Postagens com o marcador nota 3.5

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Roger Roger: Musique Idiote, 1971

★★★½

Tremendo mau humor? Puto(a)? Chateado(a)? Triste? Seu papagaio de estimação se matou?

Não tema!

Musique Idiote é uma gabola homenagem aos temas previsíveis e estólidos, criados eletronicamente pelo compositor francês de trilhas sonoras Roger Roger, também conhecido como Cecil Leuter.

São 16 temas simples e pacóvios, tocados em moog, que exploram linhas… ermm… idiotas.

E, bem, eu me sinto um idiota tentando descrever algo tão básico e bolônio. E jocoso. Quiçá basbaque.

Então, ouça o asonsado exemplo abaixo. Dá pra achar esse disco e outros do cara numa procura rápida no Google. Vale a pena, nem que seja pra matar sua curiosidade marota. Ou pra divertir uma criança. Ou um cachorro. Ou um papagaio suicida.

Roger Roger na wikipedia

música pra ouvir: Duetto

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André Ganzelevitch 14/10/2008 às 9:31 am Sobre sua descrição da “musique idiote” dei muitas risadas. Concordo que se trata de sum bolônio, pacóvio, jocoso e basbaque. Quem sabe acrescentariamos, além disso tudo, outros adjetivos classificatórios como parvo, estulto, néscio, energúmeno, tolo, lerdo, leso e palerma.

Roger Marmo 02/09/2008 às 1:46 am Eu juro que não tenho nada a ver com esse disco. Se bem que eu até que gostaria…

Lulu 01/09/2008 às 11:55 am Omessa!

Puscifer: V is for Vagina, 2007


★★★½

Como fã do Tool e do seu vocalista Maynard James Keenan, fiquei curioso em ouvir o seu novo recém-lançado projeto Puscifer.

Boas surpresas:
1- não parece o chatinho A Perfect Circle
2- não parece Tool (tem coisa mais sem-graça que projetos paralelos soarem iguais aos originais?)
3- é bom!

A capa bunitcha, assim como o nome do disco e até do projeto (Pussy + Lucifer? é essa a sacada?) dão um ar meio adolescentóide que o som não tem.
Há uma certa dose de industrial em várias faixas, mas nada forçado ou cliché.

O projeto existe desde 2003, data da trilha do filme Underworld mas, pelo que entendi, esse V Is For Vagina é o primeiro álbum “normal”.

Ouça o disco todo no site oficial.
Página do projeto no Youtube.
página bem completa sobre Maynard James Keenan no wikipedia.


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Richarley Menescal
08/11/2007 às 10:39 am
Gostei muito desse disco. Mas foi impossível pra mim ouví-lo sem ficar imaginando a participação do Mike Patton no adiado novo disco do Massive Attack… hehehe… Sério, em alguns momentos achei a voz do Maynard bem parecida com a do Patton.

Beatallica: Sgt. Hetfield’s Motorbreath Pub Band, 2007

★★★½

Jaymz Lennfield, Grg Hammettson, Kliff McBurtney e Ringo Larz lançaram seu primeiro demo online em 2001, A Garage Dayz Nite com 7 faixas, entre elas Everybody’s Got A Ticket To Ride Except For Me And My Lightning e …And Justice For All My Loving.

Em 2004 veio outro: Beatallica, ou The Gray Album (deu pra sacar? White Album dos Beatles e Black Album do Metallica misturados? hã? hein?) com faixas como Blackened the USSR e a incrível Hey Dude.

Mas agora em 2007 finalmente a banda lança um disco “de verdade”. Sucesso total.

Tá, sim, tudo isso é uma grande bobeira. Mais uma banda pegando sucessos de algum(ns) grupo(s) clássico(s) e misturando com outros elementos, tipo Dread Zeppelin ou Richard Cheese (só pra citar aguns). Mas os caras mandam muito bem na proposta Beatles + Metallica.

É incrível como o vocalista imita com absoluta perfeição os tiques do ogro James Hetfield. E o que acho mais interessante: as misturas entre as músicas das duas bandas originais são muito bem sacadas.

