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Raymond Scott - Dedicatory Piece to the Crew and Passengers of the First Experimental Rocket Express to the Moon
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★★★★
Ela estava atrasada, resolvi esperar no bar do hotel.
- Garçon!
- Boa noite, senhor?
- Bela noite. Veja a lua!
- Deseja um drink, senhor?
- Sim, um whisky sour, com pouco açúcar, por favor.
- Perfeitamente, senhor. Com licença.
- Obrigado.
O amendoim, menos crocante que o esperado, acalma o estômago incomodado. Uma magra jovem de feições francesas sobe ao pequeno palco, delicadamente sentando-se ao banquinho. Outros músicos se juntam a ela.
La Vie En Rose começa e penso “ok, de novo mais um desses Jazz de Bar de Hotel™”. Logo no primeiro minuto já dá pra notar que a coisa não é bem por aí.
Olho com mais atenção para o guitarrista, discreto… Não seria o Marc Ribot? Uhmm… Certeza! Eu reconheceria o jeito dele tocar de olhos fechados. Do lado é o… como chama mesmo?… Greg Cohen! Isso. Kenny Wollison do outro lado? James Carter? Cyrus Chestnu? Vernon Reid? Pera, isso tá ficando bom.
Meu drink chega.
- Obrigado.
Droga, puzeram muito açúcar.
Que seja, o som tá bom.
Essas músicas me soam muito bem. São bem tradicionais, aquela coisa tranquila com gosto de Billie Holiday, mas nem todas as músicas são conhecidas. Ela deve compor também, além de interpretar deliciosamente bem.
Meu telefone toca.
- Ah, você vai se atrasar mais? Tudo bem.
Os temas vão se desenvolvendo com uma delicadeza ímpar: swing standards, blues, country e folk com clima anos 20 e 30. Entre composições próprias (descobri perguntando pro senhor de gravata púrpura da mesa do lado, que parece ser fã de longa data), aparecem um Fats Waller, Bessie Smith e a já citada Billie Holiday. Pra tocar a “Always a Use”, ela mesma assume o violão.
- Garçom, mais um whisky sour! Ah! E outra porção de amendoim, por favor.
Excelente. Aquele piano tá ótimo. Básico, perfeitamente bem tocado, nenhuma nota a mais ou a menos.
Que voz!
Mas será possível, esse barman tá com problema no açucareiro!
Uhmm… bem, acho que tenho que ir agora. Últimos goles.
Aproveito pra comprar o CD na porta do bar. É de 1996, lançado pela Atlantic. Nunca tinha ouvido falar dela, mas parece que é famosa. A Time considerou esse disco como “a mais excitante, envolvente performance vocal feita por uma nova cantora no ano (de 96)”, seja lá o que isso queira dizer.
Fiquei sabendo depois, pelo barman, ao reclamar do excesso de açúcar de seus drinks, que ela sumiu depois desse disco e só voltou em 2004. Aí, lançou 3 discos, sendo o último em 2006, com participação de K.D. Lang e tocando, além das composições próprias novas, canções de Serge Gainsbourg e Tom Waits.
Voilá!
Agora vou jantar. Longe daquele barman.
Não sei porque não pedi um vinho…
Site oficial com todas suas músicas pra escutar.
Veja seus videos no last.fm
música pra ouvir: I’m Gonna Sit Right Down And Write Myself A Letter
jvlav 07/04/2008 às 9:21 pm como sempre um bom post ! abraço
Brian Morris 01/04/2008 às 3:26 pm Em 1996, estava num restaurante curtindo minha comida italiano quando ouvia numa música muita boa no outro parte do restaurante. A voz dela era bem paricido de Billie Holiday. Pensei, que legal eles está tocando ela. Pensei de novo, hmmm, o sound system tem alta qualidade, parece Billie está lá! Com curiosidade, fui lá. Era Madeleine Peyroux, cantando, tocando uma violão (Terence Blanchard tocando trompete). Deixe minha comida pra lá, heh. Depois, conversei um pouco com ela, comprei um CD. Desde aquele dia, sou fã #1 dela.
