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baixe a compilação de todo o trabalho do ótimo Microscopic Septet comentada neste post aporias. The Microscopic Septet – Seven Men In Neckties (2CD) (2006)

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The Microscopic Septet – Seven Men In Neckties (2CD) (2006)

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Medeski, Martin & Wood: Radiolarians 1, 2008

★★★★★

Começaram o ano com o divertido Let’s Go Everywhere, para crianças - e com a participação delas. No meio do ano, sai o Zaebos (*), décimo primeiro volume do segundo livro de Masada do amigo, colaborador e admirador de longa data John Zorn. E agora, no finalzinho do mês passado, logo após sua passagem pelo Brasil com shows incríveis, lançam pelo próprio selo, o Radiolarians 1.

Já posso dizer que dois mil e oito foi o ano do trio Medeski, Martin & Wood. Tanto que abri uma excessão no blog: a de, a princípio, comentar apenas um disco por artista.

Se você não foi aos shows do MMW, e curte aquele jazz com groove tão característico da banda… esqueça este disco. :P E o anterior também (*).

Abre parênteses.

Engraçado como algumas bandas são rapidamente encaixadas em determinados nichos ou estilos, sem uma análise minimamente mais cuidadosa. O interessante disso é que é bem comum essa generalização vir dos próprios fãs, justamente aqueles que conhecem melhor o trabalho do artista.

MMW infelizmente cai facilmente nesta armadilha. Eles fazem jazz/funk? Sim, certamente. Mas só isso? Nem fudendo.

Dando uma rápida passada na discografia da banda… ou mesmo ouvindo 3 ou 4 dos seus discos mais representativos, é fácil perceber que o trio vai muito além dessa percepção jazz-moderninho-feliz-grooveado.

Os caras vieram de uma escola avant-garde, calcada em improviso e experimentação. Nos anos 80, antes da fundação oficial do trio, se esbarraram em gravações e shows de artistas como Bob Moses, John Lurie, John Zorn, Ned Rothenberg, Bob Mintzer, Dewey Redman, Alan Dawson, etc.

Todos seus discos trazem esse lado, junto com samba, country, reggae, salsa, jazz tradicional, etc com igual ou até maior importância que o funk. Alguns de seus álbuns mal “esbarram” no groove, como, por exemplo, o Tonic, o Notes From The Undergound e, principalmente, o Farmer’s Reserve.

Fecha parênteses.

A liberdade criativa que eu esperava no primeiro disco lançado pelo selo próprio e comentada no post anterior da banda só apareceu agora.

Primeiro de três volumes, a série Radiolarians (ou radiolários, em português: protozoários amebóides que dão origem a esqueletos minerais, encontrados no plâncton oceânico - e tão divinamente ilustrados pelo biólogo alemão Ernst Haeckel no começo do século passado, inclusive na capa deste álbum) tem justamente a proposta de liberdade total.

Medeski comenta que “a banda não é sobre música, per se, e sim sobre as sensações e sentimentos que vêm dela”. É fácil entender isso quando você vai a um show deles e se vê viajando boquiaberto por horas numa espécie de (desculpa a bicho-grilagem) viagem sensorial. Os caras estão lá claramente pela experiência, pela experimentação - não pra fazer bonitinho tocando “hits” pro público bater o pezinho. São até meio mal educados, pouco se comunicam com o público. Pena.

Claro que não estamos falando de um free-jazz absoluto. Neste Radiolarians 1, eles não esqueceram o lado mais acessível e que lhe deu boa parte da fama - e da maldição comentada nos parênteses acima - e se (nos) deliciam com ótimos temas como “Professor Nohair” ou “Free Go Lily”. Mesmo nessas, um groove é facilmente deixado de lado para improvisos de todas as espécies, ora de piano ou órgão, ora de baixou, ora de bateria, para depois voltar ao balanço.

Mas são as músicas mais “soltas” que eu acredito que fazem deste o melhor trabalho do trio em anos.

Reliquary (ouça acima), como comentou um querido amigo, é praticamente um Hendrix psicopata. No disco ela quase chega a 8 minutos, contra uns 12 ou 15 dos shows da banda aqui no Brasil. A brusca interrupção do tema nervoso inicial pra um piano delicado no meio da música já valeu, pra mim, a audição do álbum.

A idéia de feitura deste álbum, que originalmente deveria se chamar Viva La Evolution é muito interessante. Eles se juntaram por 5 dias pra compor e trocar material que cada um dos integrantes tinha criado separada e anteriormente. Logo na sequência, sairam em turnê, tocando quase que exclusivamente esse material inédito, entre um ou outro tema antigo e mais conhecido do seu público, perto do bis :P

Finalizada a tour, o trio entrou num estúdio por 3 ou 4 dias e gravou esse material novo.

Agora, abandonarão esses temas e começarão tudo de novo, mais 2 vezes - o que resultará nos próximos volumes da série Radiolarians.

A julgar por esse começo, acredito que estamos tendo a oportunidade de conhecer um renascido MMW, mais sensorial, mais livre e, por que não dizer, mais sincero.

E agora com seu exosqueleto de quitina à mostra!