Simplificando, o som é como se o Metallica lançasse um disco de cover dos Beatles. Mas, a brincadeira é mais interessante porque eles incluem inúmeros elementos musicais do quarteto “metaleiro” no meio. Nunca uma música dos ingleses é tocada de forma literal. We can work it out é arranjada de maneira a integrar a Hit the lights, por exemplo. No remorse se mistura com No reply, e por aí vai.

As letras também são reinterpretadas e misturadas, como o próprio nome do disco da a entender.

I’m the Sandman-with a metal beat And I think that-Dokken’z fuckin’ weak I want you to bang-right in the street And if you sleepwalk-destroy and seek SANDMAN!

Beatallica tem presença garantida nas varadas de noite no trabalho desde 2002! Testado e aprovado, preferencialmente com a companhia de latas de cerveja :)

Site Oficial

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Carlos Bêla 16/09/2007 às 7:33 pm Fala Luiz Concordo com você e também prefiro as 2 demos a esse disco… mas optei pelo último por ser o primeiro oficial e mais recente. Valeu!

Luiz Felipe 16/09/2007 às 1:46 pm Muito melhor do que o próprio Metallica \m/ mais ainda prefiro as duas “demos” anteriores do que este CD novo.

riga 14/07/2007 às 5:12 pm crasse!crasse! e aproveitando o comentário…chique no útero o player “slick”

Morkobot: Mostro, 2006

★★★½

Se você curte um sludge, stoner tipo Boris, Sun O))), Pelican, Earth, vai fundo neste Morkobot!

Bem legal.

Ouça no Last.fm o disco inteiro e, se gostar, faça o download gratuito de algumas faixas no site oficial da banda.

Ouça mais bandas como o Morkobot aqui

Site oficial

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The Electric Prunes: Mass In F Minor, 1968

★★★½

Na última semana, o lançamento do novo disco do Tomahawk teve uma repercussão interessante. Muita gente curtiu a idéia de pegar canções ancestrais dos índios americanos e transformá-las num rock fragmentado, outras acharam o disco soporífero.

Pessoalmente curti bastante o resultado… e comecei a pensar que outros projetos musicais tiveram semelhante postura, independente do resultado ter sido pior ou melhor que o supracitado. De cara me lembrei dessa banda da década de 60 que o Roger me apresentou em 1994-95: The Electric Prunes.

Aqui o tema é bem mais antigo que os índios: canto gregoriano. As músicas exploram o cantar típico monofônico dos monges, e os misturam com o rock psicodélico dos 60’s.

O quinteto, formado em 1965 em Los Angeles, havia lançado dois discos num garage rock bem comum na época. Nada muito novo até o Mass In F Minor sair pra assustar seus fãs e iniciar uma corrida travada até hoje pelos fanáticos por músicas “peculiares”.

Suas faixas foram arranjadas e conduzidas pelo músico erudito David Axelrod, interpretando uma missa e suas divisões (desculpe, os termos usados aqui podem estar imprecisos pois não manjo nada de missas): Kyrie, Gloria, Credo, Sanctus, Benedictus, Agnus Dei + 2 rockitos (Hey Mr. President e Flowing Smoothly) bem divertidos mas sem nenhuma relação com a “Mass”.

Durante a gravação do disco a banda brigou e ele acabou sendo concluído com a ajuda de músicos de estúdio e da banda canadense The Collectors. Ou seja, é “meio” um disco dos Prunes, meio do próprio compositor David Axelrod.

Após o completo fracasso de vendas desse disco e do único show feito, no qual a banda deixou claro que não conseguiria tocar as composições de Axelrod, o quarto disco foi gravado com um grupo de músicos completamente diferente e cuja capa constava a chamada the new improved Electric Prunes. Bizarro? Magina…

Apesar do fracasso da época, as missas psicodélicas desse disco viraram um cult e a Kyrie Eleison foi usada na trilha sonora do Easy Rider de Dennis Hopper, 1969. E a banda acabou voltando no final dos anos 90 com 3 integrantes da formação original, gravando 2 discos e 1 DVD. Mas nada de missa, nem em sonho…

Só me toquei agora que, por pura coincidência, comento sobre um disco “religioso” em plena visita do Seu Bento 16. Que coisa… Se alguém por aqui lembrar de outros projetos que reinventam músicas antigas, por favor, comente!

