Postagens com o marcador psychedelic

Cement Slippers1º clipe de “Cannibal Workship”, novo disco do sempre interessante Dengue Fever.

Prévia do DVD do Secret Chiefs 3, gravado em Rimini (Itália) no dia 13 de maio de 2010. A ser lançado em breve, pela Fantomatic Agency.

[Flash 9 is required to listen to audio.]

97 reproduções

Dream Get Together, faixa título do novo disco do Citay. Folk-rock psicodélico e alto astral.

Mais info.: Site oficial | MySpace

The Lickets: Journey In Caldecott, 2007


★★★★

Quarto álbum deles, foi lançado no mesmo esquema “quer pagar quanto?” do último do Radiohead. Mas quase ninguém ouviu falar da banda. Nem do disco que, sinceramente, achei bem melhor que o dos cabeça-de-rádio.

The Lickets faz um pastiche sonoro de estilos, resultando num som ambiente e calmo com construção formalmente minimalista. Soa quase orquestral, com alguns instrumentos construídos por eles mesmos, misturados a outros tradicionais e a alguns detalhes eletrônicos.

O Site oficial vale a visita, destacando uma espécie de game com a trilha sonora da banda.

No Myspace tem algumas faixas pra escutar.

[Flash 9 is required to listen to audio.]

4 reproduções

Chrome Hoof: Pre-Emptive False Rapture, 2007

★★★★

A capa é uma mistura de logo metal com cromados bregas dos anos 80. Só faltou dregadês de azul pro branco e marrons. A primeira faixa já espanta essa impressão causada pela capa, com um post rock nada anos 80. A segunda já tem uma linha mais acessível e um vocal feminino “quase-pop” que entra perto do final da faixa de cinco minutos e meio, numa levada mais feliz. A terceira já vai numa onda post-punk com uma guitarrinha esperta Talking Headiana. A quarta tem um teclado meio John Lord, guitarras pesadas e uma levada disco-circense.

E por aí vai. nada de novo em cada uma faixa, não fosse a junção delas todas não ser uma coletânea e sim o trabalho de uma única banda.

Originalmente um duo de baixo e bateria, o Chrome Hoof é daquelas gratas surpresas. Tem tudo pra virar queridinhos indies. No bom sentido.

Este terceiro disco (considerando um EP) da banda inglesa tem uma variedade surpreendente de instrumentação. Os atuais 9 ou 10 multi-instrumentistas que formam a “orquestra” Chrome Hoof oferecem uma grande variedade de arranjos, sonoridades e misturas. Do metal ao disco, do funk ao experimental, do Goblin ao Mr. Bungle.

Nada previsível, um pouco estranho, mas extremamente acessível.

Um disco pra ouvir várias vezes e continuar sacando as nuances e invenções.

Bem legal!

Myspace

música pra ouvir: Leave This Ruined Husk

[Flash 9 is required to listen to audio.]

2 reproduções

Laddio Bolocko: The Life & Times of, 2002

★★★★½

Se tem uma banda de post-rock que eu considero singular, essa se chama Laddio Bolocko.

Esses caras tem a atitude e originalidade que falta em muitos novos lançamentos do gênero (?).

Se você tem achado o Battles novo um puta disco (que, de fato, é), ouça este, com músicas do final da década passada. :)

Ok, não quero entrar de novo naquelas análises de vantagens e desvantagens de se usar rótulos. Sempre fui contra eles até começar a escrever este blog e me tocar que, sem um pouco de generalização, fica difícil demais de falar de música.

O que o Laddio Bolocko tem de post-rock é o fato de ser instrumental, levar boas doses de experimentalismo às suas composições, utilizar instrumentos eletrônicos pra compor com guitarras, baixo e bateria, e ter forte influência de minimalismo, avant-garde jazz, math e ambient.

Mais que isso, a banda novaiorquina formada por membros do Mars Volta, Panicsville, Craw and Chalk e Dazzling Killmen em 1996, incorpora muito do kraut rock, de noise tipo Flying Luttenbachers ou Ruins, uma sujeira e caos post-punk de um This Heat, além de uma certa irreverência instrumental.