Carlos Bêla 23/03/2008 às 8:56 pm valeu dudu! espero que tenha curtido o som também! abraço
dudu colmeia.tv 23/03/2008 às 6:04 pm belo post, meu velho
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★★★★★
Eu curto categorizar, simplificadamente, os mp3 que ouço. Boto lá no genre do iTunes se o artista faz pop, jazz, rock, clássico, etc, e, dentro desses gêneros, o estilo mais aproximado. Só que ouvindo Microscopic Septet eu fiquei completamente perdido (opa, Apple, que tal tags no iTunes?)… Certo, isso é jazz, não tenha dúvida… mas que tipo? Tradicional? Experimental? Avant-Garde? Modern Creative? Bebop? Post-Bop? Wop-bop-a-loo-mop alop-bom-bom?
Resposta: de tudo um pouco.
“Nostálgicos e futuristas ao mesmo tempo” ou “Jazz Surrealista” são definições interessantes que já fizeram desse septeto fundado em Nova Iorque no início dos anos 80.
Se por um lado eles reverenciam com Dixieland ou Bebop lá do início do século passado, por outro eles misturam com releituras avant-garde, Albert Ayler, experimental, Free, Hard Bop de agora pouco. Tudo de maneira fluida, sem sustos e com uma originalidade impressionante.
A banda acabou em 1992, mas, após o lançamento em CD dos seus álbuns em 2006, os fundadores do grupo - saxofonista soprano Philip Johnston, o barítono Dave Sewelson, o pianista Joel Forrester e o tocador de tuba (tubista?) e baixo David Hofstra - se juntaram aos ex-companheiros Don Davis (sax alto), Paul Shapiro (sax tenor) e Richard Dworkin (bateria) pra celebrar o lançamento da série History Of The Micros.
Essa série é formada por 2 volumes duplos (History of the Micros Volume 1: Seven Men in Neckties e History of the Micros Volume 2: Surrealistic Swing) que cobrem, respectivamente, os anos de 1980-85 e 1986-1990 e nada mais são que seus 4 discos Take the Z Train, Let’s Flip!, Off Beat Glory e Beauty Based on Science (The Visit) adicionados a faixas inéditas e raras (como, por exemplo, algumas da época que John Zorn tocou com a banda, anteriormente ao lançamento do primeiro disco).
Escolhi este disco apenas por ser o primeiro que a banda lançou e que, por coincidência, eu escutei. Mas qualquer coisa deles vale a audição, ainda mais se você gosta de coisas como Flat Earth Society.
Eu demoraria dias pra escrever sobre cada um dos brilhantes integrantes que fazem parte desse septeto… possivelmente muito mais tempo que você demoraria pra achar um som deles pra baixar ou pra comprar em alguma loja online.
Então, dá uma orelhada na faixa abaixo (um passeio virtual por estações de trem musicais) e corre atrás disso porque é bomdimaisdaconta! :)
música pra ouvir: Take The Z-Train
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★★★★½
Há quem ache que Buena Vista foi só um truque de marketing do Ry Cooder pra dar uma impulsionada no seu caminho musical, até então meio caído. Há quem ache que ele salvou a carreira de velhos e bons músicos. E há até quem diga que Buena Vista foi um respiro na quase morta música tradicional cubana, que impulsionou um reconhecimento mundial e uma valorização que não se fazia presente há décadas.
Eu concordo com um pouco de tudo isso aí. Mas num tô muito preocupado em pensar e tô muito mais a fim é de ouvir. Fui com a cara dessa “moçada” logo na primeira vez que escutei o som deles, através, como muitas pessoas, do documentário de Win Wenders… a única vez que vi uma sessão normal (não-festival) de cinema terminar com toda sala batendo palmas, de pé.
Mestre Compay Segundo, se não me engano o mais velho da turma, logo me chamou a atenção pelo seu astral absolutamente positivo. Não que os outros não o tivessem, mas o de Compay era contagiante.
Numa fase de pensar na idade, já que fiz aniversário outro dia, e na vida… e no novo ano que começa agora, estou curtindo muito re-escutar discos e músicas que de alguma maneira são importantes e significam algo pra mim.
Este álbum do violinista e cantor cubano, Lo Mejor De La Vida, não é exatamente algo inovador ou genial. Nem é o melhor disco de música cubana que ouvi. Talvez não seja o melhor do Compay também… Mas e daí? Suas interpretações são leves, divertidas, bem-humoradas, pra cima, simples e muito bem acabadas.
Pra que mais?