(*) Vale fazer aqui um pequeno comentário a respeito do Book of Angels, Vol. 11: Zaebos que, apesar de não ser de composições do trio e sim de temas klezmer de John Zorn, tem um pique muito semelhante ao Radiolarians 1.

Zaebos’ /></p>

<p><a href="http://www.mmw.net/">Site oficial</a></p>
<p><a href="http://www.myspace.com/medeskimartinandwood">Myspace</a></p>

<p>música pra ouvir: <i>Reliquary</i></p> </body></html>

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10 reproduções

Mark Feldman: Music For Violin Alone, 1995

★★★★★

É muito difícil falar de determinados artistas. Ao escrever sobre alguém você automaticamente está fazendo uma escolha, o que significa que está deixando de lado uma série de informações pertinentes, importantes… em função do tempo, do espaço, do seu mood, etc

E porque falar do Zezinho se eu poderia estar falando do Huguinho?

Escrever aqui sobre Mark Feldman foi escolhido ao acaso. É o que está tocando agora na minha vitrola digital. Possivelmente seu melhor disco.

Mas como ser breve ao comentar a história de um violinista que começou na década de 80 e fez shows ou gravou em algumas centenas de discos de artistas dos mais variados estilos como Pharaoah Sanders, John Abercrombie, Uri Caine, Dave Douglas, John Zorn, Sylvie Courvosier, Michael Brecker, Joe Lovano, Bill Frisell, Bobby Previte, Don Byron, Johnny Cash, Willie Nelson, They Might Be Giants… até Jimmy Swaggert?!

A lista de colaborações é gigantesca, mas compondo como líder de algum projeto, por enquanto, ele lançou apenas oito álbuns e este Music for Violin Alone é o primeiro deles, de 1995.

O que já pode ser notado de pouco usual logo de cara é a dica que o título dá: apenas um único violino. Sozinho, sem overdubs, nada. Tipo como se o cara tivesse em casa, à vontade, com o REC do aparelho da sala ligado.

São 11 faixas que não te fazem, em momento algum, sentir falta de outro instrumento. Feldman tem um domínio absoluto do seu instrumento. É de um ecletismo ímpar, tanto nas composições tipo clássico contemporâneo vs. avant-garde, como na interpretação.

O arco do violinho vira quase uma segunda voz, de tantas texturas, cores e nuances que ele consegue produzir: vai de glissandos delicados a “serras metálicas” dramáticas; com controle e elegância.

De novo, eu poderia ficar horas escrevendo e falando sobre esse cara; mas acho melhor parar por aqui. A nota lá em cima e o preview aqui em baixo (a segunda faixa, Jet, de quase 9 minutos) falam por si.

Site oficial

música pra ouvir: Jet

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5 reproduções

The Microscopic Septet: Take The Z-Train, 1982

★★★★★

Eu curto categorizar, simplificadamente, os mp3 que ouço. Boto lá no genre do iTunes se o artista faz pop, jazz, rock, clássico, etc, e, dentro desses gêneros, o estilo mais aproximado. Só que ouvindo Microscopic Septet eu fiquei completamente perdido (opa, Apple, que tal tags no iTunes?)… Certo, isso é jazz, não tenha dúvida… mas que tipo? Tradicional? Experimental? Avant-Garde? Modern Creative? Bebop? Post-Bop? Wop-bop-a-loo-mop alop-bom-bom?

Resposta: de tudo um pouco.

“Nostálgicos e futuristas ao mesmo tempo” ou “Jazz Surrealista” são definições interessantes que já fizeram desse septeto fundado em Nova Iorque no início dos anos 80.

Se por um lado eles reverenciam com Dixieland ou Bebop lá do início do século passado, por outro eles misturam com releituras avant-garde, Albert Ayler, experimental, Free, Hard Bop de agora pouco. Tudo de maneira fluida, sem sustos e com uma originalidade impressionante.

A banda acabou em 1992, mas, após o lançamento em CD dos seus álbuns em 2006, os fundadores do grupo - saxofonista soprano Philip Johnston, o barítono Dave Sewelson, o pianista Joel Forrester e o tocador de tuba (tubista?) e baixo David Hofstra - se juntaram aos ex-companheiros Don Davis (sax alto), Paul Shapiro (sax tenor) e Richard Dworkin (bateria) pra celebrar o lançamento da série History Of The Micros.

Essa série é formada por 2 volumes duplos (History of the Micros Volume 1: Seven Men in Neckties e History of the Micros Volume 2: Surrealistic Swing) que cobrem, respectivamente, os anos de 1980-85 e 1986-1990 e nada mais são que seus 4 discos Take the Z Train, Let’s Flip!, Off Beat Glory e Beauty Based on Science (The Visit) adicionados a faixas inéditas e raras (como, por exemplo, algumas da época que John Zorn tocou com a banda, anteriormente ao lançamento do primeiro disco).

Escolhi este disco apenas por ser o primeiro que a banda lançou e que, por coincidência, eu escutei. Mas qualquer coisa deles vale a audição, ainda mais se você gosta de coisas como Flat Earth Society.