Com músicas variando de 60 segundos a 34 minutos, esse disco duplo é uma compilação de todas as gravações da banda que, infelizmente, já acabou. O primeiro disco contém o Strange Warmings of Laddio Bolocko, de 1997, e é mais sombrio, sujo e experimetal. O segundo disco, no entanto, é mais hipnótico e psicodélico, compilando os EPs In Real Time, de 1998 e As If By Remote de 1999.

Se você não curte noise, fuja desse disco. Mas se você está à procura de sons com personalidade e culhões :P , Laddio Bolocko pode ser uma ótima pedida.

[Flash 9 is required to listen to audio.]

5 reproduções

The Electric Prunes: Mass In F Minor, 1968

★★★½

Na última semana, o lançamento do novo disco do Tomahawk teve uma repercussão interessante. Muita gente curtiu a idéia de pegar canções ancestrais dos índios americanos e transformá-las num rock fragmentado, outras acharam o disco soporífero.

Pessoalmente curti bastante o resultado… e comecei a pensar que outros projetos musicais tiveram semelhante postura, independente do resultado ter sido pior ou melhor que o supracitado. De cara me lembrei dessa banda da década de 60 que o Roger me apresentou em 1994-95: The Electric Prunes.

Aqui o tema é bem mais antigo que os índios: canto gregoriano. As músicas exploram o cantar típico monofônico dos monges, e os misturam com o rock psicodélico dos 60’s.

O quinteto, formado em 1965 em Los Angeles, havia lançado dois discos num garage rock bem comum na época. Nada muito novo até o Mass In F Minor sair pra assustar seus fãs e iniciar uma corrida travada até hoje pelos fanáticos por músicas “peculiares”.

Suas faixas foram arranjadas e conduzidas pelo músico erudito David Axelrod, interpretando uma missa e suas divisões (desculpe, os termos usados aqui podem estar imprecisos pois não manjo nada de missas): Kyrie, Gloria, Credo, Sanctus, Benedictus, Agnus Dei + 2 rockitos (Hey Mr. President e Flowing Smoothly) bem divertidos mas sem nenhuma relação com a “Mass”.

Durante a gravação do disco a banda brigou e ele acabou sendo concluído com a ajuda de músicos de estúdio e da banda canadense The Collectors. Ou seja, é “meio” um disco dos Prunes, meio do próprio compositor David Axelrod.

Após o completo fracasso de vendas desse disco e do único show feito, no qual a banda deixou claro que não conseguiria tocar as composições de Axelrod, o quarto disco foi gravado com um grupo de músicos completamente diferente e cuja capa constava a chamada the new improved Electric Prunes. Bizarro? Magina…

Apesar do fracasso da época, as missas psicodélicas desse disco viraram um cult e a Kyrie Eleison foi usada na trilha sonora do Easy Rider de Dennis Hopper, 1969. E a banda acabou voltando no final dos anos 90 com 3 integrantes da formação original, gravando 2 discos e 1 DVD. Mas nada de missa, nem em sonho…

Só me toquei agora que, por pura coincidência, comento sobre um disco “religioso” em plena visita do Seu Bento 16. Que coisa… Se alguém por aqui lembrar de outros projetos que reinventam músicas antigas, por favor, comente!

Amém! :)

