Simplesmente todas as músicas sampleadas pelos Beastie Boys, disponíveis pra daunlôudi:
via Trabalho Sujo

★★★★
A revista inglesa de “modern music” The Wire escolheu esse disco como um dos melhores de Critical Beats lançados em 2007.
Se você curte hip-hop minimalista grime, esse disco é pra você. Belo trabalho vocal do MC de 25 anos, com melodias criativas e bases muito bem construídas.
No MySpace oficial você pode ouvir algumas faixas do disco.

★★
Há não muito tempo, nesta mesma galáxia, o nome Beastie Boys era associado à inovação, criatividade e bom-humor. O trio já lançou discos divertidos e adolescentes como o Licensed To Ill, ambiciosos como Paul’s Boutique, um marco na história dos samples e ecléticos como Check Your Head.
Mas o que deu nessa rapaziada gente-fina?
To The 5 Boroughs, de 2004, não emocionou muito e agora esse instrumental The Mix Up… mano, que sono!
Nada contra climas sussas, mas cadê aquela pegada de outrora? A compilação japonesa lançada em 2001 (The In Sound from Way Out!), só com instrumentais funk-soul-jazzy do grupo, mostrou que dá pra fazer um disco gostoso de escutar e bater o pezinho, mas com classe, estilo e pompa.
Agora, esse aqui tá triste… Mike D, Ad-Rock e MCA, o que será do futuro da banda de vocês, uma das mais divertidas da história do Pop?
10 reproduções
★★★★
“Fala sumido! Beleza? Por onde cê anda? Lançou esse disco em 1994 e nada mais? Tá vendendo empada na praia agora?”
MC 900 Ft. Jesus fez um certo sucesso na época desse disco, terceiro (e, até agora, último) da carreira, principalmente na MTV pelo divertido clipe da música If I Only Had a Brain, dirigido pelo então desconhecido Spike Jonze. Um segundo clipe, da But If You Go, música de clima mais cool que a anterior, não emplacou tanto.
E então o MC “Jesus de 27,43 cm 274,3 m”, sumiu na névoa pop.
Mas o Beck-com-banda-de-verdade, nascido Mark Griffin, tem uma cara própria desconhecida do público.
A influência, como você já pode notar discretamente na But If You Go citada acima, de um certo jazz é muito mais forte do que parece.
Botando a primeira faixa do disco na agulha, dá pra perceber que o pop do cara não é tão pop, nem o hip hop não é tão hip hop (ficar sem escrever uma semana, como você pode notar, me fez mal). O território é um tanto diferente da música que o fez “famoso”. Talvez, ao invés de “diferente” eu devesse usar “complementar”. É, melhor.
A união do hip-hop com toques de cool e free jazz, eletrônica e muito groove parecem funcionar muito bem por todo o disco.
Buried At Sea lembra muito Beck; Tiptoe Through The Inferno tem uma levada bem funk, com muito improviso instrumental e spoken word; Gracias Pepe vai pra uma onda mais low-tech climático; Bill’s Dream é totalmente Miles Davis do final dos anos 60 com cítaras e tablas; Rhubarb encerra o disco de maneira mais abstrata.
As letras bem-humoradas são um capítulo a parte. Maybe it wouldn’t be hard to explain If I only had a brain
ou
Do not make the mistake of believing that I am the person who is speaking to you now I am not; that is to say N-O-T This is an indisputable fact that has been scientifically proven
Além de suas composições, uma boa versão da Stare And Stare de Curtis Mayfield, predominantemente voz e guitarra wah-wah (Vernon Reid sem virtuosismos), pontua legal o álbum.
E ele mesmo responde a pergunta que eu fiz no começo do post, via wikipedia: “Legal que alguém lembrou de mim. Ainda vivendo em Dallas. Sem fazer nenhuma música no momento. Na verdade, ando trabalhando pra conseguir o meu certificado de instrutor de vôos. Aviação é um ótimo antídoto para as frustrações nos negócios musicais. Eu acho que um dia desses eu vou fazer mais música, mas não sei ainda quando. Se cuida!”
Po, Mark, deixa de viagem e grava um disco novo aê!
música pra ouvir: Já que linkei pra vídeos do cara no YouTube, não repito a música pra dar play lá em cima: Buried At Sea
Gui 04/03/2007 às 8:38 pm Nossa, que legal ver esse video de novo! Na verdade, o Jisuizim tá mais pra Jisuizão. 900ft é 274,3m. Classe, inaugurei meus posts nesse blog com uma correção. Isso é que é ser indie.
henrík 03/03/2007 às 2:39 pm o clipe do jonze dispensa quaisquer comentários, mas esse compadre aí, que eu nem fazia idéia que existia realmente é muito bacana. Enquanto beck puxa levemente a estranheza musical dele pra um mainstream e tem momentos de total ‘unfreak’, como em Sea Change, esse cara aí pelo q ouvi, apesar da explícita semelhança, parece tender exatamente pro outro lado. acho que foi isso que matou a carreira musical dele, infelizmente. não sei se desejo boa sorte pra carreira no ar dele…
5 reproduções
★★★★
Pra alguns, a música eletrônica tem um “Q” do Punk. Não pela sonoridade, claro, mas pela postura de do it yourself e uma certa vontade (em alguns casos) de ir contra o mainstream e a música Pop. Po, que parágrafo mais cheio de expressões gringas :(
Se, por um lado, isso dá liberdade a qualquer um criar o que bem entender; sentar na “garagem” de casa (no caso, qualquer cômodo com um computador) e viajar na batatinha (!)… por outro, a quantidade de coisas chatas e repetitivas é estratosférica.
Alfred Weisberg-Roberts, ou se preferir, Daedelus foge à regra cada vez mais comum do “preciso-me-encaixar-num-estilo-de-música-eletrônica-e-me-repetir-à-exaustão”.
Quando moleque, o rapaz queria ser inventor. E, apesar de músico, virou um. Aprendeu a tocar contra-baixo, clarinete, guitarra, acordeon, entre outros instrumentos, mas foi com o computador que ele soltou a franga.
Influências musicais aparecem vindas de todos os lados: do pop ao rock, do jazz ao hardcore, do IDM ao Cage, do sci-fi ao low-tech, da melodia romântica ao avant-garde. Nada soa pasteurizado ou frio. Nem parece querer fazer parte de determinado estilo de música eletrônica. A idéia é fazer música que gosta.
O cara é original mesmo. Colagens com senso de humor, samples obscuros e linhas densas são organizados com propriedade. Abusa de tratamentos e sonoridades low-tech, muitas com cara de videogame e as mistura com samples de instrumentos acústicos e orquestrais, baterias e percussões quebradas e improváveis, fragmentos de vozes ou guitarras…
Este disco tem grande influência da música brasileira, tanto ritmicamente quanto melodicamente - as faixas “Bahia”, “Viva Vida” e “Petite Samba” não deixam a menor dúvida disso. Mas, ao contrário de inúmeros artistas nacionais, a presença da nossa música não parece coisa “pra gringo ver”.
E o cara não para: de 2002 até hoje já lançou 7 discos - fora EPs e singles. Este é o mais novo lançamento e, segundo algumas fontes, o melhor deles. Não conheço a fundo todos os discos, então me limito a recomendar este, pra começar.
Um disco vivo, pouco usual e muito rico.
música pra ouvir: At My Heels