Eu demoraria dias pra escrever sobre cada um dos brilhantes integrantes que fazem parte desse septeto… possivelmente muito mais tempo que você demoraria pra achar um som deles pra baixar ou pra comprar em alguma loja online.

Então, dá uma orelhada na faixa abaixo (um passeio virtual por estações de trem musicais) e corre atrás disso porque é bomdimaisdaconta! :)

Site Oficial

música pra ouvir: Take The Z-Train

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Koby Israelite: Dance Of The Idiots, 2003

★★★★★

Seis audições depois e cada vez isso fica mais interessante. Compositor, arranjador e multi-instrumentista israelense, vivendo atualmente no Reino Unido, Koby Israelite é daqueles caras que gostam de surpreender o ouvinte, misturando diferentes tipos de estilos e gêneros musicais no mesmo álbum.

Tudo com uma aura klezmer, esse estilo de música não-liturgica judaica com forte influência cigana que anda sendo constantemente reinterpretado e traduzido há algum tempo pela moçada tocadora de jazz, rock e avant-garde da baixa Nova Iorque, como Don Byron, Davka, Jamie Saft, Medeski, Martin & Wood, John Zorn, etc.

Israelite tem lançados 5 discos, sendo 2 de interpretações de outros músicos, como é o caso do Orobas: Book Of Angels Vol. 4, escolhido por este blog como um dos melhores de 2006. Dos 3 restantes, acredito que Dance Of The Idiots seja o seu melhor trabalho.

O álbum é uma verdadeira viagem de explorações e possibilidades de klezmer, feita por um músico eclético e pesquisador, numa forma contemporânea e inspirada. Rock, cigano, clássico, balkan, metal, cantos litúrgicos, jazz, árabe - estilos esmagados e processados de maneira absolutamente inspirada. “Cantorial Death Metal, Nino Rota Klezmer, Balkan Surf, Catskills free improvisation” - diz o press release do álbum.

Fora convidados pros vocais, guitarras, violinos, didgeridoo, sax, trompete, trombone, baixos, etc, Koby manda ver na flauta, vocais, acordeon, clarinete, piano, teclados, bateria, percussão e programação.

O disco começa tranquilo e um tanto dançante com a excelente Saints And Dates, com percussão com cara de anos 20 e tema leve, quase no estilo André Popp. Em Toledo Five Four a viagem pula pro Oriente Médio, com algumas doses de improviso. A pesada If That Makes Any Sense mistura cantos religiosos com metal - que me faz pensar como nenhum Praxis pensou nisso antes. A belíssima e leve Battersea Blues já vai pra uma onda mais mística, com toques de guitarra que lembram Bill Frisell e um didgeridoo fantástico. I Used To Be Cool tem variações bruscas de condução, explorando melodias orientais e improviso. Pulamos pros balkans em In The Meantime e pra algo próximo aos Secret Chiefs 3 em Wanna Dance?. Finalmente a música título aparece, antes da última do álbum, numa forma alegre, bem-humorada e satírica (meio que desavisadamente você ouve claramente uma passagem rápida do tema dos Simpsons).

Site Oficial

música pra ouvir: Toledo Five Four

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fabio borissevitch 01/09/2007 às 2:45 am Esse disco é muito foda! Parabéns pelo blog. Já virei fã

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Louis Andriessen: De Stijl; M Is for Man, Music, Mozart, 1994

por Lulu Camargo

★★★★★

Teve um tempo em que compositor minimalista que se prezasse trabalhava em colaboração com Robert Wilson e Peter Greenaway. Foi assim com o Phillip Glass (Einstein on the Beach), ou Michael Nyman (as trilhas dos filmes do Peter Greenaway).

Pois o Louis Andriessen é um danado: trabalhou com ambos.

Minimalista europeu, mais especificamente holandês, mais especificamente de Amsterdam (ô tentação de cidade!), consegue sair da tendência meio new age dos seus colegas norte-americanos, jogando deliberadamente fora todo o improviso e as texturas climáticas.

O lance aqui é fazer música da forma mais racional e direta possível. Tipo assim, como já indica a capa do CD, um Mondrian sonoro.

Tive o prazer de assistir umas palestras com ele. Quando perguntado por que não escrevia para a formação orquestral tradicional respondeu: “primeiro por que as orquestras geralmente não gostam de tocar a minha música; e além disso, a orquestra tradicional não tem baixo elétrico!”

Louis Andriessen no Wikipedia

música pra ouvir: De Stijl

David Torn (+ Tim Berne, Craig Taborn & Tom Rainey): Prezens, 2007

★★★★★

Se alguém hoje me pedisse um exemplo de jazz “moderno”, com o perdão das possíveis interpretações levianas que esse termo pode aventar, possivelmente eu citaria esse disco.

David Torn é um compositor, multi-instrumentista, produtor, cantor, escritor, guitarrista, assobiador e chupador de cana (olha a margem…) novaiorquino na ativa do mundo rock, jazz, avant-garde, new age, world, pop, etc desde os anos 80.