Site oficial

wiki do Electric Prunes

música pra ouvir: Kyrie Eleison

comentários originais

Nelson Endebo 10/05/2007 às 3:30 pm Esse tema é excelente, me fez tirar o pó de muita coisa! Não consigo me lembrar de muitos álbuns que tenham “reinventado” músicas ancestrais, mas achei algumas coisas interessantes: 1. O último álbum de Bruce Springsteen, “We Shall Overcome”, é feito de versões do compositor Pete Seeger. A faixa “O Mary Don’t You Weep”, entretanto, nada mais é do que uma das mais antigas canções gospel do cancioneiro americano. Eu tenho um compacto de um certo Colored Quartet que data da década de 1910 e esta faixa está lá, com o nome de “Pharaoh’s Army got Drowned”… ou seja, uma canção religiosa, cuja melodia possivelmente vem de cantos ritualísticos de algum lugar da África. 2. John Zorn gravou o “Kol Nidre”, composição litúrgica judaica que era raramente executada por um quarteto de cordas; James Joyce a descreve no “Ulisses” como um canto. 3. As Irlandesas do The Corrs fizeram um ótimo disco em 2005, propositadamente chamado “Home”, feito em sua maioria de canções folclóricas irlandesas, incluindo duas baladas celtas cantadas no gaélico irlandês. 4. O disco do Marc Ribot em homenagem ao músico haitiano Frantz Casseus é, apesar de não tratar exatamente de composições “da terra”, não deixa de ser uma releitura apaixonada de um compositor que praticamente inventou sozinho um estilo musical baseado no Haiti. 5. O compositor libanês Bechara El-Khoury, principalmente na coleção “Orchestral Works”, parte do romantismo francês, passa por mestres modernos como Messiaen e Boulez e acaba “orientalizando” a tradição européia, uma vez que seus motivos são claramente inspirados na tradição árabe, parecida com a judaica em muitos aspectos. 6. Os suíços do Young Gods já reviveram a música de Kurt Weill, um dos formadores da consciência americana. Globalização é foda. 7. Boa parte do catálogo da Tzadik parte da tradição judaica, seja ela Azkenazi ou Sefaradi. Cracow Klezmer Band, Davka, Anthony Coleman e o próprio John Zorn (Masada, Bar Kokhba, Kristallnacht, todos esses nomes se relacionam diretamente à memória judaica) são bons exemplos disso. Bem, apesar de ter fugido um pouco do tema, taí a minha contribuição.

Fishbone: Truth And Soul, 1988

★★★★½

O recente lançamento do disco Still Stuck In Your Throat (2007) do Fishbone me inspirou a dar uma volta por todos seus discos e matar as saudades.

Essa banda, formada em 1979 e cujo primeiro disco só foi lançado nos meados da década de 80, influenciou um sem-número de grupos no começo dos 90’s. Possivelmente foram um dos culpados pela criação do tenebroso termo funk-metal, estilo que desembuchou centenas de bandas sem nenhuma identidade e que, felizmente, sumiram do mapa com a mesma velocidade que surgiram.

Truth And Soul é um dos clássicos do septeto californiano, junto com o The Reality of My Surroundings de 1991. Daqueles discos que não canso de escutar. Sua marca registrada é a mistura da música black, principalmente funk, ska e soul com punk rock, reggae, metal, hardcore, pop, etc.

Clipe da excelente Ma And Pa no Youtube

Outros videos com músicas desse álbum: Freddie’s Dead (música que abre o álbum e é uma versão do funk-soul-brother Curtis Mayfield) e Bonin’ In The Boneyard (video tosco, ao vivo).

A propósito, o tal novo disco que deu origem à viagem vale a pena.

Site oficial

comentários originais

Medina 24/04/2007 às 10:30 am The Reality of My Surroundings é um dos meus discos preferidos de todos os tempos. O Truth and Soul não me agrada tanto assim. Acho uma pena que a banda nunca mais lançou algo à altura do Reality. É uma obra-prima. Abraço do Medina!

[Flash 9 is required to listen to audio.]

5 reproduções

Dengue Fever: Dengue Fever, 2003

★★★★½

Diz a lenda que dois músicos americanos foram viajar juntos para o Sudeste Asiático pra conhecer a cultura, música e história locais. Ao chegar em Camboja ficaram encantados. Alguns dias por lá, comendo, bebendo e vivendo com os locais… um deles pegou dengue.

Só que a febre da dengue alterou algo na cabeça dos caras e, ao voltarem pros EUA, decidiram formar uma banda só de Rock Cambojano.

Que tal? Lenda ou não, o som dos caras é extremamente divertido.

David Ralicke no sax e outros metais, Ethan Holtzman no orgão e seu irmão Zac Holtzman na guitarra, Paul Smith na bateria, Senon Williams no baixo e, o único integrante realmente cambojano, a cantora Chhom Nimol.

A cantora vem de uma família famosa de cantores pop de lá. Os outros instrumentistas não são novatos: tocaram em bandas como Beck, Ben Harper, Snoop Dog, Julio Iglesias (!), Dieselhead, entre outros.

Mas piraram. Os braquelas americanos esqueceram de suas influências e montaram o Dengue Fever pra soltar, em plena Los Angeles, todo aquele rock psicodélico cambojano que existia dentro deles.