Fique com a divertida letra da El Camisón de Pepa (Pedro Flores) que dá pra ouvir lá no começo do post:
Pepa tiene un camisón que baila solo una danza, le hace chiquita la panza cuando aprieta el cinturón ya no tiene ni un botón para apretar la varilla, tiene un roto en la rodilla y en otro sitio peor.
El camisón de Pepa tiene historia en la Habana ganó el premio mayor con su singularidad no es de tela ni es de seda ni es un vestido imperial. Por la calle le hace un talle que le gritan a l pasar:
Qué bonita se ve Pepa con su camisón, paseando por la Alameda y por el Malecón.
Qué bonita
Compay, you’re the man! :D
música pra ouvir: El Camisón de Pepa
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★★★★½
Tô ainda viciado nesse som de Tuva. Esses aqui são ainda mais profissas no gogó que o pessoal do Yat-Kha. Só que o grupo Shu-De vai pra onda mais tradicional e folclórica de Tuva.
Ninguém me tira da cabeça que, se isso fosse cantado numa língua mais universal como o inglês, seria um sucesso! :)
Os decendentes de Genghis Khan cantam, tocam percussão, instrumentos típicos de corda e, destaque aqui, o jaw’s harp - aquele instrumento que ninguém conhece pelo nome mas, se assistiu a algum desenho animado na vida, certamente já ouviu o som peculiar dele.
Vida longa ao gogó harmônico!
veja uma demonstração de jaw-harp.
música pra ouvir: Aian Dudal
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★★★★
Pois ele é guerreiro
Ele é bandoleiro
Ele é justiceiro
Ele é mandingueiro
Ele é um tuareg
Se liga no vizú dos fita. Style, né? Eles são tuaregs.
Todos do sul do Sahara, mais precisamente Mali, a banda se formou nos campos rebeldes de Coronel Ghadaffi no começo dos anos 2000. Assim como o aqui já comentado Yat-Kha, Tinariwen criou um estilo próprio misturando a(s) música(s) de suas origens tradicionais com baterias e guitarras do rock.
Sua música fala basicamente de questões políticas, repressão, problemas sociais e do exílio. Mas eu não manjo da língua deles pra saber se as letras são bem escritas ou não.
Fato é que a música do grupo é muito rica e gostosa de ouvir. A mistura, como não poderia deixar de ser, é geral. O próprio local de origem deles já é um pastiche sonoro. Os pontos fortes, claro, são a música árabe e a africana, conduzidos por uma guitarra bem Ali Farka Touré. Muitas vezes lembra Blues, só que do Magreb (ou será que o Blues é que lembra o som do norte da África? acho que sim né? :P ).
Sua discografia é curta ainda: 4 discos, sendo o último lançado há poucas semanas (ainda não escutei). Este é o segundo, lançado pela World Village. A produção é muito boa: direta ao assunto, sem aqueles tratamentos polidos que alguns selos ocidentais insistem em usar, achando que, por causa de um reverb longo e uma equalização brilhante, o disco terá mais aceitação entre o público estrangeiro. A parada aqui é crua mesmo.
A condução é basicamente feita por instrumentos de corda - principalmente guitarra - e voz - cujo canto é mais suave que a maioria dos vocais árabes típicos. A percussão é mais tímida e tranquila. A complexidade dos arranjos é particularmente notável, com contrapontos entre as cordas, bem ao estilo africano de múltiplas vozes.
Isso aí é rock de prima.
outra capa do mesmo disco:

música pra ouvir: Oualahila Ar Teninam
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★★★★½
Conhece Raymond Scott? Não, né? Normal… Esse é um daqueles nomes que você nunca ouviu mas, certamente, a música sim. Ao menos na sua infância ou adolescência você assistiu a algum desenho animado cuja trilha sonora tivesse músicas dele. O engraçado é que ele nunca compôs explicitamente para cartoons.
E John Kirby? Também não? Beleza.
Agora, Duke Ellington você ao menos já ouviu falar.
O que catso eles tem a ver com esse disco? Bem, os três fizeram inúmeras composições com esse clima cartoonesco que Don Byron e sua trupe interpretam aqui.
Num episódio dos Flintstones, conta o clarinetista e compositor Don Byron, no encarte desse CD, pessoas comentam sobre seu ódio pela música de uma banda chamada “Bug Music”.