Trabalhou já com Leonard Bernstein, John Abercrombie, Jan Garbarek, David Bowie, KD Lang, Tori Amos, Tony Levin, Terry Bozzio, Don Cherry, Dave Douglas, Jeff Beck e mais uma porrada. Colaborou nas trilhas sonoras de Velvet Goldmine, The Big Lebowski, Traffic, entre outras tantas.

Suas técnicas de texturas sonoras na guitarra lembram, em alguns momentos, as atmosferas de Robert Fripp e, em outros, experimentalimos eletrônicos minimalistas como os artistas do selo alemão Raster-Noton.

O último disco que eu recordava ter escutado dele foi o GTR-OGLQ de 1998 com Vernon Reid e Elliot Sharp que, se por um lado trazia sonoridades singulares e elaboradas feitas apenas por guitarras, por outro dava uma excessiva importância para esse instrumento, característica que não me agrada tanto, apesar do seu evidente uso criativo.

Em Prezens (lançado pela ECM depois de 21 anos da sua última contribuição com o selo), Torn se junta com o saxofonista Tim Berne, o tecladista Craig Taborn e o baterista Tom Rainey para a produção de uma elaborada escultura sonora (na falta de expressão melhor) densa, quebrada, improvisada e atmosférica.

Com a presença evidente e ao mesmo tempo sutil de eletrônicos, misturados a um set “tradicional” de músicos de jazz, o que o disco mostra é um trabalho cooperativo desses músicos que já tantas vezes gravaram juntos, de uma qualidade absoluta.

Pra ouvir com muita atenção, de preferência com fones de ouvido.

Escute 4 faixas inteiras no Myspace

Site de David Torn

Tim Berne wiki

Craig Taborn no allmusic

Tom Rainey no answers.com

ECM Records

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Battles: Mirrored, 2007

★★★★★

Candidato a disco do ano. Enter.

Finalmente saiu esse disco oficialmente, assim posso comentar (e colocar a capa no post - até então desconhecida). As faixas vazaram na segunda semana de março, data deste post, mas só agora foi lançado “de verdade”.

O buchicho em volta do primeiro LP da banda é justificável:

1- seus integrantes já passaram por bandas (ou ainda fazem parte) como Don Caballero, Helmet, Tomahawk, Lynx, entre outros

2- os 3 EPs lançados em 2004 e 2006 já davam um preview do poder de ataque do Battles

Tras EP e B EP introduziram o som post-rock da banda, mas sem causar muito alarde. Em 2006 lançaram o EP C, significativamente melhor e mais maduro que os anteriores. Mas é com Mirrored agora que a banda põe o pau na mesa. Com todo respeito.

O teaser começou no último dia de fevereiro, com esse excelente clipe da música Atlas, postado no YouTube.

Esse disco é o primeiro que tem vocais nas músicas. Até então o Battles era uma banda 100% instrumental e, acredito, justamente pelo fato de adicionar voz ao seu som, eles deixaram de parecer como outras tantas bandas de post-math-rock pra passarem a soar como… eles mesmos.

O vocal é sempre trabalhado de maneira criativa, processado com pitchs, vocoders, delays e outros efeitos, dando uma cara meio robótica mas, ao mesmo tempo, humanizando - e dando um ar até por vezes infantil ou cômico - à música.

Um certo aroma krautrock é notável em algumas faixas, assim como influências de progressivos 70’s, mas com uma roupagem definitivamente pessoal e intransferível. Impossível também não lembrar de obras do Minimalismo de Steve Reich e companhia bela: repetição de pequenos trechos com pequenas variações ao longo do tempo com resultados hipnóticos.

Fudido!

Site Oficial

Myspace

Battles band

música pra ouvir: Ddiamondd

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george 28/05/2007 às 1:18 am Esse disco vicia. Muito foda mesmo!

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6 reproduções

Corleone: Wei Wu Wei, 2005

★★★★★

Engraçado como certas dicas caem do céu assim, sem você pedir. Um velho amigo de ondas cyber-fuckin’-internéticas, sem mais nem menos, me repassa uma mensagem vinda da lista de discussão que ele conduz há tempos, a Bungle Weird, da qual já fiz parte por alguns anos. Nela, um caritativo e civil ser comenta sobre esse disco do qual nunca ouvi falar.

Baixo o disco.

:-O

Corleone é um projeto “avant-garde sicilian jazz core” do italiano Roy Paci.

Paci lidera um octeto pop bem divertido chamado Roy Paci & Aretuska, que vai numa onda mais Mano Negra / patchanka, e tem lançados 3 LPs e outros 6 EPs e singles. Já participou de discos de uma baletada de artistas italianos cujos nomes não adianta nada eu escrever porque nem eu nem você conhecemos, mas eu vou dar um copy/paste mesmo assim pra causar uma boa impressão à esse texto: Pascal Comelade, Ivano Fossati, Piero Pelù, Samuele Bersani, Teresa De Sio, Subsonica, Tonino Carotone, Nicola Arigliano, Daniele Sepe, Luca Barbarossa, Vinicio Capossela, Macaco, Africa Unite, Persiana Jones, Radici nel cemento, Il parto delle nuvole pesanti, 99 Posse, Arpioni, Negrita, Jovanotti, etc. Foda né? :P

Antes de formar o Aretuska, o trompetista e flugelhornista tocava no Mau Mau, um grupo italiano pop de relativo sucesso nacional.

