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Engraçado como certas dicas caem do céu assim, sem você pedir. Um velho amigo de ondas cyber-fuckin’-internéticas, sem mais nem menos, me repassa uma mensagem vinda da lista de discussão que ele conduz há tempos, a Bungle Weird, da qual já fiz parte por alguns anos. Nela, um caritativo e civil ser comenta sobre esse disco do qual nunca ouvi falar.
Baixo o disco.
:-O
Corleone é um projeto “avant-garde sicilian jazz core” do italiano Roy Paci.
Paci lidera um octeto pop bem divertido chamado Roy Paci & Aretuska, que vai numa onda mais Mano Negra / patchanka, e tem lançados 3 LPs e outros 6 EPs e singles. Já participou de discos de uma baletada de artistas italianos cujos nomes não adianta nada eu escrever porque nem eu nem você conhecemos, mas eu vou dar um copy/paste mesmo assim pra causar uma boa impressão à esse texto: Pascal Comelade, Ivano Fossati, Piero Pelù, Samuele Bersani, Teresa De Sio, Subsonica, Tonino Carotone, Nicola Arigliano, Daniele Sepe, Luca Barbarossa, Vinicio Capossela, Macaco, Africa Unite, Persiana Jones, Radici nel cemento, Il parto delle nuvole pesanti, 99 Posse, Arpioni, Negrita, Jovanotti, etc. Foda né? :P
Antes de formar o Aretuska, o trompetista e flugelhornista tocava no Mau Mau, um grupo italiano pop de relativo sucesso nacional.
E porque eu tô contando tudo isso e onde o avant-garde entra nessa história? Bem, é justamente isso o mais curioso pra mim. Esses artistas todos aí em cima são de pop, rock, eletrônico, jazz tradicional, música italiana; a outra banda de Paci é rock/pop patchanka bem-feito. E, de repente, o cara comete um disco como este.
Wei Wu Wei é brilhante. Rola uma surpresa atrás da outra nesse disco de composições inéditas de Roy Paci (+ um cover da Come Live Your Life With Me) que trás um naipe eclético de músicos convidados. As faixas passeiam por incontáveis ambiências e referências. Só pra citar algumas: Nino Rota, Ornette Colleman, Miles Davis, ska, reggae, dub, klezmer, canto africano (uma faixa tem participação de Mohamed El Badaui), jazz tradicional, jazz experimental, electronica, trip-hop, trilhas de filmes italianos 60’s e 70’s, sapateado, tango, funk, Flat Earth Society, etc, etc. Acho que eu nunca usei tantas tags pra definir um disco como este aqui.
Algumas composições, em especial, lembram muito Zappa. A liberdade e o astral das músicas também me fizeram recordar de um dos melhores discos do John Zorn, aquele de interpretações de músicas do Ennio Morricone, The Big Gundown de 1985 - embora o do Zorn seja ainda mais eclético e variado (e experimental e caótico).
O álbum soa livre por todos aqueles estilos. É fresco e variado; excêntrico e belo na medida certa. E tem uma personalidade italiana embutida em todas as músicas. Curioso isso, porque eu não saberia expressar em palavras o que faz parecer tão “italiano” nesse contexto.
Valeu, Pablo Fernandez e Nelson Endebo, pela excelente dica.
música pra ouvir: Doverosi Sballi
Nelson Endebo 20/04/2007 às 9:30 am Ô Carlos, volta pra BungleWeird! Tá rolando um monte de música bacana por lá… Volta lá pra gente trocar idéia! abraço
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Taí uma ótima idéia. Juntar uma boa banda-base, chamar todo e qualquer tipo de colaboração… do pop banal ao artista-bem-louco que quase ninguém conhece… e fazer um disco inspirado em, como o título diz, baladas de piratas e canções do mar.
O produtor Hal Willner ficou responsável por esta empreitada (ele tem lançados bons álbuns temáticos como o disco em homenagem ao Kurt Weill e o tributo bizonho aos clássicos Disney). Chamou Bill Frisell, que por sua vez chamou a excelente Akron Family, o eclético tecladista Wayne Horvitz (Naked City, Elliot Sharp, Bobby Previte) e o violinista e compositor Eyvind Kang, pra formarem a banda de apoio pro disco junto com outras colaborações adicionais.
E dá-lhe convidados: Nick Cave, David Thomas (Pere Ubu), Bryan Ferry, Baby Gramps, Richard Thompson, Rufus Wainwright só pra citar alguns (são dezenas de colaborações). Tem até Sting e Bono Vox que, acredite, não fazem feio. Ouça o sample abaixo pra ver que tenho razão: é a música que Sting canta.