Amém! :)

Site oficial

wiki do Electric Prunes

música pra ouvir: Kyrie Eleison

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Nelson Endebo 10/05/2007 às 3:30 pm Esse tema é excelente, me fez tirar o pó de muita coisa! Não consigo me lembrar de muitos álbuns que tenham “reinventado” músicas ancestrais, mas achei algumas coisas interessantes: 1. O último álbum de Bruce Springsteen, “We Shall Overcome”, é feito de versões do compositor Pete Seeger. A faixa “O Mary Don’t You Weep”, entretanto, nada mais é do que uma das mais antigas canções gospel do cancioneiro americano. Eu tenho um compacto de um certo Colored Quartet que data da década de 1910 e esta faixa está lá, com o nome de “Pharaoh’s Army got Drowned”… ou seja, uma canção religiosa, cuja melodia possivelmente vem de cantos ritualísticos de algum lugar da África. 2. John Zorn gravou o “Kol Nidre”, composição litúrgica judaica que era raramente executada por um quarteto de cordas; James Joyce a descreve no “Ulisses” como um canto. 3. As Irlandesas do The Corrs fizeram um ótimo disco em 2005, propositadamente chamado “Home”, feito em sua maioria de canções folclóricas irlandesas, incluindo duas baladas celtas cantadas no gaélico irlandês. 4. O disco do Marc Ribot em homenagem ao músico haitiano Frantz Casseus é, apesar de não tratar exatamente de composições “da terra”, não deixa de ser uma releitura apaixonada de um compositor que praticamente inventou sozinho um estilo musical baseado no Haiti. 5. O compositor libanês Bechara El-Khoury, principalmente na coleção “Orchestral Works”, parte do romantismo francês, passa por mestres modernos como Messiaen e Boulez e acaba “orientalizando” a tradição européia, uma vez que seus motivos são claramente inspirados na tradição árabe, parecida com a judaica em muitos aspectos. 6. Os suíços do Young Gods já reviveram a música de Kurt Weill, um dos formadores da consciência americana. Globalização é foda. 7. Boa parte do catálogo da Tzadik parte da tradição judaica, seja ela Azkenazi ou Sefaradi. Cracow Klezmer Band, Davka, Anthony Coleman e o próprio John Zorn (Masada, Bar Kokhba, Kristallnacht, todos esses nomes se relacionam diretamente à memória judaica) são bons exemplos disso. Bem, apesar de ter fugido um pouco do tema, taí a minha contribuição.

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Dysrhythmia: Barriers And Passages, 2006

★★★½

Dica vinda da sessão de links do site do Ahleuchatistas, logo após escrever a resenha abaixo.

Tem uma certa semelhança com eles, mas Dysrhythmia é mais complexo e irregular, como o próprio nome já dá a entender.

O trio da Filadélfia mixa rock progressivo, indie-rock, avant-jazz e ambient, resultando num som forte, encorpado, do jeito que a gente gosta (uhmm… isso não era um slogan de café instantâneo?).

Pra quem curte sons que não dão pra ser acompanhados com o bater dos pezinhos.

música pra ouvir: Appeared At First

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Vagner 05/06/2007 às 12:23 am Tenho todos os álbuns, mas com certeza esse é o melhor!!

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Made In Mexico: Zodiac Zoo, 2005

★★★½

As capas enganam! Bucólica essa aí, né? Pastoral, hippie, tranquila, relaxante, inocente… O que esperar do conteúdo sonoro? O extremo oposto.

Made In Mexico é forte, distorcido, assimétrico, fuzzy… Uma espécie de Boredoms com Jesus Lizard e Lydia Lunch nos vocais. Não tão bom quanto as referências mas nerrrrrrvoso e competente.

Pra quem curte Arab On Radar.