E porque eu tô contando tudo isso e onde o avant-garde entra nessa história? Bem, é justamente isso o mais curioso pra mim. Esses artistas todos aí em cima são de pop, rock, eletrônico, jazz tradicional, música italiana; a outra banda de Paci é rock/pop patchanka bem-feito. E, de repente, o cara comete um disco como este.

Wei Wu Wei é brilhante. Rola uma surpresa atrás da outra nesse disco de composições inéditas de Roy Paci (+ um cover da Come Live Your Life With Me) que trás um naipe eclético de músicos convidados. As faixas passeiam por incontáveis ambiências e referências. Só pra citar algumas: Nino Rota, Ornette Colleman, Miles Davis, ska, reggae, dub, klezmer, canto africano (uma faixa tem participação de Mohamed El Badaui), jazz tradicional, jazz experimental, electronica, trip-hop, trilhas de filmes italianos 60’s e 70’s, sapateado, tango, funk, Flat Earth Society, etc, etc. Acho que eu nunca usei tantas tags pra definir um disco como este aqui.

Algumas composições, em especial, lembram muito Zappa. A liberdade e o astral das músicas também me fizeram recordar de um dos melhores discos do John Zorn, aquele de interpretações de músicas do Ennio Morricone, The Big Gundown de 1985 - embora o do Zorn seja ainda mais eclético e variado (e experimental e caótico).

O álbum soa livre por todos aqueles estilos. É fresco e variado; excêntrico e belo na medida certa. E tem uma personalidade italiana embutida em todas as músicas. Curioso isso, porque eu não saberia expressar em palavras o que faz parecer tão “italiano” nesse contexto.

Valeu, Pablo Fernandez e Nelson Endebo, pela excelente dica.

Corleone

Roy Paci

música pra ouvir: Doverosi Sballi

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Nelson Endebo 20/04/2007 às 9:30 am Ô Carlos, volta pra BungleWeird! Tá rolando um monte de música bacana por lá… Volta lá pra gente trocar idéia! abraço

Tindersticks: Tindersticks II, 1995

★★★★★

Esse rápido texto é mais uma declaração de amor que propriamente um post. Tindersticks é um petardo. Absurdamente melancólico, composições belíssimas, arranjos elaborados a ponto de os chamarem de “chamber pop”. Se tem um som que não canso de ouvir nunca é o romantismo dark à la Leonard Cohen desses ingleses.

Aproveito pra perguntar: e aí, tem jeito? A banda lançou um disco em 2003 e nunca mais, fora o solo do vocalista Stuart Staples. O site oficial diz que tem um disco no forno pra sair.

Site oficial

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Rodrigo Sommer 21/03/2007 às 4:44 pm Já ouviu o disco infantil organizado pelo Stuart Staples? Discão esse aí, mas ainda sou mais o primeiro. Abraço.

resistro® 13/03/2007 às 3:19 pm Salve! Esse é um dos meus discos prediletos de todos os tempos. Curiosidade: uma vez, assistindo a série Sopranos, o anti-herói Tony vivia uma fase de profunda depressão, na cama, tomando remédios etc. Tem uma tomada sensacional dele olhando as paredes da casa com uma música de Leonard Cohen e depois Tindersticks! Quase chorei! ) Abs!

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Ray Barretto: Acid, 1968

★★★★★

Safari > New Tab > Google > pesquisar páginas em português. Termo da pesquisa: “Ray Barretto” “Deeper Shade Of Soul” = 1 resultado. Nova pesquisa: “Ray Barreto” Acid = 13 resultados. Uma citação aqui e alí… nada de mais.

Isso me faz pensar… ou todos os brasileiros e falantes da língua portuguesa que gostam de Ray Barretto não usam internet… ou realmente o cara não é nada conhecido por essas bandas.

Uma pena porque o cara foi genial.

Corte de tempo. Eu, no início da década de 90, com 19 anos, mostrando a 3 dos meus melhores amigos uma música chamada “Deeper Shade of Soul” que viria a se tornar o hino da nossa “irmandade”… velhos amigos que se conhecem desde os tenros anos da escola primária.

Vício absoluto. Fantastilhões e quaquilhões de vezes escutada a música da banda holandesa Urban Dance Squad. Mas era deles mesmo? Desde a primeira audição dela, juntamente com o resto do ótimo disco Mental Floss For The Globe (1990), sempre nos pareceu que o “grosso” da música era de samples de uma outra canção mais antiga. Mas o LP não fazia nenhuma referência ao tal sample. Nada.

Corte de tempo. Início dos anos 2000, internet pegando, audiogalaxy ou similar… procuro pela tal música uma, duas, dezenas de vezes. Por meses a fio. Até um dia encontrar um tal de Ray Barretto. Boto pra baixar, sem muita fé, pensando ter encontrado mais um mp3 com tags errados.