Eles fazem covers de clássicos (!!) das décadas de 60 e 70 mas também tem (ótimas) composições próprias. Cantando tudo em Khmer, claro, a língua da pátria da cantora.

O som é muito próximo do psicodelismo dos 60’s, tipo Nuggets, com muito órgão Farfisa, guitarras fuzzy e condução rock’n’roll clássico. Em cima, as altamente assobiáveis melodias na voz da Nimol.

Lançaram este primeiro disco em 2003 pelo Web Of Mimicry, selo do Trey Spruance (Mr. Bungle, Secret Chiefs 3) e, no ano passado, o “Escape From Dragon House” saiu pelo Birdman Recording Group.

Pela novidade (quando escutei), e pelo fato deles tocarem a incrível “I’m Sixteen” (abaixo - original de Sathea, cantora cambojana), escolhi destacar o primeiro… mas o outro não deixa nada a desejar. Ambos os álbuns têm qualidade musical semelhante. Diferem principalmente na produção: a do primeiro é mais “na cara” e seca, menos cheia de delays - a cara dos originais cambojanos - e no fato do segundo disco ser apenas de composições próprias.

O último filme do Jim Jarmusch, Broken Flowers, tem em sua trilha a faixa “Ethanopium”, deste mesmo disco.

Fun!

Site oficial com videos e mais informações

música pra ouvir: I’m Sixteen

comentários originais

riga 24/11/2006 às 3:46 pm: sensacional….divertidásso.

Gabriel Santi 09/01/2007 às 12:05 pm: Olá. Finalmente encontrei a capa desse disco para ilustrar a resenha da revista em que escrevo. Deus te abençoe, rs. Até. PS – Mas é bom demais, hein? O Nuggets continua parindo boas bandas.

[Flash 9 is required to listen to audio.]

5 reproduções

Ween: The Mollusk, 1997

★★★★★

Mais um disco 5 estrelas vermelhas. Daqueles que considero incríveis, mais que nota 5, pra levar pra uma ilha deserta. Petáculo.

O primeiro dessa categoria comentado aqui foi o do Silkworm. Agora é a vez do Ween.

Manja aquelas bandas que você gosta tanto que fica difícil ser imparcial? Bem, vou tentar, na medida do possível, ser pouco passional. Se não conseguir, pena! Afinal, esse site nunca se propôs a ser um exemplo de imparcialidade. Não foi à toa a escolha do nome Aporias.

Numa época não muito distante, nesta mesma galáxia que você se encontra, existia uma emissora de TV muito divertida, musical. Ela tocava clipes quase que 24 horas por dia e era o tipo de programação que dava pra deixar o televisor ligado o tempo todo, quase como uma rádio com imagens. Talvez você não tenha a mínima idéia do que estou falando ou está mesmo pensando “nossa, que legal! como nunca ninguém pensou nisso antes?”. Não, meu amigo, eu não estou falando do YouTube. E sim da MTV. Sério! Aquilo já foi legal, acredita?.

Existia, nessa dita emissora, um programa que mudou a vida de muita gente que conheço, algumas até que frequentam este simpático blog. Não me refiro a programas de plástica ou reforma da sua casa mas a um de música independente chamado Lado B.

Era 1992 e uma quantidade colossal de rock alternativo, independente e divertido chegava aos nossos lares, com a ajuda de imagens “bem loucas” dos videos pré-TV a cabo. Eu e mais centenas de neguinhos, com bombril na antena pra conseguir pegar aquele canal de UHF, conhecíamos bandas como Nirvana, Dinosaur Jr., Jane’s Addiction, Soup Dragons, Beck, Smashing Pumpkins, Belly, Ugly kid Joe (hahaha, foi mal… piadinha!), etc… A era de clipes-fora-de-foco-com-velhos-passando-mal estava apenas começando com Tarsen e seu “Losing My Religion”.

Lá no meio dos clipes do Lado B, uma banda chamava atenção pela bizarrice e originalidade. Tanto visual (o clipe - veja aqui - tinha uma moçada comendo umas coisas estranhas, um baixista bizonho ao lado do vocalista não-tão-normal, dançando de maneira ‘peculiar’) quanto musical (a guitarra tá desafinada de propósito? a voz do cara é essa mesmo? cês tão me zuando né?).