Na tosca Home Page oficial deles você pode baixar mp3 grátis e saber mais sobre a banda.

música pra ouvir: Monster In Time

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Billy Martin: Starlings, 2006

★★★½

Billy Martin é o homem da bateria e percussão do trio jazz-funk Medesky Martin & Wood. Antes de fazer parte do trio, Martin tocou com muita gente boa como Lounge Lizards and with the John Lurie National Orchestra, Chuck Mangione, John Zorn, Bob Moses, DJ Logic, and Miho Hatori.

Este disco, lançado ano passado, traz justamente o que você não espera de um percussionista funk/jazz: composições modernas orquestrais, chamber music. Gravado originalmente com vários instrumentos africanos de percussão tonal (mbira, kalimba, lamellophone, etc), foi todo rearranjado e conduzido por Mr. Avant-Garde Anthony Coleman para quarteto de cordas e orquestra de câmara. A percussão, elaborada, é mais tímida ou quase inexistente em alguns casos.

Belo disco, revelando um lado que pouca gente conhece do músico.

Site oficial

Site do Medesky Martin & Wood

música pra ouvir: Starlings 1

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Vários: Dynamite With A Laserbeam - Queen As Heard Through The Meat Grinder, 2002

★★★½

Vi outro dia no ótimo blog Polaroid Rainbow um post sobre o Queen, meio que se desculpando e ao mesmo tempo homenageando a banda.

Nunca morri de amores por eles. Eu era, na época que conheci a banda - meados dos 80’s - mais da turma que curtia um som mais cru como Kiss e AC/DC ou eletrônico como Kraftwerk. Mas não há como negar a importância e a qualidade do quarteto liderado pelo Bigode. Ainda assim, gosto é gosto.

Mas o tal post me fez lembrar de uma coletânea-tributo lançada em 2002 pelo selo Three One G: Dynamite With A Laserbeam. O sub-título do disco já explica bem a sua proposta: “Queen como se ouvido através de um moedor de carne”

Se você gosta de barulho, esse disco é pra você. São 16 músicas, que variam em duração de 56 segundos a pouco mais de 5 minutos. Ou seja, acaba sendo um disco curto - que não enjôa.

As interpretações de algumas faixas são incríveis (no sentido mais literal possível). Acaba sendo legal pra conhecer bandas boas (e bem mais ecléticas do que podem parecer) como o excelente Upsilon Acrux, o Asterisk, o Locust… além dos mestres Melt Banana.

A desconstrução musical é quase constante nas interpretações, o que, em alguns casos, resulta em boas versões como a Another One Bites The Dust (The Get Hustle) e Vultan’s Theme (The Spacewürm) Versões mais lineares também aparecem pra dar uma quebrada na loucura, como a We Are The Champions (Das Oath), bem menos melosa e chata (sorry, não aguento essa música) que a original.

Há também rock industriais como a versão pra Who Needs You do Sinking Body ou a Lilly Of The Valley pelo Bastard Noise (o nome da banda traduz muito bem o som… barulho máximo sem nenhum controle). Outras mais psicodélicas como o Gogogo Airheart tocando Death On Two Legs ou uma meio Sonic Youth sem guitarras da The Fairy Feller’s Master Stroke pelo Glass Candy.

Os destaques ficam pra já citada banda Upsilon Acrux, tocando uma versão surreal de Bicycle Race - pela originalidade na interpretação e reconstrução da música - e pra última faixa do disco, tocada pela banda de mais nome entre as 16 do tributo, os japoneses do Melt Banana, interpretando a We Will Rock You meio low-tech com scratches na guitarra. Só faltou, pra mim, ter outra banda importante e significativa da “área”, o Orthrelm… ou mesmo os caras do Arab On Radar. Ambos já gravaram por este selo. Pena.

Por serem estilos completamente diferentes (o do Queen e o dessas bandas), o resultado são músicas curiosas, meio pop meio noise, meio desconjuntado meio engraçado.