Regalo, gozo, regojizo… achei! O romance heróico-brasileiro, ibero-aventuresco, criminológico-dialético e tapuio-enigmático de galhofa e safadeza, de amor legendário e de cavalaria épico-sertaneja* havia chegado ao seu fim pra começar a nova epopéia de descobrir quem é (ou foi) o cara que compôs tal espécime estrepitoso-celebrório-musico fecunda.

Bem, sabendo o nome fica muito mais fácil, não?

O cara “só” foi percussionista do Tito Puente. Ele “só” lançou quase 60 discos, fora as participações especiais. “Apenas” tocou com carinhas tipo Dizzy Gillespie, Count Basie, Wes Montgomery, Charlie Parker, Celia Cruz, Rolling Stones, Bee Gees, entre outros muitos. Colecionou prêmios pelo mundo. Enfim, um monstro.

Monstro por ser um puta tocador de conga (e outras percussões) além de um grande compositor. Tocou de tudo: mambo, salsa, jazz (de vários estilos), inúmeros crossovers, pop, funk, afro-cuban jazz, boogaloo, rock.

Acid é apenas um dos discos solos do americano filho de porto-riquenhos nascido em Nova Iorque que faleceu em fevereiro do ano passado. Calcando fortemente em música latina, soul e funk, com algumas pitadas de psicodelismo, o auto-intitulado Nuevo Barretto fez um disco de 8 faixas absurdamente divertidas, alegres e prazerosas. Fora o jeito de falar, principalmente a palavra “baby”, que só pode ter influenciado a criação do Austin Powers.

Difícil falar em melhor ou pior disco, no meio de tamanho volume de produção e ecletismo musical. Só posso dizer que é um excelente começo. Vale destacar também o álbum Señor 007, de 1966, só com versões de músicas do agente inglês James Bond.

Vida longa à música de Ray Barretto!

Ray Barretto na wikipedia

ray barretto

* devido à imersão na vida e obra de Ariano Suassuna, por causa de um trabalho, não resisti a incorporar essa brilhante definição - retirada do romance A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta. :)

música pra ouvir: A Deeper Shade Of Soul

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Rafael Gaudenzi 30/01/2010 às 1:07 pm Falou e disse. Um gênio pouco conhecido por essas bandas. Valeu! DJ Gau.

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Rube Waddell: Stink Bait, 1998

★★★★★

Pra contrapor o post anterior, possivelmente o disco mais pop e “normal” que apareceu no Aporias, aqui vai uma sugestão de um estranhamente ótimo.

Mestres do lo-fi experimental, Rube Waddell vem fazendo, desde 1996, discos divertidíssimos.

No esquema mais do it yourself possível, as músicas são gravadas em armazéns, prédios abandonados, living rooms, prédios de estuário, apartamentos, etc.

O homem Rube Waddell, que dá nome à banda, foi um canhoto pitcher da Liga de Baseball americana que morreu no Primeiro de abril de 1914 de uma pneumonia conseguida graças ao consumo excessivo de álcool e de uma suicida predileção de salvar pessoas randomicamente. O que isso tem a ver com a banda eu não sei.

As faixas são misturas pouco usuais, segundo eles mesmos, de “Blues, Gospel, Country, Música Latina, Irish Folk, Rock, Punk, Mariacchi, teatro alemão, temas da Ásia e Oriente Médio” e mais uma porrada de coisa. Um grande pastiche com muita personalidade.

A maior influência, pra mim, certamente (mesmo que seja sem querer) é Captain Beefheart. Outros entram na lista: Ween, Residents, Tom Waits, Jon Spencer, entre outros.

A instrumentação é muito variada e inclui slide guitars, mandolim, trompete, saxofones, ukulele, marimba, tabla, kazoo, gaitas, teclados de brinquedo, acordeon, banjo além de vários instrumentos fabricados por eles mesmos, “de guitarras de uma corda até percussão de ferro-velho”.

São, até agora, 3 discos lançados. O mais recente, Bound For The Gates Of Hell, eu ainda não consegui arrumar, mas os outros 2 são muito bons.

Site oficial com mp3, videos e outras cossitas más.

música pra ouvir: Eunice Irene

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henrík 16/01/2007 às 11:07 am: cara, muito bacana o blog; é a minha primeira visita aqui, mas já tá favoritado. vi no teu profile aqui do site q vc é designer viciado em música… é, mais um dessa classe falando aqui. o/ sobre as experimentações do rube, nunca tinha ouvido mas achei legal; me remeteu a um karnak láá de uns anos atrás.

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dEUS: Worst Case Scenario, 1994

★★★★★

Uma das coisas mais legais de ver nas estatísticas do blog é a lista de termos procurados. Misteriosamente o mais procurado de todos é “rodrigo”. Será uma artista bem louco? Depois vem “eels”, que é uma banda que gosto muito dos primeiros discos mas que depois ficou (pra mim) meio açucarada demais.

E então vem “dEUS”. Mas não Ele, aquele que tudo vê e sim uma excelente banda belga, cuja grafia é com a primeira letra minúscula e resto maiúsculo. Possivelmente você deve conhecer. Mas por que não falar deles?

dEUS sofre, na minha opinião, do mesmo mal que o supra-citado Eels: começaram pirando, misturando, fazendo um som interessante e com personalidade… e com o tempo (e possivelmente o sucesso - ou a falta dele, não sei) foram ‘careteando’, lançando discos um mais sem sal que o outro e com adicionando cada vez mais açúcar à formula.

