. Todas sem nome. Nele, samples de film noir são processados e desconstruídos de forma abstrata e experimental.
Este em questão, lançado no mesmo ano, traz 45 faixas, também sem título, embaladas com uma capa com cara de caixa de CD vazia e sem qualquer informação escrita. Assim como o disco original, o experimentalismo da construção sonora por samples e processamento digital parece ser o mote principal do álbum, mas aqui, talvez pela variedade maior de faixas e, consequentemente experimentos, ou pelo fato de ser mais “ambiente”, ou pela simples releitura inspirada (com adicional participação de Vladislav Delay, Kit Clayton, Terre Thaemlitz e Gez Varley em algumas reinterpretações), La Vie Á Noir (Remixes) dá um banho no anterior.
Não é um disco de fácil audição, bem pelo contrário. Fones de ouvido acompanham muito bem e ajudam a ressaltar as sonoridades hipnóticas e a inventividade na construção sonora, repleta de texturas, cliques, ruídos e barulhos. Mas é daqueles álbuns que vale a pena escutar (bem) mais de uma vez, pra descobrir e entender melhor o trabalho.
A duo acabou logo na sequência.
Ekkehard Ehlers, começou a gravar solo sob o nome de Auch ou mesmo sob seu nome verdadeiro. Sebastian Meissner passou a lançar discos sob as alcunhas de Random Inc. Bizz Circuits, Klimek e Random Industries.
Site Oficial cuidado com o volume :P
música pra ouvir: Untitled 03
Daniel a.k.a. Suss4 26/09/2007 às 2:39 pm opa, eae Bêla! tá bacana o blog, tem bastante coisa pra fuçar„, depois vou passar o pente fino com calma, vi que tem varias coisas do meu agrado… link musical do dia: http://www.youtube.com/watch?v=U2Kxf6TUAFI beeem bacaninha, Los Pekenikes.

★★★★
Excelente disco de estréia da banda Grand Ulena. Noise, ritmos assimétricos e muita dissonância.
Trio de guitarra, baixo e bateria tipo Orthrelm, Ho-Ag, Usaisamonster e, claro, Ruins.
ouça um preview do disco no Last.fm
Site Oficial com uma música pra download.
3 reproduções
★★★★½
Não, apesar do nome, essa banda não é formada por transexuais. Ao menos isso não foi revelado ao público… ainda. Aliás, não consegui descobrir nada a respeito da origem desse nome. Mas isso não vem ao caso.
eX-Girl é um grupo japonês formado por três… err… garotas: Kirilo (baixo e synth), Keikos (guitarra) e Yoko (bateria). Todas cantam. Juntas, num esquema meio ópera meio música japa. Elas vieram de um planeta chamado Kero Kero (não conheço lá, se alguém aqui tiver vindo de lá, mande algumas fotos!).
Apesar da clara influência do New Wave, o trio faz um som sem similares, incorporando um pouco de eletrônica, punk, noise e psicodelismo ao rock/pop. Não é pra tocar em rádio, mas dá pra cantar junto fááácil.
Aliás, falando em rádio, ouvi pela primeira vez o som delas (assim como de outras tantas bandas legais como The Fabrications, Degenerate Art Ensemble, Marcelo Radulovich, The Creeping Candies, Lothar and the Hand People, etc) no podcast da MusicNerve.
Recomendo!
Assim como o som das mina.
涼しい
música pra ouvir: e-sa-ya
6 reproduções
★★★★★
Finalmente.
Quem me conhece sabe o quanto eu curto o trabalho do John Zorn. E quando eu falo “curto”, não é força de expressão… o figura tem uma discografia realmente extensa, com 4 a 8 lançamentos por ano desde 1980 - e eu acompanho cada lançamento desde que conheci o seu trabalho, em 1991.
O nome deste blog, inclusive, cita o título de um dos discos do cara (Aporias: Requia for Piano & Orchestra), de 1998.
Eu vinha evitando falar dele aqui por algumas razões. Primeiro porque seria previsível. Segundo porque eu não conseguia decidir qual disco escolher. Terceiro porque eu tava esperando uma oportunidade como esta - um disco novo de composições inéditas. Mas tinha que ser foda.