Você pode achar um sacrilégio com o Bigode e sua trupe… mas, como eu disse lá em cima, gosto é gosto! :)

PS: falando em sacrilégio com o Queen - nada a ver com esse disco - você já viu o clipe da versão do Electric Six pra Radio Ga Ga? Poucas vezes ri tanto com um clipe. Veja aqui.

editado em 09.02.07: retirado informação errada sobre a banda Asterisk

música pra ouvir: Bicycle Race

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samuca 12/02/2007 às 2:20 pm Fala Bêla, vim aqui dá um bizu no teu brógue e tu tá me falando em Dancing Queen, carái? hahaha Abraço, man! Samuca

Carlos Bêla 09/02/2007 às 2:15 pm Nelson, Você está certo. Eu tinha confundido Asterisk com Asva, essa sim com o Trey Spruance. Valeu pelo toque! Abraço

Nelson Endebo 09/02/2007 às 11:17 am Carlos, um comentário: o Asterisk é uma banda sueca de grindcore, e, até onde eu sei, a única relação deles com o Trey Spruance é uma resenha de autoria dele na página da Mimicry. De resto, o álbum é mesmo incrível. Valeu pelo bom trabalho, abraço!

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Mouse On Mars: Varcharz, 2006

★★★½

Depois de uma sequência de discos sem muita personalidade, característica que sobrava nos primeiros discos do duo alemão, Mouse on Mars lança neste ano o “Varcharz” que, pra mim, figura entre os melhores deles.

Nada contra ser dançante ou mais acessível, mas esta banda, na minha opinião, sempre fez melhor a música editada, confusa, picotada, barulhenta, lowtech, experimental.

O duo formado por Andi Roma e Jan St. Werner foi fundado em 1993 meio como um post-techno. Dizem os caras que eles se conheceram num show de death metal e resolveram formar o Mouse On Mars.

De post-techno virou uma rica e eclética combinação de inúmeros estilos musicais, sempre com um pé no eletrônico: Techno Experimental, Dub, IDM, Post-Rock, Ambient, Electro, entre outros.

Este é o décimo disco da banda. O terceiro, “Autoditacker”, de 1997, é uma obra-prima. Uma mistura de krautrock com dub e electronica combinados de maneira peculiar, arranjados em layers e layers de instrumentação elaborada e com alguma influência de jazz e drum’n’bass.

A fase que se segue de discos lançados pela Thrill Jockey é meio desigual, embora tenha ótimos resultados como o “Niun Niggung”, de 2000. Em 2004 eles lançam o que acredito ser o pior disco da dupla “Radical Connector”, sepultando todas as esperanças que eu tinha de uma possível volta às origens criativas (e não necessariamente sonoras).

Fui meio com preguiça pra escutar este novo (eu não desisto nunca!) e levei um soco no estômago. Quebradeira master! :D

Mais violento, abstrato e experimental que os anteriores, foi curiosamente gravado ao mesmo tempo que o “Radical Connector”. Mas sonora e estruturalmente é o oposto dele.

Mas nada tão diferente que descaracterize o som dos caras. A “aura” da banda continua firme: sons sintetizados com baixa resolução, batidas quebradas (sem, contudo, apelar pro drum’n’bass fácil), bom humor e tensão ao mesmo tempo.

Interessante como a banda soa rock (e às vezes pesado, a la Lightning Bolt), apesar de praticamente só usar sintetizadores. A influência de krautrock permanece, pra alegria de muitos.

Denso e ao mesmo tempo colorido, se é que isso é possível.

música pra ouvir: Chartnok

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Medeski Scofield Martin & Wood: Out Louder, 2006

★★★½

O trio Medeski Martin & Wood fez um dos melhores shows deste ano aqui em São Paulo até agora. Duas horas de muito jazz-funk com direito a várias sessões de improviso, bem ao estilo desse trio instrumental que vem mostrando, há 13 anos, que o jazz não precisa ser careta, muito menos velho.

O que este disco tem de novo e por isso está sendo resenhado?

Quatro razões. A primeira é que eu estou ouvindo ele neste instante pela primeira vez :P . A segunda é que chegou, há pouco tempo, a algumas lojas de discos importados no Brasil. A terceira é que é o primeiro lançamento pelo selo dos próprios caras o que, a princípio, costuma ser sinal de mais liberdade criativa. A quarta é que o trio traz um convidado especial por todo disco: o guitarrista John Scofield.