Mas este primeiro disco do grupo é singular.

Worst Case Scenario é daqueles discos que brilham do começo ao fim. Porra, por que esses caras não continuaram fazendo esse som?

Cada música tem uma cara própria, um clima. Tudo é acessível, pop/rock. Mas nada é “normal” ou previsível.

Os baixos parecem sofrer uma influência não muito longínqua de jazz em alguns temas como a música título ou a Jigsaw You. Outras soam mais experimentais, mas no ponto certo: são cantáveis, dá pra bater o pezinho acompanhando, sem sustos. Mas as dissonâncias e os arranjos originais dão o tempero.

Climas vão da tensa e histérica - e talvez mais famosa deles - Suds & Soda (no sample acima) a canções com poucos instrumentos, uma bateria tranquila e uma voz quase falada, como em Great American Nude, que tem algo que me lembra King Missile.

Samples de Zappa e Don Cherry mostram um pouco do que os caras gostam. Influências de punk, jazz e até progressivo se misturam num rock mais livre e irreverente. Tem quem chame os caras de “avant grunge”… afe…

A banda começou como um grupo de covers mas logo as composições próprias foram aparecendo e dominando o playlist. Este disco mostra o auge da sua criatividade.

Em 97 lançaram o segundo melhor disco, In a Bar, Under The Sea. Depois acho que dEUS perdeu esse espírito meio contestador. Ficaram mais melosos e “normais”.

Mas quem fez um disco como este, tá perdoado. Bão dimais!

E eu consegui escrever tudo isso sem fazer nenhum trocadinho com o nome da banda! Inacreditável.

Site oficial.

música pra ouvir: Suds & Soda

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Foncati 15/12/2006 às 9:38 am: vou comentar antes de ler. dEUS é o cÃO. principalmente com o worst case scenario. disco fODA esse, viu!

Ian Guedes 15/12/2006 às 9:47 am: Eu já tinha ouvido falar nessa banda há muito tempo, pelo envolvimento com alguns do X-Legged Sally (não sei direito quem, acho que o Vervloesem e/ou o Vermeersch). Vou tentar procurar!

Foncati 15/12/2006 às 10:30 am: trocadalho o carilho. acabei fazendo no outro comentário. de dEUS, ouvi o worst case scenario a exaustão, se é possível cansar desse disco, e um pouco do in a bar, apenas.

alexandre 04/10/2007 às 5:44 pm: olha… eu já ouvi, na verdade só ouvi este, o disco POCKET REVOLUTION do dEUS. Achei um discaço, então, entrei aqui para buscar novas referências. Recomendo. E gostaria escutara opiniões a respeito.

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3 reproduções

Adrian Belew: Here, 1994

por Marcio Nigro

★★★★★

Quem estudou e tocou com Frank Zappa, Laurie Anderson e Robert Fripp (sem contar David Bowie e Talking Heads) é mais ou menos como se tivesse sido diplomado em “insanidade avançada” em Harvard, Yale e Oxford.

Com um currículo desses, Adrian Belew certamente não é um músico qualquer. Porém, sua carreira solo merece quase tanta atenção quanto seu genial trabalho no King Crimson. Desde seu álbum de estréia (Lone Rhino, de 1982) foram 15 discos que vão das guitarras esquizofrênicas de Desire Caught By the Tail e The Guitar As Orchestra até o quase-pop de Young Lions e Inner Revolutions. Nesse período, além de mostrar-se um guitarrista único e versátil, Belew trasformou um cara com voz interessante em um ótimo e inconfundível cantor.

Here é o CD de Adrian Belew que mais escuto, o que não quer dizer que seja o mais representativo. Provavelmente, é também o seu trabalho mais pop, no qual ele toca tudo (bateria, cello, baixo e o que pintar) e canta em praticamente todas as faixas. Cada música tem sua atmosfera própria, muitas com melodias dignas de um Paul McCartney, de quem Belew certamente é fã. Fly, por exemplo, é uma tradução musical do título, um vôo livre em paisagens sonoras que nos remete ao bom e velho professor Robert Fripp. Já Peace on Earth (uma releitura de um trecho de Tango Zebra, em Desire Caught…) tem cor e cheiro de Eleonor Rigby, muito embora não seja parecida. Um primor de composição:

[aperte o play acima]

De início, talvez alguns torçam o nariz para as faixas com ar mais pop. Mas não se enganem, em algum momento, Belew traz aquele elemento que tira a música do lugar comum e a leva para paradas bem inusitadas.

Para se ter uma idéia de como Here é bom, basta dizer que o próprio autor afirmou numa entrevista que ficou 95% satisfeito com o resultado. Quem sou eu pra discordar.

Site oficial.

música pra ouvir: Peace On Earth

comentários originais

Carlos Bêla 10/12/2006 às 6:24 pm: Belew é foda! Dos discos mais novos dele, tem essa série de “Sides”… o primeiro, “Side One” de 2005, eu achei especialmente bom. Excelente, eu diria. Valeu, Nigro!