O som é, claro, fortemente influenciado por canções folk irlandesas, britânicas e escocêsas, principalmente nas linhas vocais, mas tudo é reinterpretado e aí que o disco se transforma em algo especial.
Claro que podia dar bem errado, mas não deu. Virou um disco duplo com nada menos que 43 músicas no total, em sua maioria curtas e eficientes.
A idéia partiu do diretor de Piratas do Caribe e do Johnny Depp… mas esqueça qualquer relação com Hollywood e suas produções descartáveis. O disco é uma delícia de escutar e não foi feito para as massas.
Dizem que o disco “físico” é bem legal, numa edição caprichada, bem apresentada. Eu não vi (ainda).
música pra ouvir: Sting Blood Red Roses
Roger : Cara, esse disco tá rolando no meu iTunes a semana inteira. Incrível. Fiquei impressionado com esse Baby Gramps, de quem nunca tinha ouvido falar. O AMG também não esclarece muita coisa sobre ele. Mas a voz do cara é foda, ele usa alguma daquelas técnicas polifônicas da moçada de Tuva ou é impressão minha?
Joanne : Isso parece-me interessante… mesmo! Principalmente por ter o Bono na lista!;P (E é “Bono”, não “Bono Vox”… Mas isso vai ao critério de cada um!) Gostava de ver o trabalho dele nesse tal: “Rogue’s Gallery”. Espero por mais notícias! bjos
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Melhor disco do ano até agora. Radical dizer isso? Talvez. Não sou de ficar ouvindo milhões de vezes o mesmo disco e talvez por isso dei este “prêmio” ao Man Man. Não só escutei várias vezes como cada audição o som empolga mais.
Definir o som? Fuck… Por que eu não decidi fazer um blog de blues? Assim não tinha muito que perder tempo dizendo como determinado artista soa. Bem, vamos tentar: Tom Waits + Captain Beefheart + um pouco de Zappa + backing vocals em falsete e em coro + instrumentos inusitados + melodias vocais grudentas + drama + dissonâncias + surpresas + fee fa fo fooooomm (*).
Mas pra mim a referência mais clara é Tom Waits mesmo. Aqueles pianos, honk-tonk, levadas meio valsa, percussão inusitada e barulhenta (muita lata, vidro, etc), nada de bateria “tradicional”, xilophones, marimbas, metais pontuando, poucas guitarras (e quando aparecem, estão lá em baixo) e por aí vai. Mas tem uma cara própria, com personalidade deles mesmo. Principalmente nos vocais. E muito fee fa fo fooooomm(*).
Pena que é tão curtinho. Tem 35 minutos.
Este é o segundo deles. Melhor que o primeiro, “The Man In A Blue Turban With A Face”, mas por muito pouco.
Dá uma conferida no site oficial da banda. Mas não espere muita informação por lá.
Se liga na foto dos caras (clique para ampliar):
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(*) ouça a música pra entender: Engrish Bwudd :P
riga 24/09/2006: rrrrrrapaiz….foda mesmo.
medina 26/09/2006: acho que concordo contigo. esse disco é muito bom. e como 2006 tá uma merda em relação aos lançamentos musicais, talvez eu pegue o Man Man como o grande disco do ano.
Marcos Veiga 30/10/2006: Putz. Do caralho. Vou correr atras desse cd. Bela, cê tá virando minha referência para música :)
digones 06/04/2007: poxa, bêla! esse som realmente é muito bom. De tanto ouvir o Gabriel falar bem da banda resolvi ouvir um pouco e nao me arrependi, adoro esse tipo de coisa. Me fez lembrar do Fred Lane.
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Banda nova, lançada pelo selo Ipecac , de Mike Patton…. selo este que tem surpreendido bastante com discos que fogem do convencional mas que não soam como mero experimentalismo-punheta (coisa que a Tzadik do John Zorn tem feito bastante).
Outra coisa legal da Ipecac é que eles não tem um estilo específico de música. E aí é que o lance fica mais legal.
Esse disco, pelo nome, parece de um grupo de tango né? Bem, claro, tem muito tango no meio, mas os caras não se esquecem que vivem nos anos 2006 e misturam com elementos eletrônicos, de maneira bem autêntica, sem parecer barato. Tem tbem muito jazz (modern creative) no meio e o nome Ennio Morricone pode vir à cabeça em várias situações.
Discasso.
música pra escutar: Upon A Time
dudu: muito foda mermo… valeu pela dica!!!
riga: pois é…duca! vou catar!
sergio stefano: sensacional! Valeu pela dica :D