O Ween começava mais como uma piada de amigos do que uma banda que se levava a sério. E, convenhamos, essa característica anti-pop é bem difícil de ser ver por aí.

Os primeiros discos tinham algo de caótico. Experimentalismo, bizarrices, lo-fi, barulheiras, piadas com “minorias sociais”… demência. Tudo organizado de maneira divertida e com boas pitadas de um pop torcido e cínico. Se liga nos títulos de algumas músicas: “Hey Fat Boy (Asshole)”, “Flies on My Dick”, “Touch My Tooter”. O terceiro disco, “Pure Guava”, de 1992 é, pra muita gente, o melhor disco do Ween. Mas ainda trazia esse lado bizarro que, admito, não é pra qualquer um.

Vieram outros discos. E o som foi ficando mais acessível, mais bem gravado… a bateria deixando aos poucos de ser uma eletrônica tosca…. e menos esquisito.

Os dois mais recentes álbuns de estúdio da banda, “White Pepper” de 2000 e “Quebec” de 2003, seus mais vendidos até agora, já mostram músicas mais leves, soltas, bem produzidas, e, em sua maioria, bem acessíveis.

Mas ainda trazem algumas características únicas da banda: o ecletismo (a banda toca de tudo um pouco - do country ao brit-pop, de um hardcore/punk a um latino brega), o sarcasmo, o humor, as pequenas bizarrices sonoras, a diversão. Quando falo de humor aqui não me refiro a paródias ou algo feito pra rir. Eles não são comediantes. São excelentes músicos e compositores.

O que me fez escolher o disco “The Mollusk” pra ser comentado aqui é o fato dele ser um meio termo entre a fase “tosca” e a fase “pop” da banda. Existe um equilíbrio aqui. A produção é muito boa (não mais lo-fi como antes), eles tocam melhor e os temas são pop, mas com um plus a mais. :P

Claro que essas fases que eu cito acima não são absolutas. Não existiu, em determinado momento, uma ruptura. Foi uma evolução no som, constante, mas que, com um distanciamento, é possível identificar elementos diferentes entre essas “fases”.

Há quem diga que eles involuiram, que eles começaram a se levar mais a sério. Eu não acredito em nenhum das afirmações. Chamo isso de maturidade. Acho que o caminho que eles estavam seguindo antes do “Chocolate & Cheese”, de 1994, estava fadado a acabar porque não tinha muito mais como evoluir dentro daquelas bizarrices e não ficar repetitivo.

E, convenhamos, embora extremamente criativo e divertido, eles tinham uma postura mais adolescente que, uma hora ou outra, iria desaparecer. O Ween nunca teve um perfil Rolling Stones ou Ramones ou Kiss de fazer o mesmo som que faziam quando aprenderam a tocar seus instrumentos.

“Polka Dot Tail” é uma polka lenta de letra divertidíssima (“Did you have to dry your eye when you saw that puppy fly?”), “Mutilated Lips” tem um clima sombrio e angustiante, “The Blarney Stone” é um Tom Waits mais bêbado, “It’s Gonna Be (Alright)” lembra um Prince psicodélico, “The Golden Eel” e “Waving My Dick In The Wind” têm um clima dos discos anteriores.

Quase todos seus discos têm um tema instrumental estranho, “Pink Eye (On My Leg)” é o deste. Note o latido de cachorro feito por sintetizadores, enquanto uma linha meio theremin eletrônico se desenvolve. “Ocean Man” é um pop delicioso que virou, recentemente, trilha do Bob Esponja (!).

É uma ótima representação do que o Ween pode ser. E, caso você não conheça, se gostar, possivelmente vai querer explorar melhor ambas as fases da banda.

Bem, acho que consegui ser mais imparcial e não dizer WEEN É DO CARALHO, ARRUMA TODOS OS DISCOS DELES IMEDIATAMENT… uhmm… ops… err… :P

Site oficial.

música pra ouvir: Buckingham Green

comentários originais

Gilberto Jr 02/11/2006: Um crítico da Bravo! disse que o novo disco do Caetano, Cê, é totalmente inspirado no Ween. Eu não conhecia, fui conhecer, e é realmente, como disse um certo blogueiro, “DO CARALHO”.

