King Missile – Happy Hour (1992)
★★★★½
grande disco de uma banda peculiar.
“Essentially a vehicle for the musings of John S. Hall, King Missile merged off-kilter spoken word monologues with eclectic, mildly psychedelic rock & roll. Hall’s dry, absurdist sense of humor colored much of the group’s output, blurring the lines between comedy, Beat poetry, narrative prose, and simple rock lyrics. Yet in spite of their focus on Hall’s literary bent and all its New York artiness, King Missile was most definitely a band, and relied on music to play a much more than perfunctory role in their overall effect.” (AllMusic)
11 reproduções
★★★★½
Jazz com grande influência de Rock ou Rock com doses cavalares de Jazz? Big Band com cara de progressivo ou Avant-Garde mais acessível? Frank Sinatra ou Frank Zappa? Possivelmente nos meados dos anos 80 um termo resumiria isso tudo: Avant-Prog.
Seja qual nome você queira dar pro som do Club Foot Orchestra, uma coisa não dá pra negar: o grupo de músicos liderados por Richard Marriot fez algo peculiar.
Marriot fundou uma orquestra em 1983 pra tocar regularmente no The Club Foot, um point de músicos e artistas visuais na 2520 Third Street em São Francisco, EUA. Nessa turma não entrava só virtuoso tocando partes difíceis ou improvisando: os novatos músicos colaboravam com funções simples, porém essenciais.
Falando dos temas musicais especificamente, como você pode escutar no exemplo abaixo, a música era complexa sem assustar. Os metais tinham grande importância na orquestração do som cheio de contrapontos culminando numa mistura sem dogmas de jazz post-bop, easy-listening, rock, reggae, klezmer, mariachi, clássico etc e artistas marginais da época como Carla Bley, Xavier Cugat e Kurt Weill. Impossível, pra mim pelo menos, não lembrar de algumas fases do Zappa.
Dois foram os registros dessa época, lançados pela Ralph Records - e raríssimos hoje em dia: Wild Beasts (1985) e Kidnapped (1987). E são esses álbuns, na íntegra, que aparecem neste disco Wild Beasts, Kidnapped, and More lançado em 1995 (e em CD em 2007), com direito a mais 2 faixas extras.
Ou seja, pra quem quer conhecer o “Klezmer Paso Dobles” (Suerte de la Noche), “Balkan Surf” (Entrance), “Dinosaur Story Avant-o-rama” (Innocent), “No-Wave meets the Red Army Chorus on a cartoon bunny path” (Time Axe Bag Dad) do Club Foot Orchestra, essa é a porta de entrada perfeita e fácil.
A banda, depois dessa fase, enveredou num meio bem interessante, porém distinto do apresentado nesta coletânea: trilhas sonoras para filmes mudos. E não foram poucos: O Gabinete do Dr. Caligari, Nosferatu, O Encouraçado Potemkin, Fantasma da Ópera, entre outros além de releituras de Metropolis, Caixa de Pandora, etc
O grupo também compôs a trilha de 39 episódios do Gato Félix (The Twisted Tales of Felix the Cat, 1995-1997), o que faz todo sentido, já que a sonoridade da banda tem tudo a ver com desenhos animados.
música pra ouvir: Suerte De La Noche (Wild Beasts)
riga 27/03/2009 às 11:57 pm carazza…excellent!!
10 reproduções
★★★★½
Se tem uma banda com atitude no free jazz de hoje, ela se chama The Thing.
O trio escandinavo liderado pelo saxofonista Mats Gustafsson faz praticamente um punk com baixo acústico e bateria. Mas, ao mesmo tempo, é free jazz puro.
Originalmente formado para tocar músicas de Don Cherry, o trio foi gradativamente incluindo músicas próprias a seus discos, sem, no entanto, esquecer as versões: de Ornette Colemann (ah vá!?) a Lightning Bolt, tudo passa pelo Filtro The Thing.
