Postagens com o marcador oriente médio

[Flash 9 is required to listen to audio.]

2 reproduções

Ashkhabad: City Of Love, 1993

★★★★

World Music. Eca. Este rótulo causa náuseas em muita gente. A culpa basicamente é dos exemplos que sugiram há poucas décadas: artistas que colocavam um ou outro instrumento típico ou um grupo musical folclórico um país terceiro-mundista com sua música (normalmente) americana pop, a fim de levar seu nome para uma grande audiência. Exemplos, bons ou ruins, não faltam: Paul Simon, Baka Beyond, Mickey Hart, David Byrne, Ry Cooder, Jimmy Page & Robert Plant. Parecem mais jogadas de marketing do que outra coisa… mas só parece, né, Ry Cooder?

O fato que essa música aí de cima deveria ser corretamente chamada de “Worldbeat”. World Music não é isso e sim a música típica de fato, com o mínimo de interpretação externa (ocidental, pop) possível.

O selo do Peter Gabriel, Real World, ajudou a criar essa indigestão na moçada, devido a alguns lançamentos de pouca originalidade e muita pretensão. Mas, outros tantos títulos excelentes foram colocados no mercado pelo ex-Genesis, inclusive suas próprias criações, como a trilha sonora de “Passion” (“A Última tentação de Cristo”) do Scorsese, além de grandes artistas como o paquistanês Nusrat Fateh Ali Khan.

O grupo do Turquemenistão Ashkhabad está nessa categoria de bons títulos. E é World Music no sentido mais legal possível.

A música do país, cuja capital dá o nome à banda, é uma mistureba, como não poderia deixar de ser: está apertado entre o Azerbaijão, Cazaquistão, Uzbequistão, Afeganistão e Irã. Originou-se com tribos nômades turcas que foram posteriormente “islamizadas” e, mais tarde, massacradas e dominadas pelos russos. Só obtiveram independência da Rússia em 1991. Musicalmente a referência mais forte, no entanto, é a turca.

Os cinco músicos do Ashkhabad baseam-se na música tradicional da região para criar suas próprias composições, além de tocar “clássicos” como “Ayrylsa” (abaixo) e “Balam Seni”.

As canções são essencialmente conduzidas por cordas tocadas por dedo ou palheta - como o dutar (ou tar), mais típico da região e o sar (uma espécie de balalaica) -, voz e muita percussão manual (daqueles instrumentos menores e mais agudos). Mas, como a influência egipcia e até indiana é grande, instrumentos como violino, viola, cello, não poderiam faltar, fazendo aquelas linhas ornamentais típicas.

O vocalista, lider da banda, Atabi Tsharykuliev, é excepcional e muito versátil. É dele a maioria dos arranjos e, imagino, a cara da capa do disco.

Pena que a banda só tenha lançado este disco e depois… sumido. Ainda estou à procura de outros discos da mesma nacionalidade e, se achar algum tão bom, postarei aqui. Se vc curtir, acabo de achar um site sobre música clássica do Turquemenistão, com alguma informação e muitos samples pra escutar .

Uma curiosidade: Jocelyn Pook é a pessoa que toca viola neste disco. Conhece?

Bem, se você assistiu “De Olhos Bem Fechados”, do Kubrick, não há como se esquecer: é dela o tema bizonho “Masked Ball” que tem vozes de padres cantadas de trás pra frente junto com um órgão de igreja terrorífico, além de outras músicas da trilha do último filme do Mestre.

música pra ouvir: Ayrylsa