Marcio Nigro 10/12/2006 às 6:45 pm: Na verdade cada disco dele vale ser ouvido e comentado. Os tries sides são ótimos. O side Three talvez seja o melhor. Enfim, o cara é muito bão!

Valter Barberini 20/09/2007 às 10:33 pm: Curto o cara desde os anos 80, um gênial compositor e músico, é um Jimmy Hendrix moderno, uma guitarra longe do lugar comum. Sou guitarrista e não consigo entender como ele tira aqueles sons da guitarra. Ele regravou a música “Come and get it” uma musica desconhecida de Paul McCartney e arrasou, ficou muito melhor que a original, e olha que também sou fã do Paul.

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6 reproduções

Alammailman Vasarat: Vasaraasia, 2000

por Marcio Nigro

★★★★★

Soube que o meu primeiro post foi considerado muito pop. Tudo bem, sem máguas. Então, vou compensar com uma banda finlandesa…

Quem já não ouviu falar em Alammailman Vasarat? Aliás, quem consegue pronunciar esse nome corretamente? Bom, pela capa já dá pra sacar que não é nada convencional. Sexteto composto dois violoncelistas, trombonistas/tubista , pianista/acordeonista, baterista/percussionista e saxofonista/clarinetista, o AV — melhor usar as iniciais — é derivado de dois membro do Höyry-kone outro conjunto do mesmo país, que tem uma versão genial de The Trooper, do Iron Maiden. Ouçam só [link para mp3].

Eu ia definir genericamente de “os martelos do submundo” — essa é a tradução de Alammailman Vasarat — como progressivo, mas, conversando com o rapaz que rege com punhos de ferro o Aporias ,acabei entendo que o termo “progressivo” é meio maldito por essas bandas (aliás, em todo lugar aparentemente), e só serve pra definir bandas “afetadas” como Yes, Genesis, EL&P e Gentle Giant (estranhamente, ele diz que King Crimson não é progressivo, e por isso esse é uma banda permitido aqui, ao contrário das outras… Ou seja, todo mundo tem suas idiossincrasias). Enfim, para evitar polêmica, usarei a definição da própria banda, o que certamente agradará a gerência: “ethnic brass punk” ou “kosher-kebab jazz”. Há ate quem diga que é “babaganush-klezmer com curry e maionese a parte”. Outro termo adequado é “mutco-lôco”. Melhor escutar para entender [aperte o play no começo do post :P ]

O AV é certamente uma das bandas contemporâneas que mais me impressionou. Até então não tinha ouvido nada parecido quando baixei essa mesma faixa desse CD no antigo Audiogalaxy. Trata-se de uma galera de finlandeses que cresceu ouvindo do clássico ao metal, da valsa do exército da salvação ao jazz, da música étnica ao punk e resolveram juntar tudo no mesmo pacote. E funcionou!

O som é denso, às vezes frenético, às vezes mórbido, às vezes engraçado ou algo no meio termo. Os cellos distorcidos soam como guitarras, no estilo Apocalyptica, fazendo o contraponto com melodias étnicas do acordeon, metais e clarinetes. Consegue ser heavy metal, mesmo não sendo, ao ponto que nos shows do AV rola stage diving aos montes. Ao mesmo tempo, consegue soar como uma divertida banda de Bar Mitzvah que resolveu aterrorizar todos os convidados da festa.

Os dois primeiros álbuns são bem parecidos em termos de estilo, mas acabei escolhendo o Vasaraasia para essa resenha, por ter vindo antes e, assim, ser mais original. Porém, o segundo — Käärmelautakunta (mais um nome impronunciável), de 2003 — de repente é até melhor em termos absolutos. Por isso, qualquer um vai bem. Já o terceiro é em parceria com um cara chamado Tuomari Nurmio, outro finlandês meio pirado que nunca tinha ouvido falar que canta na maioria das músicas, no dialeto deles, claro. O resultado não foi tão bom, mas é interessante e é diferente dos álbuns antecessores.

Resumindo: não é para os tímpanos sensíveis, o que não impede ser genial, esquizofrênico e divertido, como eu gosto.

música pra ouvir: Delhin Yöt

comentários originais

Gilberto Jr 09/11/2006 às 9:50 pm: Meu Deus do céu! Que som mais doido!!! Dahora :D

Foncati 10/11/2006 às 11:28 am: Dos rótulos citados eu fico com a “banda de Bar Mitzvah que resolveu aterrorizar todos os convidados da festa”, pra não chamar de Zé Pilintra’s Band. Meu primeiro comentário aqui, momento para agradecimentos e bons votos. Valeu e tudo de bom.

smirkoff 14/11/2006 às 7:09 pm: Uma banda que consegue descobrir algo de interessante numa música do Iron Maiden merece meu respeito! Belê!

MaWá 30/11/2006 às 10:12 am: Assim como o Foncati, fico com a definição da banda que aterroriza Bar Mitzvah. Muito louco!

Bruno Maia 17/03/2007 às 12:23 pm: Nem na Amazon achei pra comprar!