Esse filtro tem uma característica marcante: o tocar de Gustafsson. O saxofonista começou a carreira cedo - aos 14 anos, pegou o bocal do seu sax e encaixou na antiga flauta, criando seu flautofone (fluteophone). Tocou com AALY Trio, Two Slices of Acoustic Car, Derek Bailey’s Company, Ken Vandermark, Peter Brotzmann, Sonic Youth, só pra citar alguns exemplos.
Avesso a tradições, explora dezenas de técnicas de seu instrumento, tanto de respiração quanto até microtons. Essas variações vão do sutil ao denso em microsegundos, com competência e estilo singulares.
Se você gostar dessa música do post, pode ir atrás de qualquer álbum dos caras. É garantido. Pena que é tão difícil achar informações completas dessa banda na web.
Agressivo, coalhado de improviso, experimentalismo e qualquer outro ismo que você quiser, The Thing espõe as víceras do jazz, sem medo de sangue.
Site do selo Smalltown Superjazz
Introduction @ paalnilssen-love
música pra ouvir: Aluminium
Carlos Bêla 15/08/2008 às 3:41 pm Fala Sergio! Já ouvi falar mas nunca escutei. Valeu a dica, vou atrás e te digo! Abraço
sergio stefano 15/08/2008 às 3:13 pm Cara, vc já ouviu God is an Astronault? Acho que vai gostar. abs
Alessandra Tussi 28/07/2008 às 6:30 pm Feliz aniversário amanhã! :D
Carlos Bêla 06/07/2008 às 5:40 pm Fala Bruno, bem lembrado! Não por acaso, o Zu já gravou um disco com o próprio Mats Gustafsson chamado “How To Raise An Ox”. http://www.lastfm.com.br/music/Zu+%26+Mats+Gustafsson Abraço
Bruno 06/07/2008 às 10:24 am Quando vi o “punk com baixo acústico e bateria” me lembrei do Zu, da Itália. Banda muito boa, que segue esse estilo. Altamente recomendado.
5 reproduções
★★★★½
The Science Group foi fundado em 1997 na França e, guardadas as proporções, poderíamos encarar como uma continuação do som do super-grupo inglês de avant-prog Henry Cow.
Não por acaso a comparação: o percussionista, baterista, compositor, letrista e teórico musical Chris Cluter toca nas duas bandas. O sócio-fundador do Cow, guitarrista Fred Frith, participa do primeiro do Science Group também. E, claro, o som: uma combinação de avant-prog com jazz, clássico, experimental, eletrônico, ambient, RIO, avant-garde, e o que mais aparecer tem muito do clima da banda inglesa.
Chris Cluter parece viver numa realidade paralela. Ao menos temporalmente falando: é impressionante a quantidade de projetos que o cara se envolve: Slapp Happy, Art Bears, Aksak Maboul, Cassiber, News From Babel, David Thomas and The Pedestrians, Peter Blegvad, Pere Ubu, Zeena Parkins, The Residents, Lindsay Cooper, Gong, fora os discos solos (3, por enquanto), livros, participação em filmes, etc.
Americano nascido em 1947, cresceu na Inglaterra e nunca estudou música. Em 1971 foi convidado a substituir o baterista da banda Henry Cow… e aí que toda a história do cara começa.
Foi com Fred Frith e Tim Hodgkinson que, no final dos anos 70, ele fundou o Rock In Opposion (RIO), um movimento/coletivo de bandas unidas em oposição à industria músical. O festival que iniciou o movimento tinha como slogan “The music the record companies don’t want you to hear” (A música que as gravadoras não querem que você ouça) e dele fizeram parte, além do Henry Cow: Stormy Six, Samla Mammas Manna, Univers Zero e Etron Fou Leloubla. Só coisa fina. :)
De lá pra cá RIO virou sinônimo de avant-garde progressive rock (avant-prog, pra encurtar) ou rock experimental.