A banda, claramente uma citação aos Beatles, é apontada como uma coisa ruim, uma má influência para a sociedade. Vizinhos bizarros do Fred, bem ao estilo Família Addams, diziam que o quarteto musical era a única coisa mais repulsiva que eles mesmos.
“Bug Music viveu na minha cabeça como uma fábula sobre a subjetividade do público”, continua Byron. Raymond Scott e John Kirby, em sua época de sucesso comercial, sofreram do mesmo mal.
Carl Stalling, diretor musical dos desenhos animados da Warner Bros. na década de 40 e 50, usava deliberadamente temas de Scott nos desenhos do Pernalonga, Patolino, Gaguinho e sua turma.
Para a crítica, essa música era “de pouco conteúdo”. Tipo, traidores do movimento jazz :P
Historiadores dizem que uma das razões dessa rejeição tem muito a ver com o fato desses grupos se interessarem muito pela música clássica e pela natureza rigorosa de suas composições. Era algo entre o jazz e o clássico.
Hoje, claro, isso é passado. Bobagem.
A quantidade de elementos e influências que essa música tinha era absurda. Arranjos precisos e detalhados, progressões complexas e inventivas… tudo isso organizado de um jeito tão deliciosamente divertido.
Don Byron chamou jazzistas “de hoje” pra homenagear esses compositores. Uri Caine, Joey Baron, Steve Wilson, Robert DeBellis, Charles Lewis, Steve Bernstein, etc, nenhum dos caras que tocam neste álbum são músicos de swing e jazz tradicional, o que possivelmente ajude a dar uma cara especial e renovada à música.
A música de Scott sobreviveu, ao longo do tempo, como algo exótico. Kirby foi totalmente esquecido. Ellington, que trabalhou essa música no começo de sua carreira, é lembrado hoje por outras obras.
Bem, eu acho que nunca é tarde pra relembrar e valorizar essas belíssimas e incrivelmente bem escritas músicas.
Disco leve, colorido, ágil. Ouça o sample neste post e tire suas próprias conclusões.
Imperdível.
Site oficial do Don Byron.
Site oficial do Raymond Scott.
Site oficial do Duke Ellington.
Wiki de John Kirby.
música pra ouvir: Powerhouse (Raymond Scott)
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★★★★
World Music. Eca. Este rótulo causa náuseas em muita gente. A culpa basicamente é dos exemplos que sugiram há poucas décadas: artistas que colocavam um ou outro instrumento típico ou um grupo musical folclórico um país terceiro-mundista com sua música (normalmente) americana pop, a fim de levar seu nome para uma grande audiência. Exemplos, bons ou ruins, não faltam: Paul Simon, Baka Beyond, Mickey Hart, David Byrne, Ry Cooder, Jimmy Page & Robert Plant. Parecem mais jogadas de marketing do que outra coisa… mas só parece, né, Ry Cooder?
O fato que essa música aí de cima deveria ser corretamente chamada de “Worldbeat”. World Music não é isso e sim a música típica de fato, com o mínimo de interpretação externa (ocidental, pop) possível.
O selo do Peter Gabriel, Real World, ajudou a criar essa indigestão na moçada, devido a alguns lançamentos de pouca originalidade e muita pretensão. Mas, outros tantos títulos excelentes foram colocados no mercado pelo ex-Genesis, inclusive suas próprias criações, como a trilha sonora de “Passion” (“A Última tentação de Cristo”) do Scorsese, além de grandes artistas como o paquistanês Nusrat Fateh Ali Khan.
O grupo do Turquemenistão Ashkhabad está nessa categoria de bons títulos. E é World Music no sentido mais legal possível.
A música do país, cuja capital dá o nome à banda, é uma mistureba, como não poderia deixar de ser: está apertado entre o Azerbaijão, Cazaquistão, Uzbequistão, Afeganistão e Irã. Originou-se com tribos nômades turcas que foram posteriormente “islamizadas” e, mais tarde, massacradas e dominadas pelos russos. Só obtiveram independência da Rússia em 1991. Musicalmente a referência mais forte, no entanto, é a turca.
Os cinco músicos do Ashkhabad baseam-se na música tradicional da região para criar suas próprias composições, além de tocar “clássicos” como “Ayrylsa” (abaixo) e “Balam Seni”.