Os 4 músicos já gravaram juntos antes. O trio, formado pelo tecladista John Medeski, o baterista Billy Martin e o baixista Chris Wood, já foram a banda de apoio do disco do Scofield, “A Go Go”, de 1997. Mas, na época, além do trio ainda não ter seu nome tão difundido no meio Hard-Bop/Bost-Bop/Jazz-Funk, o disco só trazia composições do próprio John Scofield.

Desta vez é diferente. E, apesar da presença de um convidado, os quatro parecem ter nascidos para tocar juntos. Absolutamente coeso e integrado o som deles! Já não é a primeira vez que Medeski Martin & Wood trabalham com um guitarrista. Pelo contrario, em quase todos seus discos há a presença da guitarra em algumas faixas. Um dos mais inventivos, na minha opinião, é o Marc Ribot.

Embora Scofield venha de uma geração de músicos um pouco mais tradicional que Ribot, com fortes elementos de jazz soul, fusion e (post-)bop, ele não faz feio: adicionou uma série de elementos ao som do trio que não parece uma banda com um convidado e sim um quarteto de músicos que compõem, improvisam e grooveiam juntos, como velhos amigos.

Existe até uma influência clara do Brasil em algumas faixas deste disco. E não é a primeira vez que isso acontece. O próprio Medeski comentou na imprensa, algumas vezes, sobre a sua admiração pela música brasileira. Hermeto Pascoal, principalmente (a faixa “Hermeto’s Daydream”, do disco “Notes From The Undergound”, de 1992, seria uma homenagem a ele?).

Neste aqui são 2 exemplos. A faixa “Tequila And Chocolate” é praticamente uma Bossa Nova, só que com mais groove. Composição do baixista Wood, assim como a faixa de nome “Cachaça” - esse título eu não tenho dúvida da influência tupiniquim ;)

O disco tem 2 covers, como eles sempre gostam de fazer… sempre muito diferentes da original. “Julia”, do álbum branco dos Beatles, tem muito pouco da original, mas é linda. E “Legalize It”, de Peter Tosh, virou um reggae-funk-bemlouco.

Aliás, segunda vez (pelo que me lembro) que eles fazem cover de reggae. A outra vez foi no segundo disco deles, de 1992, com a música “Lively Up Yorself” do Bob Marley.

Gostei da “Down The Tube”, de mais de 11 minutos, que além de bons improvisos e surpresas, os papéis do teclado e da guitarra parecem ser trocados em alguns monentos: órgão distorcido com guitarra limpa dialogam muito bem.

Sobre o fato de lançarem por selo próprio este disco, realmente nada mudou. A sonoridade continua a mesma, a qualidade idem, o que me faz pensar que eles faziam o que bem entendiam no selo anterior, o famoso Blue Note Records (que, pra se despedir, lançou uma coletânea do trio).

Não é o melhor disco deles, mas vale muito a pena.

Site oficial

música pra ouvir: Little Walter Rides Again

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Richarley Menescal 18/10/200: eu tava por fora desse lançamento! Boa notícia! Preciso ouvir isso logo!

Lulu Camargo 23/10/2006: Tenho um mp3 desgarrado deles tocando com o guitarrista do Phish, você sabe de que álbum é isso? Se não me engano é um cover de Hey Joe…

Carlos Bêla 23/10/2006: fala lulu! foram feitos vários shows do trio com o trey anastasio (phish). que eu saiba nunca foi lançado nenhum desses shows em CD. eu tenho tbem em mp3 um show no texas de 1995, que eles tocam crosstown traffic. também rolaram shows da banda moe com participação do trey anastasio e do john medeski, mas esses, sinceramente, eu não gostei muito não.

Lulu Camargo 26/10/2006: É isso que eu tenho, Crosstown Trafic, mas tem tambem uma versao deles de Hey Joe – só não sei se é também com Trey Anastasio. O que eu tenho por aqui também é um trecho do audio da participação deles no “Sessions at W54″, com um pouco do David Byrne entrevistando os caras.