Essa galera toda merece alguns vários posts no Aporias (Marcio Nigro, inclusive, já escreveu aqui no blog sobre bandas que se encaixam no gênero: Magma e Alammailman Vasarat), mas foquemos no The Science Group.
Viagem no tempo para 1996. Chris Cutler propõe ao amigo Stevan Tickmayer (compositor contemporâneo erudito e tecladista) gravar um disco usando seus textos sobre ciência que ele vinha desenvolvendo desde 1992. Era o começo do Science Group. A dupla então chamou alguns convidados especialíssimos pra colaborar: Fred Frith (resenha aqui), Claudio Puntin (clarinete), Amy Denio (voz), Bob Drake (do Thinking Plague, baixo, guitarra, percussão).
Em 1999 lançam o A Mere Coincidence pelo selo inglês Recommended Records (do próprio Cutler).
Em 2003, parte desse grupo - Cutler, Tickmayer, Drake junto com o guitarrista e compositor Mike Johnson, fundador do Thinking Plague - lança o instrumental Spoors.
As vozes, pra quem não gostou delas no primeiro disco, não estão presentes, o que, de certa maneira, poderia dar um ar mais acessível ao disco. Mas não: aqui o som é menos rock, mais erudito, com uma levada dark e obliqua e que até se arrisca, em alguns momentos, a incluir elementos e instrumentos eletrônicos na orquestração.
O disco de 15 faixas é dividido em 4 “suites”: Timelines (temas mais velozes, matemáticos e complexos), New Indents (temas mais soltos, experimentais, em levadas dissonantes quando não atonais, onde as teclas tem maior importância), Bagatelles (mais pesado, meio circense, cujas cordas aparecem mais) e Old and News Paths (bem avant-prog, rock, esquisito, lembrando, em vários momentos, o trabalho erudito do Zappa).
Brilhante.
música pra ouvir: Old And New Paths: Discrete Networks
2 reproduções
★★★★½
Se tem uma banda de post-rock que eu considero singular, essa se chama Laddio Bolocko.
Esses caras tem a atitude e originalidade que falta em muitos novos lançamentos do gênero (?).
Se você tem achado o Battles novo um puta disco (que, de fato, é), ouça este, com músicas do final da década passada. :)
Ok, não quero entrar de novo naquelas análises de vantagens e desvantagens de se usar rótulos. Sempre fui contra eles até começar a escrever este blog e me tocar que, sem um pouco de generalização, fica difícil demais de falar de música.
O que o Laddio Bolocko tem de post-rock é o fato de ser instrumental, levar boas doses de experimentalismo às suas composições, utilizar instrumentos eletrônicos pra compor com guitarras, baixo e bateria, e ter forte influência de minimalismo, avant-garde jazz, math e ambient.
Mais que isso, a banda novaiorquina formada por membros do Mars Volta, Panicsville, Craw and Chalk e Dazzling Killmen em 1996, incorpora muito do kraut rock, de noise tipo Flying Luttenbachers ou Ruins, uma sujeira e caos post-punk de um This Heat, além de uma certa irreverência instrumental.
Com músicas variando de 60 segundos a 34 minutos, esse disco duplo é uma compilação de todas as gravações da banda que, infelizmente, já acabou. O primeiro disco contém o Strange Warmings of Laddio Bolocko, de 1997, e é mais sombrio, sujo e experimetal. O segundo disco, no entanto, é mais hipnótico e psicodélico, compilando os EPs In Real Time, de 1998 e As If By Remote de 1999.
Se você não curte noise, fuja desse disco. Mas se você está à procura de sons com personalidade e culhões :P , Laddio Bolocko pode ser uma ótima pedida.
4 reproduções
★★★★½
Mais uma daquelas surpresas ao procurar determinada banda no Google ou na Wikipédia, com resultados apenas em português: pouco ou quase nada se fala deles na nossa língua.
