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★★★½
Na última semana, o lançamento do novo disco do Tomahawk teve uma repercussão interessante. Muita gente curtiu a idéia de pegar canções ancestrais dos índios americanos e transformá-las num rock fragmentado, outras acharam o disco soporífero.
Pessoalmente curti bastante o resultado… e comecei a pensar que outros projetos musicais tiveram semelhante postura, independente do resultado ter sido pior ou melhor que o supracitado. De cara me lembrei dessa banda da década de 60 que o Roger me apresentou em 1994-95: The Electric Prunes.
Aqui o tema é bem mais antigo que os índios: canto gregoriano. As músicas exploram o cantar típico monofônico dos monges, e os misturam com o rock psicodélico dos 60’s.
O quinteto, formado em 1965 em Los Angeles, havia lançado dois discos num garage rock bem comum na época. Nada muito novo até o Mass In F Minor sair pra assustar seus fãs e iniciar uma corrida travada até hoje pelos fanáticos por músicas “peculiares”.
Suas faixas foram arranjadas e conduzidas pelo músico erudito David Axelrod, interpretando uma missa e suas divisões (desculpe, os termos usados aqui podem estar imprecisos pois não manjo nada de missas): Kyrie, Gloria, Credo, Sanctus, Benedictus, Agnus Dei + 2 rockitos (Hey Mr. President e Flowing Smoothly) bem divertidos mas sem nenhuma relação com a “Mass”.
Durante a gravação do disco a banda brigou e ele acabou sendo concluído com a ajuda de músicos de estúdio e da banda canadense The Collectors. Ou seja, é “meio” um disco dos Prunes, meio do próprio compositor David Axelrod.
Após o completo fracasso de vendas desse disco e do único show feito, no qual a banda deixou claro que não conseguiria tocar as composições de Axelrod, o quarto disco foi gravado com um grupo de músicos completamente diferente e cuja capa constava a chamada the new improved Electric Prunes. Bizarro? Magina…
Apesar do fracasso da época, as missas psicodélicas desse disco viraram um cult e a Kyrie Eleison foi usada na trilha sonora do Easy Rider de Dennis Hopper, 1969. E a banda acabou voltando no final dos anos 90 com 3 integrantes da formação original, gravando 2 discos e 1 DVD. Mas nada de missa, nem em sonho…
Só me toquei agora que, por pura coincidência, comento sobre um disco “religioso” em plena visita do Seu Bento 16. Que coisa… Se alguém por aqui lembrar de outros projetos que reinventam músicas antigas, por favor, comente!
Amém! :)
música pra ouvir: Kyrie Eleison
Nelson Endebo 10/05/2007 às 3:30 pm Esse tema é excelente, me fez tirar o pó de muita coisa! Não consigo me lembrar de muitos álbuns que tenham “reinventado” músicas ancestrais, mas achei algumas coisas interessantes: 1. O último álbum de Bruce Springsteen, “We Shall Overcome”, é feito de versões do compositor Pete Seeger. A faixa “O Mary Don’t You Weep”, entretanto, nada mais é do que uma das mais antigas canções gospel do cancioneiro americano. Eu tenho um compacto de um certo Colored Quartet que data da década de 1910 e esta faixa está lá, com o nome de “Pharaoh’s Army got Drowned”… ou seja, uma canção religiosa, cuja melodia possivelmente vem de cantos ritualísticos de algum lugar da África. 2. John Zorn gravou o “Kol Nidre”, composição litúrgica judaica que era raramente executada por um quarteto de cordas; James Joyce a descreve no “Ulisses” como um canto. 3. As Irlandesas do The Corrs fizeram um ótimo disco em 2005, propositadamente chamado “Home”, feito em sua maioria de canções folclóricas irlandesas, incluindo duas baladas celtas cantadas no gaélico irlandês. 4. O disco do Marc Ribot em homenagem ao músico haitiano Frantz Casseus é, apesar de não tratar exatamente de composições “da terra”, não deixa de ser uma releitura apaixonada de um compositor que praticamente inventou sozinho um estilo musical baseado no Haiti. 5. O compositor libanês Bechara El-Khoury, principalmente na coleção “Orchestral Works”, parte do romantismo francês, passa por mestres modernos como Messiaen e Boulez e acaba “orientalizando” a tradição européia, uma vez que seus motivos são claramente inspirados na tradição árabe, parecida com a judaica em muitos aspectos. 6. Os suíços do Young Gods já reviveram a música de Kurt Weill, um dos formadores da consciência americana. Globalização é foda. 7. Boa parte do catálogo da Tzadik parte da tradição judaica, seja ela Azkenazi ou Sefaradi. Cracow Klezmer Band, Davka, Anthony Coleman e o próprio John Zorn (Masada, Bar Kokhba, Kristallnacht, todos esses nomes se relacionam diretamente à memória judaica) são bons exemplos disso. Bem, apesar de ter fugido um pouco do tema, taí a minha contribuição.
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por Roger Marmo
★★★★
Scott Miller é um daqueles artesãos pop que nunca se contentam em apenas criar melodias memoráveis, preferindo passá-las por um multiprocessador de onde saem colagens sonoras que, ainda que por vezes estranhas, não perdem a acessibilidade.
Nesse disco da banda da qual é líder e único membro permanente ao longo de várias mudanças de formação, à primeira vista parece que ele resolveu separar formalmente o lado pop do experimental: as canções propriamente ditas se alternam a pequenas faixas sem título, nas quais a esquisitice corre solta.
Mas basta uma audição atenta para perceber que não é tão simples assim: esses intermezzos às vezes anunciam um tema que vai ser resolvido na faixa seguinte, às vezes retomam uma idéia ou melodia da música anterior, chamando a atenção para detalhes e retrabalhando-os ao mesmo tempo em que “colam” uma música na outra.
E que belas músicas essas, que também possuem suas estranhezas sem perder a vergonha de partir para refrãos empolgantes.
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★★★
Essa banda eu sempre gostei muito. Das poucas da era grunge que ainda vejo graça. Esse disco é de um show feito para a BBC em 2000.
Legal? Ah… acho melhor escutar os discos de estúdio: “Every Good Boy Dserves Fudge” e “Piece of Cake” são imbatíveis. Fora a “Touch Me I’m Sick” do “Superfuzz Bigmuff” que está no Top 10 das músicas grunges.
Disco ao vivo é complicado… você sempre perde muito da performance, não tem como comparar. A não ser que você seja picareta que nem o Kiss que faz tanto overdub de estúdio em cima das gravações ao vivo que o disco fica perfeito.
O novo deles é legalzinho mas não chega aos pés dos acima citados.
música pra ouvir: Touch Me I’m Sick