Medina 03/11/200: Ween é foda de bom. ou melhor, FOI foda de bom. eu sou mais um que considera o Pure Guava e o Chocolate and Cheese o ápice da banda / duo. os últimos lançamentos da banda não tem me animado muito. alguns fãs mais xiitas do Ween jogam na minha cara algo do tipo “mas como que você não se empolga com eles hoje em dia??? é o amadurecimento da banda, etc, etc, etc.” podem ter amadurecido sim, mas acho que perderem muitas coisas que eu curtia na banda nesse processo de “amadurecimento”. Ween sempre vai morar no meu coração, mas graças ao passado “retumbante”. abração!

Mari 08/11/2006: Puxa, mto bacana!

Pablo 27/10/2007: Man, nem cheguei ao final do texto, mas resolvi comentar depois do “Aquilo já foi legal, acredita?”… Fantástica definição do atual lixo que é este canal, um “aquilo” e no máximo!

[Flash 9 is required to listen to audio.]

6 reproduções

Mugison: Mugiama! Is This Monkey Music?, 2004

★★★★

Mugison é uma banda de um homem só, o islandês Örn Elías Guðmundsson. O rapaz canta e toca guitarra. Produtor, usa o computador e outros equipos pra fazer o papel do resto da banda: e manda muito bem nisso. Guðmundsson (tentei pronunciar isso, mas desisti) já foi comparado com Beck. De fato existe uma certa semelhança, principalmente na voz. Também no som: influência forte de folk, pop, electro e outros tantos estilos variados misturados num panelão indie-rock. Mas parou por aí. Não se trata de “mais um Beck”, muito pelo contrário. O cara tem personalidade e criatividade própria. Suas composições são, em alguns casos, mais “estranhas” que do Beck. As linhas vocais são deliciosas de se escutar… ainda mais com a colaboração da cantora Rúna que participa de algumas faixas do disco. O som é muito rico, variado. Colagens musicais se misturam com sons de instrumentos eletrônicos ou acústicos. Efeitos sonoros, algumas vezes sequenciados, outras com a função de dar um clima curioso à música, complementam a produção. Esse disco foi ganhador do “Icelandic Music Awards” de 2004, junto com a música “Murr Murr”, eleita a melhor do ano. Até aí, bela aroba ter ganhado uma premiação… ainda mais essa que você e eu nunca ouvimos falar. Mas, na boa, tente ouvir apenas uma vez a música (abaixo). É viciante. Embora seja, possivelmente, a faixa mais convencional do álbum, é muito boa. Como várias outras do disco: “Sad As A Truck”, que vai pra uma onda mais caótica e barulhenta, ou a que abre o álbum, “I Want You”, que tem um clima trip-hop, ou a “2 Birds”, belíssimo duo de voz com a sua namorada Rúna, violão e sons de gotas d’água. “Salt” tem um clima de trilha sonora graças às cordas e traz uma garota apenas falando, sem linha vocal. O site da banda disponibiliza mp3 em baixa resolução das faixas dos 3 discos, fora alguns extras. O disco seguinte, o “Little Trip”, é quase tão bom quanto este. O primeiro, “Lonely Mountain”, também é muito bom [audio:mugison.mp3] Obs.: este disco tem 2 capas, dependendo do selo que o lançou (Accidental e Ipecac).

música pra ouvir: Murr Murr

comentários originais

Mari 05/10/2006: Poxa, muito legal o blog, gostei! Também gostei do som do cara, vou entrar no site e ouvir mais coisas, parece bem legal. Te linkei lá no meu blog, ok? Beijos!

val bonna 05/10/2006: pelo que vc escreveu deve ser um puta som mesmo. já to baixando… agora mais engraçado de tudo foi ver vc soltar um “bela aroba” no meio do texto. achei que só a italianada da minha família quando bêbada soltava esse termo. ri sozinho por muito tempo aqui. grandes coisas! quer dizer, bela aroba!!

Brito 05/10/2006: indie criativo! bom de mais!!!! fora a capinha… que é duca!

riga 13/10/2006: bella roba…..non bela aroba. cazzo. agora, o som me pareceu fodola mesmo. malditos islandeses! puta capa. cazzo.