Os Weirdos foram (ainda são?) uma banda de punk rock fundada em 1977 e que acabou (mas voltou depois algumas vezes, por isso a interrogação nos parênteses anteriores) apenas 4 anos depois.
Nascida na cidade de Los Angeles, longe do punk novaiorquino dos Ramones, Television e Talking Heads do outro lado do país, a banda nunca conseguiu fechar contrato com uma gravadora e acabou sem gravar um único disco.
Mas graças a algumas gravações caseiras, singles e EPs da época, o selo Frontier lançou, em 1991, esta ótima coletânea de uma das melhores bandas da primeira geração punk dos EUA.
Em 1988, com apenas 2 dos integrantes originais, os irmãos John e Dix Denney, se reuniram com Zander Schloss (Circle Jerks), Sean Antillon (The Skulls) para gravar um disco, com a ajuda do fã Flea (Red Hot Chili Peppers), lançado 2 anos depois - e que não é o caso de ser comentado aqui.
Em 2003, lançaram o segundo volume dessa coletânea, não tão interessante, mas mesmo assim valendo a pena ser ouvido por fãs de rock em geral e, claro, punk.
música pra ouvir: We Got The Neutron Bomb
André Felipe 04/09/2007 às 10:10 am Mais uma daquelas surpresas ao procurar determinada banda no Google ou na Wikipédia, com resultados apenas em português: pouco ou quase nada se fala deles na nossa língua. O difícil é achar as músicas desses grupos.
7 reproduções
★★★★½
Jason Molina (do ótimo Songs: Ohia) acaba de lançar um box da sua banda Magnolia Electric Co., composto por nada menos que 4 CDs e 1 DVD- uma porrada de música boa de uma só vez.
Sojourner consiste em: Nashville Moon, gravado em meados de 2005 com Steve Albini, e The Black Ram são os discos mais rock, com toda banda tocando; Sun Session, um EP gravado em março de 2006, e Shohola, gravado na casa de Molina, são os mais tranquilos e intimistas. E o DVD The Road Becomes What You Leave que mostra a turnê da banda pelo Canadá.
Seu som tranquilo, folk, e sua voz a-la Neil Young estão mais finos que nunca. Mais um grande disco de 2007.
Site Oficial traz músicas e videos para download.
música pra ouvir: Texas 71
10 reproduções
★★★★½
Recentemente, por causa de um trabalho no qual estive enfurnado por meses, comentei com diferentes pessoas sobre o Uakti e qual foi a minha surpresa ao descobrir, quase 100% das vezes, que não se conhecia a música desse grupo mineiro.
Po, triste saber que um grupo de tamanha qualidade, criatividade e importância não foi assimiliado pelos seus conterrâneos. Me sinto na obrigação de falar dele neste espaço.
Uakti é uma oficina instrumental. Marco Antônio Guimarães, fundador, maestro e diretor artístico do grupo, começou em 1978 a criar seus próprios instrumentos, influenciado pelo seu mestre Smetak (o homem, o mito).
Vinte e nove anos depois, com 10 CDs lançados no Brasil e no exterior e tendo trabalhado com artistas como Philip Glass, Paul Simin, Milton Nascimento, Manhattan Transfer, Grupo Corpo, Naná Vasconcelos e muitos outros, o Uakti continua tendo um papel importantíssimo na música instrumental brasileira.
Aerofones, Electromecânicos, Idiofones, Membranofones e Cordofones: os instrumentos construídos com materiais do cotidiano como tubos de PVC, vidros, borracha, acrílico, água, panelas, latinhas, garrafões, adquirem uma sonoridade única e muito particular.

Escolher um disco pra destacar aqui é um desafio. Apesar de acreditar que a obra do grupo seja heterogênea e contenha alguns álbuns pouco inspirados (na minha opinião… veja só), existem ótimos discos - assinados tanto como Uakti como apenas pelo lider do grupo (Marco Antônio fez trilhas sonoras como Lavoura Arcaica e esta que deve ser lançada em breve, d’A Pedra do Reino).