Gabriel 29/11/2006: Não sabia desse disco dos MMW com Scofield! Putz, putz! Preciso escutar JÁ!

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Witch: Witch, 2006

★★★½

Cheguei nesta banda pelo nome, sem nenhuma indicação e, antes de ler qualquer coisa a respeito deles, botei direto o mp3 na agulha… melhor jeito de analisar uma banda nova, sem pré-conceitos.

De cara parecia um metal básico, quase doom. Mas o fuzz e distorção das guitarras entregavam que eles não eram típicos metaleiros… a distorção seria muito mais grave e exagerada.

Tinha toques de stoner (Kyuss, Queens Of The Stone Age) e Sludge Metal (Sleep, Om, Isis).

Entra o vocal. Nú! Ozzy? Nem… não tão empostado, nem caricato. Tava mais pra um cara “normal” que curtia o Come-Morcego. Mas que o som parecia Black Sabbath, ah, isso parecia.

Vou atrás de informações. Bingo. Ninguém mais, ninguém menos que o guitarrista líder do Dinosaur Jr, Mister J. Mascis. E tocando bateria.

Pois é, este é o novo projeto do J. Mascis, uma verdadeira ode ao hard rock setentista. Nunca foi necessário dizer que o cara sempre teve uma forte veia roqueira… a influência de Sabbath, Kiss e outros sempre foi clara no som do Dinosaur Jr. Seus solos sempre tiveram um “q” de Ace Frehley. Aqui ele resolveu se entregar ao clássico e, em homenagem às suas próprias origens, tocar bateria, seu primeiro instrumento musical.

Mas a banda que ele arrumou parece ter saído da mesma garagem que ele: Asa Irons na guitarra (ele tem um tocar muito semelhante a Mascis), Kyle Thomas no vocal e guitarra, ambos da banda folk Feathers, e o velho companheiro Dave Sweetapple no baixo.

E é meio isso aí que foi comentado… rock basicão, cheio de riffs ótimos, simples, pesado. A maior parte das 7 faixas é de músicas longas, com mais de 5 minutos, muito bem conduzidas, alternando climas mais tensos e pesados com outros mais tranquilos, porém igualmente distorcidos.

A impressão que dá é que os caras estão se divertindo muito, fazendo um som que sempre curtiram, sem pose ou pretensão.

E com muito carisma.

música pra ouvir: Seer

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everton jansson : ótima essa banda , tava axando q éra banda antiga!po legal banda nóva fazendo um som désse nivel!sempre entro no site teepee records pra escutar as duas faixas disponiveis rip van winkle e seer duas musicas exemplares!!tenho eh q dar um jeito d ter o cd desses kras!soh ñ sei como!impolgante d conhecer essa banda !!!

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Big Satan: Souls Saved Hear, 2004

★★★½

O estilo “Modern Creative” de jazz tem produzido uma quantidade muito grande de discos.. ermmm… criativos, numa tentativa de recriar o que as pessoas entendem por jazz. Nada de radicalismos, apenas uma vontade de soar diferente dos standards. Ter liberdade de criar, sem parecer algo completamente sem pé nem cabeça (o que não necessariamente é ruim, apenas não é o desejo dos caras).

Um excelente exemplo disso é essa banda de nome from hell. O Big Satan é formado por caras que trabalham junto há anos, colaborando em inúmeros projetos e discos: Tim Berne (alto sax), Marc Ducret (guitarra) e Tom Rainey (bateria).

Berne é um brilhante saxofonista e compositor. Ducret tem um estilo muito próprio de tocar guitarra e manda muito bem nos improvisos. Rainey toca uma bateria rica em texturas. O resultado é um disco altamente recomendável a fãs de um jazz mais livre, com grande influência de avant-garde e que não quer ouvir mais um disco igual a outros tantos.

Recomendo igualmente este “Souls Saved Hear” e o outro deles “I Think They Liked It Honey” de 1997 (que talvez seja ainda melhor que este).