Este é.
Ano passado, Zorn juntou Mike Patton (Fantômas, Mr. Bungle, Tomahawk, etc), Trevor Dunn (Mr. Bungle, Secret Chiefs 3, Trevor Dunn’s Trio-Convulsant, etc) e Joey Baron (Naked City, Masada, Dave Douglas, Paul Motian, etc) e compôs 2 discos “hardcore song cycle scored for” voz, baixo e bateria: Moonchild e Astronome.
O primeiro é ok, mas nada muito especial. O segundo já deu pra tirar o chapéu - opinião que, vinda de um fã, não quer dizer muita coisa :P - e quase entrou entre Os Melhores do Ano deste blog.
Aí veio o Six Litanies for Heliogabalus. Nesta continuação de Moonchild/Astronome, Zorn chamou mais gente pra colaborar. Se liga: Ikue Mori (eletrônicos), Jamie Saft (órgão) e o trio de vozes femininas formado por Martha Cluver, Abby Fischer e Kirsten Soller além do próprio compositor com seu instrumento oficial, o sax alto.
Que disco! Beleza, sei que é suspeito… mas que disco! :D
É o primeiro graaaande disco de Zorn, na minha opinião (tirando os da série Film Works e Masada), desde Xu Feng de 2000 e do projeto colaborativo The Stone: Issue One de 2005 que, por coincidência, também trazia Mike Patton entre os integrantes - além de Dave Douglas, Bill Laswell, Rob Burger e Ben Perowsky.
Assim como os outros dois discos “primos”, Six Litanies for Heliogabalus mostra uma complexa e intrincada mistura de música clássica moderna, metal, hardcore, jazz, música medieval além de sacadas de bom humor e algumas diarréias.
Numa espécie de improviso espontâneo organizado (Zorn é bom nisso, tendo desenvolvido estudos e técnicas apuradas e precisas para orquestrar o caos - os discos da série Cobra são bons exemplos disso), a música tem inspiração nos “excessos decadentes do imperador/criança-deus que fez Calígula e Nero parecerem seres humanos razoáveis - assassinando em jantares seus convidados em chuvas de pétalas de rosas perfumadas”.
As possibilidades são infinitas com esse grupo de integrantes que, pra melhorar a coisa, já trabalharam inúmeras vezes juntos em outros projetos, o que certamente trás uma intimidade ao tocar. Nesgas de Mr. Bungle, Naked City, Fantômas e Electric Masada passam pela mente ao escutar o álbum mas, apesar disso, ele não soa como nenhum desses projetos.
As seis composições tem climas e intensidades diferentes sendo o solo de voz de 8 minutos um dos destaques. Impressionante como Patton desenvolveu sua técnica de improviso vocal, não deixando nada a dever aos mestres japoneses como Yamantaka Eye.
Litany II tem uma condução mais jazz, com boa participação de Jamie Saft, e possivelmente é a que mais lembra o velho e bom Naked City.
O trio feminino faz um papel incrível no meio do desencontro cru e distorcido dos outros instrumentos - em especial na faixa Litany III de 10 minutos e meio sem repetição de um único compasso.
Praticamente um disco erudito contemporâneo tocado por uma banda de rock.
Candidato a disco do ano - enter. :)
Site do selo Tzadik de John Zorn.
Mais sobre Zorn no Wikipedia.
música pra ouvir: Litany I
O místico velhinho do Nepal 31/05/2007 às 4:54 am Caralho… Esse disco é genial, no nível do Astronome e superior ao Moonchild. John Zorn é, sem dúvidas, o melhor compositor do século 21.
Fábio A. 24/05/2007 às 1:00 pm Sem sombra de dúvidas este é mais um disco hiper criativo do Zorn e sua turma! Nota 11 pro Patton!
gustavo 25/04/2007 às 5:05 pm muito foda,absurdo esse album ,fora ,nãosei direito se é um album dele ou alguma participação que tem , fred frith , zeena parkins e john zorn, que uma viagem tbm muito bom.