Então segui meu coração: a música Arrumação é uma das suas mais perfeitas composições e gravações, daquelas de ouvir dezenas de vezes sem se cansar e ainda descobrir novos detalhes e nuances. Sua sensibilidade e delicadeza são absolutamente singulares. Tanto na performance quanto na criação musical.
Trilobita, o nome que o instrumento empresta ao disco, tem um som de destaque nessa faixa. Tocada com os dedos - quase como se fossem tablas - o Trilobita é formado por tambores que, por sua vez, nada mais são que tubos de PVC com pele de cabra esticada em uma das suas extremidades.
Seus shows são um capítulo à parte, já que neles temos a oportunidade de ver todas essas incríveis (e belas) criações instrumentais (Aqualung é uma das minhas prediletas: um filete d’água é que produz o som, amplificado por 2 tubos), além da performance dos excelentes músicos Paulo Santos, Artur Andrés e Décio Ramos.

música pra ouvir: Arrumação
Antonio Brandao Junior 16/05/2009 às 6:17 pm Oi Carlos, parabéns pela iniciativa. Vejo que você tem bom gosto musical. Também, como você, fico decepcionado com o fato de o trabalho do Uakti não ser tão conhecido no Brasil e principalmente em Minas. Talvez seja por causa da alienação cultural em que nosso povo está “doentemente” mergulhado. Desejo-lhe sucesso pelo espaço e que esse trabalho maravilhoso do Uakti, possa ser mais conhecido em nosso pais. Valeu, grande abraço.
Álvaro Manhães 25/11/2007 às 9:56 am Olá! Sou músico e professor e estou encantado com este trabalho. Por curiosidade comecei a utilizar experimentalmente seguindo uma publicação da revista nova escola e obtive um resultado fantastico. Gostaria de saber mais e ter acesso as variações por sobre idiofones e tudo que possível e de fácil implementação no trabalho de musicalização infantil. Trabalho atualmente com crianças de 9 a 16 anos do PETI (PROGRAMA DE ERRADICAÇÃO DO TRABALHO INFANTIL)de quissamã no RJ e procuro inserir junto a musicalização o senso de preservação e outros ganhos para humanidade. Desde ja agradeço qualquer colaboração no sentido de me fornecer mais informações e modelos de instrumentos para implantar no meu trabalho. E prometo dar os devidos créditos aos seus idealizadores. Muitíssimo obrigado.
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★★★★½
Omar Rodriguez-Lopez é o cara. Vai mandar bem lá nos quintos de Porto Rico, rapá!
Começou tocando hardcore (Startled Calf), foi pro post-hardcore (At The Drive-In), depois pro dub (De Facto), ajudou a criar uma das bandas mais peculiares da atualidade (The Mars Volta), gravou com Damo Suzuki (Can) no final do ano passado um fusion/experimental e agora lança um disco de… de… uhmmm…
Como categorizar Se Dice Bisonte, No Bufalo?
Eu não consigo.
O disco tem participação do velho amigo Cedric Bixler-Zavala, cantor e co-fundador do Mars Volta, além de outros integrantes da banda como Marcel Rodriguez-Lopez, Adrian Terrazas-Gonzales e Juan Alderete de la Pena. Apesar da presença desses músicos, e do fato do álbum ter sido gravado ao mesmo tempo que Amputechture do próprio Mars Volta (lançado no ano passado e comentado aqui), o disco soa como outra banda.
Como Omar.
O cara tem um estilo único de tocar guitarra e compor. Se seu amor por dissonâncias (especialmente pela quarta aumentada - o intervalo musical conhecido na Idade Média como diabolus in musica), cromatismos e música serial fosse analisado apenas sob o aspecto técnico, poderia nos fazer lembrar imediatamente de Robert Fripp (que, claramente é uma grande influência) mas seria simplificar demais uma complexa formação musical. Segundo o próprio músico, sua maior influência é o pianista de salsa Larry Harlow.