As canções são essencialmente conduzidas por cordas tocadas por dedo ou palheta - como o dutar (ou tar), mais típico da região e o sar (uma espécie de balalaica) -, voz e muita percussão manual (daqueles instrumentos menores e mais agudos). Mas, como a influência egipcia e até indiana é grande, instrumentos como violino, viola, cello, não poderiam faltar, fazendo aquelas linhas ornamentais típicas.
O vocalista, lider da banda, Atabi Tsharykuliev, é excepcional e muito versátil. É dele a maioria dos arranjos e, imagino, a cara da capa do disco.
Pena que a banda só tenha lançado este disco e depois… sumido. Ainda estou à procura de outros discos da mesma nacionalidade e, se achar algum tão bom, postarei aqui. Se vc curtir, acabo de achar um site sobre música clássica do Turquemenistão, com alguma informação e muitos samples pra escutar .
Uma curiosidade: Jocelyn Pook é a pessoa que toca viola neste disco. Conhece?
Bem, se você assistiu “De Olhos Bem Fechados”, do Kubrick, não há como se esquecer: é dela o tema bizonho “Masked Ball” que tem vozes de padres cantadas de trás pra frente junto com um órgão de igreja terrorífico, além de outras músicas da trilha do último filme do Mestre.
música pra ouvir: Ayrylsa
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★★★★
Республика Тыва. Seja bem-vindo à República de Tuva, divisão federal da Federação Russa, sudoeste da Sibéria, Ásia Central. Região alta e muito montanhosa (80% do seu território). No inverno faz 32 graus negativos. População: 305.500 (51,5% urbana).
O que eles fazem que ninguém mais faz: cantar com o gogó.
Yep, “throat singing” é o lance. Um jeito diferente de cantar, guturalmente. Os caras conseguem notas absurdamente graves, fazendo Tom Waits parecer o Luis Pareto. Mas o mais impressionante não é isso: um cara, com uma güela só, consegue emitir várias notas ao mesmo tempo.
O jovem Albert Kuvezin de lá, canta com a laringe também e fez parte de grupos de música típica como o Huun-Huur-Tu. Mas aí uma hora ele cansou de cantar músicas mais velhas que seu bizavô e, em 1991, formou o grupo Yat-Kha (pronuncia-se iát-rá).
Juntando a técnica vocal tradicional com guitarras, instrumentos eletrônicos e outros inventados pelo grupo, além dos típicos kargiraa, khoomei, shanzi, etc, a banda faz um som mais atual, com influências de rock e pop, mas sem nunca deixar de lado a música de Tuva. Este disco traz sete músicos dos quais seis cantam, mostrando que o mais importante ainda é a voz.
A banda tem lançados vários discos e tem se destacado por seu som absolutamente único: não é pop nem tradicional. É um mix muito bem elaborado de tudo isso.
Confira o site da banda. E vá atrás deste disco e do “Dalai Beldiri”, que penso ser os 2 melhores. Mas mesmo os outros são excelentes, como o “Tuva.Rock” e o mais recente “Bootleg 2005” que, apesar do nome, é um disco oficial, uma excelente gravação de um show que demonstra que os caras mandam muito bem ao vivo também.
Ah! Outro ótimo disco deles é o “Re-Covers”, de 2005 também: uma série de versões de hits pop (Kraftwerk, Bob Marley, Joy Division, Led Zeppelin), sob o ponto de vista do grupo. Mas longe de ser um disco comédia, feito pra rir. Ele realmente tem seu brilho próprio e definitivamente não fica na mesma prateleira de um Dread Zeppelin ou Richard Cheese (nada contra, veja bem… apenas difere pelo objetivo).
música pra ouvir: Tozhu Kyzy
Elesbão 22/09/2006: Listerinepalooza!
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★★★★
Taí uma ótima idéia. Juntar uma boa banda-base, chamar todo e qualquer tipo de colaboração… do pop banal ao artista-bem-louco que quase ninguém conhece… e fazer um disco inspirado em, como o título diz, baladas de piratas e canções do mar.
O produtor Hal Willner ficou responsável por esta empreitada (ele tem lançados bons álbuns temáticos como o disco em homenagem ao Kurt Weill e o tributo bizonho aos clássicos Disney). Chamou Bill Frisell, que por sua vez chamou a excelente Akron Family, o eclético tecladista Wayne Horvitz (Naked City, Elliot Sharp, Bobby Previte) e o violinista e compositor Eyvind Kang, pra formarem a banda de apoio pro disco junto com outras colaborações adicionais.