Fabiano 18/04/2007 às 9:31 pm Realmente esse disco é bompra dedéu. Sou como vc um fã d Zorn e sua turma. Se faltar algo especial em sua discografia posso te ajudar. Abrç
4 reproduções
★★★½
Vi outro dia no ótimo blog Polaroid Rainbow um post sobre o Queen, meio que se desculpando e ao mesmo tempo homenageando a banda.
Nunca morri de amores por eles. Eu era, na época que conheci a banda - meados dos 80’s - mais da turma que curtia um som mais cru como Kiss e AC/DC ou eletrônico como Kraftwerk. Mas não há como negar a importância e a qualidade do quarteto liderado pelo Bigode. Ainda assim, gosto é gosto.
Mas o tal post me fez lembrar de uma coletânea-tributo lançada em 2002 pelo selo Three One G: Dynamite With A Laserbeam. O sub-título do disco já explica bem a sua proposta: “Queen como se ouvido através de um moedor de carne”
Se você gosta de barulho, esse disco é pra você. São 16 músicas, que variam em duração de 56 segundos a pouco mais de 5 minutos. Ou seja, acaba sendo um disco curto - que não enjôa.
As interpretações de algumas faixas são incríveis (no sentido mais literal possível). Acaba sendo legal pra conhecer bandas boas (e bem mais ecléticas do que podem parecer) como o excelente Upsilon Acrux, o Asterisk, o Locust… além dos mestres Melt Banana.
A desconstrução musical é quase constante nas interpretações, o que, em alguns casos, resulta em boas versões como a Another One Bites The Dust (The Get Hustle) e Vultan’s Theme (The Spacewürm) Versões mais lineares também aparecem pra dar uma quebrada na loucura, como a We Are The Champions (Das Oath), bem menos melosa e chata (sorry, não aguento essa música) que a original.
Há também rock industriais como a versão pra Who Needs You do Sinking Body ou a Lilly Of The Valley pelo Bastard Noise (o nome da banda traduz muito bem o som… barulho máximo sem nenhum controle). Outras mais psicodélicas como o Gogogo Airheart tocando Death On Two Legs ou uma meio Sonic Youth sem guitarras da The Fairy Feller’s Master Stroke pelo Glass Candy.
Os destaques ficam pra já citada banda Upsilon Acrux, tocando uma versão surreal de Bicycle Race - pela originalidade na interpretação e reconstrução da música - e pra última faixa do disco, tocada pela banda de mais nome entre as 16 do tributo, os japoneses do Melt Banana, interpretando a We Will Rock You meio low-tech com scratches na guitarra. Só faltou, pra mim, ter outra banda importante e significativa da “área”, o Orthrelm… ou mesmo os caras do Arab On Radar. Ambos já gravaram por este selo. Pena.
Por serem estilos completamente diferentes (o do Queen e o dessas bandas), o resultado são músicas curiosas, meio pop meio noise, meio desconjuntado meio engraçado.
Você pode achar um sacrilégio com o Bigode e sua trupe… mas, como eu disse lá em cima, gosto é gosto! :)
PS: falando em sacrilégio com o Queen - nada a ver com esse disco - você já viu o clipe da versão do Electric Six pra Radio Ga Ga? Poucas vezes ri tanto com um clipe. Veja aqui.
editado em 09.02.07: retirado informação errada sobre a banda Asterisk
música pra ouvir: Bicycle Race
samuca 12/02/2007 às 2:20 pm Fala Bêla, vim aqui dá um bizu no teu brógue e tu tá me falando em Dancing Queen, carái? hahaha Abraço, man! Samuca
Carlos Bêla 09/02/2007 às 2:15 pm Nelson, Você está certo. Eu tinha confundido Asterisk com Asva, essa sim com o Trey Spruance. Valeu pelo toque! Abraço
Nelson Endebo 09/02/2007 às 11:17 am Carlos, um comentário: o Asterisk é uma banda sueca de grindcore, e, até onde eu sei, a única relação deles com o Trey Spruance é uma resenha de autoria dele na página da Mimicry. De resto, o álbum é mesmo incrível. Valeu pelo bom trabalho, abraço!