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Roberto J. Rodriguez: Baila! Gitano Baila!, 2004

★★★½

Roberto Juan Rodriguez é um percussionista, compositor e arranjador cubano. As raízes latinas são óbvias na obra dele, mas não só: ele é judeu e mescla de maneira singlar a música klezmer com o som da sua pátria.

O híbrido resultado é ótimo. Balanço que só a música latina tem com melodias klezmer. E um pouco de tudo mais no meio: salsa, cumbia, son, merengue, cha-cha-cha, mariachi, etc. Tem um gosto de jazz também, misturado em pequenas doses.

Excelente compositor e arranjador, o cara tocou com o Marc Ribot no ótimo projeto “Los Cubanos Postizos” quando foi descoberto por John Zorn que o convidou para lançar pelo seu selo (Tzadik) discos totalmente compostos por ele. Seus temas são bem no velho esquema de música latina típica (se é q isso existe), lembrando muito os clássicos Perez Prado, Pedro Gracia e Orquestra Aragón, cujo pai de Roberto, o Sr. Roberto Luis Rodriguez, foi integrante nos idos dos 60’s e 70’s.

São, até agora, 3 discos, todos lançados pela Tzadik, fora algumas participações em outros projetos do selo. Este é o segundo, tão bom quanto o terceiro, em parceria com o velho e bom Irving Fields.

música pra ouvir: Wolfie’s Corner

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adorno at MaWá com W 30/10/2006: […] Vocês, leitores, ganharam de presente uma bela indicação. A dica de hoje é o Aporias, blog do Carlos. A propósito, não o indico apenas por ter gentilmente me ensinado a fazer esse lance dos arquivos, mas também porque seu blog é um cardápio muito bem recheado de música de tudo quanto é lugar. Dá uma bela diversificada no repertório, principalmente no meu caso, que me interesso demais pela música brasileira – e acabo esquecendo de todo o resto. Hoje mesmo caí nas graças do Roberto J. Rodriguez, que mistura música cubana com judaica. Sensacional. […]

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Les Claypool: Of Whales And Woe, 2006

★★★½

Eu posso contar nos dedos a quantidade de músicos que têm um estilo completamente próprio, daqueles que você escuta meio minuto de música e sabe quem é. E que ninguém mais consegue imitar.

Les Claypool é um desses caras, goste ou não da sua música. O cara criou um estilo só dele e o imprime em tudo que faz: desde os discos do Primus, passando pelos projetos paralelos como Oysterhead e Frog Brigade e indo aos discos solos assinados apenas com o seu nome.

Este lançamento de 2006 (o cara lança praticamente um disco por ano) da grife Claypool é um disco bem “solo”. Quase tudo foi gravado por ele: baixo (sua especialidade), bateria, algumas guitarras.

O som? Não sei como explicar. Melhor ouvir o disco, se você já conhecer o som do cara. Se não, recomendo começar por um disco do Primus mesmo: “Frizzle Fry” e “Sailing The Seas Of Cheese” são os clássicos.

Mas o estilo prórpio tem seu preço: às vezes o cara pode cair em armadilhas, fazendo músicas meio parecidas com outras já existentes. Não chega a prejudicar este disco mas também não é o melhor que o Claypool fez.

Tudo bem, ele pode.

Site oficial do Les Claypool

música pra ouvir: One Better

comentários originais

heinar: Essa musica lembra os bons discos do Material…deve ser o baixo la na frente…

sergio bala: bom achei esse album excelente ! pra mim um disco nota 9 ! esse album tem musicas bem originais como one better , filipino ray , phanton patriot e iowan gal ! oq muitas pessoas dizem sobre as musicas do les claypool serem meia parecidas umas com as outras ea forma de composição do les ! o les faz uma sequencia de notas rapidas e faz uma pausa e vareia as notas ! mais se analisar todas as musicas naum tem nada de igual ! as semelhanças ficam nas musicas dmv, phanton patriot,filipino ray jarre car new race etc! essas musicas o les faz sempre uma pausa mais msm assim saum todas originais e naum chegam a tirar o merito do les ! e dificil achar alguem q faça q nem ele ! uma musica simples ,sofisticada original , as vezes com formulas vencidas e criaivas ! primusssssss suckssssssss