As influências de progressivo (King Crimson) e fusion (Mahavishnu Orchestra) estão mais diluídas nesse terceiro álbum solo, enquanto o krautrock parece ficar mais forte. Aliás, são tantas as referências subjetivas nas composições que acaba não evidenciando nenhuma delas… se é que você me entende :P
Sem dúvida o melhor disco solo de Omar. E um dos mais interessantes que ouvi neste ano - até agora.
música pra ouvir: Rapid Fire Tollbooth
riga 18/06/2007 às 12:18 am cacetes!!!! aliás, o wikepedia classificou assim: Progressive rock Post-hardcore Experimental rock
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por Marcio Nigro
★★★★½
Falando em bandas esquisitas, impossível não pensar em Magma, um grupo nascido em Paris no final dos anos 60 e liderado pela baterista Christian Vander, uma espécie de Robert Fripp francês (no sentido de ser o centro do sistema solar da banda enquanto os astros ao seu redor podem mudar).
O Magma pode ser chamado de progressivo, jazz-rock, prog-jazz, ou sei lá que outro nome feio. Não importa. É um grupo que faz do exagero e do excesso estilísticos seu ponto forte. Suas influências vão de Carl Orff, Wagner, e Stravinsky a John Coltrane e R&B.
O Magma não apenas criou seu próprio estilo musical como foi além e criou seu próprio idioma, o Kobaian, na qual todos os discos são cantados, em geral falando sobre guerras interplanetárias. A banda tanto é uma referência musical, que ganhou um estilo nomeado em sua homenagem: Zeuhl (olha aí o nome feio), que em kobaiano quer dizer “celestial”.
O álbum mais clássico e cultuado do grupo é Mekanïk Destruktïw Kommandöh (também conhecido como .M.D.K.), de 1973. Mas decidi eleger outro para o Aporias: o Attahk, de 1978, que gosto mais por misturar ainda um “q” das discotecas da época, trazendo mais um elemento bizarro a uma das bandas bizarras da história. Paradoxalmente, é um dos trabalhos mais palatáveis do Magma, o que não quer dizer que os desavisados não estranharão o gosto.
Com capa ilustrada pelo também inconfundível H.R. Gigger, Attahk é definitivamente mais eclético do que seus antecessores, incorporando mais idiomas musicais, incluindo o gospel, funk e o pop. O resultado na verdade é praticamente um trabalho solo de Chris Vander, mas como o Magma não existe sem ele, a verdade é que não faz tanta diferença assim essa informação.
A ênfase é no ritmo e nos vocais, o que traz uma área mais brilho e clareza ao som do grupo. Porém, não me entendam mal: à primeira ouvida pode parecer uma floresta impenetrável. A verdade é que não consigo ouvir Magma sem achar engraçado, pois claramente há por traz de tudo um bom humor contagiante. Chega a ser ridículo o exagero sonoro. Mas a genialidade está nisso, levar tudo ao extremo sem se levar muito a sério.
A primeira faixa The Last Sevem Minutes traz Vander endemoniado, um trabalho do nível de um Mahavishnu Orchestra. Aqui vai ela.
Enfim, Attahk certamente é o mais Aporias dos álbum do Magma e merece um lugar de destaque em qualquer prateleira da sala, muito embora não vá sempre agradar as visitas.
música pra ouvir: The Last Sevem Minutes
Vagner 05/06/2007 às 12:58 am Mucho loko! Excelente álbum.
henrík 09/05/2007 às 3:18 am bem bacana! ai meu HD querido, vou te encher um pouquinho mais uma vez…
Nelson Endebo 08/05/2007 às 4:48 pm Magma é o que há, quem conhece não larga mais. Legal ter falado desse disco, sempre que alguém no Brasil fala do Magma (e pouca gente fala!), sempre se refere ao MDK, o que, apesar de fazer sentido, acabando obscurecendo a discografia desse grupo seminal. Sei que há muitos “músicos experimentais” no Brasil que idolatram esses caras, pena que os fãs de progressivo (não que a banda seja exatamente isso, mas…) no Brasil são mais ligados no lance “sinfônico” do que qualquer outra coisa.