E dá-lhe convidados: Nick Cave, David Thomas (Pere Ubu), Bryan Ferry, Baby Gramps, Richard Thompson, Rufus Wainwright só pra citar alguns (são dezenas de colaborações). Tem até Sting e Bono Vox que, acredite, não fazem feio. Ouça o sample abaixo pra ver que tenho razão: é a música que Sting canta.
O som é, claro, fortemente influenciado por canções folk irlandesas, britânicas e escocêsas, principalmente nas linhas vocais, mas tudo é reinterpretado e aí que o disco se transforma em algo especial.
Claro que podia dar bem errado, mas não deu. Virou um disco duplo com nada menos que 43 músicas no total, em sua maioria curtas e eficientes.
A idéia partiu do diretor de Piratas do Caribe e do Johnny Depp… mas esqueça qualquer relação com Hollywood e suas produções descartáveis. O disco é uma delícia de escutar e não foi feito para as massas.
Dizem que o disco “físico” é bem legal, numa edição caprichada, bem apresentada. Eu não vi (ainda).
música pra ouvir: Sting Blood Red Roses
Roger : Cara, esse disco tá rolando no meu iTunes a semana inteira. Incrível. Fiquei impressionado com esse Baby Gramps, de quem nunca tinha ouvido falar. O AMG também não esclarece muita coisa sobre ele. Mas a voz do cara é foda, ele usa alguma daquelas técnicas polifônicas da moçada de Tuva ou é impressão minha?
Joanne : Isso parece-me interessante… mesmo! Principalmente por ter o Bono na lista!;P (E é “Bono”, não “Bono Vox”… Mas isso vai ao critério de cada um!) Gostava de ver o trabalho dele nesse tal: “Rogue’s Gallery”. Espero por mais notícias! bjos
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★★★★½
Assumo que música clássica antiga (pré-século XX) não é o meu forte. Sempre fui mais pro Schoenberg que pro Mozart. Mas não há como negar a genialidade, criatividade e importância do [considerado por muitos] maior compositor ocidental de todos os tempos, Sr. Johann Sebastian Bach.
Não, meu caro amigo hair metal, eu não estou falando do vocalista do Skid Row. É o tiozinho nascido em 1685 que mandou ver no barroco e neo-clássico.
Uri Caine é um pianista americano, nascido na Filadélfia em 1956, super eclético: toca de Mahler a bebop, de post-bop a experimental, de Thelonious Monk a bossa nova. Esteve no Brasil há uns 4 anos, tocando na banda do trompetista “modern creative” Dave Douglas.
No final dos anos 90 ele começou a fazer interpretações magníficas e modernas (mais pro jazz / avant-garde que pro erudito) de compositores como Mahler (“Urlicht / Primal Light”). E aí que o cara mostrou a que veio.
Segundo o próprio Uri Caine, “The Goldberg Variations é o símbolo da diversidade de Bach”. A diversidade que era possível na época, com a tecnologia e criatividade do século XVII~XVIII.
O que Caine fez foi transformar isso num disco erudito (e também pop) contemporâneo: rock, dub, electro, modern jazz, free jazz, improviso, ragtime, blues, música de video game, medieval, avant-garde, atonalismo, valsa, música de natal (!), soul, tango, mambo, gospel, bebop, experimental, drum & bass, samba, klezmer, corais, bossa nova, poemas, colagens, ambiências, quarteto de cordas, orquestra e… uhmmm… Bach!
Interpretações inspiradas em outros músicos eruditos clássicos como Vivaldi, Verdi ou mais modernos como Rachmaninov ou Philip Glass também rolam.
Mas nada disso soa caricato ou nonsense. Muito pelo contrário, parece que tudo faz sentido.
Talvez se Bach vivesse nos dias de hoje, com as tecnologias disponíveis agora, ele fizesse um disco assim.
As 30 variações originais viraram 72. A maior parte das faixas varia entre 30 segundos e 3 minutos neste álbum duplo lançado pela gravadora alemã Winter & Winter, com suas tradicionais embalagens de CD (seus discos vêm sempre numa espécie de híbrido de caixa de CD com caixa de madeira, num acabamento diferenciado - muito legal).
Achei sensacional.
Goste ou não de música clássica, recomendo uma audição completa.
Amantes puristas de música clássica, por favor, passem longe!