[Flash 9 is required to listen to audio.]

8 reproduções

Man Man: Six Demon Bag, 2006

★★★★★

Melhor disco do ano até agora. Radical dizer isso? Talvez. Não sou de ficar ouvindo milhões de vezes o mesmo disco e talvez por isso dei este “prêmio” ao Man Man. Não só escutei várias vezes como cada audição o som empolga mais.

Definir o som? Fuck… Por que eu não decidi fazer um blog de blues? Assim não tinha muito que perder tempo dizendo como determinado artista soa. Bem, vamos tentar: Tom Waits + Captain Beefheart + um pouco de Zappa + backing vocals em falsete e em coro + instrumentos inusitados + melodias vocais grudentas + drama + dissonâncias + surpresas + fee fa fo fooooomm (*).

Mas pra mim a referência mais clara é Tom Waits mesmo. Aqueles pianos, honk-tonk, levadas meio valsa, percussão inusitada e barulhenta (muita lata, vidro, etc), nada de bateria “tradicional”, xilophones, marimbas, metais pontuando, poucas guitarras (e quando aparecem, estão lá em baixo) e por aí vai. Mas tem uma cara própria, com personalidade deles mesmo. Principalmente nos vocais. E muito fee fa fo fooooomm(*).

Pena que é tão curtinho. Tem 35 minutos.

Este é o segundo deles. Melhor que o primeiro, “The Man In A Blue Turban With A Face”, mas por muito pouco.

Dá uma conferida no site oficial da banda. Mas não espere muita informação por lá.

Se liga na foto dos caras (clique para ampliar): Man Man - foto da banda

(*) ouça a música pra entender: Engrish Bwudd :P

comentários originais

riga 24/09/2006: rrrrrrapaiz….foda mesmo.

medina 26/09/2006: acho que concordo contigo. esse disco é muito bom. e como 2006 tá uma merda em relação aos lançamentos musicais, talvez eu pegue o Man Man como o grande disco do ano.

Marcos Veiga 30/10/2006: Putz. Do caralho. Vou correr atras desse cd. Bela, cê tá virando minha referência para música :)

digones 06/04/2007: poxa, bêla! esse som realmente é muito bom. De tanto ouvir o Gabriel falar bem da banda resolvi ouvir um pouco e nao me arrependi, adoro esse tipo de coisa. Me fez lembrar do Fred Lane.

[Flash 9 is required to listen to audio.]

6 reproduções

Secret Machines: Now Here Is Nowhere, 2004

★★★★½

Assim que você ouve certas bandas, fica absolutamente claro da onde vem suas influências. Muitas vezes quando isso acontece já me dá um desânimo “ah, sim, mais uma banda que gosta de (insira aqui um nome)”.

O Secret Machines é assim. Nos primeiros minutos de música, nomes como Led Zeppelin, Pink Floyd, Flaming Lips, Mercury Rev e certa psicodelia 60’s pupulam na mente.

Mas ao contrário do que pode parecer, isso não os faz parecer repetitivos ou pouco originais. Não. Mesmo.

O som dos caras é bem bom. Esse disco, pra mim, é um dos melhores de rock/pop dos últimos anos.

Conheci os caras com o EP de 2002 “September 000” e desde então fiquei viciado. Quando lançaram esse aí de 2004 então… Discasso.

Mistura boa de estilos (de rock) com personalidade. O baterista manda bem, pra mim o destaque da banda (impossível não ouvir e lembrar do John Bonham, mas não veja isso como um defeito - afinal quantas bandas terríveis já não apareceram por aí com influência clara do bebum do Led Zeppelin? inclusive a banda do próprio filho… ô dó) e é de cara a primeira coisa que você nota no disco. Aí vêm os teclados psicodélicos 60’s e 70’s. E o baixo seco, preciso e eficiente. Algumas guitarra também, mas como apoio, não como instrumento principal.

Os temas musicais são pesados, densos, mas não dark, pelo contrário. Tem quem chame isso de “dreampop”. Eu nunca curti muito esse rótulo mas acho que dessa vez cai bem.

Aumenta o subwoofer!

música pra ouvir: Nowhere Again