★★★★½
O recente lançamento do disco Still Stuck In Your Throat (2007) do Fishbone me inspirou a dar uma volta por todos seus discos e matar as saudades.
Essa banda, formada em 1979 e cujo primeiro disco só foi lançado nos meados da década de 80, influenciou um sem-número de grupos no começo dos 90’s. Possivelmente foram um dos culpados pela criação do tenebroso termo funk-metal, estilo que desembuchou centenas de bandas sem nenhuma identidade e que, felizmente, sumiram do mapa com a mesma velocidade que surgiram.
Truth And Soul é um dos clássicos do septeto californiano, junto com o The Reality of My Surroundings de 1991. Daqueles discos que não canso de escutar. Sua marca registrada é a mistura da música black, principalmente funk, ska e soul com punk rock, reggae, metal, hardcore, pop, etc.
Clipe da excelente Ma And Pa no Youtube
Outros videos com músicas desse álbum: Freddie’s Dead (música que abre o álbum e é uma versão do funk-soul-brother Curtis Mayfield) e Bonin’ In The Boneyard (video tosco, ao vivo).
A propósito, o tal novo disco que deu origem à viagem vale a pena.
Medina 24/04/2007 às 10:30 am The Reality of My Surroundings é um dos meus discos preferidos de todos os tempos. O Truth and Soul não me agrada tanto assim. Acho uma pena que a banda nunca mais lançou algo à altura do Reality. É uma obra-prima. Abraço do Medina!
10 reproduções
★★★★½
In Cold Blood, baseado no livro de mesmo nome de Truman Capote, foi o primeiro filme comercial a usar a palavra “shit”.
Quincy Jones foi o cara que arranjou e produziu o disco de maior sucesso da história da música pop.
Jones fez grandes trilhas sonoras, várias delas bem conhecidas como, por exemplo, a Cor Púrpura mas, por alguma razão, esse excelente thriller [com o perdão do trocadilho] foi meio esquecido. Talvez por não ser muito o que se espera mais dele (e que faz divinamente bem): música black, funk, soul. Ou talvez porque esqueceram mesmo… Por isso tô aqui pra lembrar.
Nem consegui descobrir se foi lançado em CD, o que seria lamentável. Em todo caso, uma cópia digital de vinil roda por aí na internet. Meio difícil de conseguir, mas vale a pena.
música pra ouvir: In Cold Blood
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★★★★½
Não, apesar do nome, essa banda não é formada por transexuais. Ao menos isso não foi revelado ao público… ainda. Aliás, não consegui descobrir nada a respeito da origem desse nome. Mas isso não vem ao caso.
eX-Girl é um grupo japonês formado por três… err… garotas: Kirilo (baixo e synth), Keikos (guitarra) e Yoko (bateria). Todas cantam. Juntas, num esquema meio ópera meio música japa. Elas vieram de um planeta chamado Kero Kero (não conheço lá, se alguém aqui tiver vindo de lá, mande algumas fotos!).
Apesar da clara influência do New Wave, o trio faz um som sem similares, incorporando um pouco de eletrônica, punk, noise e psicodelismo ao rock/pop. Não é pra tocar em rádio, mas dá pra cantar junto fááácil.
Aliás, falando em rádio, ouvi pela primeira vez o som delas (assim como de outras tantas bandas legais como The Fabrications, Degenerate Art Ensemble, Marcelo Radulovich, The Creeping Candies, Lothar and the Hand People, etc) no podcast da MusicNerve.
Recomendo!
Assim como o som das mina.
涼しい
música pra ouvir: e-sa-ya